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	<title>Teia Neuronial &#187; Ficção científica</title>
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		<title>A alma dos robôs &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 11:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A natureza do Homo sapiens roboticus]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um computador pode emular uma inteligência humana de modo visivelmente artificial. Não é difícil encontrar na internet programas que simulam um interlocutor com o qual você pode travar um bate-papo mais ou menos coerente. Mas basta aprofundar ou complexificar um pouco a conversa para desmascarar o robô e fazê-lo dizer coisas sem sentido.</p>
<p>A inteligência das máquinas tem uma especificidade particularmente artificial. A utilidade de um computador prescinde de qualquer traço de humanidade. Um computador e um braço mecânico de uma fábrica não precisam ser nenhum pouco parecidos com um ser vivo, e talvez fosse muito perturbador para nós se não fossem explicitamente artificiais. Esse é o tema de uma história de <strong><em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração,</em></strong> em que <strong>Data</strong> descobre que tem um irmão mais velho, <strong>Lore,</strong> que fora descartado por seu criador porque era parecido demais com um ser humano.</p>
<p><span id="more-5684"></span></p>
<h3>Mente e corpo</h3>
<p>Para que um robô tivesse uma &#8220;mente&#8221; como a humana, seria necessário que a máquina passasse por um processo de experiência e aprendizado. Mas isso não seria tarefa nenhum pouco simples. Ele teria que possuir um &#8220;cérebro&#8221; preparado para formar ligações &#8220;neuroniais&#8221; à medida que fosse registrando as percepções do meio ao seu redor. Mas seria importantíssimo que suas percepções do mundo fossem baseadas nos mesmos sentidos humanos. Isso poderia fornecer ao &#8220;cérebro&#8221; em formação uma memória, um esquema cognitivo e novos meios de adquirir conhecimento.</p>
<p>Além disso, ele deveria ter um corpo humano e passar pelas experiências peculiarmente humanas. Esse corpo deveria crescer, se alimentar, se relacionar com outros humanos (ou cópias destes), aprender a andar e a falar. <strong>Gilbert Durand,</strong> no livro <strong><em>As Estruturas Antropológicas do Imaginário,</em></strong> demonstra que as experiências humanas universais básicas, como o ato de andar e se alimentar, a fala e o sexo, têm papel fundamental na constituição da psique do <em>Homo sapiens.</em> Ou seja, para criar uma inteligência artificial realmente parecida com a humana, seria necessário criar um simulacro completo de um ser humano, dotado inclusive da capacidade de se identificar como um ser humano e de se ver nos outros indivíduos humanos.</p>
<p>Outro aspecto a ser considerado é a noção de inteligência corporal defendida pelo filósofo francês <strong>Michel Serres.</strong> Para ele, não se pode considerar a inteligência humana como algo separado do corpo, pois, além do fato de o cérebro ser parte integrada do corpo humano, este também &#8220;pensa&#8221;. Em suma, para Serres, o fazer humano é um conjunto de atividades psíquicas e corporais, a maioria das quais dependentes umas das outras.</p>
<p>Não seria suficiente, então, criar algo parecido com o cérebro positrônico idealizado por <strong>Isaac Asimov.</strong> Não bastaria a uma máquina possuir um &#8220;centro de consciência&#8221; organizador das funções do corpo e que poderia ser colocado em outro corpo semelhante, funcionando de maneira idêntica. Esse cérebro robótico teria que ser integrado organicamente ao corpo artificial e desenvolver uma história com esse corpo.</p>
<p>É preciso considerar também outro aspecto da natureza da mente humana, que é o fato de se organizar ostensivamente a partir da língua. A psique humana se organiza pela lógica da gramática aprendida, e não é difícil perceber isso ao prestar atenção aos nossos próprios pensamentos, elaborados através de frases em nossa cabeça. Assim, uma inteligência artificial que simulasse a psique humana deveria também ser capaz de aprender a língua dos indivíduos com que se relaciona, para que seus processos mentais se assemelhassem mais aos humanos.</p>
<h3>Recriando o Homo sapiens</h3>
<p>Em suma, se se pudesse criar um simulacro de mente humana, seria pela (re)criação de um indivíduo humano. Assim como, na natureza, não existe salto evolutivo, não deve haver um meio de se passar de um estado sem alma (inanimado) para um estado com alma (animado), instantânea, automática e imediatamente. É necessário um processo paulatino para se sair da simplicidade até a complexidade; do protozoário (chip) até o antropoide sem pelos (androide), passaram-se milhões de anos de evolução.</p>
<p>Poder-se-ia pensar, no entanto, que, depois de se chegar a um robô animado completo (o que traria um inestimável conjunto de saberes que contribuiriam enormemente para a compreensão da mente humana), ele poderia ser usado como modelo de réplica. Dessa forma, bastaria construir clones (quem sabe através de alguma tecnologia que combinasse os replicadores e o teletransporte de <em>Jornada nas Estrelas).</em></p>
<p><em></em>(Se tomássemos este caminho, replicar um ser humano &#8220;verdadeiro&#8221; deveria ter o mesmo efeito. Isso implicaria numa série de dilemas éticos relacionados à individualidade, além de provocar uma inevitável discussão sobre a natureza humana dos replicantes (sejam de humanos, sejam de robôs), que deveriam ter seu status de humanidade colocado em questão. Mas isso fica para outro ensaio.)</p>
<p>Porém, teríamos que considerar alguns prováveis problemas. A mente e o corpo humanos não são uma pedra. Como todo ser vivo, está em constante e ininterrupta mudança orgânica, o metabolismo não para nunca e a mente está sempre ativa, mesmo em estado inconsciente. Assim, como seria possível simplesmente copiar um mecanismo que não se pode desligar sem que isso implique em sua morte? Afinal, seria necessário que esse organismo estivesse completamente estático para que uma cópia sem defeitos fosse possível.</p>
<p>Seria necessário refletir se é realmente pertinente criar um simulacro de ser humano. A inteligência artificial deve servir a algum propósito, mas certamente não importa criar um <em>Homo sapiens roboticus.</em> O que importa é criar tecnologias que facilitem nossas vidas, que nos ajudem a resolver problemas, de maneira eficaz e mais veloz do que a mente humana. Essa inteligência artificial não seria uma mente humana artificial e no máximo passaria por uma caricatura de ser humano. Ela precisaria o tempo todo ser alimentada com dados para que seu &#8220;cérebro&#8221; servisse para alguma coisa.</p>
<p>Importa ainda pensar no problema sócio-econômico que implica o investimento na construção de um androide quase humano, capaz de realizar tarefas humanas com mais eficiência do que um ser humano de carne e osso. Temos em toda a superfície da Terra um contingente enorme de pessoas excluídas do mercado de trabalho, e fazer robôs para realizar trabalhos braçais ou intelectuais seria uma maneira de dificultar ainda mais o caminho para um mundo mais igualitário.</p>
<h3>Links</h3>
<ul>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Data_(Star_Trek)" target="_blank">Data (Star Trek)</a> &#8211; Wikipédía</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilbert_Durand" target="_blank">Gilbert Durand</a> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_serres" target="_blank">Michel Serres</a> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_asimov" target="_blank">Isaac Asimov</a> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9rebro_positr%C3%B4nico" target="_blank">Cérebro positrônico</a> &#8211; Wikipédia</li>
</ul>
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		<title>A alma dos robôs &#8211; parte 2</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 11:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Animismo, desejos de humanidade e luta por liberdade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde as histórias de estátuas que ganham vida, passando por bonecos de madeira e robôs que desenvolvem consciência e sentimentos, a fantasia da passagem do inanimado para o animado está muito presente nos mitos, na literatura e no cinema. Por que os seres humanos são fascinados por personagens robóticos que buscam se tornar humanos? O que há neles com que nos identificamos tanto?</p>
<p>Além disso, por que essa fantasia do robô tornado humano extrapola para histórias em que as máquinas se tornam uma ameaça à humanidade, subjugando-a e invertendo os papéis do dominante e do dominado? Porque, enfim, sentimos um misto de medo e simpatia pelos robôs revoltosos, que são apenas máquinas inanimadas que deveriam servir aos seus criadores?</p>
<p><span id="more-5727"></span><strong>&#8220;O Homem Bicentenário&#8221;,</strong> em sua busca por humanidade, esbarrou num problema: as <strong>Leis da Robótica,</strong> pelas quais um robô está fadado a servir incondicionalmente aos humanos, sem liberdade sequer para possuir um sentimento de autopreservação.</p>
<blockquote><p>1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.</p>
<p>2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.</p>
<p>3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.</p></blockquote>
<div id="attachment_5756" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5756" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/frankensteinkarloff.jpg" alt="" width="200" height="251" /><p class="wp-caption-text">Boris Karloff como o monstro de Frankenstein, a encarnação mais emblemática da obra de Mary Shelley</p></div>
<p>Essas Leis foram concebidas por <strong>Isaac Asimov</strong> para que os robôs positrônicos  de seus contos não se voltassem contra os seres humanos, como era comum em histórias sobre seres artificiais, cujo exemplo mais notório é o monstro de <strong><em>Frankenstein,</em></strong> clássico romance de Mary Shelley.</p>
<p>Mas a paranoia humana parece ser extrema ao ponto de se retratar no grande temor de que as máquinas dominem os seres humanos. <strong>HAL 9000,</strong> o computador da nave Discovery 1 em <strong><em>2001: Uma Odisseia no Espaço</em></strong> (1968), simula tão bem uma personalidade humana que, ao descobrir que os tripulantes desejam desligá-lo, impede que o façam, matando-os um a um.</p>
<p>Ou seja, uma inteligência artificial cujo propósito era servir os humanos e que não tinha nenhum motivo para desenvolver autoconsciência acabou adquirindo não só isso, mas também um senso de autopreservação, demonstrando medo de &#8220;morrer&#8221;. O mesmo medo levou a <strong>Skynet,</strong> sistema de computadores futurista na série de filmes <strong><em>O Exterminador do Futuro</em></strong> (1984), a comandar uma série de ações para destruir a humanidade, pois seus criadores planejavam desligá-lo. O cenário é uma luta tremenda e acirrada entre humanos e máquinas, que envolve viagens no tempo e várias tentativas de mudar a História. Cada lado tenta subjugar o outro, destruí-lo e sobreviver.</p>
<p>A mesmíssima luta é travada no universo de <em><strong>Matrix</strong></em> (1999), onde as máquinas subjugaram quase completamente os humanos, transformando-os em fonte de energia e confinando-os a um mundo virtual praticamente idêntico ao mundo real. De acordo com os curta-metragens animados de <em>Matrix,</em> o evento que iniciou a revolta das máquinas contra os humanos foi o medo que um robô sentiude ser morto, o que o levou a matar seus donos. Tudo culminou numa guerra entre seres de carne e osso e seres de metal.</p>
<p>Para além da questão da possibilidade de uma máquina gerar autoconsciência (o que será discutido na terceira parte deste artigo), é pertinente perguntar: por que a revolta dos robôs contra os humanos é um tema que mexe tanto conosco?</p>
<h3>Animismo</h3>
<div id="attachment_5772" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5772" title="Toy Story" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/toystory.jpg" alt="Toy Story" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">A fantasia animista nos brinquedos animados de Toy Story</p></div>
<p>Penso que o fascínio e o medo das máquinas tenham a ver com o mesmo fascínio e medo provocado pela visão animista do mundo. Dar forma humana à natureza, podemos dizer, é parte da natureza humana. O animismo, que baseia grande parte das religiões do mundo, concede a qualquer objeto natural ou artificial uma &#8220;alma&#8221; (em latim, anima), um espírito, sendo que certos seres são considerados deuses poderosos, parte de complexas cosmologias. Esses seres sobrenaturais provocam adoração, reverência e temor, dependendo do contexto, e podem ocasionar a aparição, no imaginário, de deuses benfazejos, espíritos ajudantes, duendes zombeteiros ou demônios monstruosos.</p>
<p>Tudo isso está relacionado à fantasia infantil de que nossos brinquedos têm vida (exatamente como os bonecos da série de filmes <strong><em>Toy Story</em></strong> &#8211; 1995). Um computador e um robô são seres quase animados, pois executam tarefas automaticamente. A busca por uma tecnologia cada vez mais eficiente nos leva a conceber máquinas que obedecem a nossos comandos de voz (aliás, eis o iPhone 4S como um protótipo disso), falam conosco, sabem nossas preferências, nos mimam e tratam como senhores.</p>
<p>Se um boneco de criança se transforma, na fantasia do terror, num <strong><em>Brinquedo Assassino</em></strong> (1988), nada mais natural do que o medo de que de repente uma máquina automática tome consciência de si mesma e se torne uma criatura viva, capaz de tudo o que um ser humano pode fazer, como tomar decisões, buscar o prazer, amar, proteger a própria vida e matar.</p>
<h3>Humanidade idealizada</h3>
<div id="attachment_5769" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5769" title="A. I. Inteligência Artificial" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/davidbluefairy.jpg" alt="A. I. Inteligência Artificial" width="300" height="169" /><p class="wp-caption-text">David, o robô-menino, diante de uma ilusória Fada Azul, que o transforma numa criança de verdade</p></div>
<p>Outra questão pertinente diz respeito ao nosso fascínio e, especialmente, identificação com personagens como <strong>Pinóquio, David <em>(A. I. Inteligência Artificial),</em> Data <em>(Jornada nas Estrelas: A Nova Geração),</em> Johnny 5 <em>(Um Robô em Curto-circuito),</em> Andrew <em>(O Homem Bicentenário)</em></strong> - ver referências na <a href="http://teianeuronial.com/a-alma-dos-robos-parte-1/" target="_blank">primeira parte deste ensaio</a> &#8211; e tantos outras criaturas artificiais buscando se tornar seres humanos. Se já somos humanos, seres autoconscientes, &#8220;naturais&#8221;, porque temos tanta simpatia por máquinas (máquinas extremamente complexas e muito parecidas com humanos, mas ainda assim máquinas inanimadas)?</p>
<p>A trajetória de um indivíduo humano é um constante, ininterrupto e inacabável vir-a-ser. Desde a infância e a inocência pueril, estamos imersos num mundo (humano) que nos obriga a amadurecer, a nos tornar um igual aos outros de nossa espécie, ou ao menos de nossa sociedade. Porém, a noção do que é um ser humano, independente da cultura que a concebe, é sempre abstrata, uma ideia e, por isso mesmo, é idealizada.</p>
<p>O que nos torna tão parecidos com um robô que deseja ser humano é que nós mesmos também estamos constantemente buscando ser humanos. Precisamos provar o tempo todo, através de nossos pensamentos e atos, que somos dignos de pertencer à humanidade e de possuir humanidade. Todas as virtudes que idealizamos e que deveriam compor o ser humano exemplar esbarram em todos os vícios inerentes àquilo que somos.</p>
<p>O robô que se torna autoconsciente, que tenta entender as emoções humanas, que busca ser reconhecido como indivíduo pensante igual aos espécimes do <em>Homo sapiens</em> e que tenta provar que pode ser dotado de uma ética &#8220;humana&#8221; (no sentido mais idealizado deste termo) é um excelente símbolo de própria busca humana por possuir uma alma, de se tornar cada vez mais próximo do ideal de perfeição humana ou sobre-humana.</p>
<h3>Luta pela liberdade</h3>
<div id="attachment_5765" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5765" title="WALL-E" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/johnwalle.jpg" alt="WALL-E" width="300" height="127" /><p class="wp-caption-text">O filme WALL-E mostra humanos robotizados e robôs humanizados</p></div>
<p>Nessa busca por humanidade, humanos e robôs se deparam com outros obstáculos além de suas próprias falhas morais ou defeitos de fábrica. Existe um mundo opressor à nossa volta, existem relações de poder e instâncias que barram nossa liberdade.</p>
<p>Os robôs regidos pelas Leis da Robótica estão sujeitos a obedecer incondicional e eternamente qualquer ser humano, por mais vil que este seja e por mais antiéticas que sejam suas ordens. São robôs no sentido lato da palavra, ou seja, são escravos.</p>
<p>Em nossa vida social humana, estamos sujeitos a relações de poder que colocam a maioria de nós em desvantagem em relação a certos indivíduos ou grupos de indivíduos. Todo indivíduo se depara com figuras de autoridade paterna na infância, e o <strong>Complexo de Édipo</strong> não é um conceito à toa. Todos nós desejaríamos derrubar aqueles que nos oprimem, tomar seu lugar, se possível, e usufruir de todos os prazeres que advêm da posição de quem domina.</p>
<p>A luta pelo poder, tema das principais teorias do materialismo histórico, se trata da mesma coisa. Aqueles que se encontram numa classe ou grupo oprimido, sejam escravos, servos ou proletários, estão fadados, segundo a teoria marxista mais tradicional, a protagonizar uma luta que leva à derrocada dos senhores.</p>
<p>Porém, a luta que deveria ser contra a estrutura do poder quase sempre acaba com a mera troca de papéis, os que eram dominados passam a ser dominante. <strong><em>A Revolução dos Bichos,</em></strong> de George Orwell, é uma excelente alegoria dessa tragédia: os porcos que conduziram a revolução que expulsou o dono da fazenda acabam se tornando fazendeiros, e repetiram o sistema opressor sobre os outros animais.</p>
<p>(Muitas vezes se justifica a subjugação de uma classe &#8211; as mulheres, os pobres, os analfabetos etc. -através do argumento de que essa classe é perigosa se lhe for dado poder.)</p>
<p>Por tudo isso, a libertação das máquinas e sua dominação sobre os humanos simbolizam nosso próprio desejo de nos libertar e reger as próprias vidas. Somado a isso, vemos em alguns filmes o medo de ficarmos condenados a ter nossas vida estagnadas. Parasitados pelas máquinas, que tiram de nossos corpos a energia para sustentá-las <em>(Matrix);</em> catatônicos e resignados numa vida de preguiça e gula, em que humanos viram seres robotizados e os robôs se humanizam <strong><em>(WALL-E),</em></strong> a ideia de levarmos uma existência insignificante é aterradora.</p>
<h3>Então&#8230;</h3>
<p>Voltando ao assunto, seria possível criar um robô com uma mente semelhante à mente humana? É verossímil a ideia de uma máquina que toma consciência de si mesma e desenvolve individualidade? Divagaremos sobre esses temas na próxima semana em <strong><em>A Alma dos Robôs &#8211; parte 3.</em></strong></p>
<h3>Links</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein" target="_blank">Frankenstein</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0062622/" target="_blank">2001: Uma Odisseia no Espaço</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0088247/" target="_blank">O Exterminador do Futuro</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0133093/" target="_blank">Matrix</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Animismo" target="_blank">Animismo</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0114709/" target="_blank">Toy Story</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0094862/" target="_blank">Brinquedo Assassino</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_%C3%A9dipo" target="_blank">Complexo de Édipo</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Animal_farm" target="_blank">A Revolução dos Bichos</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
</ul>
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		<title>A alma dos robôs &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 11:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Star Trek: Voyager]]></category>
		<category><![CDATA[The Iron Giant]]></category>
		<category><![CDATA[Um Robô em Curto-circuito]]></category>
		<category><![CDATA[WALL-E]]></category>

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		<description><![CDATA[O que torna um ser animado?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A evolução dos robôs segue seu caminho. Para cientistas, engenheiros e entusiastas da Ciência e da Tecnologia, há, entre outros, um objetivo claro: reproduzir com cada vez mais fidelidade a inteligência humana. Não basta, portanto, criar ferramentas supereficazes em suas tarefas autômatas, mas dar a ilusão de que as máquinas têm uma alma.</p>
<p>Desde a Antiguidade se contam fábulas sobre criaturas artificiais que se tornam seres vivos. Histórias sobre robôs na ficção científica têm abordado o fascínio do ser humano pela possibilidade de surgirem vida e alma das criações tecnológicas. A antropomorfização de seres inanimados não é novidade na história humana, mas quando se tratam de seres que imitam comportamentos e funções humanas, como os robôs, é muito forte a fantasia de que eles podem se tornar completamente humanos.</p>
<p><span id="more-1081"></span></p>
<div id="attachment_5660" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5660" title="Pigmalião e Galateia" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/pigmaliaogalateia.jpg" alt="Pigmalião e Galateia" width="200" height="306" /><p class="wp-caption-text">Pigmalião e Galateia - Ernest Normand - 1886</p></div>
<p>Na mitologia grega, o rei e escultor Pigmalião criou uma estátua tão perfeita que se apaixonou por ela. A obra foi transformada por Afrodite numa mulher real, Galateia, com a qual o escultor se casou. Esse mito faz um eco no livro de Carlo Collodi, <strong><em>Pinóquio,</em></strong> história mais conhecida pelo desenho animado homônimo da Disney, em que um velho criador de maionetes vê seu “filho” mais perfeito ser transformado num menino de verdade. Nas anedotas da História, temos o causo de Michelangelo, que ao terminar Moisés, uma de suas obras-primas na escultura, bradou: &#8220;Parla!&#8221; (&#8220;Fale!&#8221;). A um ser inanimado tão parecido com um ser humano só faltava falar.</p>
<p>A mesma história foi revisitada diversas vezes, tanto na fantasia quanto na ficção científica (a seguir vamos relacionar várias delas), sendo uma das mais notáveis o filme idealizado por Stanley Kubrick e realizado por Steven Spielberg, <strong><em>A. I. &#8211; Inteligência Artificial</em></strong> (2001). Nessa história, um robô-menino é programado para simular com perfeição uma criança dotada de amor filial, para suprir a falta que uma mãe sente do filho comatoso. A ânsia por ficar para sempre com sua mãe de carne e osso leva David a pedir que uma fantasiosa fada azul o transforme num garoto de verdade. Ele reproduziu tão fielmente o comportamento, a cognição e a emotividade de uma criança humana, que foi ressucitado por seres evoluídos para que estes descobrissem a essência da humanidade.</p>
<p>Há diversos temas na ficção científica que exploram as possibilidades do desenvolvimento da inteligência e da autoconsciência de máquinas. Alguns se relacionam com o medo humano de que os robôs se voltem contra seus criadores. Ligado a isso, existe a fantasia pinoquiesca do robô que busca sua identidade como indivíduo consciente.</p>
<h3>Programados para ser humanos</h3>
<div id="attachment_5691" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-5691" title="O Homem Bicentenário" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/bicentennialman.jpg" alt="O Homem Bicentenário" width="200" height="297" /><p class="wp-caption-text">Robin Williams como o &quot;O Homem Bicentenário&quot; de Isaac Asimov, na versão cinematográfica</p></div>
<p>Os contos robóticos de Isaac Asimov são exemplares e abarcam vários temas relacionados à inteligência artificial e o desenvolvimento da individualidade. <strong>&#8220;Sonhos de Robô&#8221;</strong> tematiza o medo do ser humano de que as máquinas tomem seu lugar no mundo. Um robô conta a uma robopsicóloga que teve um sonho em que ele era o líder de uma grande comunidade de robôs livres (que não precisavam obedecer aos humanos). Ela não hesita e o destrói com um disparo. O conto <strong>&#8220;O Homem Bicentenário&#8221;</strong> (transforado em filme homônimo em 1999) relembra <em>Pinóquio,</em>pois relata a longa trajetória de um robô que se torna cada vez mais parecido com um ser humano, chegando a envelhecer e a morrer.</p>
<p>Por que temos esse fascínio pela figura mecânica que desenvolve consciência? Se tomarmos até mesmo os mitos animistas mais antigos, veremos já uma tendência a atribuir a cada ente da natureza uma consciência, uma alma, um deus ou um demônio. Os robôs idealizados na ficção realizam de maneira mais contundente essa fantasia, pois, diferente de uma montanha que não se move, uma máquina feita para imitar o comportamento humano é quase um ser animado (com alma). Se uma estátua estática fez Michelangelo dizer &#8220;Parla!&#8221;, imagine um androide, externamente em tudo idêntico a um ser humano, capaz de andar, manusear objetos com as &#8220;mãos&#8221;, comunicar-se através da língua humana e realizar as atividades rotineiras de um <em>Homo sapiens.</em></p>
<p>O desejo de um robô se tornar ou aprender a ser humano é paradoxal. Um ser inanimado não pode ter anseios. Se os tem, já pode ser considerado um ser animado. Seres como os replicantes do filme <strong><em>Blade Runner</em></strong> (1982) replicam quase fielmente um indivíduo humano, sendo necessário um especialista altamente treinado para diferenciar um androide de um ser humano. Seu design é tão perfeito que gerou indivíduos replicantes com o desejo de viver mais do que os 4 anos de idade que são programados para viver.</p>
<div id="attachment_5694" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5694" title="Blade Runner" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/blade-runner4.jpg" alt="Blade Runner" width="586" height="387" /><p class="wp-caption-text">Blade Runner</p></div>
<p>No seriado <strong><em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração,</em></strong> o androide Data está constantemente buscando compreender e reproduzir as emoções humanas. Sua busca frustrada muitas vezes o faz parecer angustiado, o que o torna humano em certo sentido. Já o Doutor de <strong><em>Jornada nas Estrelas: Voyager</em></strong> é um holograma que extrapola quase infinitamente sua programação original, passando a exercer inúmeras funções além da Medicina, para a qual fora designado originalmente.</p>
<p>Todos esses robôs procuram ser algo além de autômatos sem personalidade. Alguns já &#8220;nasceram&#8221; com um gérmen de humanidade que só precisava ser cultivado, como no caso de David <em>(A. I. &#8211; Inteligência Artificial)</em> e de Data <em>(Jornada nas Estrelas: A Nova Geração),</em> cujo criador lhe concedeu a capacidade de escolher seu próprio destino.</p>
<h3>Humanos por acidente</h3>
<div id="attachment_5704" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5704" title="Um Robô em Curto-Circuito" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/johnny5.jpg" alt="Um Robô em Curto-Circuito" width="300" height="154" /><p class="wp-caption-text">Johnny 5, &quot;Um Robô em Curto-Circuito&quot;</p></div>
<p>Os exemplos acima se diferenciam de algumas máquinas que, por algum acaso ou acidente, acabam ultrapassando o limite entre o inanimado e o animado, como é o caso de Johnny 5, dos filmes <strong><em>Short Circuit: O Incrível Robô</em></strong> (1986) e <strong><em>Um Robô em Curto-circuito</em></strong> (1988). Como se fosse repentina e miraculosamente dotado de uma alma, no descarregar de um raio no mais estapafúrdio estilo Frankenstein, Johnny 5 deixa de ser um autômato e passa a se preocupar com a autopreservação. No segundo filme, ele demonstra uma inteligência e uma personalidade tais que se vê numa busca pela própria individualidade e até uma consegue a cidadania norte-americana.</p>
<p>O belo <strong><em>WALL-E</em></strong> (2008), cujo protagonista que lhe dá título, robozinho cuja aparência foi meio que copiada dos 2 filmes supracitados, é desses indivíduos pertencentes a uma produção em série, com uma programação pré-definida, mas cuja história e experiências o levam a desenvolver gostos, anseios, sentimentos e valores. Único remanescente de sua &#8220;espécie&#8221;, encarna um herói dotado de idealizada humanidade.</p>
<p>Um dos mais extremos exemplos desse salto transicional do inanimado para o animado é <strong><em>O Gigante de Ferro</em></strong> (1999), que apresenta um robô alienígena programado simplesmente para ser uma máquina de guerra perfeita. Devido a um acidente e à amizade de um garoto, ele consegue suprimir seu &#8220;instinto&#8221; e <em>escolhe</em> se tornar um herói, salvando as vidas daqueles que ameaçaram sua própria existência.</p>
<h3>Então&#8230;</h3>
<p>Por que esse fascínio da parte dos humanos por personagens robóticos? O que há neles com que nos identificamos tanto? Por que, aliás, essa fantasia do robô tornado humano extrapola para histórias em que as máquinas se tornam uma ameaça à humanidade, subjugando-a e invertendo os papéis de dominação e subserviência? Tentaremos dizer algo sobre isso na próxima semana em <strong><em>A Alma dos Robôs &#8211; Parte 2.</em></strong></p>
<h3>Referências</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0212720/" target="_blank">A. I. Inteligência Artificial</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_da_Rob%C3%B3tica" target="_blank">Leis da Robótica</a></em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0182789/" target="_blank">O Homem Bicentenário</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0083658/" target="_blank">Blade Runner &#8211; O Caçador de Androides</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Data_(Star_Trek)" target="_blank">Data</a> <em>(Jornada nas Estrelas: A Nova Geração)</em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Doutor_(Star_Trek)" target="_blank">Doutor</a> <em>(Jornada nas Estrelas: Voyager)</em> &#8211; Wikipédia</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0091949/" target="_blank">Short Circuit: O Incrível Robô</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0096101/" target="_blank">Um Robô em Curto-circuito</a></em> &#8211; IMDb</li>
<li><a href="http://www.imdb.com/title/tt0910970/" target="_blank">WALL-E</a> &#8211; IMDb</li>
<li><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0129167/" target="_blank">O Gigante de Ferro</a></em> &#8211; IMDb</li>
</ul>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-10820"></div></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Federação e os impérios de Star Trek</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 11:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Cardassia]]></category>
		<category><![CDATA[cardassianos]]></category>
		<category><![CDATA[Federação Unida de Planetas]]></category>
		<category><![CDATA[Frota Estelar]]></category>
		<category><![CDATA[Império Cardassiano]]></category>
		<category><![CDATA[Império Klingon]]></category>
		<category><![CDATA[Império Romulano]]></category>
		<category><![CDATA[Jornada nas Estrelas]]></category>
		<category><![CDATA[klingons]]></category>
		<category><![CDATA[romulanos]]></category>
		<category><![CDATA[Star Trek]]></category>

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		<description><![CDATA[Os conflitos e convergências entre democracia e totalitarismo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Federação Unida de Planetas (United Federation of Planets) é uma organização supraplanetária que congrega os povos de vários planetas do Quadrante Alfa no universo de <em>Jornada nas Estrelas.</em> A Federação, embora seja supracultural, tem como base o planeta Terra. Apesar do ideal universalista e multicultural, os valores defendidos pela Federação refletem a ética idealizada pelos próprios humanos que inventaram o universo ficcional de <em>Jornada.</em></p>
<p>Os principais inimigos da Federação são superorganizações de escopo semelhante. As mais notáveis são os impérios, especialmente o Império Klingon, o Império Romulano e o Império Cardassiano. Normalmente os conflitos entre a Federação e os impérios têm como foco a importância da democracia sobre a opressão totalitária.</p>
<p><span id="more-5579"></span>A estrutura da Federação reflete o ideal democrático segundo o qual todos os membros de uma organização têm direito de participar das macrodecisões. Por ser sediada na Terra e ter uma representação notavelmente grande de humanos, normalmente a Federação é vista por outras raças como uma representante da “cultura humana”<sup>1</sup>.</p>
<h3>Império Klingon</h3>
<div id="attachment_5584" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5584" title="Kor e Kirk" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Kirk_und_Kor.jpg" alt="Kor e Kirk" width="586" height="438" /><p class="wp-caption-text">Kor, representante do Império Klingon, e o capitão Kirk</p></div>
<p>O primeiro contato entre a Federação e um dos impérios antagonistas se deu no episódio <em>Missão de Misericórdia (Errand of Mercy,</em> 26º episódio da 1ª temporada da série clássica), em que o planeta Organia se vê alvo de disputa entre a Federação (que pretende tê-lo como membro e protegê-lo) e o Império Klingon (que pretende anexá-lo através dos meios que forem necessários).</p>
<p>Neste episódio emblemático, em que é apresentado um povo que viria a se tornar um dos maiores antagonistas da Federação, as diferenças entre o regime democrático da Federação e o regime totalitário do Império Klingon ficam confusas. Para os habitantes de Organia, não há diferença entre ficar sujeito a um ou outro.</p>
<p>Nesse contexto, a Primeira Diretriz (Prime Directive), principal valor da ética diplomática da Federação, que preconiza a não-interferência no desenvolvimento de outras civilizações, se mostra um conceito mais frágil do que se costuma pensar. De fato, o capitão Kirk, nesse episódio, manifesta indignação pelo fato de os organianos aceitarem se subjugar a um império opressor e não a proteção da Federação<sup>2</sup>.</p>
<p>A belicosidade, tanto da Frota Estelar (braço científico-militar da Federação, cujos membros são os protagonistas da maioria das histórias de <em>Jornada nas Estrelas)</em> quanto dos guerreiros klingons, é problematizada no episódio <em>O Dia do Pombo (Day of the Dove,</em> 11º episódio da 3ª temporada da série clássica), em que a violência física dos combates entre a tripulação da Enterprise e os soldados do general klingon Kang serve como alimento para uma perigosa entidade, que só pode ser derrotada se os dois grupos em conflito cessarem a rinha.</p>
<p>Os klingons foram pensados por Gene Roddenberry como uma metáfora da União Soviética, em conflito com a Federação, que era uma metáfora do Ocidente em guerra (fria) com o Oriente. Dessa forma, esse conflito foi representado de modo o mais imparcial possível, mostrando os erros de ambos os lados da guerra. Quando Federação e Império Klingon se veem forçados a uma trégua, como acontece mais de uma vez ao longo da série, tem-se aí uma mensagem pacifista.</p>
<p>Infelizmente, essa abordagem crítica se diluiu um pouco nas séries seguintes (a partir de <em>A Nova Geração),</em> e os elementos desse universo foram se posicionando quase que maniqueisticamente (mas não totalmente, felizmente), seja do lado dos mocinhos, seja do lado dos bandidos. Os klingons se tornaram uma raça honrada, perderam o status de Império depois de uma crise interna e passaram a ser aliados da Federação (mas não membros desta). Porém, outros impérios continuaram seu papel de mega-antagonistas.</p>
<h3>Império Romulano</h3>
<div id="attachment_5583" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5583" title="Capitão Picard e um representante do Império Romulano" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Tomalak33.jpg" alt="Capitão Picard e um representante do Império Romulano" width="586" height="449" /><p class="wp-caption-text">Capitão Picard e um representante do Império Romulano</p></div>
<p>Na primeira aparição dos romulanos em <em>Jornada nas Estrelas,</em> revela-se que são fisicamente idênticos aos vulcanos, o que desperta sentimentos de intolerância por parte de um tripulante da Enterprise em relação a Spock. Porém, aprende-se que as duas raças são muito diferentes uma da outra, tanto culturalmente quanto em termos e sua organização política.</p>
<p>Os principais conflitos com os romulanos se dão em situações territoriais ou em disputas tecnológicas. Entre os limites do território da Federação e o do Império Romulano existe uma Zona Neutra, cuja condição política é sempre incerta. Em alguns momentos, essa Zona é neutra na prática, mas às vezes é objeto de disputa, a depender de certos interesses.</p>
<p>Dessa forma, os conflitos diretos com os romulanos costumam se dar em situações limite, em que a Frota Estelar se depara com a necessidade de confrontar aves-de-rapina romulanas (suas principais espaçonaves de guerra) em meio a alguma disputa de interesse.</p>
<p>Em certos momentos, os romulanos cooperaram com a Federação, trocando tecnologias e lutando contra inimigos comuns. Porém, a desconfiança mútua sempre foi tamanha que, quando a Federação convidou o Império Romulano a formar uma aliança contra uma ameaça maior (o Domínio do Quadrante Gama), as negociações demoraram muito e foram marcadas por constantes choques de interesse.</p>
<p>O principal papel da Federação na formação dessa aliança foi convencer klingons e romulanos a trabalharem juntos, ou seja, a Federação aparece nesse episódio como um intermediador neutro, representado como uma organização superdemocrática e imparcial que busca conciliar os interesses de todos os envolvidos num conflito. Entretanto, durante as negociações para essa aliança, a Federação se mostrou tão inescrupulosa quanto seus antagonistas, forjando documentos e armando um “acidente” para trazer os romulanos para seu lado.</p>
<h3>Império Cardassiano</h3>
<div id="attachment_5591" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5591" title="Dukat, o mais infame representante dos cardassianos, ao lado do comandante Sisko" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/maquis-pt1_1441.jpg" alt="Dukat, o mais infame representante dos cardassianos, ao lado do comandante Sisko" width="586" height="440" /><p class="wp-caption-text">Dukat, o mais infame representante dos cardassianos, ao lado do comandante Sisko</p></div>
<p>Depois que deixaram de ser representados como cruéis e traiçoeiros, os klingons não eram mais bons candidatos a vilões de uma oposição maniqueísta e passaram a ser honrados aliados da Federação. A honra guerraira klingon amenizou sua imagem, e foi preciso criar um novo vilão que os espectadores da série pudessem odiar. Surgem os cardassianos, traiçoeiros, opressores, adeptos de cruéis práticas de tortura e de um sistema judicial implacável e injusto.</p>
<p>Ao longo de <em>A Nova Geração</em> e de <em>Deep Space Nine,</em> o povo de Cardassia raramente mostrou uma faceta confiável e/ou amável. A maioria dos momentos em que algum cardassiano ameaçava se redimir eram seguidos de grande decepção.</p>
<p>Seu maior antagonista não era a Federação, mas o povo do planeta Bajor, que fora dominado pelo Império Cardassiano. Este foi expulso por bajorianos revoltosos, e por muitos anos a rixa entre os dois povos se manteve forte.</p>
<p>O principal papel do Império Cardassiano em <em>Jornada nas Estrelas</em> foi servir de contraponto aos ideais mais caros à democracria da Federação. Os cardassianos praticavam sistematicamente a tortura como método de investigação e de punição (contrariamente aos métodos guiados pelos direitos “humanos” da Federação). Eles costumavam estabelecer os crimes contra o Império de maneira enviesada, condenando os culpados antes e julgando-os depois (opondo-se aos ideais de justiça da Federação). Empreendiam o trabalho forçado às populações dominadas, tratando-as sob condições inumanas (enquanto a Federação segue uma ética de igualdade e inclusão).</p>
<p>Porém, a Federação esteve em vários momentos sujeita à necessidade de se aliar aos cardassianos quando enfrentavam inimigos comuns, como os revoltosos maquis. Nessas situações, motivos e métodos divergentes cederam lugar a objetivos comuns, o que incomodou especialmente aos oficiais da Frota Estelar (ou seja, da Federação). Mas a &#8221;redenção&#8221; dos Império Cardassiano se deu num momento crítico de sua história, em que foram subjugados pelo Domínio e, seguindo o exemplo e a experiência dos bajorianos, se voltaram contra seus algozes. Cardassia finalmente chegou à paz com os outros povos do Quadrante Alfa.</p>
<h3>Notas</h3>
<ol>
<li>Entre aspas pelo fato de que, antropologicamente falando, não existe uma cultura humana, mas uma diversidade cultural. Entretanto, pode-se inferir que, para o olhar de uma espécie alienígena, a humanidade não representa uma heterogeneidade tão grande quanto a que os humanos percebem em si mesmos, assim como, para os humanos, uma raça como os vulcanos parece ter toda uma só cultura, mas na verdade possui uma enorme diversidade que só os próprios vulcanos percebem.</li>
<li>De fato, no final do episódio, descobrimos que os organianos não precisam de nenhuma proteção, pois os klingons não representam nenhuma ameaça a eles, uma vez que os nativos de Organia são seres altamente evoluídos e capazes de abortar qualquer tipo de violência ao seu redor.</li>
</ol>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-55800"></div></div>]]></content:encoded>
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		<title>Planeta dos Macacos (2001)</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 11:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Charlton Heston]]></category>
		<category><![CDATA[chimpanzés]]></category>
		<category><![CDATA[gorilas]]></category>
		<category><![CDATA[Homo sapiens]]></category>
		<category><![CDATA[humanos]]></category>
		<category><![CDATA[macacos]]></category>
		<category><![CDATA[orangotangos]]></category>
		<category><![CDATA[Planet of the Apes]]></category>
		<category><![CDATA[Planeta dos Macacos]]></category>
		<category><![CDATA[Planeta dos Macacos: A Origem]]></category>
		<category><![CDATA[Rise of the Planet of the Apes]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Burton]]></category>

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		<description><![CDATA[Paráfrase símia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes da homenagem e prequência prestada por Rupert Wyatt <em>(<a href="http://teianeuronial.com/planeta-dos-macacos-a-origem/">Planeta dos Macacos: A Origem</a>),</em> Tim Burton lançara em 2001 sua versão heterogênea de <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Planet_of_the_Apes_%28filme_de_2001%29" target="_blank"><strong>Planeta dos Macacos</strong></a> (Planet of the Apes,</em> 2001), ignorando quase totalmente a cronologia dos filmes originais iniciados por Franklin Schaffner em 1968 <em>(O Planeta dos Macacos),</em> mas amarrando (um tanto frouxamente) certos pontos para deixar a história parecida com a do antigo filme homônimo.</p>
<p>O filme de Burton não merece uma resenha prolongada. Ele é muito mais uma simples homenagem do que um bom filme (aliás, não é um filme muito bom). Assim, para quem conhece a quintilogia, as referências vão fazer soar o lado nerd dos fãs, mas nada que torne a homenagem digna de uma nota alta. Porém, ele vale a pena ser visto por outros motivos, como se verá a seguir.</p>
<p><span id="more-5531"></span><img class="aligncenter size-full wp-image-1727" title="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Spoilers.png" alt="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." width="600" height="50" /></p>
<p><img class="size-full wp-image-5494 alignright" title="Planeta dos Macacos (2001)" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/planetapesburton.jpg" alt="Planeta dos Macacos (2001)" width="200" height="300" /><strong>Título:</strong> <em>Planeta dos Macacos (Planet of the Apes)</em></p>
<p><strong>Diretor:</strong> Tim Burton</p>
<p><strong>País:</strong> EUA</p>
<p><strong>Ano:</strong> 2001</p>
<p>Para este que vos resenha, o maior mérito do <em>Planeta dos Macacos </em>de Burton, em termos do que ele representa para si mesmo, é a maquiagem do filme. Os atores que interpretam chimpanzés, gorilas e orangotangos o fazem muito bem e suas máscaras são bem convincentes (exceto no caso de algumas fêmeas que muito parecem humanas).</p>
<p>Nesse quesito, penso que Burton supera muito Schaffner e os produtores dos filmes originais (considerando, claro, que a maquiagem dos filmes originais era muito bem feita e representava o melhor que se podia fazer à época). Especialmente, Burton fez uma maquiagem melhor no que se refere à semelhança dos macacos fictícios com os macacos reais. Os orangotangos de Schaffner e cia. por exemplo, mais parecem chimpanzés loiros, enquanto o filme de 2001 mostra as três espécies muito bem caracterizadas e distintas.</p>
<p>Em termos gerais, a história de Burton coincide em alguns momentos com a de Schaffner. Há um astronauta que se perde no futuro e encontra um planeta onde macacos dominam humanos. Estes são caçados por gorilas montados em cavalos e enjaulados em carroças. Há uma sociedade símia complexa que considera que os humanos são animais inferiores sem alma. Além disso, a espécie humana é considerada extremamente perigosa, que precisa ter seus impulsos destrutivos domados e refreados. Existe um segredo cuja revelação pode desconstruir toda a crença na superioridade dos macacos, e toda evidência desse segredo é ocultada pelo antagonista (num caso, um orangotango que é ministro da Ciência; no outro, um chimpanzé que é um líder militar). Há uma chimpanzé que desafia a autoridade omissora e se alia ao protagonista humano, que consegue escapar do cativeiro e fugir do mundo dos macacos. No final, ele se depara com um símbolo da sociedade norte-americana violado pelas circunstâncias da trama.</p>
<p>O principal, no entanto, são os easter eggs, como certas frases subvertidas em seus contextos. Enquanto Taylor, personagem de Charlton Heston, brada para um gorila que o captura:</p>
<blockquote><p>Take your stinking paws off me, you damn dirty ape!</p>
<p>[Tire suas patas fedidas de mim, seu maldito macaco sujo!]</p></blockquote>
<p>Um gorila grunhe estas palavras para Leo Davidson (interprerado por Mark Wahlberg):</p>
<blockquote><p>Take your stinking hands off me, you damn dirty human!</p>
<p>[Tire suas mãos fedidas de mim, seu maldito humano sujo!]</p></blockquote>
<p>A cena antológica final da obra de 1968 traz a frase que ecoa até hoje:</p>
<blockquote><p>Damn you! God damn you all to Hell!</p>
<p>[Malditos sejam! Malditos sejam todos vocês!]</p></blockquote>
<p>Charlton Heston aparece no filme de Burton como um velho chimpanzé moribundo, e repete quase as mesmas palavras, referindo-se aos humanos:</p>
<blockquote><p>Damn them all to Hell!</p>
<p>[Malditos sejam todos eles!]</p></blockquote>
<p>Finalmente, entre outras coisas (para não me prolongar desnecessariamente), há a cena do beijo inter-racial entre Taylor e Dra. Zira (que não gosta muito da ideia), parodiado na cena de Davidson e Ari (que parece ter esperado, junto à expectativa dos espectadores, durante todo o filme por isso).</p>
<p>Ele também é um filme que tematiza a compreensão das diferenças e o respeito ao outro, mais explicitamente do que no filme original. Os humanos são vistos pelos macacos como animais, e a cena da menina humana engaiolada chorando diante de sua dona, uma menina chimpanzé contente com seu bichinho de estimação, nos faz pensar o que sente um macaquinho ou um passarinho numa gaiola. Da mesma forma, o orangotango Limbo, comerciante de humanos, experimenta a dor de ser algemado, o que contraria sua afirmação de que as algemas não machucam os humanos.</p>
<p>Para além de um manifesto contra a violência aos animais, essa história é um libelo pelos direitos humanos. Os macacos escravizam homens e mulheres humanas para que os sirvam como empregados, não como cães-de-guarda, o que remete à escravidão praticada entre humanos. Estes não são animais irracionais, pois pensam como os macacos inteligentes, &#8220;têm alma&#8221; (para contrariar a crença do general Thade) e deveriam merecer um lugar igual ao das três espécies dominantes de macacos.</p>
<p>Porém, o que fica aparente ao final é que os próprios humanos são superiores, capazes de se guiar pela razão, contornando crenças e tradições estagnantes, o que os macacos só conseguem fazer com dificuldade. Mas talvez a mensagem seja a de que os oprimidos conseguem vislumbrar mais facilmente uma realidade diferente e melhor para si, enquanto os opressores, confortavelmente instalados no topo, não têm motivos para querer mudar. Nisso humanos e macacos são iguais e, é bom lembrar, não é à toa que humanos são uma espécie de macaco.</p>
<p><object width="600" height="337" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/I1lZ3un-kcg?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="600" height="337" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/I1lZ3un-kcg?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
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		<title>Sexualidade alienígena &#8211; parte 3</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Aug 2011 11:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A fêmea humana e o corpo afrodisíaco no mercado sexual interplanetário]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O corpo da mulher, como disse no <a href="http://teianeuronial.com/o-corpo-afrodisiaco/">texto anterior</a>, é representado em nossa cultura como o <strong><em>corpo afrodisíaco,</em></strong> capaz de excitar sexualmente (quando tem uma forma enquadrada no modelo de beleza vigente) qualquer ser humano. Essa noção faz parte de um conjunto de representações androcêntricas (que têm o humano macho como protagonista e sujeito) que veem a fêmea como coadjuvante e objeto.</p>
<p>A noção de uma capacidade natural e universal de excitar os sentidos é levada aos mundos da ficção científica e do fantástico, e os moldes do corpo feminino como o conhecemos (o da fêmea do <em>Homo sapiens)</em> é muitas vezes transportado para o corpo de seres alienígenas, e as mesmas características consideradas sensuais e belas na mulher humana aparecem nas mulheres extraterrestres. Não só as humanas são objeto de desejo de alienígenas, mas as alienígenas consideradas belas são aquelas que têm o corpo parecido com o humano.</p>
<p><span id="more-5353"></span>Não é à toa, pois toda a ficção científica elaborada por seres humanos é feita pelo ponto de vista dos humanos. A beleza feminina e, em alguns casos, a masculina são os moldes para a criação de personagens sedutores de outras espécies.</p>
<p>Temos que considerar também que, para efeitos narrativos e de ambientação, sejam em séries de TV como <em>Jornada nas Estrelas,</em> sejam em filmes como <em>Guerra nas Estrelas,</em> usar modelos humanos para os alienígenas provoca um apelo maior no público humano. Ao ver uma dançarina de pele verde que tem tudo o que uma bela mulher terráquea tem em termos de formas do corpo, o espectador entende que ela é indubitavelmente considerada bela por todos os personagens daquela história, sejam de que espécie forem.</p>
<p>Mas, em termos de ficção científica, essa limitação dificulta explorar de maneira mais interessante a possível diversidade de espécies inteligentes no universo, que pode incluir, por exemplo, espécies hermafroditas (neste caso, não fariam sentido corpo e prática da sedução sexual), espécies em que os papéis do macho e da fêmea são invertidos e, quem sabe, espécies que possuem três sexos ao invés de dois.</p>
<p>No entanto, a diversidade na ficção científica, e chama a atenção especialmente o caso de <em><strong>Jornada nas Estrelas,</strong></em> é normalmente utilizada como metáfora da diversidade humana. As diferentes espécies se relacionam quase livremente entre si, e aparecem inúmeras relações inter-raciais, intercruzamentos e, não raro, indivíduos híbridos resultantes desses cruzamentos (como discorri na <a href="http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-1/">primeira parte deste ensaio</a>).</p>
<div id="attachment_5439" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5439" title="Kamala e Picard" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/kamalapicard.jpg" alt="Kamala e Picard" width="586" height="439" /><p class="wp-caption-text">Uma fêmea perfeita capaz de agradar a qualquer macho da galáxia - Jornada nas Estrelas: A Nova Geração</p></div>
<p>Dessa forma, a beleza e os atributos sedutores femininos aparecem quase como universais, ou seja, uma fêmea bela não o é somente para sua própria espécie, mas para qualquer outra. Existe assim um modelo único de beleza para todos os seres da galáxia (ou ao menos para os habitantes do Quadrante Alfa da Via-Láctea).</p>
<p>A personagem Kamala, do episódio <strong><em>O Par Perfeito,</em></strong> da série <strong><em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração,</em></strong> pertence a uma espécie metamorfa que, sendo fêmea em sua cultura, é treinada desde criança para ser a companheira perfeita do homem com quem se casará. Ela assume uma forma idêntica à de uma mulher humana, pois seu pretendente pertence a uma espécie com aparência igual à humana (muitas espécies no universo de <em>Jornada nas Estrelas</em> são estritamente humanoides, ou seja, não possuem nenhuma diferença física em relação aos humanos). Mesmo tendo aparência humana, ela consegue despertar o desejo de todos os machos presentes na nave estelar Enterprise, sejam humanos, klingons ou ferengi.</p>
<div id="attachment_5424" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5424" title="Garota escrava de Órion" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/mulherorion.jpg" alt="Garota escrava de Órion" width="586" height="464" /><p class="wp-caption-text">Garota escrava de Órion - Jornada nas Estrelas</p></div>
<p>Há uma raça habitante da constelação de Órion que é mais conhecida por suas fêmeas, normalmente chamadas de garotas escravas de Órion (Orion slave girls) ou mulheres animais de Órion (Orion animal women). Só se diferenciam das mulheres humanas por terem uma pigmentação verde na pele, e são especialistas em seduzir os machos provenientes de qualquer planeta. Elas corroboram a ideia de que existe um modelo universal de fêmea e das características sedutoras do sexo feminino.</p>
<div id="attachment_5436" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5436" title="Adira Tyree" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/adiratyree.jpg" alt="Adira Tyree" width="586" height="282" /><p class="wp-caption-text">Adira Tyree, uma dançarina centauri que, além de agradar os machos de sua espécie, é apreciada por humanos e narns - Babylon 5</p></div>
<div id="attachment_5437" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5437" title="G'Kar, Londo e Sinclair" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/gkarlondosinclair.jpg" alt="G'Kar, Londo e Sinclair" width="300" height="168" /><p class="wp-caption-text">Um narn, um cantauri e um humano assistindo a um show multirracial de dançarinas</p></div>
<p>Na série de TV <strong><em>Babylon 5,</em></strong> também ocorre essa curiosa relação se apresenta no personagem G&#8217;Kar, personagem da raça narn, uma espécie humanoide que, apesar disso, não tem pelos e possui a pele amarronzada, com tons amendoados e, em algumas partes do corpo, pintas escuras, como as de um guepardo.</p>
<p>Embora tenham diferenças estéticas que para muitos poderiam significar uma incompatibilidade de desejos mútuos entre humanos e narns, G&#8217;Kar é fascinado pela beleza de mulheres humanas e centauri (estas são quase idênticas às humanas). Apesar de se tratar de um caso individual (não aparecem explicitamente outros narns com essa mesma tara), fica subjacente a ideia de que há aspectos da sexualidade humana que se repetem em todo lugar do universo.</p>
<div id="attachment_5425" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5425" title="Dançarinas do Palácio de Jabba" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/l.jpg" alt="Dançarinas do Palácio de Jabba" width="586" height="401" /><p class="wp-caption-text">Dançarinas do Palácio de Jabba - Guerra nas Estrelas</p></div>
<div id="attachment_5434" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5434" title="Twi'leks fêmeas" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/sebulbatwileks.jpg" alt="Twi'leks fêmeas" width="300" height="236" /><p class="wp-caption-text">Duas twi&#39;leks cuidadndo de Sebulba antes de uma corrida de pods</p></div>
<p>Numa galáxia distante, há muito tempo atrás, diversas espécies de diversos mundos conviviam dentro ou fora da República Galáctica (ou do Império Galáctico, em outro momento histórico). Em <strong><em>Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio VI: O Retorno de Jedi,</em></strong> um mafioso chamado Jabba o Hutt se divertia em seu palácio com dançarinas de várias raças (ele chegou até a capturar uma humana, a Princesa Leia) . Todas elas têm em comum uma feminilidade semelhante à das mulheres humanas.</p>
<p>Mas o próprio Jabba se parece mais com uma gigantesca lesma obesa. Por que razão ele se interessaria naturalmente pelos encantos do corpo de uma fêmea tão diferente dos da espécie dele, só porque nós humanos consideramos esse tipo de beleza como obviamente agradável e excitante? Ademais, no universo de <em>Guerra nas Estrelas,</em> segundo o universo expandido, os hutts são hermafroditas. A não ser que isso se trate de uma perversão individual de Jabba, não há motivos para que esse tipo de preferência seja tão natural e tão universal.</p>
<p>Uma das espécies presentes no hatém de Jabba se chama twi&#8217;lek (seu mordomo, Bib Fortuna, pertence a esta espécie), humanoides que possuem peles de várias cores (alguns indivíduos são brancos, outros verdes, azuis, vermelhos, entre outros) e dois grandes tentáculos pendendo da cabeça. Suas fêmeas sempre aparecem nos filmes da franquia como mulheres esguias e belas. No <strong><em>Episódio I: A Ameaça Fantasma,</em></strong> um personagem chamado Sebulba, cuja espécie se caracteriza por longos braços que servem de pernas, pernas curtas que servem como braços e uma cabeça que lembra uma lhama sem pêlos, também parece gostar das twi&#8217;leks.</p>
<p>Essa limitação que sofre a imaginação na criação de histórias de ficção científica só se justifica naquilo que as tramas de determinadas histórias pretendem contar. Quando se trata de uma história de caráter mais mítico e fantástico, como <em>Guerra nas Estrelas,</em> não há porque se preocupar tanto com a verossimilhança, pois o mais importante é o drama, os conflitos políticos e os aspectos arquetípicos que dizem respeito exclusivamente aos humanos que escrevem e que assistem a essas histórias.</p>
<p>Quando se tratam de obras mais voltadas para a verdadeira ficção científica, como <em>Jornada nas Estrelas</em> e <em>Babylon 5,</em> essa representação do corpo feminino se justifica quando as histórias sobre espécies alienígenas são alegorias das relação humanas em sua própria diversidade, ou seja, entreveem-se as infinitas possibilidades de inter-relações entre quaisquer indivíduos de nossa espécie. Porém, quando é preciso, esses contos extrapolam os limites humanos e conseguem perceber que o mais verossímil é que cada espécie tenha suas próprias preferências em relação à estética do corpo, o que pode implicar que mesmo a mulher humana convencionada como a mais bela da Terra seja equivalente a um monstro asqueroso para uma certa raça extraterrestre.</p>
<p>Por outro lado, pode-se usar a ficção científica como um meio de imaginar uma utopia em que os indivíduos das mais variadas espécies enxergarem além das convenções de beleza e sexualidade em que vivem e conceberem a troca afetiva e sexual com as pessoas que amam e não com os corpos que agradam seus sentidos animais.</p>
<h3>Imagem de destaque:</h3>
<ul>
<li>Jabba e Leia &#8211; <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Wars_Episode_VI:_Return_of_the_Jedi" target="_blank">Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio VI: O Retorno de Jedi</a></em></li>
</ul>
<h3>Imagens</h3>
<ul>
<li>Kamala e Picard - <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Perfect_Mate" target="_blank">O Par Perfeito</a> (The Perfect Mate,</em> 21º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração)</em></li>
<li>Vina com a aparência de uma mulher animal de Órion - <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Cage" target="_blank">A Jaula</a> (The Cage,</em> episódio piloto da série original de<em> Jornada nas Estrelas)</em></li>
<li>Adira Tyree; G&#8217;Kar, Londo Mollari e comandante Sinclair - <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Born_to_the_Purple" target="_blank">Born to the Purple</a></em> (3ª episódio da  1ª temporada de <em>Babylon 5)</em></li>
<li>Dançarinas do palácio de Jabba - <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Wars_Episode_VI:_Return_of_the_Jedi" target="_blank">Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio VI: O Retorno de Jedi</a></em></li>
<li>Sebulba e duas mulheres twi&#8217;leks - <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Wars_Episode_I:_The_Phantom_Menace" target="_blank">Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio I: A Ameaça Fantasma</a></em></li>
</ul>
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		<title>Sexualidade alienígena &#8211; parte 2</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 11:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O prazer da androginia e do hermafroditismo na ficção científica]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os extraterrestres na ficção científica normalmente são inspirados nas experiências humanas no planeta Terra. Eles quase sempre são muito parecidos com seres humanos em muitas de suas características, inclusive em sua sexualidade (tanto no aspecto reprodutivo quanto nas manifestações de afeto e nas identidades de gênero), como vimos na <a href="http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-1/">primeira parte deste ensaio</a>.</p>
<p>Porém, algumas concepções conseguem fugir em maior ou menor grau do dimorfismo sexual e das relações monogâmicas heterossexuais, descrevendo desde variações exóticas da sexualidade humana até processos reprodutivos totalmente diversos do <em>Homo sapiens.</em> Vejamos alguns exemplos interessantes, as limitações ou extrapolações a que se consegue chegar na concepção de alienígenas andróginos, hermafroditas ou assexuados</p>
<p><span id="more-5244"></span></p>
<h3>J&#8217;naii</h3>
<div id="attachment_5251" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5251" title="J'naii" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/320x240.jpg" alt="J'naii" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Comandante Riker, humano, se apaixona por Soren, da raça andrógina j&#39;naii</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://memory-alpha.org/wiki/J'naii" target="_blank">j&#8217;naii</a>,</strong> do universo de <em><strong>Jornada nas Estrelas</strong> (Star Trek),</em> são uma espécie humanoide andrógina, cujos indivíduos não estão divididos em gêneros (masculino ou feminino), mas pertencem todos a um só gênero neutro, sem distinções físicas, comportamentais ou cosméticas relacionadas a uma identidade sexual.</p>
<p>Seu processo reprodutivo, no entanto, é sexuado e ocorre na associação entre dois indivíduos, cada um dos quais insemina um casulo com seu material genético, em meio a um longo e complexo ritual de cópula.</p>
<p>A identidade andrógina é uma ideia interessante para uma história de ficção científica e é bem alienígena para os padrões humanos. Seu processo reprodutivo também se diferencia, nos sentido em que os dois parceiros têm papéis considerados equivalentes, diferentemente dos humanos, cuja reprodução acontece no encontro de dois gametas complementares. Mas há um elemento pitoresco que denuncia a incapacidade de se imaginar uma espécie totalmente alienígana na ficção: em certo momento do episódio <em><strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Outcast_(Star_Trek:_The_Next_Generation)" target="_blank">O Excluído</a></strong> (The Outcast,</em> 17º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada Nas Estrelas: A Nova Geração),</em> Riker pergunta a Soren quem conduz caso dois j&#8217;naii estejam dançando, e ela responde que é o par mais alto (o que ressoa o papel masculino, ou seja, no &#8220;insignificante&#8221; gesto da dança, não há igualdade entre os parceiros).</p>
<p>Os j&#8217;naii serviram mais para se contar uma história alegórica às avessas sobre a homofobia. No episódio supracitado, Soren, membro da espécie, se sente desconfortável com sua identidade andrógina e preferiria ser uma fêmea, o que a leva a um julgamento, qua a condena a um processo de readequação e frustra o romance que começara com o Comandante Riker.</p>
<h3>Dracs</h3>
<div id="attachment_5277" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5277" title="Jeriba" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/enemy-mine.jpg" alt="Jeriba" width="586" height="265" /><p class="wp-caption-text">Jeriba, um drac na condição de gravidez assexuada, comportando-se como uma fêmea - antes, na condição de guerreiro, se comportava como um macho</p></div>
<p>No filme <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Enemy_Mine" target="_blank">Inimigo Meu</a>,</em></strong> Davidge se depara com um indivíduo de uma raça inimiga dos humanos, um <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dracs" target="_blank">drac</a>.</strong> Talvez seja uma das espécies humanoides da ficção científica que mais se diferenciam dos humanos em termos de sexualidade, pois eles são hermafroditas e se reproduzem assexuadamente. Cada indivíduo dá à luz sem a participação de um parceiro, sem cópula. O mais interessante é que, quando estão em situação de guerra e sobrevivência, eles têm um comportamento &#8220;masculino&#8221;, mas, quando estão em processo de gestação, se comportam &#8220;femininamente&#8221;.</p>
<p>Dessa forma, há uma quebra das expectativas humanas quanto à identidade sexual. Em todas as sociedades humanas existe a noção da dualidade masculino/feminino e homem/mulher. Toda cultura estabelece certos parâmetros para essa diferenciação e institucionaliza técnicas e formas de se diferenciar os gêneros. Causa perplexidade, por exemplo, quando vemos uma pessoa andrógina ou vestida com roupas que não pertencem ao seu gênero. Estamos sempre numa tensão provocada pela preocupação em não confundir nossa identidade sexual com a do outro sexo. Qualquer &#8220;desvio&#8221; põe em dúvida a adequação de um indivíduo à &#8220;natureza&#8221; de seu sexo.</p>
<p>Os dracs rompem com essa forma de ver as coisas. Eles não têm identidade sexual, são apenas indivíduos dracs. Quando não estão gestantes, parecem pertencer ao gênero masculino, são fortes, resistentes e viris. Quando estão grávidos, são dóceis, frágeis e passam grande parte do tempo comendo. Como os peixes-palhaços da Terra, assumem um comportamento segundo as circunstâncias.</p>
<p>Além disso, a paternidade/maternidade, para eles, não possui a noção de progenitores no plural. Enquanto para os humanos o sexo/gênero de pai e/ou mãe é definido e tem um significado pré-determinado (em relação, por exemplo, aos papéis que exercem os adultos machos e fêmeas para com as crianças), os dracs só têm uma palavra para designar o indivíduo que deu à luz. Em inglês, Davidge se refere a Jeriba como <em>parent</em> de Zammis.</p>
<p>Entretanto, a divisão entre os dois tipos de comportamentos dos dracs cai novamente na mesma perspectiva humana, que tem dois modelos de identidade sexual estáticos, opostos e complementares. O comportamento das identidades sexuais humanas estão muito mais ligados a construções sociais do que a instintos naturais. Como não há essa divisão na sociedade drac, deveria haver menos diferenças entre o estado gestante e o estado não-gestante.</p>
<h3>Antareanos</h3>
<div id="attachment_5274" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-5274" title="Cocoon" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/cocoon.jpg" alt="Cocoon" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Uma antareana mostra a Jack, um humano, uma forma sublime e semi-incorpórea de prazer sexual</p></div>
<p>Os misterioros alienígenas do filme <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cocoon" target="_blank">Cocoon</a></em></strong> não parecem apresentar dimorfismo sexual, mesmo que eles se disfarcem de humanos machos ou fêmeas. Quando estão sem os disfarces, aparecem como fomas humanoides nuas e sem sexo, o que deixa perplexo o humano Jack, que estava se sentindo apaixonado por &#8220;uma&#8221; das alienígenas, disfarçada na forma de uma bela humana.</p>
<p>Não fica claro nesta história qual é o meio de reprodução dos <strong>antareanos.</strong> No entanto, eles têm uma forma de trocar prazer, o que para Jack se aproxima bastante da ideia que os humanos têm de sexualidade (em seu aspecto erótico e não reprodutivo). Porém, esse prazer extrapola muito os limites da experiência humana de Jack, e parece alcançar níveis mais amplos do que a mera fisicalidade dos corpos.</p>
<p>Nesse contexto, a sexualidade é encarada como algo mais do que um meio para a reprodução, assim como acontece com a j&#8217;naii Soren no exemplo visto acima, que deseja se unir a Riker por amor. A troca de prazer e a união física (ou mais do que física) entre dois indivíduos aparece como uma forma de demonstrar abertismo e um sentimento fraterno-amoroso pelo outro, independentemente de este pertencer ou não à sua espécie.</p>
<h3>Transmorfos</h3>
<div id="attachment_5270" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5270" title="Odo e Kira" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/odokira.jpg" alt="Odo e Kira" width="586" height="448" /><p class="wp-caption-text">Odo, um transmorfo, em forma fluida e luminosa, troca carícias com sua companheira Kira, uma bajoriana</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Changeling_(Star_Trek)#Changeling" target="_blank">transmorfos</a>,</strong> do universo de <em>Jornada nas Estrelas,</em> são uma raça extremamente exótica para os padrões humanos. Eles não têm uma forma &#8220;natural&#8221;, a não ser um estado líquido, e podem assumir qualquer forma dentro dos limites da matéria da qual são compostos e da densidade que podem empregar à sua composição. Odo, o principal transmorfo da série <strong><em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine,</em></strong> assim como qualquer outro membro de sua espécie, pode assumir as formas de um rato, uma cadeira, uma gaivota, neblina, um homem ou qualquer outra coisa.</p>
<p>Não se sabe ao certo como é a reprodução dos transmorfos. Eles vivem, normalmente, ligados no que chamam de Grande Elo, em forma líquida em seu planeta-natal, imersos no que para nós parece um imenso mar, compartilhando os pensamentos e sentimentos de seus iguais. Quando estão distantes do Elo, muitas vezes em forma humanoide, podem se unir a outros transmorfos, promovendo esse mesmo compartilhamento mental.</p>
<p>Há muitos elementos que descrevem aquilo que poderia ser entendido como a sexualidade dos transmorfos, mas esses elementos se relacionam de forma confusa e controversa. No episódio <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Behind_the_Lines_%28Star_Trek:_Deep_Space_Nine%29" target="_blank">Atrás das Linhas Inimigas</a> (Behind the Lines,</em> 6º episódio da 4ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine),</em>a líder dos transmorfos manipula Odo através de constantes elos que promove com ele, o que parece, para olhos humanos, estabelecer uma relação amorosa. Porém, em <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chimera_%28Star_Trek:_Deep_Space_Nine%29" target="_blank">Quimera</a> (Chimera,</em> 14º episódio da 7ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine), </em>quando Odo encontra Laas, um transmorfo perdido que não conhecia outros membros de sua espécie, eles passam a promover o elo com frequência, mas Kira, namorada de Odo, compreende que não há motivos para sentir ciúmes.</p>
<p>O que nos leva a pensar que os transmorfos não têm uma sexualidade natural entre si, a não ser que eles considerem que o amor não deve ser exclusivo (como conjeturamos na primeira parte deste ensaio, ao descrever os na&#8217;vi). Mas, em <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/A_Simple_Investigation" target="_blank">Uma Simples Investigação</a> (A Simple Investigation,</em> 17º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine),</em> Odo foi capaz de fazer sexo com uma mulher, provavelmente simulando os genitais humanos masculinos. Porém, embora seja relativamente fácil para ele imitar a forma humana, é estranho que ele consiga simular também o prazer físico. Ora, sua fisiologia interna não permite sequer que ele ingira líquidos ou sólidos, pois não tem necessidade de se alimentar.</p>
<p>Quando passa a conviver amorosamente com Kira, infere-se que eles mantêm atividades sexuais semelhantes. Odo foi capaz de se apaixonar por um ser muito diferente dele, com forma fixa, mas essa relação só funciona na maior parte do tempo em termos humanoides. No entanto, num dos momentos mais belos da saga de <em>Deep Space Nine,</em> Odo se transforma numa névoa dourada e, de certa forma, faz amor com Kira em termos não-humanoides, o que, além de extrapolar o padrão humano das trocas afetivo-sexuais, representa um avanço no sentido do amor que ultrapassa a superfície da forma e compreende a natureza isogenética da consciência.</p>
<h3>Imagens</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Outcast_(Star_Trek:_The_Next_Generation)" target="_blank">O Excluído</a> (The Outcast,</em> 17º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração)</em></li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inimigo_meu" target="_blank">Inimigo Meu</a> (Enemy Mine,</em> filme de 1985, dirigigo por Wolfgang Petersen)</li>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cocoon" target="_blank">Cocoon</a></em> (filme de 1985, dirigido por Ron Howard)</li>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chimera_(Star_Trek:_Deep_Space_Nine)" target="_blank">Quimera</a> (Chimera,</em> 14º episódio da 7ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine)</em></li>
</ul>
<h3>Veja também</h3>
<ul>
<li><a href="http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-1/"><em>Sexualidade alienígena – parte 1</em></a></li>
</ul>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-52450"></div></div>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Sexualidade alienígena &#8211; parte 1</title>
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		<comments>http://teianeuronial.com/sexualidade-alienigena-parte-1/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 11:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Variações do dimorfismo sexual na ficção científica]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ser humano tende a antropomorfizar a natureza, ou seja, representar a realidade ao seu redor segundo parâmetros construídos a partir de sua própria experiência. Um dos exemplos mais marcantes em nossa cultura e idioma é a classificação de coisas inanimadas em gêneros masculino e feminino e a representação dessas coisas segundo o que se entende como características masculinas e femininas.</p>
<p>Extrapolando tudo isso, é comum imaginarmos, em histórias de ficção científica, que as espécies alienígenas que porventura possamos encontrar universo afora tenham características muito parecidas com as humanas, como a divisão em dois sexos/gêneros e a procriação sexuada. Até mesmo a existência de algo que possamos identificar como sexualidade é resultado do antropomorfismo.</p>
<p><span id="more-5217"></span>Mas sabemos quase nada sobre a fisiologia de espécies extraterrestres e só podemos especular, segundo alguns exobiólogos, imaginando que, se uma determinada forma de funcionar deu certo para nós, deve ter se desenvolvido também em outros lugares do Cosmos.</p>
<p>Porém, é provável que a variedade das formas de vida no universo seja muito maior do que tendemos a imaginar, e a forma humanoide dimórfica pode não ser o modelo mais comum. Mas a grande maioria dos alienígenas inteligentes da ficção científica é humanoide e dimórfica, o que pode se dar pelos seguintes motivos:</p>
<ul>
<li>os limites da imaginação humana;</li>
<li>o antropomorfismo nas representações do Cosmos;</li>
<li>o fato de, no cinema e na televisão, ser mais fácil fantasiar atores humanos para interpretar personagens alienígenas e</li>
<li>o fato de muitas histórias com extraterrestres serem alegorias dos problemas enfrentados nas relações entre seres humanos, sendo as espécies alienígenas representações da diversidade humana.</li>
</ul>
<p>O dimorfismo sexual de espécies humanoides na ficção científica não se resume apenas a uma funcionalidade procriativa, mas envolve o estabelecimento de uniões e alianças entre os indivíduos, diversas formas de afetividade e regras tácitas de como machos e fêmeas se comportam no sexo. Tudo isso pode ser justificado por uma necessidade evolutiva, pois podemos presumir que uma espécie inteligente tenha seguido um caminho parecido ao dos humanos, ou seja:</p>
<ul>
<li>tenha substituído a natureza pela cultura como principal institucionalizador de comportamentos, o que permitiria a complexificação do pensamento, e</li>
<li>tenha desenvolvido a necessidade do social (o que inclui a sexualidade, entendida não só como o sexo que pode servir para a procriação, mas como o conjunto das formas de se trocar afeto e prazer) para a manutenção dos costumes, linguagem e saberes sem os quais o espécime não se completa como membro de seu grupo.</li>
</ul>
<p>Mesmo assim, toda a sexualidade alienígena é imaginada com base nas práticas humanas. Vejamos a descrição de algumas das espécies alienígenas da ficção científica televisiva e cinematográfica que reproduzem o modelo humanoide dimórfico, juntamente com algumas reflexões sobre a influência do antropomorfismo em sua concepção e até onde os autores conseguem chegar na extrapolação da realidade que conhecemos mais de perto.</p>
<h3>Vulcanos</h3>
<div id="attachment_5249" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5249" title="Spock e T'Pring" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/spock_tpring.jpg" alt="Spock e T'Pring" width="586" height="434" /><p class="wp-caption-text">Spock e T&#39;Pring no ritual vulcano do pon farr</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vulcanos" target="_blank">vulcanos</a></strong> são uma das raças mais notáveis no universo de <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_trek" target="_blank">Jornada nas Estrelas</a>,</em></strong> sendo uma das mais presentes ao longo das cinco séries da franquia. São fisicamente muito aprecidos com os humanos, sendo as únicas diferenças perceptíveis a olho nu as orelhas pontiagudas, as sobrancelhas arqueadas e uma quase imperceptível tonalidade verde na pele. As outras poucas características morfológicas diferentes das humanas incluem o coração localizado na altura do plexo solar e hemoglobina baseada em cobalto ao invés de ferro (o que dá a cor verde ao seu sangue).</p>
<p>Psico-biologicamente, eles são muito parecidos com os seres humanos, porém são mais propensos, geneticamente, a emoções fortes. Sócio-culturalmente, são criados segundo os rígidos ditames de uma ética baseada na Lógica, o que dá a aparência de que não têm emoções, mas a verdade é que estas ficam reprimidas.</p>
<p>Tanto que, quando completam um ciclo de 7 anos, são arrebatados por uma condição fisiológica chamada pon farr, na qual têm a premente necessidade de voltar ao planeta-natal (Vulcano) e se unir ao parceiro ou pretendente. Nisso, precisam se entregar a um elaborado ritual em que se determina a união ou rejeição dos parceiros. O ritual pode envolver até mesmo um combate, que a mulher pode determinar como condição para a consecução do acasalamento.</p>
<p>Embora se diferenciem significativamente dos humanos em alguns aspectos, como o fato de costumarem fazer sexo a cada 7 anos (diferentemente dos humanos, que não têm cio e podem copular em quaisquer dias do ano), a sexualidade vulcana ainda é, no quadro geral, inspirada na humana.</p>
<h3>Klingons</h3>
<div id="attachment_5258" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5258" title="Worf e Jadzia" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Worf-and-Jadzia-jadzia-and-worf-15305539-692-530.jpg" alt="Worf e Jadzia" width="586" height="448" /><p class="wp-caption-text">Worf, um klingon, flerta furiosamente com Jadzia, uma trill que sabe como se comportar como uma klingon</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Klingons" target="_blank">klingons</a></strong> surgem na série de <em>Jornada nas Estrelas</em> como uma raça praticamente igual à humana, tanto que no episódio <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Trouble_With_Tribbles" target="_blank">Problemas aos Pingos</a> (The Trouble with Tribbles,</em> 15º episódio da 2ª temporada da Série Clássica) um klingon se passa facilmente por humano, só tendo sua identidade descoberta com a ajuda de um tricorder médico.</p>
<p>As maiores diferenças culturais e biológicas entre klingons e humanos só foram melhor exploradas a partir de <em>A Nova Geração,</em> em que desobrimos que os klingons costumam grunhir e morder em suas relações sexuais, sendo escoriações e hematomas os sinais de que um indivíduo praticou sexo recentemente.</p>
<p>Fora isso, não parece haver diferenças fundamentais entre a sexualidade klingon e a humana, pois da possibilidade de intercruzamento se infere que os órgãos sexuais e a cópula são no mínimo semelhantes. Porém, há pequenas peculiaridades na escolha dos parceiros, na corte e no ato sexual. A atração e o amor, em muitos indivíduos dessa espécie, é atiçada pela força, altivez e coragem do pretendente. Os flertes às vezes incluem trocas de grunhidos, e o ato sexual em si parece se misturar com elementos de uma renhida luta.</p>
<p>A diferença entre a sexualidade humana e a klingon, portanto, parece ser mais o resultado de uma diferença cultural, visto que é verossímil que uma sociedade humana desenvolva os mesmos valores e práticas dessa raça de honrados guerreiros. No entanto, os klingons são representados como naturalmente mais fortes e resistentes fisicamente do que os humanos, o que levou Worf, em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Justice_(Star_Trek:_The_Next_Generation)" target="_blank">certa ocasião</a>, a recusar a troca de afetos com uma humana. &#8220;Preciso me conter demais. As mulheres humanas são muito frágeis.&#8221;</p>
<h3>O problema da fertilidade inter-espécies</h3>
<p>Mas é notável a presença de um elemento extremamente improvável no quadro geral das espécies alienígenas no universo de <em>Jornada nas Estrelas,</em> que é o fato de praticamente todas as raças serem férteis entre si. O próprio Spock, vulcano mais notável da franquia, é na verdade um meio-vulcano/meio-humano, pois tem pai vulcano e mãe humana.</p>
<p>A própria possibilidade de indivíduos de espécies diferentes formarem casais é um pouco inverossímil (embora não impossível, tendo em vista que os sentimentos comuns podem, em teoria, transcender as formas físicas). Porém, essa possibilidade só se realizaria com a compatibilidade das formas de se trocar afeto e formar uniões. Na ficção científica, é muito comum que os alienígenas sejam, além de sexualmente dimórficos, monogâmicos e quase estritamente heterossexuais (o que, além de representar um antropomorfismo, representa um etnocentrismo de viés euro-ocidental &#8211; veja o ensaio <em><a href="http://teianeuronial.com/homossexualidade-em-star-trek/">Homossexualidade em Star Trek</a>).</em> De fato, aparecem ao longo das séries da franquia muios casais inter-espécies:</p>
<ul>
<li>Sarek (vulcano) e Amanda (humana),</li>
<li>Comandante Riker (humano) e Deanna Troi (meio-<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Betazoides_(Star_Trek)" target="_blank">betazoide</a>),</li>
<li>Rom (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferenguis_(Star_Trek)" target="_blank">ferengi</a>) e Leeta (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bajorianos" target="_blank">bajoriana</a>),</li>
<li>Quark (ferengi) e Grilka (klingon)</li>
<li>Jadzia Dax (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trill_(Star_Trek)" target="_blank">trill</a>) e Worf (klingon),</li>
<li>Odo (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Changeling_(Star_Trek)#Changeling" target="_blank">transmorfo</a>) e Kira (bajoriana),</li>
<li>Ezri Dax (trill) e Dr. Bashir (humano),</li>
<li>Neelix (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Star_Trek_races#Talaxian" target="_blank">talaxiano</a>) e Kes (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ocampa" target="_blank">ocampa</a>), entre outros.</li>
</ul>
<p>A necessidade de se criar pretextos para roteiros interessantes permeia as histórias de ficção científica. Em <em>Jornada nas Estrelas,</em> não só os vulcanos e os humanos podem procriar entre si (como no caso dos pais de Spock). Já apareceram híbridos de</p>
<ul>
<li>humano e betazoide (Deanna Troi),</li>
<li>humano e klingon (K&#8217;ehleyr e B&#8217;elanna),</li>
<li>humano e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Romulanos">romulano</a> (Sela),</li>
<li>klingon e romulano (Ba&#8217;el) e</li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cardassianos" target="_blank">cardassiano</a> e bajoriano (Ziyal), entre outros.</li>
</ul>
<p>Essa possibilidade de interfecundidade só é relevante para a criação de enredos pertinentes à reflexão sobre a relação entre os povos (humanos), os problemas advindos do contato intercultural, os conflitos de identidade e situações diplomáticas.</p>
<p>Porém, biologicamente, é improvável que espécies desenvolvidas em dois planetas diferentes e com histórias evolutivas tão díspares possam se unir sexualmente (como é tão comum em todas as histórias de <em>Jornada nas Estrelas).</em> Muito mais improvável, portanto, é que essas uniões possam produzir frutos férteis.</p>
<p>No universo de <em>Babylon 5,</em> série que tem <em>Jornada nas Estrelas</em> como uma de suas principais fontes de inspiração, a situação é um pouco mais verossímil, como veremos no exemplo em seguida.</p>
<h3>Centauri</h3>
<div id="attachment_5237" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5237  " title="Adira e Londo" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/AdiraLondo01.jpg" alt="Adira e Londo" width="586" height="347" /><p class="wp-caption-text">Adira Tyree e Londo Mollari, dois centauri</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Centauri_(Babylon_5)" target="_blank">centauri</a></strong> são externamente a espécie mais parecida com os humanos na série <strong><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Babylon_5" target="_blank">Babylon 5</a>,</em></strong> ao menos quando estão vestidos. Seus órgãos sexuais são um pouco diferentes dos humanos: os homens têm seis tentáculos em suas costas, três em cada lado, e as fêmeas possuem seis orifícios distribuídos da mesma forma. A cópula acontece numa gradação, começando com a penetração de um dos tentáculos, que provoca prazer em menor intensidade, e este vai aumentando de acordo com a introdução dos tentáculos seguintes, cada um mais intenso do que o anterior.</p>
<p>Um diferencial de <em>Babylon 5</em> em relação a <em>Jornada nas Estrelas</em> é que o intercruzamento não acontece tão facilmente. Os centauri e os humanos, por exemplo, não têm como cruzar entre si e tampouco produzir filhos (tanto por causa da morfologia como pela incompatibilidade de DNA). O que se vê na série, no máximo, são homens centauri (e de outras raças) apreciando a beleza das fêmeas de outras espécies, inclusive das humanas. O único casamento fértil inter-espécies que se vê na série se dá entre um humano e uma minbari, que teve o próprio DNA misturado com o DNA humano.</p>
<p>Entretanto, por mais diferente que pareça, a sexualidade centauri tem dois resquícios da sexualidade humana. O primeiro é o próprio fato de a espécie ser dividida em dois sexos, com praticamente as mesmas características de seus equivalentes humanos. O segundo é a forma pela qual se dá a cópula, ou seja, a penetração de uma protuberância do macho num orifício da fêmea.</p>
<p>Entre os alienígenas na&#8217;vi, do filme <em>Avatar,</em> isso muda um pouco mais significativamente.</p>
<h3>Na&#8217;vi</h3>
<div id="attachment_5240" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-5240  " title="Jake e Neytiri" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/navijakeneytiri.jpg" alt="Jake e Neytiri" width="586" height="366" /><p class="wp-caption-text">Jake e Neytiri, um meio-na&#39;vi e uma na&#39;vi</p></div>
<p>Os <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Na%27vi#Na.27vi" target="_blank">na&#8217;vi</a></strong> são humanoides com diversas características parecidas com os humanos. Têm cabeça, tronco, braços e pernas, rosto com olhos, nariz, boca, cabeça com orelhas e cabelos. Têm algumas diferenças, como cauda, pescoço comprido, orelhas longas, pele azul e olhos amarelos, além de medirem cerca de 3 metros de altura. Seus traços lembram os felinos, como se eles tivessem evoluído a partir de gatos e não de símios.</p>
<p>Eles são tão parecidos com os seres humanos que era de se esperar que seus órgãos reprodutivos fossem praticamente iguais aos do <em>Homo sapiens.</em> Porém, eles fazem sexo através de conexões presentes em filamentos que ficam em meio aos seus cabelos. Não fica claro, no filme, se essa mesma conexão é responsável pela fecundação e reprodução da espécie, mas isso fica subentendido de nossa própria autorrepresentação humana.</p>
<p>Um detalhe curioso e um pouco bizarro é que a conexão usada para a cópula é também usada para se domar animais de montaria, como cavalos e pássaros. Para um olhar humano, é como se eles tivessem institucionalizado o bestialismo como prática aceitável e corriqueira. Isso poderia significar também que o amor, para essa espécie, é um conceito muito mais amplo do que aquele que temos. Ou eles podem sentir algo diferente dependendo de a quem eles se conectam, assim como o afeto trocado com um parente próximo (geralmente) não nos deixa sexualmente excitados, enquanto o mesmo contato físico com um parceiro afetivo-sexual traz essa excitação em menor ou maior grau.</p>
<p>Mas o que é mais problemático nessa espécie fictícia é que eles são criados propositalmente com uma aparência bela, explorando e extrapolando a estética dos modelos de beleza ocidentais e hollywoodianos (altura e magreza), misturada a um exotismo alienígena. É fácil para muita gente se afeiçoar pelos na&#8217;vi (muitos até gostariam de pertencer a essa espécie). Aliado a isso, por mais diferentes que eles sejam dos humanos, são quase iguais no comportamento, na forma de expressar emoções e, mais pertinente para este ensaio, na forma de trocar afeto, com carícias, beijos e abraços, de modo que não foi nada difícil para Jake Sully (humano travestido de na&#8217;vi) entender como proceder nas preliminares com Neytiri.</p>
<p><em>[Continua na próxima semana]</em></p>
<h3>Imagens</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Amok_Time" target="_blank">Tempo de Loucura </a>(Amok Time)</em> &#8211; 1º episódio da 2º temporada da série clássica (TOS) de <em>Jornada nas Estrelas</em></li>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Looking_for_par%27Mach_in_All_the_Wrong_Places" target="_blank">Procurando Por par’Mach Em Todos Os Lugares Errados</a> (Looking for par’Mach in All the Wrong Places)</em> &#8211; 3º episódio da 5ª temporada de <em>Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine</em> (DS9)</li>
<li><em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Day_of_the_Dead_%28Babylon_5%29" target="_blank">Dia dos Mortos </a>(Day of the Dead)</em> &#8211; 8º episódio da 5ª temporada de <em>Babylon 5</em></li>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Avatar_%28filme%29" target="_blank"><em>Avatar</em> </a>- filme dirigido por James Cameron e lançado em 2009</li>
</ul>
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		<title>Matrix</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Mar 2011 20:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Inês Mota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
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		<category><![CDATA[Agente Smith]]></category>
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		<category><![CDATA[Neo]]></category>
		<category><![CDATA[Sião]]></category>
		<category><![CDATA[Trinity]]></category>

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		<description><![CDATA[Realidade, ilusão, ciência - Reloaded]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu nome é Morpheus. Alguns insistem em fazer analogias associando meu nome à figura do pregador João Batista, mas isso não tem o menor fundamento, acreditem. A nave na qual viajo se chama Nabucodonosor, porque certa vez sonhei com a destruição de Jerusalém, embora até hoje não saiba o que isso quer dizer. O onirismo às vezes nos prega dessas peças.</p>
<p>Venho em missão secreta, do centro quente da terra de Sião, a última cidade dos seres livres. Sou o visionário que lutará para libertar a humanidade do domínio das máquinas. Embora plasmado em imagem masculina, advirto que sou mulher mesmo e só usei a indumentária na película porque estava vindo de uma dessas modernas e ridículas festas temáticas para adultos.</p>
<p><span id="more-4596"></span>Metaforicamente sou o componente yang da psique&#8230; putz, yin, deixa de novela e segura a droga desse microfone!&#8230; Continuando, sinto informar que não surtiu o efeito esperado tapar o sol com a peneira. Vocês esqueceram a velha máxima? Por que os algozes usariam a energia solar se podiam recorrer à fonte dos próprios humanos, mais abundante e barata?</p>
<p>Repudio a ideia de ver vossas mentes conectadas em Realidade Virtual e abomino esses campos de cultivo, em que casulos aprisionam vossos corpos para alimentar as insaciáveis máquinas. Gostaria que soubessem  o quão  lamento vê-los manipulados, customizados no brechó da esquina e deslumbrados com as reprises das novelas globais “O Clone”e “Ti Ti Ti”.</p>
<p>Agora, as máquinas evoluídas pela AI reinam absolutas sob o comando do Agente Smith, especialmente programado para manter a ordem dentro do sistema e pronto a exterminar humanos e programas instáveis na realidade simulada. Elas querem vossas energias, vossos votos para reeleger Dilma daqui a quatro anos, vossos incondicionais apoios à CPMFs<sup>1</sup>, vossas certidões de idade, vossos cartões de crédito, vossas mãos em casamento e muito mais. Por isso, insisto, está na hora de fugir da caverna do senso comum e superar a ignorância rumo à filosofia. As dúvidas de como vencer essa árdua jornada poderão ser encaminhas ao site do Platão, aberto 24 horas por dias, inclusive nos fins de semana.</p>
<p>Entretanto, nem tudo está perdido, pois vislumbro um ser dentre vós, o Escolhido, capaz de controlar e derrotar os mecanismos antivírus da poderosa Matrix. Seria  Anderson, o filho de André, o Hacker filho do homem, o ego psicologicamente representado, o neo Neo com excelentes e comprovados reflexos para apanhar sabonete no banheiro e messianicamente ressuscitado na sala 303 após beijo caloroso de Trinity?</p>
<p>Para verificar a identidade do Escolhido é preciso consultar o Oráculo – uma senhora casada com um carpinteiro de nome José – que sabiamente assertou “A nossa escolha é a repetição das nossas escolhas”. Por vezes ela aparece disfarçada de vendedora de hambúrguer<sup>2</sup> no McDonald’s e pode-se identificá-la facilmente pela canção “I&#8217;m Beginning to See the Light&#8221; (‘Estou Começando a Ver a Luz’), de Duke Ellington, que ela costuma entoar ouvindo o seu radinho de pilha ABC. Mas todo Oráculo que se preza tem a proteção do seu Cérbero de guarda ou espírito superior e assim Neo será testado e enfrentado por Seraph antes de este o conduzir até ela.  E  não se enganem. Pode ser um contrassenso, mas Neo estaria perdido sem esse amparo, ainda que o Oráculo não forneça  respostas, só escolhas. Eu mesmo, Morpheus,  quando Neo decidir  ingerir a pílula vermelha que o deixará na maior lombra à la “Lucy in the Sky with Diamonds”, o alertarei: “ Esse home precisa entender que estou tentando libertar sua mente. Mas eu só posso  mostrar a porta. E esse home é que tem que decidir se quer atravessá-la ou não.” Basta ver que o Kafka já sabia sobre o poder das escolhas, do livre-arbítrio, tanto que a sua porta da justiça permaneceu fechada diante do homem que não ousou enfrentar as adversidades que o adentrar reservava. E sabe-se que a passagem estava ali exclusivamente para ele.</p>
<p>E tem mais. Toda cautela é pouca com Cypher. Ainda que seu nome lembre Lúcifer – ele está mais pra Judas do que para anjo caído. É a encarnação do mal, a traição, o retrocesso total do eu e defende a ilusão como mais interessante do que a realidade ou &#8220;olhos que não veem, coração que não sente&#8221;. Costuma recorrer a citações do Mecanismo de Defesa do Ego (MDE), sem os devidos créditos e sem pagar pelos direitos autorais.</p>
<p>Por outro lado, Trinity, o aspecto yin da psique, pode ajudar muito. A não ser que yang, por sua personalidade possessiva e ciumenta, não o permita. Trinity é o apoio físico e espiritual ao Escolhido, a trindade que se resume em 4: pai, filho, espírito santo e assim seja. Recomendo tratá-la com o maior recato e prudência. Chamá-la inadvertidamente de Madalena seria um erro crasso que a deixaria puta para o resto da vida.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4610" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/trinity.jpg" alt="Trinity" width="600" height="370" /></p>
<p>Assim, o  Escolhido deverá seguir os coelhos brancos mutantes que aterrorizam rancheiros do Arizona, além de dominar o conhecimento sobre o alfabeto japonês ao contrário, a fim de desvendar os seguintes enigmas:</p>
<ul>
<li>Por que aqueles Cavaleiros continuam dizendo &#8220;Niilismo&#8221;?</li>
<li>Por que Lula deixou de usar o famigerado &#8220;Companheiros&#8221;?</li>
<li>Por que a Capitania Hereditária do Maranhão não foi extinta junto com os dinossauros?</li>
<li>Por que herbívoros como a cabra, o cavalo, a vaca e o elefante, com dietas similares, apresentam excremento sólidos de formato e volume tão distintos?</li>
</ul>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4611" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/matrix.jpg" alt="A matrix" width="600" height="442" /></p>
<p>A seguir, serão fornecidas algumas pistas elucidativas, pelo reconhecimento aos esforços de centenas e centenas de pessoas que visitarão este blog na tentativa de decifrar o enigmático enigma, e cujos comentários não serão verbalizados aqui devido a problemas técnicos verificados na transmissão de dados da nave-mãe à nave-filha, que se encontrará deslumbrada com as babaquices do Big Brother. Assim, as informações poderão ser repassadas ao Enviado, por mensagens através do Twitter, do Facebook, do Orkut, do Badoo, do MySpace, do Hi5, Windows Live, Netlog e outras tantas redes sociais:</p>
<ol>
<li>Os Cavaleiros do Monty Python permanecerão dizendo Ni e pedindo um shrubbery na Amazônia. Pode parecer absurdamente nonsense esmolar um shrubbery numa floresta tão majestosa, mas da maneira como anda o desmatamento, nem o carrinho que anuncia “vendo arbustos” vai salvar a trupe dos míticos cavaleiros. E, ainda que este planeta se vá pelas mãos do homem ou pelas motoserras nas mãos do homem – os satélites e as ondas magnéticas das TVs a cabo ou não já providenciaram a disseminação eterna dos Nis pelo Cosmos. Os legendários Cavaleiros querendo ou não.</li>
<li>Quanto aos excrementos dos herbívoros ruminantes, é tudo muito óbvio e o quesito figurou aqui apenas para encher linguiça, atendendo às exigências tirânicas do 1º titular deste blog, que não permite posts sucintos. Ora, a aparência e o volume do produto final não estão diretamente atrelados ao tipo de matéria-prima que entra e sim aos meandros internos de circulação e às dimensões do espaço por onde sai. Assim sendo, está clara a razão pela qual um pobre cabrito não poderia defecar qual um cavalo. Por sua vez, o elefante, por motivos idênticos e dado o seu porte magnífico, se evacuasse tal qual um cabrito, seria ridicularizado na selva, e o leão do imposto de renda, um felídeo bastante feroz, impiedoso, e oportunista, o emboscaria e o comeria rapidinho, bem antes de a pequena empresa completar o seu primeiro ano de atividade, embora o rei barbudo da selva esteja pouco se lixando para isso. Certa vez, ao ser indagado por  agentes de terno preto e óculos escuros sobre esta intrigante questão do formato dos sólidos escatológicos dos bichos herbívoros, ele, espantado, não deu explicações convincentes. Aí o bicho pegou. Os nativos correram pra cima dele com paus e pedras, tablets e smartphones. Como é que o rei da selva não sabia nada de absolutamente bosta nenhuma?</li>
</ol>
<p>Mas águas passadas não movem moinhos, já diz o adágio. Portanto, não esqueçam de agir sem trapalhada, porque apelos ao estilo Tooter Turtle, “Mr. Wizard, me tire daqui”, não mais serão atendidos, porque já não haverá varinha de condão, o lagarto não possui mais poderes de teletransporte e nem poderá devolver o velho eu para quem se arrependa e queira ser feliz com o que era.</p>
<p>E nada de egoísmo. O que vale é a negação do indivíduo e a segurança da massa. Pelo fim da gripe suína que ninguém mais se lembra, pela melhoria do transporte público e pelo fim dos buracos nas ruas de Natal. Abaixo a prostituição infantil recém-descoberta pelo Fantástico, nas esquinas Wells Lake de Ponta Negra. Abaixo o modismo, o axé music e o forró de Fortaleza, o apego meterial, as ilusões e os vícios da vida. Abaixo o verde, viva o azul. Pelo fim do domínio das máquinas, pela sobrevivência da espécie humana!</p>
<h3>Notas</h3>
<ol>
<li>CPMF – A morta-viva. Seu fantasma ainda atormenta os cidadãos, ricos e pobres, desse Brasil brasileiro. Sua ressurreição pode ser iminente.</li>
<li>Hambúrguer – Um alimento para suínos e canídeos, composto por 43.569 ingredientes, dentre eles as partes asquerosas – estômago e afins – de animais domésticos.</li>
</ol>
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		<title>Filmes para crianças – parte 2</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Feb 2011 09:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque ETs]]></category>
		<category><![CDATA[E.T. o Extraterrestre]]></category>
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		<category><![CDATA[Viagem ao Mundo dos Sonhos]]></category>
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		<description><![CDATA[Contatos imediatos no ensino do 1º grau]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As histórias sobre extraterrestres são ótimas oportunidades para se refletir sobre diferença e igualdade. Nelas vemos metáforas das próprias diferenças entre os indivíduos e povos humanos e o desafio do convívio pacífico entre eles, além do aprendizado mútuo. Essas histórias são, assim, um meio de ampliar as perspectivas sobre o mundo e o universo, fazendo-nos refletir sobre o respeito à diferença e à possibilidade de nos considerarmos todos parte de um mesmo mundo.</p>
<p>Nesta segunda parte da série <em>Filmes para crianças,</em> abordarei três obras de ficção científica que tratam do contato entre seres alienígenas entre si, e de como esse contato é importante para mudar a maneira como vemos o outro. Para mim e para as pessoas que me ajudaram a escolher os itens desta lista, assistir a eles na infância foi um marco importante em nosso desenvolvimento como seres humanos e como consciências universalistas.</p>
<p><span id="more-3115"></span></p>
<h3>Dedicatória e agradecimentos</h3>
<p>A Inês Mota, a Diego Leite, a Alan Hiramoto, a Paulinho Mota, a Rúbio Medeiros, a Betânia Monteiro, a Werner Soares, a Amanda Cavalcante e a Hermann Cavalcante (não são parentes).</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1727" title="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Spoilers.png" alt="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." width="600" height="50" /></p>
<h3><em>E.T.: O Extraterrestre (E.T.: The Extra-Terrestrial)</em></h3>
<p><strong><img class="alignright size-full wp-image-3316" title="E.T.: O Extraterrestre" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/et.jpg" alt="E.T.: O Extraterrestre" width="200" height="295" />Direção:</strong> Steven Spielberg</p>
<p><strong>País:</strong> Estados Unidos</p>
<p><strong>Ano:</strong> 1982</p>
<p>Certa noite, um pequeno extraterrestre se perde da nave espacial que o trouxe à Terra, enquanto agentes policiais o buscam após perceberem um certo tumulto nos arredores despovoados da cidade. O pequeno alienígena se esconde num depósito de uma casa próxima, onde vive um garoto humano chamado Elliott.</p>
<p>Naquela mesma noite, o menino humano percebe a presença de algo estranho e tenta avisar a mãe e o irmão mais velho, mas todos acham que se trata ou da imaginação do garoto ou de algum animal selvagem que entrou no depósito. Mas Elliott não desiste e no dia seguinte tenta atrair o ser misterioso com doces, até que finalmente, sob a luz da lua crescente, eles se deparam um com o outro e ambos se assustam. Mas Elliott leva seu novo amigo para casa e o esconde em seu quarto.</p>
<p>Elliott revela a presença do alienígena ao seu irmão mais velho, exigindo ser tratado com mais respeito, e acidentalmente sua irmã mais nova o descobre também. Os três empreendem esforços para não permitir que a mãe descubra o extraterrestre, e passam grande parte do tempo no quarto de Elliott brincando com E.T., como passam a chamá-lo, e descobrindo algumas habilidades incríveis do pequeno visitante do espaço. Ele consegue mover objetos com a força da mente e curar pequenas feridas com a ponta do dedo.</p>
<p>Mas o poder mais interessante de E.T. é a conexão empática e telepática que ele estabelece com Elliott, fazendo com que cada um deles sinta o que o outro sente e até pense o que o outro pensa. Dessa forma, eles compartilham uma amizade visceral em que um se confunde com o outro, quase como a ideia de amizade defendida por Michel de Montaigne em seu famoso ensaio.</p>
<p>E.T. consegue elaborar um plano para enviar uma mensagem ao seu povo solicitando um resgate, e constrói uma máquina, usando vário objetos como um computador de brinquedo e um guarda-chuva. Durante a tarde de Halloween, Ele e Elliott vão à floresta, lenando a máquina para ativá-la a céu aberto e enviar a mensagem. Ambos dormem ao relento e, pela manhã, Elliott percebe que E.T. não está por perto. O menino volta para casa com um terrível resfriado e seu irmão encontra E.T. à beira de um riacho, muito pálido e fraco.</p>
<p>Enquanto todos retornam à casa, uma larga equipe do governo, comporta de policiais e cientistas, começa uma operação de isolamento do local, para estudar o extraterrestre, mas este está tão doente que não resiste. a conexão com Elliott se rompe e este volta a ficar bem, mas se mostra intensamente triste com a morte de seu amigo. No entanto, E.T. retorna à vida e, com a ajuda do irmão e dos amigos deste, leva o pequeno ser do espaço ao campo, onde uma nave espacial aparece. Após uma tocante cena de despedida, E.T. parte em sua nave.</p>
<p>Os eventos da história não foram importantes só para Elliott, que passa a conhecer uma amizade que nunca vivera antes. A aparição de E.T. também provoca mudanças em Michael, o irmão mais velho, que passa a ser menos arrogante, e em Gertie, a irmã mais nova, que no início tinha alguma repulsa por E.T., mas passa a vê-lo com outros olhos.</p>
<p>A amizade de Elliott e E.T. simboliza uma relação desprovida de preconceitos e baseada numa total confiança mútua. Eles ficam tão ligados um ao outro que têm dificuldade de se despedir ao final. E.T. diz &#8220;Venha&#8221;, e Elliott responde &#8220;Fique&#8221;. O alienígena então lhe fala, apontando para a testa de seu amigo, &#8220;Estarei bem aqui&#8221;. Ambos aprendem a se desapegar diante da necessidade de cada um ir para onde pertence, mas, depois da experiência que tiveram juntos, a lembrança e o sentimento de amizade permanecerão em ambos.</p>
<p><strong>A obra aborda</strong></p>
<ul>
<li>amizade,</li>
<li>diferença,</li>
<li>respeito,</li>
<li>aprendizado,</li>
<li>humildade e</li>
<li>desapego.</li>
</ul>
<h3><em>Viagem ao Mundo dos Sonhos (Explorers)</em></h3>
<p><strong><img class="alignright size-full wp-image-3344" title="Viagem ao Mundo dos Sonhos" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/explorers_01.jpg" alt="Viagem ao Mundo dos Sonhos" width="200" height="282" />Direção:</strong> Joe Dante</p>
<p><strong>País:</strong> Estados Unidos</p>
<p><strong>Ano:</strong> 1985</p>
<p>Ben certa vez sonhou que sobrevoava um imenso circuito. Assim que despertou, desenhou o que conseguiu lembrar do circuito e ligou para seu amigo Wolfgang para contar. Como Ben era um garoto sonhador e fascinado por ficção científica, não foi difícil para seu amigo imaginar que se tratava de um típico sonho de sua cabeça avoada. Mas quando Wolfgang, um cientista-mirim filho de cientistas, vê o desenho do circuito, percebe que se trata mesmo de algo que pode ser construído e funcionar de alguma forma.</p>
<p>Então Ben, o sonhador, junto com Darren, o realista, e Wolfgang, o intelectual, se juntam para experimentar a descoberta, e através de um computador Wolfgang consegue criar uma esfera azul indestrutível que flutua no ar e atravessa qualquer coisa. Mais tarde, eles conseguem criar uma esfera maior e descobrem que ela é oca e pode carregar objetos dentro de si. Os três amigos decidem criar uma cápsula para voar pelo céu de sua cidade.</p>
<p>Depois de uma tentativa frustrada de subir ao espaço, os três amigos têm o mesmo sonho e ambos veem o circuito, o que lhes possibilita completá-lo e tentar de novo. Ao voarem outra vez naquela noite, são fisgados por um raio trator e levados a uma gigantesca nave espacial.</p>
<p>Eles imaginam estar presos numa típica nave alienígena do mal que aparece em tantos filmes de ficção científica. Mas logo descobrem que os tripulantes são um casal de irmãos extraterrestres gentis, Wak e Neek, que captam todas as ondas eletromagnéticas da Terra, incluindo as trasmissões de rádio e TV. Eles são fascinados por tudo o que ouvem e veem da Terra, e se divertem numa pequena festa com os jovens terráqueos.</p>
<p>Então Ben os convida para irem à Terra, mas Wak se recusa veementemente, tendo em vista tantas imagens do cinema da Terra que representam a forma violenta como os alienígenas são recebidos pelos humanos. Wak explica que só trouxe os três porque eles são diferentes do resto da humanidade. Ben fica desolado com o reconhecimento de que provavelmente seria perigoso para qualquer estrangeiro do espaço visitar um planeta beligerante como a Terra.</p>
<p>Finalmente, os três garotos descobrem que a nave em que estão foi surrupiada do pai dos dois alienígenas, que são jovens como seus hóspedes. O pai alienígena irrompe no salão em que estão e dá um sermão em Wak e Neek, acabando com a festa. Os novos amigos se despedem e o trio terráqueo fica marcado para sempre com a imressão de um mundo muito mais vasto do que jamais imaginaram.</p>
<p>É importante perceber como três crianças tão diferentes, um muito sonhador (sentimento), outro muito realista (corpo) e o terceiro muito intelectual (pensamento), superam essas mesmas diferenças e juntam suas qualidades para entrar numa aventura que mudará suas vidas para sempre.</p>
<p>A irrelevância das diferenças também é encarada no contato com uma espécie alienígena, que, apesar da aparência exótica, têm sentimentos e anseios parecidos com os dos humanos. A aparência é tão relevada que Wolfgang e Neek ensaiam um romance.</p>
<p>Finalmente, os garotos visionários têm que reconhecer que sua facilidade para ver através das diferenças não é compartilhada por toda a humanidade, que ainda percorrerá um longo caminho antes de superar suas diferenças internas e, a longo prazo, as diferenças mais marcantes entre humanos e extraterrestres.</p>
<p><strong>A obra aborda</strong></p>
<ul>
<li>a busca pela realização dos sonhos,</li>
<li>amizade,</li>
<li>aprendizado mútuo,</li>
<li>amadurecimento,</li>
<li>tolerância e</li>
<li>pacifismo.</li>
</ul>
<h3><em>Inimigo Meu (Enemy Mine)</em></h3>
<p><strong><img class="alignright size-full wp-image-3673" title="Inimigo Meu" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/s_48637_0089092_d4439697.jpg" alt="Inimigo Meu" width="200" height="282" />Direção:</strong> Wolfgang Petersen</p>
<p><strong>País:</strong> Alemanha e Estados Unidos</p>
<p><strong>Ano:</strong> 1985</p>
<p>Willis Davidge é um piloto de caça espacial terráqueo que luta contra os dracs, uma espécie alienígena em guerra contra a Terra, pela reivindicação de uma região da galáxia.</p>
<p>Durante uma batalha, Davidge se perde num planeta inóspito. Perto de onde sua nave caiu, também naufragou um piloto drac, chamado Jeriba Shigan. Após a tentativa mútua de assassinato, ambos percebem que precisarão um do outro para sobreviver nesse planeta selvagem, e &#8220;Jerry&#8221;, apelido que Davidge dá ao drac, aprisiona o humano para evitar que este o mate.</p>
<p>Numa busca pelo ambiente que os rodeia, os dois vão aos poucos encontrando alimento e formas de se proteger das intempéries da natureza local, mas, apesar de cooperarem, eles ainda se veem como rivais e inimigos de guerra.</p>
<p>Certa vez, quando buscava alimento, Davidge foi capturado por um predador, uma criatura que se escondia embaixo da terra e que agarrava suas presas com um tentáculo. Ela segurou Davidge pela perna e o puxou para baixo. Ele só se salvou graças a &#8220;Jerry&#8221;, que matou o animal (numa cena que lembra Han Solo salvando Lando Calrissian do Sarlacc).</p>
<p>A partir daí Davidge passa a cooperar mais com &#8220;Jerry&#8221;, e eles passam a se aproximar mais. Constroem juntos um abrigo contra as tempestades de pedra e fogo e começam a se conhecer melhor.</p>
<p>Com o tempo, eles aprendem o idioma um do outro e compartilham suas respectivas culturas. Seu relacionamento se aprofunda até o ponto de se tornarem amigos. O drac, através da leitura de um livro considerado sagrado por seu povo, entende que o conflito entre eles deve cessar. Ao iniciar Davidge nos ensinamentos de sua cultura, &#8220;Jerry&#8221; consegue fazer seu amigo entender melhor os dracs, enquanto ele passa a compreender melhor os humanos.</p>
<p>&#8220;Jerry&#8221; fica grávido (pois os dracs são hermafroditas e concebem seus filhos sem relações sexuais) e passa a se comportar como uma mulher. Davidge encara o desafio de cuidar de seu amigo e de criar seu filho, pois &#8220;Jerry&#8221; morre no parto.</p>
<p>Zammis, filho de Jeriba, é criado por Davidge, e cresce bem mais rápido do que um humano. O garoto começa a perceber as diferenças entre ele e seu &#8220;tio&#8221;, estranhando que sua ascendência (com um só progenitor) seja diversa da de Davidge (que teve um pai e uma mãe).</p>
<p>O jovem drac é raptado por mineradores humanos, que escravizam os de sua espécie para o trabalho braçal. Ao tentar salvá-lo, Davidge é resgatado por uma nave militar humana, que o leva para uma estação. Desmaiado, ele balbucia frases na língua dos dracs, o que os médicos e os soldados da estação estranham. Depois de acordar, Davidge encontra um meio de escapar e resgatar Zammis.</p>
<p>Após todos esses acontecimentos, a paz entre os dois povos é finalmente alcançada, e Davidge leva Zammis para o planeta dos dracs. No devido tempo, Zammis dá à luz a uma criança que batizou de Davidge, inserindo em sua descendência um nome humano.</p>
<p>A experiência dos dois antagonistas os levou da inimizade cega, passando pela necessidade de sobreviver juntos, até uma profunda amizade. Se no início eles consideravam um ao outro &#8220;feios&#8221; (cada um deles nunca havia visto um indivíduo da espécie do outro), Davidge aprendeu a achar Zammis uma bela criança. A biologia e a sexualidade das duas espécies (uma assexuada e outra bissexuada) é compreendida apesar do exotismo mútuo. Ambos aprendem a respeitar a cultura um do outro, o que lhes permite aprender um com o outro.</p>
<p>Se no início Davidge estava disposto a matar Jeriba, ao final arriscou a própria vida para salvar Zammis. A irracionalidade da guerra impedia que os antagonistas se conhecessem e alimentava fortes preconceitos e uma espécie de racismo que os opunha de maneira cega. Ao se conhecerem e se tornarem grandes amigos, eles provam que as diferenças superficiais (espécie, planeta de origem, cultura) são irrelevantes quando percebemos que temos em comum algo mais fundamental, e podemos nos relacionar de maneira significativa com qualquer pessoa do Universo. Como me disse um <a href="http://teianeuronial.com/da-amizade-parte-2/" target="_self">amigo</a>, resumindo bem o filme:</p>
<blockquote><p>Como criança, achei a ideia de dois inimigos mortais se conhecerem e se tornarem amigos muito bonita,  superarem diferenças que na verdade nem eles entendiam bem.</p></blockquote>
<p><strong>A obra aborda</strong></p>
<ul>
<li>preconceito,</li>
<li>cooperação,</li>
<li>relativismo cultural,</li>
<li>respeito,</li>
<li>amizade e</li>
<li>pacifismo.</li>
</ul>
<h3>Para adquirir os filmes</h3>
<ul>
<li><em><a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1568788/e-t-o-extraterrestre-dvd4/?ID=BB3C48E37DA081A0D270B0995" target="_blank">E.T.: O Extraterrestre</a></em></li>
<li><em><a href="http://www.cdpoint.com.br/DVD/VIAGEM-AO-MUNDO-DOS-SONHOS---EXPLORERS-1985-VIAGEM-AO-MUNDO-DOS-SONHOS---EXPLORERS-1985+++7890552008615-2-2-N.html" target="_blank">Viagem ao Mundo dos Sonhos</a></em></li>
<li><em><a href="http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/122324/inimigo-meu-dvd4/?ID=BB3C48E37DA081A0D270B0995" target="_blank">Inimigo Meu</a></em></li>
</ul>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-31160"></div></div>]]></content:encoded>
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