Arquivos

‘Filmes’

Melancolia

Melancolia

O mundo acaba em nós



Do Museu de Tudo – Não hesito em dizer que o dinamarquês Lars Von Trier é um dos melhores e mais interessantes diretores de cinema dos últimos anos. Mesmo tendo a fama de diretor cruel e detestado por seus atores, tendo feito e dito coisas – muitas vezes – deploráveis, cinematograficamente Von Trier é dos mais criativos e interessantes diretores e roteiristas de hoje. Em Melancolia, ele reafirma suas qualidades e se resigna do quase intragável O Anticristo, marca negativa em sua carreira – ainda que o filme tenha aspectos cinematográficos e semióticos muito bem construídos.

Melancolia é um filme sobre o fim do mundo, um filme-catástrofe, no entanto não se trata de “mais um” filme sobre o fim dos tempos. Diferentemente de coisas como O Dia Depois de Amanhã ou o remake de Guerra dos Mundos, o cinema-catástrofe de Von Trier é profundo e foge do lugar comum.

Desfie o resto deste texto...

Autor: Categories: Filmes, Resenhas

Anticristo

Anticristo

Misoginia e uma crítica ao Cristianismo



De Anticristo (Antichrist, 2009), de Lars von Trier, se diz que é um filme de terror. Não gosto de classificar os filmes em gêneros, “comédia”, “ação”, “ficção científica”. Isso sempre empobrece a apreciação da originalidade de uma obra. Felizmente, Anticristo é tão sui generis que se torna um bom exemplo da impossibilidade de se reduzir uma obra original a um rótulo.

A história é no geral um drama, com elementos de tragédia e, certamente, de terror. O tema principal é a face maléfica do feminino e a misoginia. Mas, se há mérito pela originalidade artística e pela abordagem ao tema, também se pode dizer que a obra como um todo é um exagero de grotesquidão, e a impressão que fica no final é: “o que diabos esse filme diz?”

Desfie o resto deste texto...

Autor: Categories: Filmes, Resenhas

Planeta dos Macacos (2001)

Planeta dos Macacos (2001)

Paráfrase símia



Antes da homenagem e prequência prestada por Rupert Wyatt (Planeta dos Macacos: A Origem), Tim Burton lançara em 2001 sua versão heterogênea de Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 2001), ignorando quase totalmente a cronologia dos filmes originais iniciados por Franklin Schaffner em 1968 (O Planeta dos Macacos), mas amarrando (um tanto frouxamente) certos pontos para deixar a história parecida com a do antigo filme homônimo.

O filme de Burton não merece uma resenha prolongada. Ele é muito mais uma simples homenagem do que um bom filme (aliás, não é um filme muito bom). Assim, para quem conhece a quintilogia, as referências vão fazer soar o lado nerd dos fãs, mas nada que torne a homenagem digna de uma nota alta. Porém, ele vale a pena ser visto por outros motivos, como se verá a seguir.

Desfie o resto deste texto...

Planeta dos Macacos: A Origem

Planeta dos Macacos: A Origem

Homenagem símia



O cinema contemporâneo vem sendo marcado pelo fenômeno das refilmagens, prequências, reboots e similares. A crise de criatividade em Hollywood chega ao ponto de vermos obras semelhantes aparecerem num intervalo de poucos anos. É o caso de Homem-Aranha (2002 e 2012)), Hulk (2003 e 2008) e Planeta dos Macacos (2001 e 2011). Estes últimos têm o agravante de já serem ambos homenagens ao mesmo filme de 1968.

E, acima de tudo, muito mais do que uma grande obra de arte, Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes, 2011) é uma grande homenagem ao legado cinematográfico iniciado por Franklin J. Schaffner com seu O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968), este já uma adaptação do livro homônimo de Pierre Boulle (La Planète des Singes, 1963)

Desfie o resto deste texto...

Autor: Categories: Filmes, Resenhas

Babies – Resenha

Babies - Resenha

Uma oportunidade para insights sobre igualdade e diferença



Babies (2010), filme dirigido por Thomas Balmès, é um documentário que testemunha, sem narração, o 1º ano de vida de quatro pequenos seres humanos, cada um de uma parte distinta da Terra. Ponijao é um menino namibiano, Mari é uma menina japonesa, Bayar é um menino mongólico e Hattie é uma menina norte-americana.

Acompanhamos diversos momentos da vida das pequenas crianças, desde o nascimento, passando pelas primeiras palavras até os primeiros passos. Os quatro bebês comovem o espectador, como é comum com adultos contemplando infantes dessa tamanho e idade. O cineasta escolhe momentos pitorescos e os encaixa com cenas que mostram especificidades culturais, de hábitos e costumes.

Desfie o resto deste texto...

Autor: Categories: Antropologia, Filmes, Resenhas

Matrix

Matrix

Realidade, ilusão, ciência – Reloaded



Meu nome é Morpheus. Alguns insistem em fazer analogias associando meu nome à figura do pregador João Batista, mas isso não tem o menor fundamento, acreditem. A nave na qual viajo se chama Nabucodonosor, porque certa vez sonhei com a destruição de Jerusalém, embora até hoje não saiba o que isso quer dizer. O onirismo às vezes nos prega dessas peças.

Venho em missão secreta, do centro quente da terra de Sião, a última cidade dos seres livres. Sou o visionário que lutará para libertar a humanidade do domínio das máquinas. Embora plasmado em imagem masculina, advirto que sou mulher mesmo e só usei a indumentária na película porque estava vindo de uma dessas modernas e ridículas festas temáticas para adultos.

Desfie o resto deste texto...

Filmes para crianças – parte 2

Filmes para crianças - parte 2

Contatos imediatos no ensino do 1º grau



As histórias sobre extraterrestres são ótimas oportunidades para se refletir sobre diferença e igualdade. Nelas vemos metáforas das próprias diferenças entre os indivíduos e povos humanos e o desafio do convívio pacífico entre eles, além do aprendizado mútuo. Essas histórias são, assim, um meio de ampliar as perspectivas sobre o mundo e o universo, fazendo-nos refletir sobre o respeito à diferença e à possibilidade de nos considerarmos todos parte de um mesmo mundo.

Nesta segunda parte da série Filmes para crianças, abordarei três obras de ficção científica que tratam do contato entre seres alienígenas entre si, e de como esse contato é importante para mudar a maneira como vemos o outro. Para mim e para as pessoas que me ajudaram a escolher os itens desta lista, assistir a eles na infância foi um marco importante em nosso desenvolvimento como seres humanos e como consciências universalistas.

Desfie o resto deste texto...

Dersu Uzala – Resenha

Dersu Uzala

Ética, amizade e choque cultural



Dersu Uzala (1975) é um filme dirigido por Akira Kurosawa, que se inspirou num livro homônimo, escrito por Vladimir Arseniev. Este narrou em sua obra o encontro real com a figura do caçador Dersu Uzala, habitante solitário da floresta, pertencente à etnia nanai (referida no filme como goldi, que é como os russos os chamavam), que serviu a Arseniev e a seus soldados como guia numa expedição topográfica por uma região da Sibéria.

Dersu surpreende seus companheiros russos com um profundo senso de ética, um fascinante conhecimento da floresta e a habilidade de rastrear qualquer coisa através de sinais. O caçador desenvolve uma significativa amizade com Arseniev, que ele se acostumou a chamar de “Capitão”, o que leva a um cuidado especial por parte de cada um deles para com o outro.

Desfie o resto deste texto...

Autor: Categories: Antropologia, Filmes, Resenhas

My fair lady (1964) – Resenha

My fair lady (1964) – Resenha

ou Parla!



My Fair Lady (1964), filme dirigido por George Cukor e estrelado por Audrey Hepburn e Rex Harrison, é uma história baseada na peça Pigmalião (Pygmalion), de George Bernard Shaw, publicada em 1912. Entre a peça e o filme de 1964, há um filme de 1938, que influenciou a obra de Cukor, e um musical, que a inspirou largamente, de modo que ofilme de que aqui se trata tem vários trechos com músicas vindas do musical.

Henry Higgins é um estudioso da Fonética, capaz de identificar a origem de uma pesso através de sua fala, um homem preocupado com o bem falar da língua inglesa, crítico das formas consideradas por ele como degeneradas do inglês autêntico . Ele considera, por exemplo, que a pronúncia cockney da florista Eliza Dootlittle, característica da camada pobre da população de Londres, é uma afronta ao idioma de Shakespeare. Ele é desafiado a ensiná-la a falar como uma dama da nobreza e a se passar por uma duquesa num evento da alta sociedade.

Desfie o resto deste texto...

Autor: Categories: Antropologia, Filmes, Resenhas

Filmes para crianças – parte 1

ou Usando a fantasia para crescer na realidade



Há algum tempo, recebi uma sugestão da leitora Roseana da Penha Oliveira de apresentar sugestões de filmes para ser usados em sala de aula, para um público infanto-juvenil, crianças e adolescentes, e resolvi pensar numa relação de obras cinematográficas que foram importantes para minha infância, adolescência e mesmo adultidade, que possam servir para instigar a mente de estudantes jovens.

Este post é direcionado especialmente para adultos que estejam buscando filmes para seus filhos, sobrinhos, netos, filhos de amigos etc., e pretendo que seja encarado como um miniguia. As crianças e adolescentes que se sentirem à vontade para ler as resenhas (de preferência depois de ter visto os filmes, para não estragar a surpresa), estão convidados à leitura e a comentar, se quiserem.

Filmes para crianças - parte 1

Desfie o resto deste texto...

Autor: Categories: Filmes, Resenhas
Green Web Hosting! This site hosted by DreamHost. Use Firefox title=