ou De reencontros e afastamentos
Já estive em assembléias para decidir os rumos de uma greve da qual participei. Era comum agendar uma reunião para tomar uma decisão futura e, quando tal reunião chegava, decidia-se marcar outra reunião. Essa situação foi hilariamente parodiada em A Vida de Brian, no qual um grupo revolucionário marca uma reunião para decidir a data de outra reunião, na qual será agendada uma outra etc. Foi engraçado ver uma piada sobre algo que presenciei de tão perto.
Mas isso ocorre de forma tão comum não só na vida corporativa. Quantas vezes não encontramos um velho conhecido e, na ânsia de mostrar algum interesse pelo reencontro, dizemos “vamos marcar qualquer coisa aí”. E esquecemos de marcar, ou esquecemos de marcar a ocasião em que vamos marcar o encontro. O “vamos” serve como um adiador indefinido de uma ocasião que ocorrerá num tempo infinitamente futuro.

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ou Algumas situações reais de discriminação potiguar
Para visitantes de alguns outros lugares do Brasil, o Rio Grande do Norte parece um estado branco, caucasiano. A um colega de trabalho nascido na Bahia, Natal aparentou ter muito poucos negros. De fato, indivíduos de pele escura chamam atenção na região metropolitana, por serem raros. Luís da Câmara Cascudo, clássico historiador norte-rio-grandense, já afirmou em uma de suas obras que o Rio Grande do Norte se caracteriza por uma herança cultural lusitana, com quase nenhuma influência africana ou indígena.
Entretanto, uma incursão pela parte mais pobre da metrópole e pelo interior do estado revela uma discrepância com essa afirmação cascudiana. Na realidade, a negação racista de Cascudo se reflete numa situação de desprezo pela população cujo fenótipo é discriminado, menosprezado, vilipendiado e tem a existência obscurecida, como se fossem fantasmas estrangeiros indesejados que se tentam ignorar.

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ou Uma festa não muito esperada
Na madrugada de 29 de dezembro de 2009, eu e minha esposa fomos dormir depois de terminar de assistir a De Volta para o Futuro III 1. Antes de cairmos no sono, ela me desejou feliz aniversário e boa noite. Sonhei com ela acendendo incensos no quarto e dançando músicas de estilos variados.
O dia amanheceu com uma deusa depositando uma bandeja de néctar e ambrosia no meu colo 2. Suco de goiaba, torrada de pão francês com queijo, torrada de pão preto com presunto, ovo frito, café com leite, tapioca e bolo de chocolate. Praticamente tudo o que eu precisava para já sentir que o dia foi satisfatório.

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ou Encontro “casual” de um ateu com Jeová
Acordei cerca das 8:45, para escovar meus dentes e tomar sossegado meu café-da-manhã. Alguém bate palmas à porta, e Edilma, a empregada doméstica, está ocupada limpando a casa. Meus pais e meu irmão estão fora, minha irmã e minha prima ainda estão dormindo, e tenho que interromper meu tranquilo café-da-manhã para atender a duas senhoras que se apresentam como “pessoas que decidiram sacrificar um pouco do seu tempo para ler a Bíblia com os moradores da vizinhança”. Por alguma razão que ainda desconheço, vieram fazê-lo, certamente sem sabê-lo, com um ateu.
Bem, naquele momento eu queria mesmo é estar terminando calmamente minha refeição, e procurei atentar para que o encontro fosse o mais breve possível, não só porque eu tinha outras coisas para fazer (além do desjejum) como porque não estava muito disposto a redarguir com minha posição sobre o assunto, devido à hora do dia e às circunstâncias do encontro, duas senhoras, uma com mais idade, com quem seria desgastante trocar uma discussão. Mas me dispus ao menos a dar-lhes a mínima atenção.

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ou É melhor ser temido do que amado
As conversas sobre religião cristã ou sobre crenças religiosas do Cristianismo podem revelar muitas das contradições e preconceitos inerentes aos discursos teístas, notadamente quando os envolvidos na conversa são evangélicos. Não porque sejam pessoas mais preconceituosas ou contraditórias, mas, talvez, porque as religiões evangélicas, herdeiras de Lutero, encorajam os crentes a elaborar suas convicções (os católicos se contentam mais com um discurso instituído).
Tomem como exemplo o diálogo abaixo, que parafraseio por não ter podido gravá-lo, mas que reproduz a maior parte das ideias expressas pelos interlocutores. As duas personagens são colegas de trabalho que se encontravam na mesma sala que eu no momento da conversa. Eu apenas ouvi e não participei.

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Leda
Behold! A segunda tirinha de Leda saiu. Foi um parto difícil, mas aprendi muitas coisas enquanto desenhava e concebia com minha esposa.
Há alguns meses, em viagem a trabalho, duas colegas minhas contaram, numa certa manhã, que na noite anterior, no quarto em que ficaram hospedadas, tiveram um grande pavor ao ver uma luz piscando embaixo da cama. “Um ET?! Um espírito?!” Era um vaga-lume, como constataram depois.

ou A dificuldade de se lidar com preconceitos regionais e de gênero
No dia 21 de junho de 2009 e.c., Carlos Cardoso, conhecido blogueiro (ou bloguista, no vocabulário dele) brasileiro e usuário do Twitter com mais de 7.000 seguidores, comentou no próprio Twitter, enquanto assistia ao programa televisivo Pânico na TV, que noticiou o festival Mossoró Cidade Junina, que achava engraçado haver emos em Mossoró (uma das principais cidades potiguares).
Não vi o programa, mas imagino que o Pânico deva ter filmado algum emo no festival. Eu, usuário do Twitter com mais de 80 seguidores, não entendi bem a graça de haver emos em Mossoró. Imaginei, preconceituosamente, que Cardoso talvez pensasse que uma identidade urbana, adolescente e tribal comum às grandes cidades não deveria existir numa cidade “nordestina”.

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