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Arquivos de ‘Ensaios’

Cotas raciais – parte 1

17/03/2010

ou Crônicas de uma guerra discursiva

O Brasil está num impasse. A depender do resultado de discussões e votos nas instâncias governamentais brasileiras, poderemos ter mudanças radicais na forma como encaramos nossa identidade nacional, étnica, racial e cultural. Isso por que estamos às voltas de uma difícil polêmica sobre a proposta de se implementar as cotas raciais nas universidades do Brasil.

A recente audiência no Supremo Tribunal Federal trouxe à baila um discurso controverso, proferido pelo senador Demóstenes Torres, em que defende as cotas sociais (voltadas aos pobres de qualquer identidade racial) temporárias e em que fez duas afirmações armadas de dinamite: que a escravidão foi corresponsabilidade dos africanos; e que as relações sexuais entre senhores brancos e escravas pretas foi mais consensual do que se pensa. A dinamite explodiu em todos os lados…

Trecho do quadro Operários, de Tarsila do Amaral

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Avatar [Resenha - Parte 3]

20/02/2010

ou Ficção mítica, fantasia científica e o romântico retorno à natureza

Avatar (2009) é um filme que, se dividiu muita gente na opinião quanto à trama e aos temas tratados na narrativa, encantou a maioria em seus aspectos estéticos. Toda a criação virtual deu um aspecto muito real ao mundo imaginário de Pandora, com fauna e flora críveis e um ecossistema simbiótico envolvente.

Na primeira parte desta resenha, fiz um resumo comentado do filme e discorri sobre os nomes usados na história. Na segunda parte, analisei algumas questões antropológicas. Nesta terceira e última parte, trato dos aspectos estéticos de Avatar, do mundo áudio-visual criado por Cameron, da ficção científica misturada com fantasia mítica (e um pouco mística) e de como tudo isso se relaciona com um dos temas mais contundentes do filme: Ecologia e meio ambiente.

Avatar (2009)

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Avatar [Resenha - Parte 2]

1/02/2010

ou Questões antropológicas em Alfa Centauro

O filme Avatar (2009), de James Cameron, apesar de sua trama simples e previsível, apresenta muitos temas relevantes para a humanidade do século XXI. Com uma montagem de cenas perfeita e imagens arrebatadoramente belas e envolventes, consegue sensibilizar para muitas questões pertinentes.

Na primeira parte desta resenha, fiz uma sinopse comentada e uma análise dos nomes de lugares e personagens da trama. Nesta segunda parte, discorrerei sobre temas antropológicos: observação participante, choque cultural, etnocentrismo, relativismo, imperialismo; e, imiscuídas nestes tópicos, questões filosóficas: ética e universalismo.

Avatar (2009)

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Avatar [Resenha - Parte 1]

25/01/2010

ou Um resumo comentado e uma terminologia simbólica

Avatar (2009), de James Cameron, era um filme cujos trailer e pré-resenhas me deixaram com um pouco de vontade de assistir. Não havia entendido bem a ideia, mas gostara do visual dos personagens alienígenas, esbeltos e azuis, e dos cenários selváticos da lua Pandora.

Mas foi depois de ver algumas pós-resenhas que realmente me motivei a ir ao cinema. Havia, segundo li, uma questão antropológica de grande interesse meu. Antevi uma semelhança com Dança com Lobos (1990), mas, tendo em mente que eu veria clichês e uma trama mais ou menos previsível, preparei-me para as novidades que o filme oferecesse. Ademais, histórias com alienígenas são uma preferência pessoal.

Avatar (2009)

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Distrito 9 [Resenha]

13/01/2010

ou Na pele do camarão

Imagine uma gigantesca nave espacial parada no ar sobre sua cidade. Nada sai lá de dentro durante algum tempo e não sabemos o que a nave trouxe. As Forças Armadas, após algum período de ansiedade geral, decide penetrar a nave e descobre uma população alienígena, com uma aparência mais ou menos de artrópodes bípedes, desnutrida e desamparada.

O que seria mais adequado fazermos com esses extraterrestres que pedem asilo na Terra? Onde devemos alocá-los? O que podemos lhes oferecer? O que eles podem nos dar em troca? Devemos integrá-los à nossa sociedade? Devemos tratá-los como humanos, como não-humanos com alma ou como animais sem alma (animais sem alma, agora eu me toco, é uma contradição; alma vem do latim: anima)?

Distrito 9

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Racismo no Rio Grande do Norte

7/01/2010

ou Algumas situações reais de discriminação potiguar

Para visitantes de alguns outros lugares do Brasil, o Rio Grande do Norte parece um estado branco, caucasiano. A um colega de trabalho nascido na Bahia, Natal aparentou ter muito poucos negros. De fato, indivíduos de pele escura chamam atenção na região metropolitana, por serem raros. Luís da Câmara Cascudo, clássico historiador norte-rio-grandense, já afirmou em uma de suas obras que o Rio Grande do Norte se caracteriza por uma herança cultural lusitana, com quase nenhuma influência africana ou indígena.

Entretanto, uma incursão pela parte mais pobre da metrópole e pelo interior do estado revela uma discrepância com essa afirmação cascudiana. Na realidade, a negação racista de Cascudo se reflete numa situação de desprezo pela população cujo fenótipo é discriminado, menosprezado, vilipendiado e tem a existência obscurecida, como se fossem fantasmas estrangeiros indesejados que se tentam ignorar.

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Babies

26/12/2009

ou Uma oportunidade para insights sobre igualdade e diferença

Está previsto para estrear em 2010 o filme Babies (Bebês), um documentário dirigido por Thomas Balmes, não muito conhecido, mas suspeito que esteja prestes a dar uma (no mínimo pequena) guinada em sua carreira cinematográfica com esse que promete ser um belo filme e que já está fazendo algum sucesso na internet.

A premissa do filme é simples e muito interessante: acompanhar o desenvolvimento de quatro bebês recém-nascidos, desde o nascimento até o primeiro aniversário; cada criança nasce e vive num lugar diferente da Terra: Ponijao é de Opuwo, na Namíbia; Mari é de Tóquio, Japão; Bayar é de Bayanchandmani, Mongólia; e Hattie é de San Francisco, EUA.

Babies

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Da onipotência

13/12/2009

ou É melhor ser temido do que amado

As conversas sobre religião cristã ou sobre crenças religiosas do Cristianismo podem revelar muitas das contradições e preconceitos inerentes aos discursos teístas, notadamente quando os envolvidos na conversa são evangélicos. Não porque sejam pessoas mais preconceituosas ou contraditórias, mas, talvez, porque as religiões evangélicas, herdeiras de Lutero, encorajam os crentes a elaborar suas convicções (os católicos se contentam mais com um discurso instituído).

Tomem como exemplo o diálogo abaixo, que parafraseio por não ter podido gravá-lo, mas que reproduz a maior parte das ideias expressas pelos interlocutores. As duas personagens são colegas de trabalho que se encontravam na mesma sala que eu no momento da conversa. Eu apenas ouvi e não participei.

Da onipotência

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Autor: Thiago Leite Categories: Crônicas, Ensaios, Religião

Mind tricks

2/11/2009

ou Há limites para a mente?

O site akinator.com é divertido. O gênio da lâmpada Akinator vai lhe perguntar sobre o personagem (real ou fictício) em que você está pensando. De acordo com suas respostas, ele tentará adivinhar. Até hoje, ele errou poucos dos meus palpites e dos de outras pessoas a quem mostrei o site.

Com o tempo você vai percebendo que as perguntas são colocadas de modo inteligente, e suas respostas vão eliminando as possibilidades no banco de dados do site, até que só sobra uma resposta certa. Às vezes pode haver mais de uma resposta no final (já que o número de perguntas é limitado), e o programa deve buscar a mais popular das respostas possíveis, propiciando um possível erro.

Akinator

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Autor: Thiago Leite Categories: Ensaios, Internet stuff

Tabu

29/10/2009

ou É Proibido Duvidar

Há assuntos que o bom senso nos faz evitar a muito custo. Por mais convicção que tenhamos em relação a um assunto, quando tal convicção se opõe à opinião (pública), ao que a maioria acredita ser verdade, temos receio de colocá-la em questão, especialmente diante de pessoas que defendem de modo aguerrido essa opinião pública. Um exemplo clássico (que se trata de minha exeriência pessoal) é falar sobre religião e Deus.

Não é nada fácil ser agnóstico e muito menos ser ateu numa cultura em que predomina o monoteísmo cristão. Dizer que não se tem certeza se existe um deus ou Deus é convidar os teístas mais fanáticos a nos dar um sermão. Afirmar que Deus não existe é despertar pena ou ganhar a desconfiança de algumas pessoas.

O nascimento de Deus

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Autor: Thiago Leite Categories: Ensaios, Religião
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