Contos Archive

  • Foi num dia como este que ela se deparou com o abismo dos olhos do gato. Não foi um encontro qualquer, não só porque se assustou pelo inesperado deparar-se com a criatura, nem somente por causa da assimetria cromática das íris do animal, mas porque do fundo das retinas deste faiscava algo fantasmático...

    Frigatriscaidecafóbica

    Foi num dia como este que ela se deparou com o abismo dos olhos do gato. Não foi um encontro qualquer, não só porque se assustou pelo inesperado deparar-se com a criatura, nem somente por causa da assimetria cromática das íris do animal, mas porque do fundo das retinas deste faiscava algo fantasmático...

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  • Havia um homem cuja origem todos desconheciam. O que todos sabiam é que usava roupas pretas e tinha um sorriso contagioso. Seu modo de andar saltitando e dançando também o fazia muito carismático para com as crianças. Diz-se que os padres não se davam muito bem com ele. Na verdade, os sacerdotes (...)

    Veneno do Diabo

    Havia um homem cuja origem todos desconheciam. O que todos sabiam é que usava roupas pretas e tinha um sorriso contagioso. Seu modo de andar saltitando e dançando também o fazia muito carismático para com as crianças. Diz-se que os padres não se davam muito bem com ele. Na verdade, os sacerdotes (...)

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  • Erguia-se dos degraus transpostos. Como se do alto pudesse possuir mais que o horizonte. Desejava ser único em ponto mais elevado: valia-se da circunferência de suas búfalas narinas. Abertas as cartilagens, todo corpo – feminino – fazia-se carne. O seu: abismo de anseios.

    Deleite condensado

    Erguia-se dos degraus transpostos. Como se do alto pudesse possuir mais que o horizonte. Desejava ser único em ponto mais elevado: valia-se da circunferência de suas búfalas narinas. Abertas as cartilagens, todo corpo – feminino – fazia-se carne. O seu: abismo de anseios.

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  • Parecem formigas em dia de chuva. Marcham equilibrados no rastro forjado pela modernidade. Um ter que ir e vir. Um ter que levar e trazer. Um ter. Multidão de olhares paralelos negando o cruzamento no infinito. Homens-horizonte, grudados ao chão. Então, você. Você surge na perpendicular. ...

    Carta ao poeta sem nome

    Parecem formigas em dia de chuva. Marcham equilibrados no rastro forjado pela modernidade. Um ter que ir e vir. Um ter que levar e trazer. Um ter. Multidão de olhares paralelos negando o cruzamento no infinito. Homens-horizonte, grudados ao chão. Então, você. Você surge na perpendicular. ...

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  • Ele sabe que tudo está desabando; O que havia ali secou, apodreceu. O não dizer, o não falar, o silêncio: entidade invisível que segura o último fio da corda que ainda sustenta sua relação. Ar, oxigênio, toneladas - Borges tenta beijá-la como nos primeiros dias, a paixão impulsionada ...

    Frames

    Ele sabe que tudo está desabando; O que havia ali secou, apodreceu. O não dizer, o não falar, o silêncio: entidade invisível que segura o último fio da corda que ainda sustenta sua relação. Ar, oxigênio, toneladas - Borges tenta beijá-la como nos primeiros dias, a paixão impulsionada ...

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  • Des-asperada de saliva rompe os limites dos lábios, acompridando-se compassada pela vibração dos globos oculares, ali somente brancos. Deita-se a língua sobre o casaco de proibir frio, objetivando o pingo espesso abandonado pelos lábios derramados de um cochilo fundo. ...

    Para adormecer rancores

    Des-asperada de saliva rompe os limites dos lábios, acompridando-se compassada pela vibração dos globos oculares, ali somente brancos. Deita-se a língua sobre o casaco de proibir frio, objetivando o pingo espesso abandonado pelos lábios derramados de um cochilo fundo. ...

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  • “Clio, o que há de errado?” “Nada, Hipólita, tava só pensando...” “Quer desistir? Sei que você tem gostado muito deste lugarzinho sem graça, deste planetinha praticamente inofensivo, mas temos que seguir em frente. Nosso trabalho... quero dizer, seu trabalho aqui terminou, ainda temos muitos mundos para visitar...”

    A primeira toalha de Hipólita

    “Clio, o que há de errado?” “Nada, Hipólita, tava só pensando...” “Quer desistir? Sei que você tem gostado muito deste lugarzinho sem graça, deste planetinha praticamente inofensivo, mas temos que seguir em frente. Nosso trabalho... quero dizer, seu trabalho aqui terminou, ainda temos muitos mundos para visitar...”

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  • Antes de ser morto meu pai, ensinou-me que ao homem é preciso sempre superar-se, romper seus limites, como um Raskónikov capaz de relevar a culpa, de não ceder às pressões que se abatem sobre o homem que fraqueja. Antes de ser morto meu pai, disse-me tantas coisas a respeito da vida (...)

    O libertador

    Antes de ser morto meu pai, ensinou-me que ao homem é preciso sempre superar-se, romper seus limites, como um Raskónikov capaz de relevar a culpa, de não ceder às pressões que se abatem sobre o homem que fraqueja. Antes de ser morto meu pai, disse-me tantas coisas a respeito da vida (...)

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  • Durante décadas este pequeno país viveu sob o comando cruel dos ditadores. “Cruel” não deve ser o adjetivo mais adequado para esse tempo: em verdade, foram décadas de uma ditadura silenciosa em que o povo tornava-se cada vez mais silencioso, mais quieto, como seu governo. Não houve, senão por uns poucos (...)

    Como se chama o presidente?

    Durante décadas este pequeno país viveu sob o comando cruel dos ditadores. “Cruel” não deve ser o adjetivo mais adequado para esse tempo: em verdade, foram décadas de uma ditadura silenciosa em que o povo tornava-se cada vez mais silencioso, mais quieto, como seu governo. Não houve, senão por uns poucos (...)

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  • A faca rasgava a barriga do peixe como se abrisse nuvens, de onde escorreria uma chuva vermelha e viscosa. A arte das facas, a sorte lida nas vísceras, infortúnios em lugar de fortuna. As mãos tingidas do vermelho sangue-chuva-viscosa das entranhas dos peixes. O cheiro impregnado no corpo, no couro (...)

    Peixe Podre

    A faca rasgava a barriga do peixe como se abrisse nuvens, de onde escorreria uma chuva vermelha e viscosa. A arte das facas, a sorte lida nas vísceras, infortúnios em lugar de fortuna. As mãos tingidas do vermelho sangue-chuva-viscosa das entranhas dos peixes. O cheiro impregnado no corpo, no couro (...)

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