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Arquivos de ‘Crônicas’

Da onipotência

13/12/2009

ou É melhor ser temido do que amado

As conversas sobre religião cristã ou sobre crenças religiosas do Cristianismo podem revelar muitas das contradições e preconceitos inerentes aos discursos teístas, notadamente quando os envolvidos na conversa são evangélicos. Não porque sejam pessoas mais preconceituosas ou contraditórias, mas, talvez, porque as religiões evangélicas, herdeiras de Lutero, encorajam os crentes a elaborar suas convicções (os católicos se contentam mais com um discurso instituído).

Tomem como exemplo o diálogo abaixo, que parafraseio por não ter podido gravá-lo, mas que reproduz a maior parte das ideias expressas pelos interlocutores. As duas personagens são colegas de trabalho que se encontravam na mesma sala que eu no momento da conversa. Eu apenas ouvi e não participei.

Da onipotência

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Autor: Thiago Leite Categories: Crônicas, Ensaios, Religião

Objeto Neuronial 004

7/09/2009

Leda

Behold! A segunda tirinha de Leda saiu. Foi um parto difícil, mas aprendi muitas coisas enquanto desenhava e concebia com minha esposa.

Há alguns meses, em viagem a trabalho, duas colegas minhas contaram, numa certa manhã, que na noite anterior, no quarto em que ficaram hospedadas, tiveram um grande pavor ao ver uma luz piscando embaixo da cama. “Um ET?! Um espírito?!” Era um vaga-lume, como constataram depois.

Objeto Neuronial 004 - Leda

Emo vs. “nordestino cabra macho”

24/06/2009

ou A dificuldade de se lidar com preconceitos regionais e de gênero

No dia 21 de junho de 2009 e.c., Carlos Cardoso, conhecido blogueiro (ou bloguista, no vocabulário dele) brasileiro e usuário do Twitter com mais de 7.000 seguidores, comentou no próprio Twitter, enquanto assistia ao programa televisivo Pânico na TV, que noticiou o festival Mossoró Cidade Junina, que achava engraçado haver emos em Mossoró (uma das principais cidades potiguares).

Não vi o programa, mas imagino que o Pânico deva ter filmado algum emo no festival. Eu, usuário do Twitter com mais de 80 seguidores, não entendi bem a graça de haver emos em Mossoró. Imaginei, preconceituosamente, que Cardoso talvez pensasse que uma identidade urbana, adolescente e tribal comum às grandes cidades não deveria existir numa cidade “nordestina”.

Comentário de Cardoso sobre emos em Mossotó

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No campo da vida real

13/06/2009

ou Experimentos mais ou menos sociológicos

Ontem*, ao tomar o ônibus para casa, presenciei duas situações que me deram a ideia de escrever um texto na Teia. A primeira foi uma mulher oferecendo o assento a um homem idoso. Este disse polidamente que não precisava. Aquela reiterou dizendo que se ele quisesse poderia sentar no lugar dela. Ao dizer isso, ela nem sequer fez um movimento para se levantar 1.

A outra situação foi um homem sentado à janela da última linha de cadeiras, meio deitado, ocupando dois espaços, absorto na paisagem, sem esboçar a menor disposição para ceder um espaço, sem aparentemente perceber que o ônibus ficava cada vez mais cheio de gente em pé e que agradeceria imensamente a bondade de um estranho que lhe oferecesse um pouco de conforto coletivo.

O sociopata e a sociedade

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É preciso o Orgulho Nerd?

26/05/2009

ou “O que faremos amanhã à noite, Cérebro?”

Ontem, dia 25 de maio, foi o Dia da Toalha. Esta data foi inventada por fãs da obra de ficção científica/comédia de Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias, segundo o qual a toalha é o item mais útil que um mochileiro das galáxias pode levar numa viagem pelo espaço sideral.

Essa data também é o dia da estreia de Guerra nas Estrelas, em 1977. Como muitos fãs das histórias de Guerra nas Estrelas e da obra de Adams são nerds, resolveram transformar esta data também no Dia do Orgulho Nerd, ou Dia del Orgullo Friki, comemorado pela primeira vez em Madrid, Espanha, em 2006.

Nerds are aliens, aliens are nerds

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Errare humanum est

11/05/2009

…sed perseverare roboticum

Hoje teve início o uso de um equipamento eletrônico para controlar a frequência dos funcionários da instituição em que trabalho. Antes de essa ferramenta ser instalada, costumávamos assinar uma folha, preenchendo o horário de chegada e saída e deixando nossa assinatura.

Com o novo instrumento, basta que o funcionário aplique o dedo sobre uma superfície lisa que reconhece a impressão digital do polegar ou do indicador esquerdos (previamente cadastrados), no momento da chegada e na saída do trabalho, contabilizando automaticamente as horas passadas no serviço.

Ponto eletrônico

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Não vá sonhando

6/10/2008

ou “Your future is what you make it”

Minha colega de trabalho hoje lamentou o fato de não haver, no prédio em que trabalhamos, nenhuma área de lazer, nenhum jardim onde relaxar a mente, nenhum espaço para os funcionários descansarem os músculos, os neurônios, as energias.

Ela me disse que já conversou com o superintendente, mas ele sempre responde que isso tudo vai haver no prédio novo que estão construindo (há anos). Que desculpa! E assim teremos que aturar por quanto tempo as más condições de trabalho em que estamos? O novo prédio será um spa, onde vamos apenas compensar o tempo perdido.

Não, esta situação não é a ideal. O crente que espera que um salvador venha solucionar os problemas do mundo é um covarde. Enquanto não temos o melhor planeta onde viver, comecemos a construí-lo. O maravilhoso mundo do futuro que esperamos e representamos nas imagens da ficção científica não será trazido por deuses ou messias. Será realizado por nós.

Mesmo que não estejamos diretamente envolvidos com a elaboração de tencologisa avançadas, podemos ao menos cuidar da limpeza da Terra, deixando-a em condições de sobrevivência e de vida e com a capacidade de manter as cidades e aparatos tecnológicos que tanto nos serão úteis.

Se quisermos ter aqueles ambientes límpidos e espelhados (como o cenário do ano de 2015 em De Volta para o Futuro II), sem nanhum vestígio de manchas de sujeira que vemos em filmes futuristas, não vai adiantar esperar por máquinas autolimpantes. Uma máquina autolimpante gasta desnecessariamente energia com uma atividade que nós mesmos podemos fazer. E podemos começar agora.

Esperar que o mundo melhore para que nós vivamos melhor? Costumamos falar muito da importância de sonhar, de imaginar um futuro melhor, de ter esperanças. Mas o compromisso exige esforços concretos e a relação de si com o mundo, não o ensimesmamento que remói a esperança, que às vezes pode dar à luz o desespero. Lembremos da lição de Dr. Brown a Jennifer, quando o conteúdo da folha de papel que ela trouxe do futuro se apagou diante de seus olhos:

Your future hasn’t been written – no one’s has. For better or worse, your future is what you make it.

Sempre me emociono quando lembro dessa cena.

iTettigonia viridissima/i

Tettigonia viridissima

Autor: Thiago Leite Categories: Crônicas, Ensaios

toki musi

26/09/2008

anu toki pona li pona anu seme?

tenpo ni la mi sitelen e lipu pi toki pona.

toki pona li toki musi. ona li pona tawa mi, taso ona li pana ala e mani tawa jan.

toki pona li kute pona. mi ken sitelen e toki olin en toki unpa tawa meli mi. jan mute li sona ala e toki pona li sona ala e ni: mi sitelen e toki olin en toki unpa tawa meli mi.

sina sona e toki pona anu seme?

mi tawa.


jan pona o kama sona e toki pona.

Autor: Thiago Leite Categories: Crônicas, Tessitura livre

Relato de viagem 5 – Natal-Salvador-Natal

13/08/2008

4 de agosto de 2008 e.c.

Chegamos em Natal por volta de 1:00. Não pude ir para casa. Maus pais vieram ao aeroporto com roupas limpas, apenas para eu trocar o conteúdo da mala e embarcar para Salvador, capital da Bahia.

Encontrei os dois colegas do Incra que iam comigo. Chegamos bem a Soterópolis e fomos nos hospedar no Hotel Alah Mar. Dormi até as 12:00. Almoçamos carne e jantamos bacalhau.

5 a 7 de agosto de 2008 e.c.

Participamos de todas as sessões da Oficina de Capacitação dos Agentes Promotores da Regularização de Territórios Quilombolas, motivo de nossa viagem. O evento foi bom.

ObelixNestes dias, comi muito bacalhau, ora pois, o dono do hotel é português. Resolvemos ir comer numa churrascaria que servia muitos tipos de iguaria, inclusive carne de javali. Infelizmente, não pudemos ir lá e não provei do javali. Ficará para outra oportunidade descobrir meu lado Obelix.

Enquanto refletia, durante minha estada em Salvador, sobre minha programação existencial, chamou-me atenção uma diferença interessante entre os dois colegas que estavam comigo. Um deles é uma pessoa que eu poderia chamar de conformista. Não possui ambições. Parece-me que, para ele, as coisas irão bem enquanto ele permanecer fazendo sempre o mesmo serviço no Incra, de modo que a Capacitação não lhe deu nenhuma perspectiva nova. Também me parece que ele vive para ter os prazeres simples da vida, comer e dormir. Não consegui deixar de achá-lo parecido com um orangotango (talvez ele tenha sido um em uma vida anterior), mas escrevendo agora me dou conta que ele parece muito com Balu:

Look for the bare necessities
The simple bare necessities
Forget about your worries and your strife
I mean the bare necessities
That’s why a bear can rest at ease
With just the bare necessities of life

Já o outro é um homem muito curioso e criativo, que faz boas associações de idéias. Ele contou que, na juventude, descobriu como fazer uma serigrafia, através de tentativa e erro, numa época em que as serigrafias guardavam segredo de suas técnicas, e passou a trabalhar com isso durante muitos anos. É uma pessoa com grande potencial intelectual e inventivo, mas, como ele mesmo conta, não exerceu atividades que pudessem ter resultado em grandes benefícios para a humanidade.

É engraçado que, soletrando ao contrário o nome de cada um destes dois personagens da vida real, soletra-se o nome do outro. Eles representam as perspectivas de dois caminhos que não quero seguir em minha vida: o da frustração (por ter subutilizado os próprios traços-força) e o da omissão (por ter renunciado há muito tempo os próprios potenciais).

8 de agosto de 2008

Meus pais vieram me pegar no aeroporto. Após levarmos de carona meus colegas para suas respectivas residências, fomos para casa, e dormi com o despertador ao lado, para tentar assistir à abertura das Olimpíadas de Beijing. Perdi quase uma hora do espetáculo.

Nini

Nini

Autor: Thiago Leite Categories: Crônicas

Relato de viagem 4 – Pesqueira-Recife-Natal

13/08/2008

3 de agosto de 2008 e.c.

Acordei bem. O campo consciencioterápico desta manhã foi bem melhor, consegui relaxar mais, com uma manta maior, cobrindo o nariz do frio. Fui chamado por uma pessoa da equipe para testar o campo. Estendendo os braços diante do epicon, que movia o braço direito, exteriorizando energias, senti algumas ondas de calor, em pleno ar gelado.

Voltei para o colchonete e, alguns minutos depois, fui chamado para fazer uma pergunta ao amparador extrafísico, que estava naquele momento utilizando o corpo do epicon, este no papel de médium. Perguntei sobre minha profissão e minha programação existencial. Ele me recomendou:

Leia o Manual da Proéxis com profundidade, procurando destacar aquilo que lhe foi dado nesta vida, para você compreender o momento certo em que você retribuirá o que recebeu. Não esqueça que você precisa sustentar sua vida. Não confunda dois conceitos que são complementares. Dessa forma, estudando, você encontrará sua resposta.

Devia ter pensado nisso antes.

No almoço, conversei um pouco com Thales e Iara. Falei sobre minha experiência nasal, e ela sugeriu que aquilo poderia estar ligado ao frontochacra.

Após o debate da tarde, Silvana apresentou o projeto arquitetônico prévio do campus do Intercampi. Cada um então tomou seu rumo. Fui no ônibus para Recife. Em certo momento, começamos uma sessão de piadas que rendeu muito.

Mais da metade do caminho para Recife já fora percorrido quando o ônibus bateu numa caminhonete. Ninguém se feriu. A polícia veio. Ficamos esperando que a Caruaruense enviasse outro ônibus. Enquanto isso, as piadas continuaram, e a sessão se estendeu no outro ônibus. Destaco 3 das melhores. A primeira foi contada por Clara:

Um advogado, um médico e um cientista foram indagados sobre se preferiam a esposa ou a amante. O advogado respondeu:
“Fico com a esposa, pois estou ligado a ela pela lei.”
O médico disse:
“Fico com a amante, pois devo seguir os ditames dos instintos.”
O cientista falou:
“Eu fico com as duas.”
“Mas você deve escolher só uma.”
“Não, eu fico com as duas.”
“Por quê?”
“Porque, enquanto eu não estiver com a esposa, ela vai pensar que estou com a amante. Enquanto eu não estiver com a amante, ela vai pensar que estou com a esposa. E, enquanto elas se perguntam onde estou…” esfregou as mãos e completou, “eu vou para o laboratório.”

A segunda foi Lúcio que contou:

Um homem entrou num bar e viu uma caixa cheia de notas de R$ 50,00. Perguntou ao barman:
“Isso é uma aposta?”
“É. R$ 100,00 para apostar. Se conseguir realizar o desafio, leva a caixa.”
“Qual é o desafio?”
“São três etapas. Primeiro, você deve beber de um gole só essa garrafa de cana. Depois, tem que ir lá fora arrancar um dente do meu pitbull. Então, deve subir aquela escada e traçar uma velhinha de 100 anos que está no quarto.”
Após hesitar um bocado, o homem decidiu entrar na aposta. Primeiro, engoliu a garrafa de cana em um só gole.
“Cadê aquele cachorro?!”
Foi atrás do pitbull, e de dentro do bar se ouviram latidos e ganidos. O homem voltou, todo sujo e ensangüentado, e disse:
“Agora vou arrancar o dente da velha!”

A melhor de todas foi contada por Emmerson:

Um homem entrou num edifício, procurando um médico, mas acabou entrando num escritório de advocacia.
“Doutor, estou com uma dor terrível no testículo!”
“Senhor, aqui nós trabalhamos com Direito.”
“Vá ser especialista assim na China!”

Chegamos a tempo no aeroporto. Os que iam para Natal, inclusive eu, fomos esperar algumas horas para o vôo das 23:40.

Autor: Thiago Leite Categories: Crônicas
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