ou Se uma bola tivesse braços…
Os episódios da infância de um indivíduo podem nos trazer muitos bons insights sobre o desenvolvimento do senso de ética e de convivência social. Vemos nesses episódios, por exemplo, como as atividades sociais e a reação de outras pessoas vão moldando os valores e códigos de conduta desde muito cedo na vida, o que certamente terá implicações na vida adulta.
Reproduzo abaixo uma crônica escrita por minha esposa, Inês Mota, intitulada Mea Culpa e publicado em seu blog ObjetOObscuro. Ela trata de um evento recente encenado por seu neto, Paulinho, em que se discutiram noções de culpa e responsabilidade, e que servirá para que, em seguida, eu teça alguns comentários sobre amadurecimento e ética, esta muitas vezes entendida como algo que emana de nossa “natureza humana”, mas que, sob um olhar sócio-antropológico mais detido, se revela construído nas relações sociais.

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ou O epitáfio como metáfora da cristalização do texto escrito
O texto, expressão escrita da língua — literário, ficcional, filosófico ou científico —, tem o caráter simbólico da morte. A inércia do texto o faz ter essa cara de epitáfio, que simboliza o signo do qual só se tem a lembrança, evocada em cada leitura, como o morto evocado na memória inscrita na lápide.
O texto científico é conhecimento cristalizado, como a crisálida, letárgica, numa condição de quase morte, e que ressuscita como um ser feérico, quase etéreo como a ideia. A partir do momento em que publica seu texto, o cientista tem em mãos um fruto morto, obsoleto em relação ao conhecimento que está sempre mudando e se aperfeiçoando.

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ou O intercâmbio de culturas e a relação entre razão e emoção
Para I. M.
Como disse no post anterior [na verdade, no texto Star Wars vs. Star Trek], comecei há alguns dias a ver a série clássica de Jornada nas Estrelas. Como é comum entre os trekkers, elegi, por várias razões, o Sr. Spock como personagem favorito. Não costumo fazer esse tipo de escolha, mas às vezes aparecem tipos que me chamam muita atenção.
Spock me pareceu interessante por ser um alienígena trabalhando com humanos, ou seja, por ser um “estranho no ninho”. Mas ele é mais complexo ainda, porque não é completamente vulcano como seu pai, mas tem características humanas (mesmo que sejam muito sutis e só apareçam esporadicamente), que herdou de sua mãe terráquea. Ou seja, ele é um híbrido, o melhor meio de se estabelecer uma relação entre dois povos.

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“Mestre, qual é meu maior defeito?”
Numa cena de Matrix, o Oráculo diz a Neo que ele não se preocupe com o vaso que vai quebrar. Num gesto de surpresa, “Que vaso?”, ela bate o braço e faz um vaso cair no chão.
Paradoxos podem causar vertigens. Mas são ótimos exercícios mentais: “Eu sempre minto”. Se isso é verdade, então o que eu acabei de dizer é mentira. Se é mentira, então confirmo o que eu tinha dito, ou seja, era verdade. Mas, se era verdade…

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