ou É melhor ser temido do que amado
As conversas sobre religião cristã ou sobre crenças religiosas do Cristianismo podem revelar muitas das contradições e preconceitos inerentes aos discursos teístas, notadamente quando os envolvidos na conversa são evangélicos. Não porque sejam pessoas mais preconceituosas ou contraditórias, mas, talvez, porque as religiões evangélicas, herdeiras de Lutero, encorajam os crentes a elaborar suas convicções (os católicos se contentam mais com um discurso instituído).
Tomem como exemplo o diálogo abaixo, que parafraseio por não ter podido gravá-lo, mas que reproduz a maior parte das ideias expressas pelos interlocutores. As duas personagens são colegas de trabalho que se encontravam na mesma sala que eu no momento da conversa. Eu apenas ouvi e não participei.

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ou É Proibido Duvidar
Há assuntos que o bom senso nos faz evitar a muito custo. Por mais convicção que tenhamos em relação a um assunto, quando tal convicção se opõe à opinião (pública), ao que a maioria acredita ser verdade, temos receio de colocá-la em questão, especialmente diante de pessoas que defendem de modo aguerrido essa opinião pública. Um exemplo clássico (que se trata de minha exeriência pessoal) é falar sobre religião e Deus.
Não é nada fácil ser agnóstico e muito menos ser ateu numa cultura em que predomina o monoteísmo cristão. Dizer que não se tem certeza se existe um deus ou Deus é convidar os teístas mais fanáticos a nos dar um sermão. Afirmar que Deus não existe é despertar pena ou ganhar a desconfiança de algumas pessoas.

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ou O clube dos salvos
A matéria da CartaCapital sobre o paraíso (!) fiscal protegido pelo Vaticano me levou a pensar: quando é que as religiões não servem para manter o status quo? As religiões imperialistas, como é o caso do Cristianismo em suas várias formas, são estruturas bem fundadas de dominação e poder.
As religiões são como clubes a cujos admitidos se reservam privilégios. Quando Homer Simpson percebeu que alguns de seus amigos tinham regalias que ele não tinha, não descansou até descobrir que bastava fazer parte dos Lapidários (uma sátira da Maçonaria) para mudar de vida.

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