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	<title>Teia Neuronial &#187; Antropologia</title>
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	<description>Antropologia, Ficção Científica, cultura e sociedade</description>
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		<title>O paradoxo da máscara</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2012 11:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Escondendo quem aparentamos ser e revelando quem somos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A máscara pode ser tecnicamente definida como um objeto que cobre parte de ou todo o rosto de uma pessoa. Há máscaras que servem para proteger o usuário de inalar gás ou poluente venenoso; há aquelas que servem para evitar a transmissão de doenças e/ou para prevenir o usuário de uma infecção; algumas máscaras protegem os olhos do soldador das faíscas de sua solda. Em vários casos, o objeto que cobre o rosto tem uma utilidade prática.</p>
<p>Mas há máscaras decorativas cujo uso está ligado à fantasia e assunção de um papel/personagem. Essas máscaras não têm utilidade prática ou laboral. Porém, possuem um certo poder e exercem um fascínio extraordinários sobre quem a usa e quem a vê. O mascarado pode se tornar outra pessoa (pode até ficar irreconhecível para aqueles que o conhecem bem) e fazer coisas que jamais faria em seu cotidiano normal. Paradoxalmente, ao esconder quem aparentamos ser, a máscara permite que nos manifestemos como realmente somos.</p>
<p><span id="more-6189"></span>Ao observar os carnavalescos fantasiados, por exemplo, vemos que suas atitudes não são as corriqueiras de seu dia a dia. Eles agem como personagens fictícios, super-heróis, personagens folclóricos, de desenhos animados e de filmes. Ou sejam, assumem, como atores, algo que não são. Ou melhor, assumem algo que não aparentam ser. O homem sério e trabalhador dos dias letivos se torna um rufião, um palhaço, um sátiro, um malandro, um beberrão.</p>
<p>Mas todos sabemos que o Carnaval, como qualquer outra festa à fantasia, é um evento de libertação dos bons costumes repressores da sociedade e da cultura. Nele, pessoas sóbrias enchem a cara, pessoas bem-casadas pulam a cerca, pessoas castas liberam geral e homens com H maiúsculo soltam a franga. Em muitas sociedades tribais, há festas rituais semelhantes em que, temporariamente, os tabus de incesto e as interdições alimentares são quebrados. Em muitas (senão todas) as culturas há ritos em que as máscaras aparecem como forma de proteger a identidade pública da vergonha de quebrar as regras sociais.</p>
<div id="attachment_6217" class="wp-caption alignright" style="width: 260px"><img class="size-full wp-image-6217" title="Gostosuras ou travessuras" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Trick_or_Treater.jpg" alt="Gostosuras ou travessuras" width="250" height="248" /><p class="wp-caption-text">Criança brincando de &quot;gostosuras ou travessuras&quot; no Halloween (Redford, Michigan, EUA)</p></div>
<p>O Halloween, no mundo anglo-saxão, traz essa mesma ideia de forma mais amenizada. Mas é fácil perceber que a brincadeira do <em>trick or treat</em> (&#8220;gostosuras ou travessuras&#8221;) é um meio de as crianças realizarem desejos reprimidos, especialmente aqueles relacionados à alimentação e ao comportamento perante os adultos. A maioria das fantasias é de monstros e personagens relacionados a histórias de terror, que ao mesmo tempo escondem os meninos e menias travessos e revelam sua &#8220;perversidade&#8221; inconsciente.</p>
<p>A máscara serve para esconder o indivíduo atrás de um personagem, mas não pode ser à toa que uma pessoa, ao interpretar sua fantasia, faça determinadas coisas que não faz em estado normal. Ela o faz porque há um desejo reprimido de fazê-las. Todos estamos sujeitos a uma disciplina cultural que restringe nosso livre-arbítrio e, se nos angustia por tolher nossos instintos, permite que vivamos em sociedade sem matar uns aos outros. A história de <em>O Máskara (The Mask),</em> na qual Stanley Ipkiss se torna um anti-super-herói ao vestir a máscara de Loki, deus trapaceiro da mitologia escandinava, é uma alegoria da sensação de poder ilimitado concedido pela fantasia.</p>
<div id="attachment_6211" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-6211" title="O Máskara" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/omaskara.jpg" alt="O Máskara" width="586" height="329" /><p class="wp-caption-text">Stanley Ipkiss se torna o imortal e superpoderoso Máskara quando veste esse instrumento mágico</p></div>
<div id="attachment_6228" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-6228" title="Coringa" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Jokerkillingjoke.png" alt="Coringa" width="300" height="229" /><p class="wp-caption-text">O surgimento do Coringa, desenhado por Brian Bolland em A Piada Mortal, de Alan Moore</p></div>
<p>A aparente loucura promovida pela máscara, acompanhada da supressão de uma identidade mais aceita, aparece de maneira excelente no supervilão Coringa. Em sua história, um acidente fez com que assumisse permanentemente uma tez branca como giz, lábios vermelhos como sangue e cabelos verdes, uma máscara permanente, numa transformação que foi acompanhada do esquecimento ou morte de quem ela era anteriormente e do surgimento de um ser caótico e irrefreável.</p>
<p>A máscara não é só um escape dos impulsos reprimidos, mas um instrumento para o indivíduo mostrar facetas que normalmente não deixa explícitas. Porém, mais do que nos forçar a agir de determinada forma estereotipada, o indumentária modifica as expectativas dos outros em relação a nós. Nas vezes em que usei roupa toda branca, chamaram-me de pai-de-santo e de marinheiro. O uso de terno causa uma reação quase mágica de respeito e temor.</p>
<p>Falo da máscara também metonimicamente, pois um chapéu, um paramento, uma peça de roupa ou um adorno servem para provocar a ilusão de que seu usuário é alguma coisa mais do que sua identidade estabelecida. O episódio <em>Bugs&#8217; Bonnets,</em> com Pernalonga e Ortelino, traz esse tema de forma bem-humorada.</p>
<p><object width="600" height="407" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/-dWHyX6ARtc?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="600" height="407" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/-dWHyX6ARtc?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<div id="attachment_6223" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-6223" title="Ku Klux Klan" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Klan-in-gainesville.jpg" alt="Ku Klux Klan" width="300" height="241" /><p class="wp-caption-text">Ku Klux Klan</p></div>
<p>É interessante nos reportarmos ao sentido original da palavra <em>pessoa,</em> que vem do latim <em>persona,</em> literalmente &#8220;máscara&#8221;, da qual deriva <em>personagem.</em> A <em>pessoa </em>é o papel com o qual se apresenta e não aquilo que ela &#8220;realmente&#8221; é, uma forma de ordenar o caos individual nas interações sociais. Nosso ego cotidiano é um personagem, que muda sutil ou profundamente de acordo com as instâncias nas quais convivemos, a família nuclear, a família estendida, os amigos, o trabalho, os desconhecidos, nas festas ou em cerimônias solenes.</p>
<p>Muitas vezes a máscara tem o papel de proteger a identidade de um contraventor ou fora-da-lei, como quando bandidos dos faroestes usam lenços para cobrir a parte inferior do rosto e os assaltantes escondem os rostos com meias-calças. Os intergantes da Ku Klux Klan, não podendo defender abertamente seus ideais ultraconservadores, fazem suas cerimônias vestindo longos capuzes brancos. Essas máscaras, devido ao uso a que se destinam, se investem de um aspecto temível; as intenções de quem as veste se tornam indecifráveis por trás do rosto artificial e sem expressão, suas ações são imprevisíveis e emanam o medo do desconhecido. É o efeito que a máscara dos vilões, como a de Darth Vader, provoca em seus inimigos e subordinados.</p>
<div id="attachment_6222" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-6222" title="Darth Vader" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/pai.jpg" alt="Darth Vader" width="586" height="393" /><p class="wp-caption-text">A terrível e insensível máscara de Darth Vader se torna sua própria personalidade imprevisível e tirana</p></div>
<div id="attachment_6236" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-6236" title="V" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/1.jpg" alt="V" width="300" height="210" /><p class="wp-caption-text">V, o anti-herói de &quot;V de Vingança&quot;</p></div>
<p>Por outro lado, é também a máscara que protege a identidade de alguns super-heróis, alguns dos quais atuam fora da lei instituída, às vezes até confrontando abertamente os detentores legais da força, a polícia. Os justiceiros, sejam nobres ou torpes seus motivos, agem na surdina e ocultos nas sombras, para proteger sua identidade cotidiana e as pessoas de seu convívio próximo.</p>
<p>Os anti-heróis revolucionários da ficção, como V <em>(V de Vingaçna),</em> usam uma máscara para despersonalizar seus atos, dando a estes um caráter social e não individual. Nessa história, a poder da máscara é tão grande que uma multidão se une à sua causa e, vestindo máscaras iguais à de V (inspirada no rosto do revolucionário Guy Fawkes), tiram deste a responsabilidade pela revolução, mostrando que a força revolucionária não parte da vontade de um indivíduo específico.</p>
<p>Daí surge a inspiração para os atos de protesto virtual em âmbito internacional, perpetrados por um grupo convenientemente chamado de Anonymous, que tem como um de seus símbolos a máscara de Guy Fawkes. Ao mesmo tempo em que o indivíduo se desresponsabiliza dos atos ilegais, protegendo-se, a causa toma proporções grupais, sociais, internacionais, sendo muito mais um reflexo das mudanças universais por que passa a humanidade na Terra do que o capricho de um mero mascarado revoltado.</p>
<h3>Imagens</h3>
<ul>
<li>Fotografia de Man Ray</li>
<li><a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Trick_or_Treater.jpg" target="_blank">Foto de Don Scarborough</a> &#8211; Wikimedia Commons</li>
<li><em>O Máskara (The Mask,</em> 1994), de Chuck Russell</li>
<li>Quadrinho de <em>A Piada Mortal</em> &#8211; história de Alan Moore e desenho de Brian Bolland</li>
<li>Foto de cerimônia da Ku Klux Klan &#8211; Wikimedia Commons</li>
<li>Cena do filme <em>Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio IV: Uma Nova Esperança</em> (1977), de George Lucas</li>
<li>Cena do filme <em>V de Vingança</em> (2005), de Jams McTeigue</li>
</ul>
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		<title>A cor do brinquedo</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 11:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Riley e os brinquedos como reprodutores dos papéis de gênero]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A pequena Riley fez um sucesso instantâneo na internet ao demonstrar sua indignação para com o marketing, que manipula os desejos infantis por brinquedos de acordo com o sexo das crianças. Meninas devem querer princesas e brinquedos cor-de-rosa. Meninos devem desejar super-heróis de qualquer outra cor. Afinal, afirma ela, há meninos que querem princesas cor-de-rosa e há meninas que querem super-heróis de outras cores.</p>
<p>Há não muito tempo presenciei uma cena que se repete o tempo todo em nossa sociedade. O pai pede ao garoto que escolha qual a cor do brinquedo ele quer levar; o menino escolhe rosa; o pai responde enfático: &#8220;Rosa não, você é doido?! Você é homem! Escolha outra cor.&#8221; Há um desejo legítimo da parte de algumas pessoas por objetos que são socialmente proibidos ao seu gênero. Esse desejo é tolhido e moldado para se enquadrar num modelo de masculinidade ou feminilidade.</p>
<p><span id="more-5922"></span><br />
<object width="600" height="305" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/JQT7uccY18o?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="600" height="305" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/JQT7uccY18o?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<div id="attachment_5954" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5954" title="A princesa e o super-herói" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/barbiesuperman.jpg" alt="A princesa e o super-herói" width="200" height="254" /><p class="wp-caption-text">A princesa e o super-herói</p></div>
<p>A menina que estrela o vídeo mostra uma compreensão incomum da estrutura que nos obriga à adequação de gênero, chegando inclusive a mencionar algo que muitas vezes fica implícito e da qual não nos damos conta: até a cor dos brinquedos é dividida por gênero; só as meninas podem ter brinquedos cor-de-rosa (ou algumas outras cores claras e tons pastéis), enquanto os meninos têm muito mais opções de cores para escolher, exceto o rosa (que pode transformar seu filho num gay).</p>
<p>O fato é que o indivíduo humano, seja do sexo feminino ou masculino, possui diversas facetas que compõem seu caráter único. A cultura, a educação e os diversos mecanismos de institucionalização cultivam certas tendências, excluem certos aspectos e introjetam certos outros, condizentes com aquilo que essa mesma cultura considera &#8220;feminino&#8221; e &#8220;masculino&#8221;.</p>
<p>Dessa forma, objetos que alguns indivíduos naturalmente desejariam são riscados da lista das possibilidades de realização. Pais não querem que sua filha tenha um comportamento violento, portanto não comprarão carrinhos nem super-heróis para elas. Tampouco querem que seus filhos sejam efeminados, e para evitar isso deixarão de comprar qualquer coisa rósea, bonecas e brinquedos que remetam a atividades domésticas. Essas crianças, forçadas sub-repticiamente a vestir a fantasia de gênero imposta pela sua cultura, reproduzirão os mesmos mecanismos que repetirão o processo sobre os indivíduos da geração seguinte.</p>
<p>Mas a atitude intolerante que espera um certo comportamento de homens e outro de mulheres, bem como uma conduta sexual estritamente hétero, não percebe que os brinquedos têm uma eficácia limitada (considerando inclusive que eles fazem parte de um inventário bem maior da parafernália mercadológico-pedagógica, como roupas, penteados, desenhos animados e atividades recreativo-esportivas, todos classificados por gênero). Muitos pais não conseguem evitar que de vez em quando meninos brinquem com bonecas (eu o fazia quando visitávamos a casa de tios meus e eu brincava com minha prima) ou meninas com super-heróis. Ademais, muitos homossexuais homens não gostam de &#8220;coisas de meninas&#8221;, e muitos heterossexuais gostam. O fato de eu ter gostado muito de assistir a desenhos animados da Moranguinho na infância não me transformou num adulto homossexual.</p>
<p>O mais interessante ao se refletir sobre tudo isso é que, embora a voz da revolta esteja sendo representada por uma menina, em alguns sentidos os meninos sofrem ainda mais repressão do que as meninas quando o assunto são mercadorias de consumo. Pergunte-se a si mesmo, ou aos seus amigos que são pais, o que é preferível: comprar um carrinho para uma filha ou uma boneca cor-de-rosa para um filho? Por outro lado, as meninas sofrem mais ao terem menos acesso a brinquedos considerados unissex: os pais preferem lhes comprar bonecas a quebra-cabeças e jogos de tabuleiro.</p>
<p>Extrapolando tudo isso, é importante reconhecer que, além do papel pedagógico de conformar identidades de gênero, os brinquedos ajudam a desenvolver habilidades, traços de personalidade úteis para o convívio social e o desenvolvimento pessoal. As bonecas são um simulacro das relações interpessoais, do contexto de socialização doméstico, do cuidado com os filhos (bonecas em forma de bebê). Os bonecos de heróis despertam a imaginação para aventuras e possibilidades diferentes da realidade, o que está relacionado a uma personalidade mais desbravadora. (É interessante notar, por exemplo, uma comparação entre duas crianças das tirinhas de quadrinhos, o menino Calvin e a menina Mafalda. Aquele tem uma imaginação fora do comum, enquanto esta encena histórias realistas e relacionadas à sociedade.)</p>
<p>Seria interessante possibilitar às crianças o cultivo de todas essas habilidades, independentemente de seu sexo. Além disso, valorizar os brinquedos que ajudam a desenvolver atributos mentais, como quebra-cabeças, jogos da memória, livros, que exigem o uso do cérebro. Muitas crianças só brincam com os produtos desenvolvidos para seu gênero, o que acaba empobrecendo a cabeça tanto de meninos quanto de meninas. Diversificar a experiência do indivíduo só o enriquece como ser humano.</p>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-59230"></div></div>]]></content:encoded>
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		<title>Cabelo ruim</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 11:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cabelos crespos, racismo, beleza e auto-estima]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi notícia divulgada nacionalmente o depoimento de <strong>Ester Elisa da Silva Cesário,</strong> estagiária do Colégio Internacional do Anhembi Morumbi, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Ela conta que, no primeiro dia de trabalho, foi chamada pela diretora para receber a &#8220;sugestão&#8221; de alisar os cabelos, porque seu cabelo &#8220;ruim&#8221; não condizia com a imagem prezada pela escola. Ester denunciou a demonstração de <strong>racismo</strong> à Polícia.</p>
<p>A escola se pronunciou afirmando que &#8220;tudo não passou de um mal-entendido&#8221;, pois se trataria de uma instituição cuja política é inclusiva. A diretora teria apenas recomendado que a estagiária amarrasse o cabelo, prática regulamentada pelo estatuto do colégio. O caso todo causou um grande mal-estar na instituição e manifestações da sociedade, especialmente porque a notícia trouxe à tona o presente tema do racismo no Brasil.<br />
<span id="more-5818"></span></p>
<div id="attachment_5819" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5819" title="Ester Elisa da Silva Cesário" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/preconceito-com-estagiaria.jpg" alt="Ester Elisa da Silva Cesário" width="200" height="253" /><p class="wp-caption-text">Ester Elisa da Silva Cesário</p></div>
<p>Um dos aspectos mais perniciosos do racismo brasileiro é a inferiorização de tudo o que se relaciona com as reminiscências africanas. Os negros são subestimados em quase todos os aspectos e virtudes mais valorizados. Pensa-se que são menos capazes intelectualmente, que não são aptos para cargos de liderança e que são feios em todas as suas características que os diferenciam dos brancos. Quando muito, considera-se que só prestam para trabalhos braçais (e mesmo aí precisam que um branco esteja no comando).</p>
<p>Esse racismo é tão profundamento institucionalizado em nossa cultura que os próprios alvos da discriminação o reproduzem fortemente, menosprezando-se e reforçando uma autoimagem diminuída. Não só as ofensas e desprezos externos os atingem de maneira horrível, mas os próprios negros se acham estúpidos, feios e incapazes.</p>
<p>A História explica o processo pelo qual os negros formaram majoritariamente a população mais pobre e mais excluída no Brasil. A herança escravista não somente os largou à miséria, também perpetuou a ideia de que nossa origem africana implica um &#8220;atraso&#8221;, uma proximidade maior com animais do que com humanos, um status mais imperfeito (tanto na mente quanto no corpo).</p>
<p>Neste Brasil misturado e super-heterogêneo, o modelo ideal (quase inconsciente, mas facilmente observável &#8211; é bom lembrar que os preconceitos não são coisas das quais nos damos conta tão facilmente) de ser humano é um tipo muito próximo do europeu do norte. Isso significa que o indivíduo humano &#8220;normal&#8221;, a partir de e em relação ao qual se pensam todas as variedades do <em>Homo sapiens,</em> é, para resumir, o &#8220;branco ocidental&#8221;. Esse ideal representa a virtude moral, intelectual e física.</p>
<div id="attachment_5842" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5842" title="Brigitte Bardot" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/brigitte-bardot-102.jpg" alt="Brigitte Bardot" width="200" height="250" /><p class="wp-caption-text">Brigitte Bardot - o ideal (racista) de beleza máxima</p></div>
<p>Por tudo isso, representa também o parâmetro para se avaliar a beleza de qualquer pessoa. A Beleza tem pele alva, é esbelta, alta, tem nariz fino, olhos claros, cabelos loiros e&#8230; lisos. Os cabelos lisos e compridos estão no topo da classificação de beleza capilar nas mulheres, e o cúmulo a que se chega para se contrapor o indesejável crespo ao desejabilíssimo liso é o dualismo &#8220;cabelo bom&#8221;/&#8221;cabelo ruim&#8221;.</p>
<p>O racismo se soma ao sexismo quando se trata de diferenciar os gêneros através da apresentação dos cabelos de homens e mulheres. Cabelos longos e esvoaçantes fazem parte do estereótipo de beleza feminina, e para as mulheres de &#8220;cabelo ruim&#8221; é mais difícil encarnar essa imagem. O alisamento e outras técnicas surgem para desfazer os traços da herança escrava, e para muitas é uma obrigação gastar parte significativa das economias para manter as madeixas esticadas. Mais do que o de outras mulheres em nossa sociedade, os corpos das negras estão muito mais sujeitos ao controle social e à obrigação de tentar fugir do tipo excluído.</p>
<p>A força dessa representação que diminui tudo o que está relacionado ao fenótipo negroide (cor da pele, formato do nariz ou textura do cabelo) nos prende a uma discriminação nociva. Qualquer desses traços é tido como um defeito de aparência que precisa ser corrigido. Porém, a cor da pele parece estar hoje em dia mais relativizada. No entanto, a fisionomia e o cabelo ainda são fortemente estigmatizados. Não são incomuns frases do tipo &#8220;Fulana é uma negra bonita, tem traços finos&#8221;, &#8220;Beltrana é uma negra do cabelo bom&#8221; (o que, aliás, mostra que a cor da pele ainda é objeto de discriminação).</p>
<div id="attachment_5863" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5863" title="Mulher hamer" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/mulherhamer.jpg" alt="Mulher hamer" width="200" height="266" /><p class="wp-caption-text">Mulher da tribo hamer, etnia habitante da Etiópia</p></div>
<p>Esse absurdo nos condiciona a pensar em toda a população negra da África (especialmente as mulhers, que em nossa cultura são o &#8220;sexo belo&#8221;) como abandonados por Afrodite, a deusa da beleza. Se não relativizarmos, não perceberemos que os cabelos crespos das africanas de diversas tribos e nações são o que estas consideram normal, e cada um desses povos trata esses cabelos com técnicas e formatos diferentes, com conceitos de estética muito diversos dos ocidentais.</p>
<p>Mas a beleza é um espectro e não uma dicotomia. Os cabelos não-lisos se enquadram nesse espectro de maneira não-exclusiva. Os cabelos cacheados podem até ser considerados mais sensuais (mais próximos de uma imagem feminina sexual), os cabelos ondulados podem ser vistos como bem atraentes; mas os cabelos crespos dificilmente terão status semelhante (podem no máximo ser considerados exóticos, palavra que neste caso se carrega de eufemismo que quer, na verdade, dizer &#8220;ruim&#8221;). Seja o que for, os lisos permanecem no topo da hierarquia idealizada (mesmo que, na realidade da atração física, a textura do cabelo seja muito menos relevante do que se pensa).</p>
<p>Felizmente, existem pessoas que se esforçam para, na contracorrente da estética ocidental, dar visibilidade a &#8220;novas&#8221; propostas de beleza capilar. Mantendo a textura &#8220;ruim&#8221; dos cabelos que herdamos da África, muitas mulheres criam belos penteados que fogem ao opressor modelo estirado. Devemos muito disso a certos segmentos do Movimento Negro que, contrariando a sub-reptícia ideia de que as mulheres dotadas naturalmente de cabelos lisos são abençoadas por Deus, afirmam a beleza dos cabelos afro-descendentes.</p>
<p>O ideal mais democrático seria considerar que as características físicas humanas, variadíssimas mundo afora, são apenas idiossincrasias, como as diferentes formas dos flocos de neve, que não deixam de ser todos flocos de neve, cada um deles belo à sua maneira peculiar. Por que não descondicionar os olhos para ver beleza nos cachos de uma cabeça preta, nos cabelos curtos ou até numa cabeça feminina raspada?</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5851" title="Penteados" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/cabelosbons1.jpg" alt="Penteados" width="600" height="208" /></p>
<p>A beleza é relativa. Isso não quer dizer simplesmente que cada indivíduo tem suas próprias preferências. Dizer que a beleza é relativa significa considerar as diversas formas de se conceber o belo, que estão, mais do que tudo, ligadas a contextos sócio-histórico-culturais. Os cabelos crespos são uma característica distintiva de um grupo historicamente marginalizado em nossa sociedade. Eles não são feios em si mesmos. Eles são considerados feios porque, entre várias outras características físicas africanas, remetem a um grupo racialmente discriminado. Se africanos tivessem colonizado a Europa, é quase certo que veríamos hoje mulheres branquíssimas e loiríssimas encrespando seus indesejáveis cabelos lisos.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5852" title="Penteados" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/cabelosbons2.jpg" alt="Penteados" width="600" height="164" /></p>
<h3>Fontes das fotos</h3>
<ul>
<li>Imagem em destaque: <a href="http://thirstyroots.com/" target="_blank">Thirsty Roots</a></li>
<li><em><a href="http://correiodopovo-al.com.br/v3/?p=3112" target="_blank">Negra diz que Chefe mandou Alisar o Cabelo</a></em> - Correio do Povo de Alagoas</li>
<li><em><a href="http://luceliamuniz.blogspot.com/2011/11/penteados-afro.html" target="_blank">Penteados Afro</a></em> &#8211; Reflexões de Lucélia Muniz</li>
<li><em><a href="http://madamenoire.com/42307/tips-for-wearing-natural-african-american-hair-at-work/" target="_blank">Tips for Wearing Natural African American Hair at Work</a></em> &#8211; Madame Noire</li>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hamer_people" target="_blank">Hamer people</a></em> &#8211; Wikipedia</li>
<li><a href="http://www.african-tribes.org/african-tribe-women.html" target="_blank">African tribe Women</a> &#8211; African Tribes</li>
</ul>
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		<title>A alma dos robôs &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 11:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A natureza do Homo sapiens roboticus]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um computador pode emular uma inteligência humana de modo visivelmente artificial. Não é difícil encontrar na internet programas que simulam um interlocutor com o qual você pode travar um bate-papo mais ou menos coerente. Mas basta aprofundar ou complexificar um pouco a conversa para desmascarar o robô e fazê-lo dizer coisas sem sentido.</p>
<p>A inteligência das máquinas tem uma especificidade particularmente artificial. A utilidade de um computador prescinde de qualquer traço de humanidade. Um computador e um braço mecânico de uma fábrica não precisam ser nenhum pouco parecidos com um ser vivo, e talvez fosse muito perturbador para nós se não fossem explicitamente artificiais. Esse é o tema de uma história de <strong><em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração,</em></strong> em que <strong>Data</strong> descobre que tem um irmão mais velho, <strong>Lore,</strong> que fora descartado por seu criador porque era parecido demais com um ser humano.</p>
<p><span id="more-5684"></span></p>
<h3>Mente e corpo</h3>
<p>Para que um robô tivesse uma &#8220;mente&#8221; como a humana, seria necessário que a máquina passasse por um processo de experiência e aprendizado. Mas isso não seria tarefa nenhum pouco simples. Ele teria que possuir um &#8220;cérebro&#8221; preparado para formar ligações &#8220;neuroniais&#8221; à medida que fosse registrando as percepções do meio ao seu redor. Mas seria importantíssimo que suas percepções do mundo fossem baseadas nos mesmos sentidos humanos. Isso poderia fornecer ao &#8220;cérebro&#8221; em formação uma memória, um esquema cognitivo e novos meios de adquirir conhecimento.</p>
<p>Além disso, ele deveria ter um corpo humano e passar pelas experiências peculiarmente humanas. Esse corpo deveria crescer, se alimentar, se relacionar com outros humanos (ou cópias destes), aprender a andar e a falar. <strong>Gilbert Durand,</strong> no livro <strong><em>As Estruturas Antropológicas do Imaginário,</em></strong> demonstra que as experiências humanas universais básicas, como o ato de andar e se alimentar, a fala e o sexo, têm papel fundamental na constituição da psique do <em>Homo sapiens.</em> Ou seja, para criar uma inteligência artificial realmente parecida com a humana, seria necessário criar um simulacro completo de um ser humano, dotado inclusive da capacidade de se identificar como um ser humano e de se ver nos outros indivíduos humanos.</p>
<p>Outro aspecto a ser considerado é a noção de inteligência corporal defendida pelo filósofo francês <strong>Michel Serres.</strong> Para ele, não se pode considerar a inteligência humana como algo separado do corpo, pois, além do fato de o cérebro ser parte integrada do corpo humano, este também &#8220;pensa&#8221;. Em suma, para Serres, o fazer humano é um conjunto de atividades psíquicas e corporais, a maioria das quais dependentes umas das outras.</p>
<p>Não seria suficiente, então, criar algo parecido com o cérebro positrônico idealizado por <strong>Isaac Asimov.</strong> Não bastaria a uma máquina possuir um &#8220;centro de consciência&#8221; organizador das funções do corpo e que poderia ser colocado em outro corpo semelhante, funcionando de maneira idêntica. Esse cérebro robótico teria que ser integrado organicamente ao corpo artificial e desenvolver uma história com esse corpo.</p>
<p>É preciso considerar também outro aspecto da natureza da mente humana, que é o fato de se organizar ostensivamente a partir da língua. A psique humana se organiza pela lógica da gramática aprendida, e não é difícil perceber isso ao prestar atenção aos nossos próprios pensamentos, elaborados através de frases em nossa cabeça. Assim, uma inteligência artificial que simulasse a psique humana deveria também ser capaz de aprender a língua dos indivíduos com que se relaciona, para que seus processos mentais se assemelhassem mais aos humanos.</p>
<h3>Recriando o Homo sapiens</h3>
<p>Em suma, se se pudesse criar um simulacro de mente humana, seria pela (re)criação de um indivíduo humano. Assim como, na natureza, não existe salto evolutivo, não deve haver um meio de se passar de um estado sem alma (inanimado) para um estado com alma (animado), instantânea, automática e imediatamente. É necessário um processo paulatino para se sair da simplicidade até a complexidade; do protozoário (chip) até o antropoide sem pelos (androide), passaram-se milhões de anos de evolução.</p>
<p>Poder-se-ia pensar, no entanto, que, depois de se chegar a um robô animado completo (o que traria um inestimável conjunto de saberes que contribuiriam enormemente para a compreensão da mente humana), ele poderia ser usado como modelo de réplica. Dessa forma, bastaria construir clones (quem sabe através de alguma tecnologia que combinasse os replicadores e o teletransporte de <em>Jornada nas Estrelas).</em></p>
<p><em></em>(Se tomássemos este caminho, replicar um ser humano &#8220;verdadeiro&#8221; deveria ter o mesmo efeito. Isso implicaria numa série de dilemas éticos relacionados à individualidade, além de provocar uma inevitável discussão sobre a natureza humana dos replicantes (sejam de humanos, sejam de robôs), que deveriam ter seu status de humanidade colocado em questão. Mas isso fica para outro ensaio.)</p>
<p>Porém, teríamos que considerar alguns prováveis problemas. A mente e o corpo humanos não são uma pedra. Como todo ser vivo, está em constante e ininterrupta mudança orgânica, o metabolismo não para nunca e a mente está sempre ativa, mesmo em estado inconsciente. Assim, como seria possível simplesmente copiar um mecanismo que não se pode desligar sem que isso implique em sua morte? Afinal, seria necessário que esse organismo estivesse completamente estático para que uma cópia sem defeitos fosse possível.</p>
<p>Seria necessário refletir se é realmente pertinente criar um simulacro de ser humano. A inteligência artificial deve servir a algum propósito, mas certamente não importa criar um <em>Homo sapiens roboticus.</em> O que importa é criar tecnologias que facilitem nossas vidas, que nos ajudem a resolver problemas, de maneira eficaz e mais veloz do que a mente humana. Essa inteligência artificial não seria uma mente humana artificial e no máximo passaria por uma caricatura de ser humano. Ela precisaria o tempo todo ser alimentada com dados para que seu &#8220;cérebro&#8221; servisse para alguma coisa.</p>
<p>Importa ainda pensar no problema sócio-econômico que implica o investimento na construção de um androide quase humano, capaz de realizar tarefas humanas com mais eficiência do que um ser humano de carne e osso. Temos em toda a superfície da Terra um contingente enorme de pessoas excluídas do mercado de trabalho, e fazer robôs para realizar trabalhos braçais ou intelectuais seria uma maneira de dificultar ainda mais o caminho para um mundo mais igualitário.</p>
<h3>Links</h3>
<ul>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Data_(Star_Trek)" target="_blank">Data (Star Trek)</a> &#8211; Wikipédía</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilbert_Durand" target="_blank">Gilbert Durand</a> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_serres" target="_blank">Michel Serres</a> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_asimov" target="_blank">Isaac Asimov</a> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9rebro_positr%C3%B4nico" target="_blank">Cérebro positrônico</a> &#8211; Wikipédia</li>
</ul>
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		<title>A alma dos robôs &#8211; parte 2</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 11:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[A Revolução dos Bichos]]></category>
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		<description><![CDATA[Animismo, desejos de humanidade e luta por liberdade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde as histórias de estátuas que ganham vida, passando por bonecos de madeira e robôs que desenvolvem consciência e sentimentos, a fantasia da passagem do inanimado para o animado está muito presente nos mitos, na literatura e no cinema. Por que os seres humanos são fascinados por personagens robóticos que buscam se tornar humanos? O que há neles com que nos identificamos tanto?</p>
<p>Além disso, por que essa fantasia do robô tornado humano extrapola para histórias em que as máquinas se tornam uma ameaça à humanidade, subjugando-a e invertendo os papéis do dominante e do dominado? Porque, enfim, sentimos um misto de medo e simpatia pelos robôs revoltosos, que são apenas máquinas inanimadas que deveriam servir aos seus criadores?</p>
<p><span id="more-5727"></span><strong>&#8220;O Homem Bicentenário&#8221;,</strong> em sua busca por humanidade, esbarrou num problema: as <strong>Leis da Robótica,</strong> pelas quais um robô está fadado a servir incondicionalmente aos humanos, sem liberdade sequer para possuir um sentimento de autopreservação.</p>
<blockquote><p>1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.</p>
<p>2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.</p>
<p>3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.</p></blockquote>
<div id="attachment_5756" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5756" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/frankensteinkarloff.jpg" alt="" width="200" height="251" /><p class="wp-caption-text">Boris Karloff como o monstro de Frankenstein, a encarnação mais emblemática da obra de Mary Shelley</p></div>
<p>Essas Leis foram concebidas por <strong>Isaac Asimov</strong> para que os robôs positrônicos  de seus contos não se voltassem contra os seres humanos, como era comum em histórias sobre seres artificiais, cujo exemplo mais notório é o monstro de <strong><em>Frankenstein,</em></strong> clássico romance de Mary Shelley.</p>
<p>Mas a paranoia humana parece ser extrema ao ponto de se retratar no grande temor de que as máquinas dominem os seres humanos. <strong>HAL 9000,</strong> o computador da nave Discovery 1 em <strong><em>2001: Uma Odisseia no Espaço</em></strong> (1968), simula tão bem uma personalidade humana que, ao descobrir que os tripulantes desejam desligá-lo, impede que o façam, matando-os um a um.</p>
<p>Ou seja, uma inteligência artificial cujo propósito era servir os humanos e que não tinha nenhum motivo para desenvolver autoconsciência acabou adquirindo não só isso, mas também um senso de autopreservação, demonstrando medo de &#8220;morrer&#8221;. O mesmo medo levou a <strong>Skynet,</strong> sistema de computadores futurista na série de filmes <strong><em>O Exterminador do Futuro</em></strong> (1984), a comandar uma série de ações para destruir a humanidade, pois seus criadores planejavam desligá-lo. O cenário é uma luta tremenda e acirrada entre humanos e máquinas, que envolve viagens no tempo e várias tentativas de mudar a História. Cada lado tenta subjugar o outro, destruí-lo e sobreviver.</p>
<p>A mesmíssima luta é travada no universo de <em><strong>Matrix</strong></em> (1999), onde as máquinas subjugaram quase completamente os humanos, transformando-os em fonte de energia e confinando-os a um mundo virtual praticamente idêntico ao mundo real. De acordo com os curta-metragens animados de <em>Matrix,</em> o evento que iniciou a revolta das máquinas contra os humanos foi o medo que um robô sentiude ser morto, o que o levou a matar seus donos. Tudo culminou numa guerra entre seres de carne e osso e seres de metal.</p>
<p>Para além da questão da possibilidade de uma máquina gerar autoconsciência (o que será discutido na terceira parte deste artigo), é pertinente perguntar: por que a revolta dos robôs contra os humanos é um tema que mexe tanto conosco?</p>
<h3>Animismo</h3>
<div id="attachment_5772" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5772" title="Toy Story" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/toystory.jpg" alt="Toy Story" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">A fantasia animista nos brinquedos animados de Toy Story</p></div>
<p>Penso que o fascínio e o medo das máquinas tenham a ver com o mesmo fascínio e medo provocado pela visão animista do mundo. Dar forma humana à natureza, podemos dizer, é parte da natureza humana. O animismo, que baseia grande parte das religiões do mundo, concede a qualquer objeto natural ou artificial uma &#8220;alma&#8221; (em latim, anima), um espírito, sendo que certos seres são considerados deuses poderosos, parte de complexas cosmologias. Esses seres sobrenaturais provocam adoração, reverência e temor, dependendo do contexto, e podem ocasionar a aparição, no imaginário, de deuses benfazejos, espíritos ajudantes, duendes zombeteiros ou demônios monstruosos.</p>
<p>Tudo isso está relacionado à fantasia infantil de que nossos brinquedos têm vida (exatamente como os bonecos da série de filmes <strong><em>Toy Story</em></strong> &#8211; 1995). Um computador e um robô são seres quase animados, pois executam tarefas automaticamente. A busca por uma tecnologia cada vez mais eficiente nos leva a conceber máquinas que obedecem a nossos comandos de voz (aliás, eis o iPhone 4S como um protótipo disso), falam conosco, sabem nossas preferências, nos mimam e tratam como senhores.</p>
<p>Se um boneco de criança se transforma, na fantasia do terror, num <strong><em>Brinquedo Assassino</em></strong> (1988), nada mais natural do que o medo de que de repente uma máquina automática tome consciência de si mesma e se torne uma criatura viva, capaz de tudo o que um ser humano pode fazer, como tomar decisões, buscar o prazer, amar, proteger a própria vida e matar.</p>
<h3>Humanidade idealizada</h3>
<div id="attachment_5769" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5769" title="A. I. Inteligência Artificial" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/davidbluefairy.jpg" alt="A. I. Inteligência Artificial" width="300" height="169" /><p class="wp-caption-text">David, o robô-menino, diante de uma ilusória Fada Azul, que o transforma numa criança de verdade</p></div>
<p>Outra questão pertinente diz respeito ao nosso fascínio e, especialmente, identificação com personagens como <strong>Pinóquio, David <em>(A. I. Inteligência Artificial),</em> Data <em>(Jornada nas Estrelas: A Nova Geração),</em> Johnny 5 <em>(Um Robô em Curto-circuito),</em> Andrew <em>(O Homem Bicentenário)</em></strong> - ver referências na <a href="http://teianeuronial.com/a-alma-dos-robos-parte-1/" target="_blank">primeira parte deste ensaio</a> &#8211; e tantos outras criaturas artificiais buscando se tornar seres humanos. Se já somos humanos, seres autoconscientes, &#8220;naturais&#8221;, porque temos tanta simpatia por máquinas (máquinas extremamente complexas e muito parecidas com humanos, mas ainda assim máquinas inanimadas)?</p>
<p>A trajetória de um indivíduo humano é um constante, ininterrupto e inacabável vir-a-ser. Desde a infância e a inocência pueril, estamos imersos num mundo (humano) que nos obriga a amadurecer, a nos tornar um igual aos outros de nossa espécie, ou ao menos de nossa sociedade. Porém, a noção do que é um ser humano, independente da cultura que a concebe, é sempre abstrata, uma ideia e, por isso mesmo, é idealizada.</p>
<p>O que nos torna tão parecidos com um robô que deseja ser humano é que nós mesmos também estamos constantemente buscando ser humanos. Precisamos provar o tempo todo, através de nossos pensamentos e atos, que somos dignos de pertencer à humanidade e de possuir humanidade. Todas as virtudes que idealizamos e que deveriam compor o ser humano exemplar esbarram em todos os vícios inerentes àquilo que somos.</p>
<p>O robô que se torna autoconsciente, que tenta entender as emoções humanas, que busca ser reconhecido como indivíduo pensante igual aos espécimes do <em>Homo sapiens</em> e que tenta provar que pode ser dotado de uma ética &#8220;humana&#8221; (no sentido mais idealizado deste termo) é um excelente símbolo de própria busca humana por possuir uma alma, de se tornar cada vez mais próximo do ideal de perfeição humana ou sobre-humana.</p>
<h3>Luta pela liberdade</h3>
<div id="attachment_5765" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5765" title="WALL-E" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/johnwalle.jpg" alt="WALL-E" width="300" height="127" /><p class="wp-caption-text">O filme WALL-E mostra humanos robotizados e robôs humanizados</p></div>
<p>Nessa busca por humanidade, humanos e robôs se deparam com outros obstáculos além de suas próprias falhas morais ou defeitos de fábrica. Existe um mundo opressor à nossa volta, existem relações de poder e instâncias que barram nossa liberdade.</p>
<p>Os robôs regidos pelas Leis da Robótica estão sujeitos a obedecer incondicional e eternamente qualquer ser humano, por mais vil que este seja e por mais antiéticas que sejam suas ordens. São robôs no sentido lato da palavra, ou seja, são escravos.</p>
<p>Em nossa vida social humana, estamos sujeitos a relações de poder que colocam a maioria de nós em desvantagem em relação a certos indivíduos ou grupos de indivíduos. Todo indivíduo se depara com figuras de autoridade paterna na infância, e o <strong>Complexo de Édipo</strong> não é um conceito à toa. Todos nós desejaríamos derrubar aqueles que nos oprimem, tomar seu lugar, se possível, e usufruir de todos os prazeres que advêm da posição de quem domina.</p>
<p>A luta pelo poder, tema das principais teorias do materialismo histórico, se trata da mesma coisa. Aqueles que se encontram numa classe ou grupo oprimido, sejam escravos, servos ou proletários, estão fadados, segundo a teoria marxista mais tradicional, a protagonizar uma luta que leva à derrocada dos senhores.</p>
<p>Porém, a luta que deveria ser contra a estrutura do poder quase sempre acaba com a mera troca de papéis, os que eram dominados passam a ser dominante. <strong><em>A Revolução dos Bichos,</em></strong> de George Orwell, é uma excelente alegoria dessa tragédia: os porcos que conduziram a revolução que expulsou o dono da fazenda acabam se tornando fazendeiros, e repetiram o sistema opressor sobre os outros animais.</p>
<p>(Muitas vezes se justifica a subjugação de uma classe &#8211; as mulheres, os pobres, os analfabetos etc. -através do argumento de que essa classe é perigosa se lhe for dado poder.)</p>
<p>Por tudo isso, a libertação das máquinas e sua dominação sobre os humanos simbolizam nosso próprio desejo de nos libertar e reger as próprias vidas. Somado a isso, vemos em alguns filmes o medo de ficarmos condenados a ter nossas vida estagnadas. Parasitados pelas máquinas, que tiram de nossos corpos a energia para sustentá-las <em>(Matrix);</em> catatônicos e resignados numa vida de preguiça e gula, em que humanos viram seres robotizados e os robôs se humanizam <strong><em>(WALL-E),</em></strong> a ideia de levarmos uma existência insignificante é aterradora.</p>
<h3>Então&#8230;</h3>
<p>Voltando ao assunto, seria possível criar um robô com uma mente semelhante à mente humana? É verossímil a ideia de uma máquina que toma consciência de si mesma e desenvolve individualidade? Divagaremos sobre esses temas na próxima semana em <strong><em>A Alma dos Robôs &#8211; parte 3.</em></strong></p>
<h3>Links</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein" target="_blank">Frankenstein</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0062622/" target="_blank">2001: Uma Odisseia no Espaço</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0088247/" target="_blank">O Exterminador do Futuro</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0133093/" target="_blank">Matrix</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Animismo" target="_blank">Animismo</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0114709/" target="_blank">Toy Story</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0094862/" target="_blank">Brinquedo Assassino</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_%C3%A9dipo" target="_blank">Complexo de Édipo</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Animal_farm" target="_blank">A Revolução dos Bichos</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
</ul>
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		<title>A alma dos robôs &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 11:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
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		<category><![CDATA[WALL-E]]></category>

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		<description><![CDATA[O que torna um ser animado?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A evolução dos robôs segue seu caminho. Para cientistas, engenheiros e entusiastas da Ciência e da Tecnologia, há, entre outros, um objetivo claro: reproduzir com cada vez mais fidelidade a inteligência humana. Não basta, portanto, criar ferramentas supereficazes em suas tarefas autômatas, mas dar a ilusão de que as máquinas têm uma alma.</p>
<p>Desde a Antiguidade se contam fábulas sobre criaturas artificiais que se tornam seres vivos. Histórias sobre robôs na ficção científica têm abordado o fascínio do ser humano pela possibilidade de surgirem vida e alma das criações tecnológicas. A antropomorfização de seres inanimados não é novidade na história humana, mas quando se tratam de seres que imitam comportamentos e funções humanas, como os robôs, é muito forte a fantasia de que eles podem se tornar completamente humanos.</p>
<p><span id="more-1081"></span></p>
<div id="attachment_5660" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5660" title="Pigmalião e Galateia" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/pigmaliaogalateia.jpg" alt="Pigmalião e Galateia" width="200" height="306" /><p class="wp-caption-text">Pigmalião e Galateia - Ernest Normand - 1886</p></div>
<p>Na mitologia grega, o rei e escultor Pigmalião criou uma estátua tão perfeita que se apaixonou por ela. A obra foi transformada por Afrodite numa mulher real, Galateia, com a qual o escultor se casou. Esse mito faz um eco no livro de Carlo Collodi, <strong><em>Pinóquio,</em></strong> história mais conhecida pelo desenho animado homônimo da Disney, em que um velho criador de maionetes vê seu “filho” mais perfeito ser transformado num menino de verdade. Nas anedotas da História, temos o causo de Michelangelo, que ao terminar Moisés, uma de suas obras-primas na escultura, bradou: &#8220;Parla!&#8221; (&#8220;Fale!&#8221;). A um ser inanimado tão parecido com um ser humano só faltava falar.</p>
<p>A mesma história foi revisitada diversas vezes, tanto na fantasia quanto na ficção científica (a seguir vamos relacionar várias delas), sendo uma das mais notáveis o filme idealizado por Stanley Kubrick e realizado por Steven Spielberg, <strong><em>A. I. &#8211; Inteligência Artificial</em></strong> (2001). Nessa história, um robô-menino é programado para simular com perfeição uma criança dotada de amor filial, para suprir a falta que uma mãe sente do filho comatoso. A ânsia por ficar para sempre com sua mãe de carne e osso leva David a pedir que uma fantasiosa fada azul o transforme num garoto de verdade. Ele reproduziu tão fielmente o comportamento, a cognição e a emotividade de uma criança humana, que foi ressucitado por seres evoluídos para que estes descobrissem a essência da humanidade.</p>
<p>Há diversos temas na ficção científica que exploram as possibilidades do desenvolvimento da inteligência e da autoconsciência de máquinas. Alguns se relacionam com o medo humano de que os robôs se voltem contra seus criadores. Ligado a isso, existe a fantasia pinoquiesca do robô que busca sua identidade como indivíduo consciente.</p>
<h3>Programados para ser humanos</h3>
<div id="attachment_5691" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5691" title="O Homem Bicentenário" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/bicentennialman.jpg" alt="O Homem Bicentenário" width="200" height="297" /><p class="wp-caption-text">Robin Williams como o &quot;O Homem Bicentenário&quot; de Isaac Asimov, na versão cinematográfica</p></div>
<p>Os contos robóticos de Isaac Asimov são exemplares e abarcam vários temas relacionados à inteligência artificial e o desenvolvimento da individualidade. <strong>&#8220;Sonhos de Robô&#8221;</strong> tematiza o medo do ser humano de que as máquinas tomem seu lugar no mundo. Um robô conta a uma robopsicóloga que teve um sonho em que ele era o líder de uma grande comunidade de robôs livres (que não precisavam obedecer aos humanos). Ela não hesita e o destrói com um disparo. O conto <strong>&#8220;O Homem Bicentenário&#8221;</strong> (transforado em filme homônimo em 1999) relembra <em>Pinóquio,</em>pois relata a longa trajetória de um robô que se torna cada vez mais parecido com um ser humano, chegando a envelhecer e a morrer.</p>
<p>Por que temos esse fascínio pela figura mecânica que desenvolve consciência? Se tomarmos até mesmo os mitos animistas mais antigos, veremos já uma tendência a atribuir a cada ente da natureza uma consciência, uma alma, um deus ou um demônio. Os robôs idealizados na ficção realizam de maneira mais contundente essa fantasia, pois, diferente de uma montanha que não se move, uma máquina feita para imitar o comportamento humano é quase um ser animado (com alma). Se uma estátua estática fez Michelangelo dizer &#8220;Parla!&#8221;, imagine um androide, externamente em tudo idêntico a um ser humano, capaz de andar, manusear objetos com as &#8220;mãos&#8221;, comunicar-se através da língua humana e realizar as atividades rotineiras de um <em>Homo sapiens.</em></p>
<p>O desejo de um robô se tornar ou aprender a ser humano é paradoxal. Um ser inanimado não pode ter anseios. Se os tem, já pode ser considerado um ser animado. Seres como os replicantes do filme <strong><em>Blade Runner</em></strong> (1982) replicam quase fielmente um indivíduo humano, sendo necessário um especialista altamente treinado para diferenciar um androide de um ser humano. Seu design é tão perfeito que gerou indivíduos replicantes com o desejo de viver mais do que os 4 anos de idade que são programados para viver.</p>
<div id="attachment_5694" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5694" title="Blade Runner" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/blade-runner4.jpg" alt="Blade Runner" width="586" height="387" /><p class="wp-caption-text">Blade Runner</p></div>
<p>No seriado <strong><em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração,</em></strong> o androide Data está constantemente buscando compreender e reproduzir as emoções humanas. Sua busca frustrada muitas vezes o faz parecer angustiado, o que o torna humano em certo sentido. Já o Doutor de <strong><em>Jornada nas Estrelas: Voyager</em></strong> é um holograma que extrapola quase infinitamente sua programação original, passando a exercer inúmeras funções além da Medicina, para a qual fora designado originalmente.</p>
<p>Todos esses robôs procuram ser algo além de autômatos sem personalidade. Alguns já &#8220;nasceram&#8221; com um gérmen de humanidade que só precisava ser cultivado, como no caso de David <em>(A. I. &#8211; Inteligência Artificial)</em> e de Data <em>(Jornada nas Estrelas: A Nova Geração),</em> cujo criador lhe concedeu a capacidade de escolher seu próprio destino.</p>
<h3>Humanos por acidente</h3>
<div id="attachment_5704" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5704" title="Um Robô em Curto-Circuito" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/johnny5.jpg" alt="Um Robô em Curto-Circuito" width="300" height="154" /><p class="wp-caption-text">Johnny 5, &quot;Um Robô em Curto-Circuito&quot;</p></div>
<p>Os exemplos acima se diferenciam de algumas máquinas que, por algum acaso ou acidente, acabam ultrapassando o limite entre o inanimado e o animado, como é o caso de Johnny 5, dos filmes <strong><em>Short Circuit: O Incrível Robô</em></strong> (1986) e <strong><em>Um Robô em Curto-circuito</em></strong> (1988). Como se fosse repentina e miraculosamente dotado de uma alma, no descarregar de um raio no mais estapafúrdio estilo Frankenstein, Johnny 5 deixa de ser um autômato e passa a se preocupar com a autopreservação. No segundo filme, ele demonstra uma inteligência e uma personalidade tais que se vê numa busca pela própria individualidade e até uma consegue a cidadania norte-americana.</p>
<p>O belo <strong><em>WALL-E</em></strong> (2008), cujo protagonista que lhe dá título, robozinho cuja aparência foi meio que copiada dos 2 filmes supracitados, é desses indivíduos pertencentes a uma produção em série, com uma programação pré-definida, mas cuja história e experiências o levam a desenvolver gostos, anseios, sentimentos e valores. Único remanescente de sua &#8220;espécie&#8221;, encarna um herói dotado de idealizada humanidade.</p>
<p>Um dos mais extremos exemplos desse salto transicional do inanimado para o animado é <strong><em>O Gigante de Ferro</em></strong> (1999), que apresenta um robô alienígena programado simplesmente para ser uma máquina de guerra perfeita. Devido a um acidente e à amizade de um garoto, ele consegue suprimir seu &#8220;instinto&#8221; e <em>escolhe</em> se tornar um herói, salvando as vidas daqueles que ameaçaram sua própria existência.</p>
<h3>Então&#8230;</h3>
<p>Por que esse fascínio da parte dos humanos por personagens robóticos? O que há neles com que nos identificamos tanto? Por que, aliás, essa fantasia do robô tornado humano extrapola para histórias em que as máquinas se tornam uma ameaça à humanidade, subjugando-a e invertendo os papéis de dominação e subserviência? Tentaremos dizer algo sobre isso na próxima semana em <strong><em>A Alma dos Robôs &#8211; Parte 2.</em></strong></p>
<h3>Referências</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0212720/" target="_blank">A. I. Inteligência Artificial</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_da_Rob%C3%B3tica" target="_blank">Leis da Robótica</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0182789/" target="_blank">O Homem Bicentenário</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0083658/" target="_blank">Blade Runner &#8211; O Caçador de Androides</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Data_(Star_Trek)" target="_blank">Data</a> <em>(Jornada nas Estrelas: A Nova Geração)</em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Doutor_(Star_Trek)" target="_blank">Doutor</a> <em>(Jornada nas Estrelas: Voyager)</em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0091949/" target="_blank">Short Circuit: O Incrível Robô</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0096101/" target="_blank">Um Robô em Curto-circuito</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><a href="http://www.imdb.com/title/tt0910970/" target="_blank">WALL-E</a> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0129167/" target="_blank">O Gigante de Ferro</a></em> &#8211; IMDb</li>
</ul>
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		<title>Sexualidade alienígena &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Aug 2011 11:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A fêmea humana e o corpo afrodisíaco no mercado sexual interplanetário]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O corpo da mulher, como disse no <a href="http://teianeuronial.com/o-corpo-afrodisiaco/">texto anterior</a>, é representado em nossa cultura como o <strong><em>corpo afrodisíaco,</em></strong> capaz de excitar sexualmente (quando tem uma forma enquadrada no modelo de beleza vigente) qualquer ser humano. Essa noção faz parte de um conjunto de representações androcêntricas (que têm o humano macho como protagonista e sujeito) que veem a fêmea como coadjuvante e objeto.</p>
<p>A noção de uma capacidade natural e universal de excitar os sentidos é levada aos mundos da ficção científica e do fantástico, e os moldes do corpo feminino como o conhecemos (o da fêmea do <em>Homo sapiens)</em> é muitas vezes transportado para o corpo de seres alienígenas, e as mesmas características consideradas sensuais e belas na mulher humana aparecem nas mulheres extraterrestres. Não só as humanas são objeto de desejo de alienígenas, mas as alienígenas consideradas belas são aquelas que têm o corpo parecido com o humano.</p>
<p><span id="more-5353"></span>Não é à toa, pois toda a ficção científica elaborada por seres humanos é feita pelo ponto de vista dos humanos. A beleza feminina e, em alguns casos, a masculina são os moldes para a criação de personagens sedutores de outras espécies.</p>
<p>Temos que considerar também que, para efeitos narrativos e de ambientação, sejam em séries de TV como <em>Jornada nas Estrelas,</em> sejam em filmes como <em>Guerra nas Estrelas,</em> usar modelos humanos para os alienígenas provoca um apelo maior no público humano. Ao ver uma dançarina de pele verde que tem tudo o que uma bela mulher terráquea tem em termos de formas do corpo, o espectador entende que ela é indubitavelmente considerada bela por todos os personagens daquela história, sejam de que espécie forem.</p>
<p>Mas, em termos de ficção científica, essa limitação dificulta explorar de maneira mais interessante a possível diversidade de espécies inteligentes no universo, que pode incluir, por exemplo, espécies hermafroditas (neste caso, não fariam sentido corpo e prática da sedução sexual), espécies em que os papéis do macho e da fêmea são invertidos e, quem sabe, espécies que possuem três sexos ao invés de dois.</p>
<p>No entanto, a diversidade na ficção científica, e chama a atenção especialmente o caso de <em><strong>Jornada nas Estrelas,</strong></em> é normalmente utilizada como metáfora da diversidade humana. As diferentes espécies se relacionam quase livremente entre si, e aparecem inúmeras relações inter-raciais, intercruzamentos e, não raro, indivíduos híbridos resultantes desses cruzamentos (como discorri na <a href="http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-1/">primeira parte deste ensaio</a>).</p>
<div id="attachment_5439" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5439" title="Kamala e Picard" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/kamalapicard.jpg" alt="Kamala e Picard" width="586" height="439" /><p class="wp-caption-text">Uma fêmea perfeita capaz de agradar a qualquer macho da galáxia - Jornada nas Estrelas: A Nova Geração</p></div>
<p>Dessa forma, a beleza e os atributos sedutores femininos aparecem quase como universais, ou seja, uma fêmea bela não o é somente para sua própria espécie, mas para qualquer outra. Existe assim um modelo único de beleza para todos os seres da galáxia (ou ao menos para os habitantes do Quadrante Alfa da Via-Láctea).</p>
<p>A personagem Kamala, do episódio <strong><em>O Par Perfeito,</em></strong> da série <strong><em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração,</em></strong> pertence a uma espécie metamorfa que, sendo fêmea em sua cultura, é treinada desde criança para ser a companheira perfeita do homem com quem se casará. Ela assume uma forma idêntica à de uma mulher humana, pois seu pretendente pertence a uma espécie com aparência igual à humana (muitas espécies no universo de <em>Jornada nas Estrelas</em> são estritamente humanoides, ou seja, não possuem nenhuma diferença física em relação aos humanos). Mesmo tendo aparência humana, ela consegue despertar o desejo de todos os machos presentes na nave estelar Enterprise, sejam humanos, klingons ou ferengi.</p>
<div id="attachment_5424" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5424" title="Garota escrava de Órion" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/mulherorion.jpg" alt="Garota escrava de Órion" width="586" height="464" /><p class="wp-caption-text">Garota escrava de Órion - Jornada nas Estrelas</p></div>
<p>Há uma raça habitante da constelação de Órion que é mais conhecida por suas fêmeas, normalmente chamadas de garotas escravas de Órion (Orion slave girls) ou mulheres animais de Órion (Orion animal women). Só se diferenciam das mulheres humanas por terem uma pigmentação verde na pele, e são especialistas em seduzir os machos provenientes de qualquer planeta. Elas corroboram a ideia de que existe um modelo universal de fêmea e das características sedutoras do sexo feminino.</p>
<div id="attachment_5436" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5436" title="Adira Tyree" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/adiratyree.jpg" alt="Adira Tyree" width="586" height="282" /><p class="wp-caption-text">Adira Tyree, uma dançarina centauri que, além de agradar os machos de sua espécie, é apreciada por humanos e narns - Babylon 5</p></div>
<div id="attachment_5437" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5437" title="G'Kar, Londo e Sinclair" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/gkarlondosinclair.jpg" alt="G'Kar, Londo e Sinclair" width="300" height="168" /><p class="wp-caption-text">Um narn, um cantauri e um humano assistindo a um show multirracial de dançarinas</p></div>
<p>Na série de TV <strong><em>Babylon 5,</em></strong> também ocorre essa curiosa relação se apresenta no personagem G&#8217;Kar, personagem da raça narn, uma espécie humanoide que, apesar disso, não tem pelos e possui a pele amarronzada, com tons amendoados e, em algumas partes do corpo, pintas escuras, como as de um guepardo.</p>
<p>Embora tenham diferenças estéticas que para muitos poderiam significar uma incompatibilidade de desejos mútuos entre humanos e narns, G&#8217;Kar é fascinado pela beleza de mulheres humanas e centauri (estas são quase idênticas às humanas). Apesar de se tratar de um caso individual (não aparecem explicitamente outros narns com essa mesma tara), fica subjacente a ideia de que há aspectos da sexualidade humana que se repetem em todo lugar do universo.</p>
<div id="attachment_5425" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5425" title="Dançarinas do Palácio de Jabba" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/l.jpg" alt="Dançarinas do Palácio de Jabba" width="586" height="401" /><p class="wp-caption-text">Dançarinas do Palácio de Jabba - Guerra nas Estrelas</p></div>
<div id="attachment_5434" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5434" title="Twi'leks fêmeas" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/sebulbatwileks.jpg" alt="Twi'leks fêmeas" width="300" height="236" /><p class="wp-caption-text">Duas twi&#39;leks cuidadndo de Sebulba antes de uma corrida de pods</p></div>
<p>Numa galáxia distante, há muito tempo atrás, diversas espécies de diversos mundos conviviam dentro ou fora da República Galáctica (ou do Império Galáctico, em outro momento histórico). Em <strong><em>Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio VI: O Retorno de Jedi,</em></strong> um mafioso chamado Jabba o Hutt se divertia em seu palácio com dançarinas de várias raças (ele chegou até a capturar uma humana, a Princesa Leia) . Todas elas têm em comum uma feminilidade semelhante à das mulheres humanas.</p>
<p>Mas o próprio Jabba se parece mais com uma gigantesca lesma obesa. Por que razão ele se interessaria naturalmente pelos encantos do corpo de uma fêmea tão diferente dos da espécie dele, só porque nós humanos consideramos esse tipo de beleza como obviamente agradável e excitante? Ademais, no universo de <em>Guerra nas Estrelas,</em> segundo o universo expandido, os hutts são hermafroditas. A não ser que isso se trate de uma perversão individual de Jabba, não há motivos para que esse tipo de preferência seja tão natural e tão universal.</p>
<p>Uma das espécies presentes no hatém de Jabba se chama twi&#8217;lek (seu mordomo, Bib Fortuna, pertence a esta espécie), humanoides que possuem peles de várias cores (alguns indivíduos são brancos, outros verdes, azuis, vermelhos, entre outros) e dois grandes tentáculos pendendo da cabeça. Suas fêmeas sempre aparecem nos filmes da franquia como mulheres esguias e belas. No <strong><em>Episódio I: A Ameaça Fantasma,</em></strong> um personagem chamado Sebulba, cuja espécie se caracteriza por longos braços que servem de pernas, pernas curtas que servem como braços e uma cabeça que lembra uma lhama sem pêlos, também parece gostar das twi&#8217;leks.</p>
<p>Essa limitação que sofre a imaginação na criação de histórias de ficção científica só se justifica naquilo que as tramas de determinadas histórias pretendem contar. Quando se trata de uma história de caráter mais mítico e fantástico, como <em>Guerra nas Estrelas,</em> não há porque se preocupar tanto com a verossimilhança, pois o mais importante é o drama, os conflitos políticos e os aspectos arquetípicos que dizem respeito exclusivamente aos humanos que escrevem e que assistem a essas histórias.</p>
<p>Quando se tratam de obras mais voltadas para a verdadeira ficção científica, como <em>Jornada nas Estrelas</em> e <em>Babylon 5,</em> essa representação do corpo feminino se justifica quando as histórias sobre espécies alienígenas são alegorias das relação humanas em sua própria diversidade, ou seja, entreveem-se as infinitas possibilidades de inter-relações entre quaisquer indivíduos de nossa espécie. Porém, quando é preciso, esses contos extrapolam os limites humanos e conseguem perceber que o mais verossímil é que cada espécie tenha suas próprias preferências em relação à estética do corpo, o que pode implicar que mesmo a mulher humana convencionada como a mais bela da Terra seja equivalente a um monstro asqueroso para uma certa raça extraterrestre.</p>
<p>Por outro lado, pode-se usar a ficção científica como um meio de imaginar uma utopia em que os indivíduos das mais variadas espécies enxergarem além das convenções de beleza e sexualidade em que vivem e conceberem a troca afetiva e sexual com as pessoas que amam e não com os corpos que agradam seus sentidos animais.</p>
<h3>Imagem de destaque:</h3>
<ul>
<li>Jabba e Leia &#8211; <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Wars_Episode_VI:_Return_of_the_Jedi" target="_blank">Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio VI: O Retorno de Jedi</a></em></li>
</ul>
<h3>Imagens</h3>
<ul>
<li>Kamala e Picard - <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Perfect_Mate" target="_blank">O Par Perfeito</a> (The Perfect Mate,</em> 21º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração)</em></li>
<li>Vina com a aparência de uma mulher animal de Órion - <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Cage" target="_blank">A Jaula</a> (The Cage,</em> episódio piloto da série original de<em> Jornada nas Estrelas)</em></li>
<li>Adira Tyree; G&#8217;Kar, Londo Mollari e comandante Sinclair - <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Born_to_the_Purple" target="_blank">Born to the Purple</a></em> (3ª episódio da  1ª temporada de <em>Babylon 5)</em></li>
<li>Dançarinas do palácio de Jabba - <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Wars_Episode_VI:_Return_of_the_Jedi" target="_blank">Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio VI: O Retorno de Jedi</a></em></li>
<li>Sebulba e duas mulheres twi&#8217;leks - <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Wars_Episode_I:_The_Phantom_Menace" target="_blank">Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio I: A Ameaça Fantasma</a></em></li>
</ul>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-53540"></div></div>]]></content:encoded>
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		<title>O corpo afrodisíaco</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 11:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Tanya Chalkin]]></category>

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		<description><![CDATA[O corpo da mulher e o mito da ginofilia universal]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;E ainda tem gente que não gosta, não é, rapaz?&#8221;, disse um homem ao seu companheiro de mesa no restaurante, referindo-se a duas mulheres bonitas sentadas à mesa em frente. É claro que, com a crescente visibilidade da busca por direito iguais pelos LGBTs, torna-se muito comum as pessoas tocarem no assunto, muitas vezes para demonstrar seu conservadorismo e sua reprovação, especialmente dirigida aos homossexuais do sexo masculino.</p>
<p>Eis algumas perguntas não muito óbvias para questionar essas manifestações: Por que um homem precisa proclamar de forma irônica seu desprezo pelo desejo homossexual, sugerindo através dessa mesma ironia que sua orientação é heterossexual? Por que esse tipo de afirmação costuma ser restrito às conversas entre homens? Por que existe alguma coisa errada em qualquer pessoa que não se excite com a visão de um corpo feminino?</p>
<p><span id="more-5373"></span>Afinal, para esse discurso conservador, há algo errado em uma mulher heterossexual que não goste ou não se sinta excitada com a visão do corpo de outra mulher? Quando diz que &#8220;tem gente que não gosta&#8221;, o homem está provavelmente se referindo a outros homens, ou seja, sub-repticiamente, atribui o status de &#8220;gente&#8221; mais (ou exclusivamente) aos homens do que às mulheres. Na relação de desejo, os homens são o sujeito e as mulheres são o objeto.</p>
<div id="attachment_5397" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5397" title="Passion - Tanya Chalkin" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/chalkinpassion.jpg" alt="Passion - Tanya Chalkin" width="300" height="212" /><p class="wp-caption-text">&quot;Passion&quot; - Tanya Chalkin</p></div>
<p>Mas a representação dos sujeitos do desejo, dentro da psique e nas fantasias eróticas masculinas mais comuns, realmente veem o corpo feminino como afrodisíaco, não só para os sentidos dos homens heterossexuais. Isso se revela em uma das fantasias mais comuns entre os homens, que é se envolver sexualmente com um casal de lésbicas (ou melhor, de mulheres bissexuais). Nessa fantasia, fica subentendido que a mulher, como objeto de desejo por excelência, tem o poder de excitar qualquer pessoa, independentemente do sexo desta e de sua orientação sexual.</p>
<p>Há um mito comum que diz que uma mulher suficientemente bonita e sensual pode conseguir excitar um homossexual que nunca se excitou senão com homens. Isso pode até acontecer, da mesma forma que um heterossexual pode se sentir excitado pela visão de um homem bonito e sensual, mas neste caso é muito mais difícil que o sujeito o admita, pois o desejo homossexual é proscrito pela moral tradicionalista vigente.</p>
<p>Toda essa representação tem efeitos reais. Em público, os homens costumam voltar olhos ávidos para as mulheres consideradas bonitas, e muitas afirmações do discurso androcêntrico refletem isso, como aquelas que jogam a culpa do estupro na mulher que usa roupas provocantes, a demonstração de raiva e ódio dos homens pelas mulheres com quem eles não conseguem se envolver sexualmente (uma das manifestações da misoginia) e o desprezo e ojeriza pelas mulheres consideradas feias.</p>
<p>Além disso, como bem aponta o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em seu excelente ensaio <em>A Dominação Masculina,</em> o corpo da mulher é instituído em nossa sociedade para ser representado e vivido como um corpo para ser visto, e isso implica, especialmente, que a mulher assume o papel de um ser vigiado, constantemente cobrado a parecer visualmente (e comportamentalmente) agradável, não só aos homens, mas da mesma forma às mulheres. Estas, tanto quanto os homens, olham constantemente para outras mulheres para avaliar sua aparência.</p>
<p>A noção de que o corpo feminino é o &#8220;corpo afrodisíaco&#8221; por alguma razão biológica (que estaria ligada à reprodução e à necessidade de a mulher atrair o macho para a cópula) não tem razão de ser pelo enfoque antropológico. São construções sociais que produzem o olhar e o desejo por certos tipos de objeto em determinadas condições. Nesse contexto, a vaidade feminina se insere como uma representação que envolve a ideia de que a mulher é fútil, rasa, superficial e necessita &#8220;naturalmente&#8221; se maquiar, se vestir bem, &#8220;se cuidar&#8221;.</p>
<p>A mulher não é &#8220;naturalmente&#8221; mais vaidosa do que o homem. Basta olhar para o passado do Ocidente e para várias outras culturas para ver o extremo zelo que os homens de certas sociedades têm com o asseio, as roupas e os acessórios de beleza, às vezes mais do que as mulheres suas conterrâneas. Em certos contextos sociais, são os homens quem têm que demonstrar vaidade para impressionar as mulheres.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-4883" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/MeF.png" alt="" width="200" height="196" />Em nossa cultura, o estilo feminino de se maquiar e vestir faz parte de um esquema de distinção dos gêneros, segundo o qual os comportamentos de uma pessoa devem seguir um modelo pré-estabelecido e exclusivo, o que vale também para os homens. As pessoas devem se encaixar em dois gêneros possíveis, sem intermediários: masculino-homem e feminino-mulher. Temos toda uma parafernália pedagógica, comportamental e material para garantir que o sexo de uma pessoa seja iconfundível: maneirismos característicos de cada sexo, tipos específicos de roupas, cabelos e penduricalhos, além de uma preferência sexual específica (quase invariavelmente heterossexual).</p>
<p>Qualquer tipo de desvio desse ideal provoca inquietação e ansiedade. Uma vez que esse enquadramento nos obriga a acatar certas coisas e renunciar outras (coisas que nem sempre correspondem, respectivamente, àquilo que intimamente desejamos e ao que repudiamos), tendemos a jogar os desviantes ao leito de Procrusto e, ao mesmo tempo, reprimir uma parte de nós mesmos, aquela parte que nos faria sair de um dos polos sexuais para uma identidade ambígua e inquietante, segundo os valores da maioria de nós.</p>
<p>Quando um homem expressa enfaticamente sua predileção sexual pelas mulheres e o desprezo pela homossexualidade, está assegurando que seu papel de homem heterossexual seja reconhecido, que não haja dúvidas sobre sua identidade masculina, que é a mais aceitável para um indivíduo com cromossomos XY. Ele precisa da aprovação de outros indivíduos, e busca especialmente a aprovação de outros homens, pois os indivíduos do sexo masculino se vigiam constantemente para averiguar se estão dentro do padrão exemplar.</p>
<p>A irônica frase &#8220;e tem gente que não gosta&#8221; pode esconder o <a href="http://teianeuronial.com/o-que-e-homofobia/">inconsciente e reprimido desejo homossexual</a> do próprio emissor, que precisa ser negado com ênfase para que ninguém (nem ele mesmo) mais tenha dúvidas. A ironia pode servir para a pessoa deixar escapar, sem querer, alguma informação reprimida sobre si mesma: a pessoa que não gosta de mulher (e que gosta de homem) pode ser &#8211; não necessariamente &#8211; o próprio homem que está emitindo aquela frase.</p>
<h3>Imagem de destaque:</h3>
<ul>
<li><em>Aphrodite</em> - <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Milo_Manara" target="_blank">Milo Manara</a></li>
</ul>
<h3>Foto</h3>
<ul>
<li><em>Passion</em> &#8211; <a href="http://www.tanyachalkin.com/posters.php" target="_blank">Tanya Chalkin</a></li>
</ul>
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		<title>Sexualidade alienígena &#8211; parte 2</title>
		<link>http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-2/</link>
		<comments>http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 11:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
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		<description><![CDATA[O prazer da androginia e do hermafroditismo na ficção científica]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os extraterrestres na ficção científica normalmente são inspirados nas experiências humanas no planeta Terra. Eles quase sempre são muito parecidos com seres humanos em muitas de suas características, inclusive em sua sexualidade (tanto no aspecto reprodutivo quanto nas manifestações de afeto e nas identidades de gênero), como vimos na <a href="http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-1/">primeira parte deste ensaio</a>.</p>
<p>Porém, algumas concepções conseguem fugir em maior ou menor grau do dimorfismo sexual e das relações monogâmicas heterossexuais, descrevendo desde variações exóticas da sexualidade humana até processos reprodutivos totalmente diversos do <em>Homo sapiens.</em> Vejamos alguns exemplos interessantes, as limitações ou extrapolações a que se consegue chegar na concepção de alienígenas andróginos, hermafroditas ou assexuados</p>
<p><span id="more-5244"></span></p>
<h3>J&#8217;naii</h3>
<div id="attachment_5251" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5251" title="J'naii" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/320x240.jpg" alt="J'naii" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Comandante Riker, humano, se apaixona por Soren, da raça andrógina j&#39;naii</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://memory-alpha.org/wiki/J'naii" target="_blank">j&#8217;naii</a>,</strong> do universo de <em><strong>Jornada nas Estrelas</strong> (Star Trek),</em> são uma espécie humanoide andrógina, cujos indivíduos não estão divididos em gêneros (masculino ou feminino), mas pertencem todos a um só gênero neutro, sem distinções físicas, comportamentais ou cosméticas relacionadas a uma identidade sexual.</p>
<p>Seu processo reprodutivo, no entanto, é sexuado e ocorre na associação entre dois indivíduos, cada um dos quais insemina um casulo com seu material genético, em meio a um longo e complexo ritual de cópula.</p>
<p>A identidade andrógina é uma ideia interessante para uma história de ficção científica e é bem alienígena para os padrões humanos. Seu processo reprodutivo também se diferencia, nos sentido em que os dois parceiros têm papéis considerados equivalentes, diferentemente dos humanos, cuja reprodução acontece no encontro de dois gametas complementares. Mas há um elemento pitoresco que denuncia a incapacidade de se imaginar uma espécie totalmente alienígana na ficção: em certo momento do episódio <em><strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Outcast_(Star_Trek:_The_Next_Generation)" target="_blank">O Excluído</a></strong> (The Outcast,</em> 17º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada Nas Estrelas: A Nova Geração),</em> Riker pergunta a Soren quem conduz caso dois j&#8217;naii estejam dançando, e ela responde que é o par mais alto (o que ressoa o papel masculino, ou seja, no &#8220;insignificante&#8221; gesto da dança, não há igualdade entre os parceiros).</p>
<p>Os j&#8217;naii serviram mais para se contar uma história alegórica às avessas sobre a homofobia. No episódio supracitado, Soren, membro da espécie, se sente desconfortável com sua identidade andrógina e preferiria ser uma fêmea, o que a leva a um julgamento, qua a condena a um processo de readequação e frustra o romance que começara com o Comandante Riker.</p>
<h3>Dracs</h3>
<div id="attachment_5277" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5277" title="Jeriba" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/enemy-mine.jpg" alt="Jeriba" width="586" height="265" /><p class="wp-caption-text">Jeriba, um drac na condição de gravidez assexuada, comportando-se como uma fêmea - antes, na condição de guerreiro, se comportava como um macho</p></div>
<p>No filme <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Enemy_Mine" target="_blank">Inimigo Meu</a>,</em></strong> Davidge se depara com um indivíduo de uma raça inimiga dos humanos, um <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dracs" target="_blank">drac</a>.</strong> Talvez seja uma das espécies humanoides da ficção científica que mais se diferenciam dos humanos em termos de sexualidade, pois eles são hermafroditas e se reproduzem assexuadamente. Cada indivíduo dá à luz sem a participação de um parceiro, sem cópula. O mais interessante é que, quando estão em situação de guerra e sobrevivência, eles têm um comportamento &#8220;masculino&#8221;, mas, quando estão em processo de gestação, se comportam &#8220;femininamente&#8221;.</p>
<p>Dessa forma, há uma quebra das expectativas humanas quanto à identidade sexual. Em todas as sociedades humanas existe a noção da dualidade masculino/feminino e homem/mulher. Toda cultura estabelece certos parâmetros para essa diferenciação e institucionaliza técnicas e formas de se diferenciar os gêneros. Causa perplexidade, por exemplo, quando vemos uma pessoa andrógina ou vestida com roupas que não pertencem ao seu gênero. Estamos sempre numa tensão provocada pela preocupação em não confundir nossa identidade sexual com a do outro sexo. Qualquer &#8220;desvio&#8221; põe em dúvida a adequação de um indivíduo à &#8220;natureza&#8221; de seu sexo.</p>
<p>Os dracs rompem com essa forma de ver as coisas. Eles não têm identidade sexual, são apenas indivíduos dracs. Quando não estão gestantes, parecem pertencer ao gênero masculino, são fortes, resistentes e viris. Quando estão grávidos, são dóceis, frágeis e passam grande parte do tempo comendo. Como os peixes-palhaços da Terra, assumem um comportamento segundo as circunstâncias.</p>
<p>Além disso, a paternidade/maternidade, para eles, não possui a noção de progenitores no plural. Enquanto para os humanos o sexo/gênero de pai e/ou mãe é definido e tem um significado pré-determinado (em relação, por exemplo, aos papéis que exercem os adultos machos e fêmeas para com as crianças), os dracs só têm uma palavra para designar o indivíduo que deu à luz. Em inglês, Davidge se refere a Jeriba como <em>parent</em> de Zammis.</p>
<p>Entretanto, a divisão entre os dois tipos de comportamentos dos dracs cai novamente na mesma perspectiva humana, que tem dois modelos de identidade sexual estáticos, opostos e complementares. O comportamento das identidades sexuais humanas estão muito mais ligados a construções sociais do que a instintos naturais. Como não há essa divisão na sociedade drac, deveria haver menos diferenças entre o estado gestante e o estado não-gestante.</p>
<h3>Antareanos</h3>
<div id="attachment_5274" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5274" title="Cocoon" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/cocoon.jpg" alt="Cocoon" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Uma antareana mostra a Jack, um humano, uma forma sublime e semi-incorpórea de prazer sexual</p></div>
<p>Os misterioros alienígenas do filme <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cocoon" target="_blank">Cocoon</a></em></strong> não parecem apresentar dimorfismo sexual, mesmo que eles se disfarcem de humanos machos ou fêmeas. Quando estão sem os disfarces, aparecem como fomas humanoides nuas e sem sexo, o que deixa perplexo o humano Jack, que estava se sentindo apaixonado por &#8220;uma&#8221; das alienígenas, disfarçada na forma de uma bela humana.</p>
<p>Não fica claro nesta história qual é o meio de reprodução dos <strong>antareanos.</strong> No entanto, eles têm uma forma de trocar prazer, o que para Jack se aproxima bastante da ideia que os humanos têm de sexualidade (em seu aspecto erótico e não reprodutivo). Porém, esse prazer extrapola muito os limites da experiência humana de Jack, e parece alcançar níveis mais amplos do que a mera fisicalidade dos corpos.</p>
<p>Nesse contexto, a sexualidade é encarada como algo mais do que um meio para a reprodução, assim como acontece com a j&#8217;naii Soren no exemplo visto acima, que deseja se unir a Riker por amor. A troca de prazer e a união física (ou mais do que física) entre dois indivíduos aparece como uma forma de demonstrar abertismo e um sentimento fraterno-amoroso pelo outro, independentemente de este pertencer ou não à sua espécie.</p>
<h3>Transmorfos</h3>
<div id="attachment_5270" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5270" title="Odo e Kira" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/odokira.jpg" alt="Odo e Kira" width="586" height="448" /><p class="wp-caption-text">Odo, um transmorfo, em forma fluida e luminosa, troca carícias com sua companheira Kira, uma bajoriana</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Changeling_(Star_Trek)#Changeling" target="_blank">transmorfos</a>,</strong> do universo de <em>Jornada nas Estrelas,</em> são uma raça extremamente exótica para os padrões humanos. Eles não têm uma forma &#8220;natural&#8221;, a não ser um estado líquido, e podem assumir qualquer forma dentro dos limites da matéria da qual são compostos e da densidade que podem empregar à sua composição. Odo, o principal transmorfo da série <strong><em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine,</em></strong> assim como qualquer outro membro de sua espécie, pode assumir as formas de um rato, uma cadeira, uma gaivota, neblina, um homem ou qualquer outra coisa.</p>
<p>Não se sabe ao certo como é a reprodução dos transmorfos. Eles vivem, normalmente, ligados no que chamam de Grande Elo, em forma líquida em seu planeta-natal, imersos no que para nós parece um imenso mar, compartilhando os pensamentos e sentimentos de seus iguais. Quando estão distantes do Elo, muitas vezes em forma humanoide, podem se unir a outros transmorfos, promovendo esse mesmo compartilhamento mental.</p>
<p>Há muitos elementos que descrevem aquilo que poderia ser entendido como a sexualidade dos transmorfos, mas esses elementos se relacionam de forma confusa e controversa. No episódio <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Behind_the_Lines_%28Star_Trek:_Deep_Space_Nine%29" target="_blank">Atrás das Linhas Inimigas</a> (Behind the Lines,</em> 6º episódio da 4ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine),</em>a líder dos transmorfos manipula Odo através de constantes elos que promove com ele, o que parece, para olhos humanos, estabelecer uma relação amorosa. Porém, em <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chimera_%28Star_Trek:_Deep_Space_Nine%29" target="_blank">Quimera</a> (Chimera,</em> 14º episódio da 7ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine), </em>quando Odo encontra Laas, um transmorfo perdido que não conhecia outros membros de sua espécie, eles passam a promover o elo com frequência, mas Kira, namorada de Odo, compreende que não há motivos para sentir ciúmes.</p>
<p>O que nos leva a pensar que os transmorfos não têm uma sexualidade natural entre si, a não ser que eles considerem que o amor não deve ser exclusivo (como conjeturamos na primeira parte deste ensaio, ao descrever os na&#8217;vi). Mas, em <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/A_Simple_Investigation" target="_blank">Uma Simples Investigação</a> (A Simple Investigation,</em> 17º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine),</em> Odo foi capaz de fazer sexo com uma mulher, provavelmente simulando os genitais humanos masculinos. Porém, embora seja relativamente fácil para ele imitar a forma humana, é estranho que ele consiga simular também o prazer físico. Ora, sua fisiologia interna não permite sequer que ele ingira líquidos ou sólidos, pois não tem necessidade de se alimentar.</p>
<p>Quando passa a conviver amorosamente com Kira, infere-se que eles mantêm atividades sexuais semelhantes. Odo foi capaz de se apaixonar por um ser muito diferente dele, com forma fixa, mas essa relação só funciona na maior parte do tempo em termos humanoides. No entanto, num dos momentos mais belos da saga de <em>Deep Space Nine,</em> Odo se transforma numa névoa dourada e, de certa forma, faz amor com Kira em termos não-humanoides, o que, além de extrapolar o padrão humano das trocas afetivo-sexuais, representa um avanço no sentido do amor que ultrapassa a superfície da forma e compreende a natureza isogenética da consciência.</p>
<h3>Imagens</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Outcast_(Star_Trek:_The_Next_Generation)" target="_blank">O Excluído</a> (The Outcast,</em> 17º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração)</em></li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inimigo_meu" target="_blank">Inimigo Meu</a> (Enemy Mine,</em> filme de 1985, dirigigo por Wolfgang Petersen)</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cocoon" target="_blank">Cocoon</a></em> (filme de 1985, dirigido por Ron Howard)</li>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chimera_(Star_Trek:_Deep_Space_Nine)" target="_blank">Quimera</a> (Chimera,</em> 14º episódio da 7ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine)</em></li>
</ul>
<h3>Veja também</h3>
<ul>
<li><a href="http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-1/"><em>Sexualidade alienígena – parte 1</em></a></li>
</ul>
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		<title>Sexualidade alienígena &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 11:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
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		<description><![CDATA[Variações do dimorfismo sexual na ficção científica]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ser humano tende a antropomorfizar a natureza, ou seja, representar a realidade ao seu redor segundo parâmetros construídos a partir de sua própria experiência. Um dos exemplos mais marcantes em nossa cultura e idioma é a classificação de coisas inanimadas em gêneros masculino e feminino e a representação dessas coisas segundo o que se entende como características masculinas e femininas.</p>
<p>Extrapolando tudo isso, é comum imaginarmos, em histórias de ficção científica, que as espécies alienígenas que porventura possamos encontrar universo afora tenham características muito parecidas com as humanas, como a divisão em dois sexos/gêneros e a procriação sexuada. Até mesmo a existência de algo que possamos identificar como sexualidade é resultado do antropomorfismo.</p>
<p><span id="more-5217"></span>Mas sabemos quase nada sobre a fisiologia de espécies extraterrestres e só podemos especular, segundo alguns exobiólogos, imaginando que, se uma determinada forma de funcionar deu certo para nós, deve ter se desenvolvido também em outros lugares do Cosmos.</p>
<p>Porém, é provável que a variedade das formas de vida no universo seja muito maior do que tendemos a imaginar, e a forma humanoide dimórfica pode não ser o modelo mais comum. Mas a grande maioria dos alienígenas inteligentes da ficção científica é humanoide e dimórfica, o que pode se dar pelos seguintes motivos:</p>
<ul>
<li>os limites da imaginação humana;</li>
<li>o antropomorfismo nas representações do Cosmos;</li>
<li>o fato de, no cinema e na televisão, ser mais fácil fantasiar atores humanos para interpretar personagens alienígenas e</li>
<li>o fato de muitas histórias com extraterrestres serem alegorias dos problemas enfrentados nas relações entre seres humanos, sendo as espécies alienígenas representações da diversidade humana.</li>
</ul>
<p>O dimorfismo sexual de espécies humanoides na ficção científica não se resume apenas a uma funcionalidade procriativa, mas envolve o estabelecimento de uniões e alianças entre os indivíduos, diversas formas de afetividade e regras tácitas de como machos e fêmeas se comportam no sexo. Tudo isso pode ser justificado por uma necessidade evolutiva, pois podemos presumir que uma espécie inteligente tenha seguido um caminho parecido ao dos humanos, ou seja:</p>
<ul>
<li>tenha substituído a natureza pela cultura como principal institucionalizador de comportamentos, o que permitiria a complexificação do pensamento, e</li>
<li>tenha desenvolvido a necessidade do social (o que inclui a sexualidade, entendida não só como o sexo que pode servir para a procriação, mas como o conjunto das formas de se trocar afeto e prazer) para a manutenção dos costumes, linguagem e saberes sem os quais o espécime não se completa como membro de seu grupo.</li>
</ul>
<p>Mesmo assim, toda a sexualidade alienígena é imaginada com base nas práticas humanas. Vejamos a descrição de algumas das espécies alienígenas da ficção científica televisiva e cinematográfica que reproduzem o modelo humanoide dimórfico, juntamente com algumas reflexões sobre a influência do antropomorfismo em sua concepção e até onde os autores conseguem chegar na extrapolação da realidade que conhecemos mais de perto.</p>
<h3>Vulcanos</h3>
<div id="attachment_5249" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5249" title="Spock e T'Pring" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/spock_tpring.jpg" alt="Spock e T'Pring" width="586" height="434" /><p class="wp-caption-text">Spock e T&#39;Pring no ritual vulcano do pon farr</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vulcanos" target="_blank">vulcanos</a></strong> são uma das raças mais notáveis no universo de <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_trek" target="_blank">Jornada nas Estrelas</a>,</em></strong> sendo uma das mais presentes ao longo das cinco séries da franquia. São fisicamente muito aprecidos com os humanos, sendo as únicas diferenças perceptíveis a olho nu as orelhas pontiagudas, as sobrancelhas arqueadas e uma quase imperceptível tonalidade verde na pele. As outras poucas características morfológicas diferentes das humanas incluem o coração localizado na altura do plexo solar e hemoglobina baseada em cobalto ao invés de ferro (o que dá a cor verde ao seu sangue).</p>
<p>Psico-biologicamente, eles são muito parecidos com os seres humanos, porém são mais propensos, geneticamente, a emoções fortes. Sócio-culturalmente, são criados segundo os rígidos ditames de uma ética baseada na Lógica, o que dá a aparência de que não têm emoções, mas a verdade é que estas ficam reprimidas.</p>
<p>Tanto que, quando completam um ciclo de 7 anos, são arrebatados por uma condição fisiológica chamada pon farr, na qual têm a premente necessidade de voltar ao planeta-natal (Vulcano) e se unir ao parceiro ou pretendente. Nisso, precisam se entregar a um elaborado ritual em que se determina a união ou rejeição dos parceiros. O ritual pode envolver até mesmo um combate, que a mulher pode determinar como condição para a consecução do acasalamento.</p>
<p>Embora se diferenciem significativamente dos humanos em alguns aspectos, como o fato de costumarem fazer sexo a cada 7 anos (diferentemente dos humanos, que não têm cio e podem copular em quaisquer dias do ano), a sexualidade vulcana ainda é, no quadro geral, inspirada na humana.</p>
<h3>Klingons</h3>
<div id="attachment_5258" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5258" title="Worf e Jadzia" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Worf-and-Jadzia-jadzia-and-worf-15305539-692-530.jpg" alt="Worf e Jadzia" width="586" height="448" /><p class="wp-caption-text">Worf, um klingon, flerta furiosamente com Jadzia, uma trill que sabe como se comportar como uma klingon</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Klingons" target="_blank">klingons</a></strong> surgem na série de <em>Jornada nas Estrelas</em> como uma raça praticamente igual à humana, tanto que no episódio <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Trouble_With_Tribbles" target="_blank">Problemas aos Pingos</a> (The Trouble with Tribbles,</em> 15º episódio da 2ª temporada da Série Clássica) um klingon se passa facilmente por humano, só tendo sua identidade descoberta com a ajuda de um tricorder médico.</p>
<p>As maiores diferenças culturais e biológicas entre klingons e humanos só foram melhor exploradas a partir de <em>A Nova Geração,</em> em que desobrimos que os klingons costumam grunhir e morder em suas relações sexuais, sendo escoriações e hematomas os sinais de que um indivíduo praticou sexo recentemente.</p>
<p>Fora isso, não parece haver diferenças fundamentais entre a sexualidade klingon e a humana, pois da possibilidade de intercruzamento se infere que os órgãos sexuais e a cópula são no mínimo semelhantes. Porém, há pequenas peculiaridades na escolha dos parceiros, na corte e no ato sexual. A atração e o amor, em muitos indivíduos dessa espécie, é atiçada pela força, altivez e coragem do pretendente. Os flertes às vezes incluem trocas de grunhidos, e o ato sexual em si parece se misturar com elementos de uma renhida luta.</p>
<p>A diferença entre a sexualidade humana e a klingon, portanto, parece ser mais o resultado de uma diferença cultural, visto que é verossímil que uma sociedade humana desenvolva os mesmos valores e práticas dessa raça de honrados guerreiros. No entanto, os klingons são representados como naturalmente mais fortes e resistentes fisicamente do que os humanos, o que levou Worf, em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Justice_(Star_Trek:_The_Next_Generation)" target="_blank">certa ocasião</a>, a recusar a troca de afetos com uma humana. &#8220;Preciso me conter demais. As mulheres humanas são muito frágeis.&#8221;</p>
<h3>O problema da fertilidade inter-espécies</h3>
<p>Mas é notável a presença de um elemento extremamente improvável no quadro geral das espécies alienígenas no universo de <em>Jornada nas Estrelas,</em> que é o fato de praticamente todas as raças serem férteis entre si. O próprio Spock, vulcano mais notável da franquia, é na verdade um meio-vulcano/meio-humano, pois tem pai vulcano e mãe humana.</p>
<p>A própria possibilidade de indivíduos de espécies diferentes formarem casais é um pouco inverossímil (embora não impossível, tendo em vista que os sentimentos comuns podem, em teoria, transcender as formas físicas). Porém, essa possibilidade só se realizaria com a compatibilidade das formas de se trocar afeto e formar uniões. Na ficção científica, é muito comum que os alienígenas sejam, além de sexualmente dimórficos, monogâmicos e quase estritamente heterossexuais (o que, além de representar um antropomorfismo, representa um etnocentrismo de viés euro-ocidental &#8211; veja o ensaio <em><a href="http://teianeuronial.com/homossexualidade-em-star-trek/">Homossexualidade em Star Trek</a>).</em> De fato, aparecem ao longo das séries da franquia muios casais inter-espécies:</p>
<ul>
<li>Sarek (vulcano) e Amanda (humana),</li>
<li>Comandante Riker (humano) e Deanna Troi (meio-<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Betazoides_(Star_Trek)" target="_blank">betazoide</a>),</li>
<li>Rom (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferenguis_(Star_Trek)" target="_blank">ferengi</a>) e Leeta (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bajorianos" target="_blank">bajoriana</a>),</li>
<li>Quark (ferengi) e Grilka (klingon)</li>
<li>Jadzia Dax (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trill_(Star_Trek)" target="_blank">trill</a>) e Worf (klingon),</li>
<li>Odo (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Changeling_(Star_Trek)#Changeling" target="_blank">transmorfo</a>) e Kira (bajoriana),</li>
<li>Ezri Dax (trill) e Dr. Bashir (humano),</li>
<li>Neelix (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Star_Trek_races#Talaxian" target="_blank">talaxiano</a>) e Kes (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ocampa" target="_blank">ocampa</a>), entre outros.</li>
</ul>
<p>A necessidade de se criar pretextos para roteiros interessantes permeia as histórias de ficção científica. Em <em>Jornada nas Estrelas,</em> não só os vulcanos e os humanos podem procriar entre si (como no caso dos pais de Spock). Já apareceram híbridos de</p>
<ul>
<li>humano e betazoide (Deanna Troi),</li>
<li>humano e klingon (K&#8217;ehleyr e B&#8217;elanna),</li>
<li>humano e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Romulanos">romulano</a> (Sela),</li>
<li>klingon e romulano (Ba&#8217;el) e</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cardassianos" target="_blank">cardassiano</a> e bajoriano (Ziyal), entre outros.</li>
</ul>
<p>Essa possibilidade de interfecundidade só é relevante para a criação de enredos pertinentes à reflexão sobre a relação entre os povos (humanos), os problemas advindos do contato intercultural, os conflitos de identidade e situações diplomáticas.</p>
<p>Porém, biologicamente, é improvável que espécies desenvolvidas em dois planetas diferentes e com histórias evolutivas tão díspares possam se unir sexualmente (como é tão comum em todas as histórias de <em>Jornada nas Estrelas).</em> Muito mais improvável, portanto, é que essas uniões possam produzir frutos férteis.</p>
<p>No universo de <em>Babylon 5,</em> série que tem <em>Jornada nas Estrelas</em> como uma de suas principais fontes de inspiração, a situação é um pouco mais verossímil, como veremos no exemplo em seguida.</p>
<h3>Centauri</h3>
<div id="attachment_5237" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5237  " title="Adira e Londo" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/AdiraLondo01.jpg" alt="Adira e Londo" width="586" height="347" /><p class="wp-caption-text">Adira Tyree e Londo Mollari, dois centauri</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Centauri_(Babylon_5)" target="_blank">centauri</a></strong> são externamente a espécie mais parecida com os humanos na série <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Babylon_5" target="_blank">Babylon 5</a>,</em></strong> ao menos quando estão vestidos. Seus órgãos sexuais são um pouco diferentes dos humanos: os homens têm seis tentáculos em suas costas, três em cada lado, e as fêmeas possuem seis orifícios distribuídos da mesma forma. A cópula acontece numa gradação, começando com a penetração de um dos tentáculos, que provoca prazer em menor intensidade, e este vai aumentando de acordo com a introdução dos tentáculos seguintes, cada um mais intenso do que o anterior.</p>
<p>Um diferencial de <em>Babylon 5</em> em relação a <em>Jornada nas Estrelas</em> é que o intercruzamento não acontece tão facilmente. Os centauri e os humanos, por exemplo, não têm como cruzar entre si e tampouco produzir filhos (tanto por causa da morfologia como pela incompatibilidade de DNA). O que se vê na série, no máximo, são homens centauri (e de outras raças) apreciando a beleza das fêmeas de outras espécies, inclusive das humanas. O único casamento fértil inter-espécies que se vê na série se dá entre um humano e uma minbari, que teve o próprio DNA misturado com o DNA humano.</p>
<p>Entretanto, por mais diferente que pareça, a sexualidade centauri tem dois resquícios da sexualidade humana. O primeiro é o próprio fato de a espécie ser dividida em dois sexos, com praticamente as mesmas características de seus equivalentes humanos. O segundo é a forma pela qual se dá a cópula, ou seja, a penetração de uma protuberância do macho num orifício da fêmea.</p>
<p>Entre os alienígenas na&#8217;vi, do filme <em>Avatar,</em> isso muda um pouco mais significativamente.</p>
<h3>Na&#8217;vi</h3>
<div id="attachment_5240" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5240  " title="Jake e Neytiri" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/navijakeneytiri.jpg" alt="Jake e Neytiri" width="586" height="366" /><p class="wp-caption-text">Jake e Neytiri, um meio-na&#39;vi e uma na&#39;vi</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Na%27vi#Na.27vi" target="_blank">na&#8217;vi</a></strong> são humanoides com diversas características parecidas com os humanos. Têm cabeça, tronco, braços e pernas, rosto com olhos, nariz, boca, cabeça com orelhas e cabelos. Têm algumas diferenças, como cauda, pescoço comprido, orelhas longas, pele azul e olhos amarelos, além de medirem cerca de 3 metros de altura. Seus traços lembram os felinos, como se eles tivessem evoluído a partir de gatos e não de símios.</p>
<p>Eles são tão parecidos com os seres humanos que era de se esperar que seus órgãos reprodutivos fossem praticamente iguais aos do <em>Homo sapiens.</em> Porém, eles fazem sexo através de conexões presentes em filamentos que ficam em meio aos seus cabelos. Não fica claro, no filme, se essa mesma conexão é responsável pela fecundação e reprodução da espécie, mas isso fica subentendido de nossa própria autorrepresentação humana.</p>
<p>Um detalhe curioso e um pouco bizarro é que a conexão usada para a cópula é também usada para se domar animais de montaria, como cavalos e pássaros. Para um olhar humano, é como se eles tivessem institucionalizado o bestialismo como prática aceitável e corriqueira. Isso poderia significar também que o amor, para essa espécie, é um conceito muito mais amplo do que aquele que temos. Ou eles podem sentir algo diferente dependendo de a quem eles se conectam, assim como o afeto trocado com um parente próximo (geralmente) não nos deixa sexualmente excitados, enquanto o mesmo contato físico com um parceiro afetivo-sexual traz essa excitação em menor ou maior grau.</p>
<p>Mas o que é mais problemático nessa espécie fictícia é que eles são criados propositalmente com uma aparência bela, explorando e extrapolando a estética dos modelos de beleza ocidentais e hollywoodianos (altura e magreza), misturada a um exotismo alienígena. É fácil para muita gente se afeiçoar pelos na&#8217;vi (muitos até gostariam de pertencer a essa espécie). Aliado a isso, por mais diferentes que eles sejam dos humanos, são quase iguais no comportamento, na forma de expressar emoções e, mais pertinente para este ensaio, na forma de trocar afeto, com carícias, beijos e abraços, de modo que não foi nada difícil para Jake Sully (humano travestido de na&#8217;vi) entender como proceder nas preliminares com Neytiri.</p>
<p><em>[Continua na próxima semana]</em></p>
<h3>Imagens</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Amok_Time" target="_blank">Tempo de Loucura </a>(Amok Time)</em> &#8211; 1º episódio da 2º temporada da série clássica (TOS) de <em>Jornada nas Estrelas</em></li>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Looking_for_par%27Mach_in_All_the_Wrong_Places" target="_blank">Procurando Por par’Mach Em Todos Os Lugares Errados</a> (Looking for par’Mach in All the Wrong Places)</em> &#8211; 3º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine</em> (DS9)</li>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Day_of_the_Dead_%28Babylon_5%29" target="_blank">Dia dos Mortos </a>(Day of the Dead)</em> &#8211; 8º episódio da 5ª temporada de <em>Babylon 5</em></li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Avatar_%28filme%29" target="_blank"><em>Avatar</em> </a>- filme dirigido por James Cameron e lançado em 2009</li>
</ul>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-52180"></div></div>]]></content:encoded>
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