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‘Atualidades’

A profilaxia dos shoppings e a harmonia excludente

A profilaxia dos shoppings e a harmonia excludente
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3/02/2012
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Assepsia, desvios do padrão e exclusão dos pobres



As praias urbanas sempre me pareceram símbolos de liberdade e convivência harmônica entre as pessoas de quaisquer classes sociais ao longo das décadas. A ausência de barreiras físicas claras, a gratuidade do acesso, a possibilidade de compartilhar espaços com uma infinidade de membros das famílias ou vizinhança, as refeições levadas de casa e outros aspectos, permitiam essa co-habitação pacífica. Obviamente, existiam – como ainda existem – áreas dessas praias em que determinados grupos se posicionavam, no entanto, nada podia privá-los de ocasionais misturas. Assim, a convivência democrática era possível e as delimitações sociais eram menos claras. Isso é o oposto dos novos espaços de convivência: os shoppings, sínteses do mundo ideal pasteurizado.

Se a praia permitia gratuidade, os shoppings são o auge das relações de compra e venda. Tudo nos shoppings é pago, mesmo quando não se paga nada aparentemente, pois as vitrines, fachadas, cartazes e até as pessoas fazem propaganda dos shoppings, de suas lojas e serviços, mas, sobretudo, do estilo de vida que lá se comercializa. Ainda que os shoppings não cobrem pelo acesso, o ambiente é, por natureza, intimidador aos menos favorecidos. Há, a partir daí, um movimento de exclusão ideológica.

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Autor: Categories: Atualidades, Ensaios

Liberdade e livre-arbítrio – parte 2

Liberdade e livre-arbítrio
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30/01/2012
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Paradoxos da liberdade e o fim das marchas



A restrição da liberdade é condição sine qua non da própria vida humana em sociedade. Se não fosse o refreamento dos impulsos vitais, por exemplo, os conflitos interpessoais quase sempre terminariam em derramamento de sangue ou morte. Se as pessoas fossem totalmente desimpedidas para expressar o que pensam, qualquer discordância se tornaria uma troca de insultos, xingamentos e ataques verbais preconceituosos, desperdiçando-se a oportunidade do debate de ideias. Se não fosse a cultura, enfim, não seríamos humanos.

Esse refreamento deveria se tornar uma prática consciente, parte de uma autocrítica constante, norteada pela razão e por uma noção realmente libertária da liberdade. Esta só tem sentido como valor social quando se aplica a todos igualmente, e isso necessariamente significa que, paradoxalmente, nem tudo é permitido numa sociedade livre.

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Downloads gratuitos

Downloads gratuitos
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27/01/2012
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A Reforma Agrária do universo virtual



Toda a polêmica gerada pelo projeto de lei Stop Online Piracy Act (SOPA), proposta por senadores americanos e apoiada pela indústria do cinema e da música, se espalhou pelo mundo. Ainda que esta seja uma lei nacional americana, a discussão tem proporções mundiais, o que não poderia ser diferente, tendo em vista que os limites geográficos tornaram-se menos claros quando relacionados à busca e obtenção de informações a partir da internet.

A lei proposta visa criar novas proibições com intuito de conter os downloads gratuitos feitos de forma ilegal – de acordo com os parâmetros oficiais ainda vigentes – penalizando até os usuários domésticos que fizerem downloads ou adquirirem produtos a partir de sites considerados piratas. O principal alvo da nova campanha anti-pirataria movida por gigantes da indústria de entretenimento, como a Universal Music, foi o site Megaupload, cujas atividades foram encerradas e seus proprietários presos.

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Autor: Categories: Atualidades

Liberdade e livre-arbítrio – parte 1

Liberdade e livre-arbítrio
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23/01/2012
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A liberdade irrestrita nos torna realmente livres?



É por parte de cristãos de diversas denominações que mais se ouvem queixas reacionárias perante críticas dirigidas ao Cristianismo, manifestações pelos direitos dos LGBTs e reivindicações pela efetiva laicidade do Estado. Quando uma boa quantidade de pessoas critica o comportamento de evangélicos que transformam uma cabine do metrô numa barulhenta sessão de pregação, com direito a possessões divinas e diabólicas, alguns evangélicos sentem que se trata de uma repressão a sua crença. É difícil que algo assim não provoque calorosas discussões na internet.

Recentemente a direção do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, Pernambuco, proibiu as práticas de pregação e oração por parte de visitantes nas enfermarias. Nada mais é do que um ato de bom senso e compreensão da necessidade de os vários pacientes repousarem e se recuperarem de procedimentos médico-cirúrgicos. Pastores se sentiram oprimidos em sua liberdade de culto, como se a pregação fosse mais importante do que a liberdade e a saúde de outras.

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As micaretas de Cristo

As micaretas de Cristo
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20/01/2012
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O escarcéu e o desrespeito nas manifestações religiosas de nossos dias



Uma coisa as manifestações religiosas perderam com o passar dos anos: a solenidade. Se era preciso mostrar ao mundo ou aos próximos a fé que se sentia, isso costumava ser feito com certa cerimônia e serenidade. As pessoas davam à exposição da fé o tom solene que as promessas de salvação e conduta requeriam. Hoje, o que mais se percebe é uma carnavalização da fé e da religiosidade.

As cidades estão cheias do que se poderia chamar de micaretas de Cristo: são carros de som, trios elétricos, bandas, palanques e fogos anunciando a salvação e a presença de Deus no meio da rua. O que antes era solenidade, hoje é balbúrdia e alarde, como acontece nas outras manifestações carnavalescas.

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A cor do brinquedo

A cor do brinquedo
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9/01/2012
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Riley e os brinquedos como reprodutores dos papéis de gênero



A pequena Riley fez um sucesso instantâneo na internet ao demonstrar sua indignação para com o marketing, que manipula os desejos infantis por brinquedos de acordo com o sexo das crianças. Meninas devem querer princesas e brinquedos cor-de-rosa. Meninos devem desejar super-heróis de qualquer outra cor. Afinal, afirma ela, há meninos que querem princesas cor-de-rosa e há meninas que querem super-heróis de outras cores.

Há não muito tempo presenciei uma cena que se repete o tempo todo em nossa sociedade. O pai pede ao garoto que escolha qual a cor do brinquedo ele quer levar; o menino escolhe rosa; o pai responde enfático: “Rosa não, você é doido?! Você é homem! Escolha outra cor.” Há um desejo legítimo da parte de algumas pessoas por objetos que são socialmente proibidos ao seu gênero. Esse desejo é tolhido e moldado para se enquadrar num modelo de masculinidade ou feminilidade.

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Cabelo ruim

Cabelo ruim
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12/12/2011
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Cabelos crespos, racismo, beleza e auto-estima



Foi notícia divulgada nacionalmente o depoimento de Ester Elisa da Silva Cesário, estagiária do Colégio Internacional do Anhembi Morumbi, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Ela conta que, no primeiro dia de trabalho, foi chamada pela diretora para receber a “sugestão” de alisar os cabelos, porque seu cabelo “ruim” não condizia com a imagem prezada pela escola. Ester denunciou a demonstração de racismo à Polícia.

A escola se pronunciou afirmando que “tudo não passou de um mal-entendido”, pois se trataria de uma instituição cuja política é inclusiva. A diretora teria apenas recomendado que a estagiária amarrasse o cabelo, prática regulamentada pelo estatuto do colégio. O caso todo causou um grande mal-estar na instituição e manifestações da sociedade, especialmente porque a notícia trouxe à tona o presente tema do racismo no Brasil.
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Autor: Categories: Antropologia, Atualidades

45 anos de Star Trek

45 anos de Star Trek
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8/09/2011
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Ainda vivendo longa e prosperamente



No dia 8 de setembro de 1966, ia ao ar na NBC, na televisão norte-americana, o episódio O Sal da Terra (The Man Trap), estreia da série Jornada nas Estrelas (Star Trek), que se tornaria uma das mais longevas franquias de ficção científica, indo audaciosamente a seguidas séries e temporadas de TV, filmes, livros, quadrinhos e tanta parafernália de merchandising (brinquedos, roupas e acessórios úteis ou inúteis) a que talvez só Guerra nas Estrelas (Star Wars) se equipare ou, quiçá, supere.

A premissa da série idealizada por Gene Roddenberry era levar a um futuro utópico histórias de aventura, suspense e drama, tudo em torno de uma elaborada e inteligente ficção científica, o que se traduz em “explorar novos mundos estranhos, procurar novas formas de vida e novas civilizações”. Inicialmente, tal premissa foi desenvolvida através de três temporadas mais ou menos bem-sucedidas. Personagens marcantes como Capitão James T. Kirk, Sr. Spock e Dr. Leonard McCoy encenariam enredos repletos de surpresas e reviravoltas.

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Autor: Categories: Atualidades

Um fantasma ronda o Brasil?

Um fantasma ronda o Brasil?
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15/06/2011
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Manifestações reprimidas, o medo da subversão e a sombra de um monstro



As recentes tentativas de se organizar manifestações em Brasília a favor da descriminalização da maconha têm esbarrado em impedimentos. Depois de ter sido proibida pela Justiça, será objeto de discussão no Supremo Tribunal Federal, que decidirá sobre a legalidade das manifestações.

A decisão de se discutir a legalidade de uma manifestação como essa se justifica pelo preconceito. O comércio de maconha é proibido no Brasil (e este é o tema das manifestações), mas a liberdade de expressão é garantida pela Lei brasileira. Porém, a mente conservadora, temerosa da desagregação dos costumes, associa a liberdade de expressão de ideias subversivas ao incentivo do crime e do pecado.

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Autor: Categories: Atualidades

Chico Mota

Chico Mota
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8/06/2011
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Pequeno resumo da vida e obra de um violeiro do Seridó



Francisco Fernandes da Mota foi um poeta, violeiro, repentista e cordelista paraibano que se tornou célebre no Seridó potiguar, especialmente em Caicó, onde viveu a maior parte de sua vida. Nasceu aos 23 de outubro de 1924, filho de Henrique Ferreira da Motta e Maria Elvira Fernandes, na Fazenda Dinamarca, município de Catolé do Rocha, Paraíba. Começou a trabalhar na agricultura aos 10 anos de idade e viveu na zona rural até 1963.

Em 1949, deu início à profissão de violeiro. Em 1955, na cidade de São Bento (PB), casou-se com Hermínia Joaquina Alves, com quem viveu até o dia de seu falecimento e lhe deu uma prole de 10 filhos. Em 1º de maio de 1963, criou, juntamente com o violeiro-repentista José Soares Sobrinho (in memoriam), o programa de rádio Violeiros do Seridó.

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Autor: Categories: Atualidades, Crônicas
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