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	<title>Teia Neuronial &#187; Filmes</title>
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	<description>Antropologia, Ficção Científica, cultura e sociedade</description>
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		<title>Filmes para crianças &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 17:06:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<category><![CDATA[A História sem Fim]]></category>
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		<description><![CDATA[ou Usando a fantasia para crescer na realidade Há algum tempo, recebi uma sugestão da leitora Roseana da Penha Oliveira de apresentar sugestões de filmes para ser usados em sala de aula, para um público infanto-juvenil, crianças e adolescentes, e resolvi pensar numa relação de obras cinematográficas que foram importantes para minha infância, adolescência e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>Usando a fantasia para crescer na realidade</strong></p>
<p>Há algum tempo, recebi uma sugestão da leitora <a href="http://teianeuronial.com/caixa-de-sugestoes/#comment-1234" target="_self">Roseana da Penha Oliveira</a> de apresentar sugestões de filmes para ser usados em sala de aula, para um público infanto-juvenil, crianças e adolescentes, e resolvi pensar numa relação de obras cinematográficas que foram importantes para minha infância, adolescência e mesmo adultidade, que possam servir para instigar a mente de estudantes jovens.</p>
<p>Este post é direcionado especialmente para adultos que estejam buscando filmes para seus filhos, sobrinhos, netos, filhos de amigos etc., e pretendo que seja encarado como um miniguia. As crianças e adolescentes que se sentirem à vontade para ler as resenhas (de preferência depois de ter visto os filmes, para não estragar a surpresa), estão convidados à leitura e a comentar, se quiserem.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3086" title="A Viagem de Chihiro" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/chihirobanner.jpg" alt="A Viagem de Chihiro" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-3061"></span>Nessa primeira parte, abordarei alguns filmes de fantasia, que levam o espectador a um outro mundo distante e diferente, de modo a seduzi-lo e levá-lo a pensar em situações de sua própria realidade. A alegoria fantástica serve para refletirmos sobre o mundo real.</p>
<p>A título de esclarecimento, não considero que estes filmes sejam exclusivamente para crianças e/ou adolescentes. Eles são uma boa diversão para os adultos despojados do preconceito de que há uma barreira inquebrável entre filmes &#8220;maduros&#8221; e &#8220;infantis&#8221;. Aliás, sugiro que os filmes sejam vistos pelas crianças na companhia do adulto responsável. Isso torna a experiência ainda melhor.</p>
<p>Agradeço a colaboração de <strong>Rúbio Medeiros</strong> e <strong>Betânia Monteiro</strong> na elaboração deste texto. Seus insights e sugestões sobre os filmes foram imprescindíveis para tornar estas resenhas mais significativas.</p>
<p>Finalmente, dedico a série de posts <em><strong>Filmes para Crianças</strong></em> aos seguintes infantes (em ordem decrescente de idade): Diego Leite, já não tão infante, irmão com quem compartilhei alguns filmes na tenra idade; Naninha Leite, irmã mais nova, a quem acompanhei na apreciação de algumas obras cinematográficas significativas; Arthur Medeiros e Brunna Monteiro, filhos de amigos, cinéfilos que me ajudam a corroborar a qualidade de alguns filmes; e Paulinho Mota, &#8220;neto-enteado&#8221;, pequenino cuja trajetória na cinefilia tenho observado de perto.</p>
<h3><em>Em Busca do Vale Encantado (The Land Before Time)</em></h3>
<p><strong><img class="alignright size-full wp-image-3072" title="Em Busca do Vale Encantado" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/valeencantado.jpg" alt="Em Busca do Vale Encantado" width="200" height="289" />Direção:</strong> Don Bluth</p>
<p><strong>País de origem:</strong> Estados Unidos</p>
<p><strong>Ano:</strong> 1988</p>
<p>Littlefoot (Pé Pequeno) é um um filhote de dinossauro pescoçudo (apatossauro), nascido durante uma grande escassez de alimento, quando diversas manadas de várias espécies de dinossauros empreendenram uma marcha conjunta em busca de um mítico lugar chamado Vale Encantado.</p>
<p>Ele aprende desde cedo que as espécies não se misturam, e é proibido de brincar com Saura, uma filhote de tricorne (tricerátops). No entanto, a caminhada é tragicamente afetada por um choque de placas tectônicas, que separa vários filhotes de suas famílias.</p>
<p>Littlefoot assiste à morte de sua mãe, ferida numa luta contra um tiranossauro, e se encontra sozinho, desolado e desamparado. No entanto, o encontro com outros filhotes perdidos o reanima a continuar a busca pelo Vale Encantado. Ele se junta a Saura, Patassaura (uma saurolofo), Petrúcio (um pteranodonte) e Espora (um bebê estegossauro) para formar uma pequena manada mista em busca do destino antes almejado por seus pais. Eles contrariam assim a sabedoria aprendida dos dinossauros adultos de que as espécies diferentes não fazem nada juntas.</p>
<p>Apenas quando trabalham juntos, os pequenos dinossauros conseguem vencer o tiranossauro e encontrar o Vale Encantado, onde todos se reúnem a suas famílias novamente.</p>
<p>Os pequenos dinossauros são muito bem representados e agem como crianças verossímeis, com sua curiosidade, distração, conflito com a geração dos pais, solidão e necessidade do outro, frustração,  impotência, ressentimentos, culpa e perdão. Fica muito fácil se identificar com qualquer um deles e aprender com sua experiência, mesmo que fictícia.</p>
<p>Esse filme inspira o universalismo ao propor que as barreiras identitárias (de espécie, de raça, de nacionalidade, de gênero) sejam rompidas em prol de um bem maior, que abranja a todos os envolvidos. A amizade é mostrada como um valor que transcende essas pequenas diferenças.</p>
<p><strong>A obra aborda</strong></p>
<ul>
<li>autossuperação,</li>
<li>tolerância,</li>
<li>perdão,</li>
<li>amizade,</li>
<li>cooperação e</li>
<li>perseverança.</li>
</ul>
<p><strong> </strong></p>
<h3><em>A Viagem de Chihiro (千と千尋の神隠し Sen to Chihiro no Kamikakushi)</em></h3>
<p><strong><img class="alignright size-full wp-image-3075" title="A Viagem de Chihiro" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/chihiro.jpg" alt="A Viagem de Chihiro" width="200" height="284" />Direção:</strong> Hayao Miyazaki</p>
<p><strong>País de origem:</strong> Japão</p>
<p><strong>Ano:</strong> 2001</p>
<p>Chihiro é uma garota mimada, sempre reclamando das vicissitudes de sua vida. Enquanto viaja com seus pais para um novo domicílio em outra cidade, eles descobrem a entrada de um estranho santuário que mais parece um parque de diversões temático abandonado.</p>
<p>Os pais de Chihiro entram num restaurante aparentemente deserto e se sentam a uma mesa servida com farta comida, refestelando-se à vontade até se transformarem em porcos. À medida que anoitece, Chihiro vê espíritos (kami) aparecer por toda parte e os diversos prédios começarem a funcionar, como se o dia estivesse amanhecendo para os deuses e entidades que ali habitam.</p>
<p>Ela recebe ajuda de alguns dos espíritos da casa de banhos da bruxa Yubaba, entre eles Kamaji, um velho que aquece as caldeiras das banheiras, Lin, uma mulher que trabalha na limpeza da casa, e Haku, um menino-dragão, aprendiz de Yubaba. Com essa ajuda, ela começa a trabalhar na casa de banhos, tendo seu nome aprisionado por Yubaba e passando a se chamar Sen. Muito atrapalhada, ela se envolve em vários problemas que vai tentando resolver no decorrer de sua trajetória.</p>
<p>Seu primeiro grande êxito é limpar um deus-rio, que está tão poluído com lixo que é confundido de início com um espírito do mau cheiro. Ela percebe isso e consegue, com a ajuda dos outros empregados e da própria Yubaba, &#8220;arrancar&#8221; toda a sujeira, revelando a face límpida do deus, que recompensa a todos com ouro.</p>
<p>O segundo desafio é enfrentar o Sem-Face, um espírito desamparado que, para chamar atenção de Chihiro, começa a oferecer ouro falso a todo mundo, e começa a engolir alguns dos empregados, tornando-se maior e mais poderoso. Ela consegue reverter tudo e levá-lo consigo para a casa de Zeniba, a irmã gêmea bondosa de Yubaba, junto com mais dois amigos, o bebê de Yubaba e uma ave espiã da bruxa.</p>
<p>Quase todos os personagens que vêm a ser seus amigos provocaram medo nela no primeiro contato, mas ela consegue enxergar o ponto de vista de cada um deles, compreendê-los e superar seu medo. A amizade que Chihiro constrói com todos esses personagens, Haku, Kamaji, Lin, Sem-Face, o bebê e a ave, é importante para que ela supere todos os desafios e finalmente consiga se libertar de Yubaba e ter seus pais de volta. Ao final, ela está bem mais madura do que a menina chata do início.</p>
<p><strong>A obra aborda</strong></p>
<ul>
<li>responsabilidade,</li>
<li>maturidade,</li>
<li>ecologia,</li>
<li>amizade e</li>
<li>superação do medo.</li>
</ul>
<p><strong> </strong></p>
<h3><em>A História sem Fim (The Neverending Story)</em></h3>
<p><img class="alignright size-full wp-image-3079" title="A História sem Fim" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/neverending.jpg" alt="A História sem Fim" width="200" height="277" /><strong>Direção:</strong> Wolfgang Petersen</p>
<p><strong>País de origem:</strong> Estados Unidos e Alemanha</p>
<p><strong>Ano:</strong> 1984</p>
<p>Baseado num livro alemão do autor Michael Ende, o filme conta a história de Bastian, um garoto que, para fugir dos colegas encrenqueiros e da angústia de ter perdido a mãe, se refugia na literatura fantástica. Certo dia, ele descobre na mesa de um livreiro um misterioso volume com o título <em>A História sem Fim,</em> e o &#8220;pega emprestado&#8221; para ler no porão da escola no horário da aula.</p>
<p>A história que Bastian lê passa para o primeiro plano, mostrando o poder da imaginação do menino e convidando o espectador a fazer o mesmo. É a história de um mundo mágico chamado Fantasia, cuja imperatriz, que é uma menina, está doente. Seu estado afeta todo o reino de Fantasia, e sua morte significaria o fim desse mundo. O responsável por essa situação é um monstro chamado Nada, que está aos poucos destruindo Fantasia.</p>
<p>A primeira cena mostra alguns personagens pitorescos, como um gigante de pedra amedrontador que se mostra bondoso e pacato e uma lesma que corre como um cavalo de corrida. Essas surpresas dão início a um tema recorrente na história: ninguém é o que parece à primeira vista.</p>
<p>O herói da história é Atreyu, um menino indígena guerreiro cuja missão é enfrentar o Nada. Ele empreende uma longa viagem em que conhece vários personagens que o ajudam no caminho. Sua pior vicissitude é a perda de seu amado cavalo. No entanto, ele encontra um dragão que passa a ser seu companheiro. Ao final, enfrenta o Nada, mas este termina por devorar toda a Fantasia.</p>
<p>Em alguns momentos da história, Bastian percebe que sua leitura interfere no andamento da narrativa. Quando enfim Fantasia é destruída, ele dá um nome à Imperatriz Menina, única forma de salvá-la a ao seu reino. Ele então se depara com ela e com a recém-restaurada Fantasia.</p>
<p>O Nada representa o crescente abandono da imaginação pela contemporaneidade, a racionalidade extrema que aos poucos a destrói. Ao mesmo tempo, ao se depararem com o fim de seu mundo, os habitantes de Fantasia mostram quão importante é zelar pelas coisas ao nosso redor.</p>
<p>O filme tem uma estrutura em camadas recorrentes. Em outras palavras, a criança que a ele assiste se identifica com Bastian, que por sua vez se identifica com o herói do livro que lê, Atreyu. Assim, o espectador experimenta sutilmente a identificação com diferentes aspectos de sua personalidade, alguns mais profundos do que outros.</p>
<p>Este filme é especialmente indicado para crianças que já começaram a ler, pois mostra a relação entre leitura, imaginação, especulação, reflexão, criação (Bastian é ao mesmo tempo leitor e autor da <em>História sem Fim)</em> e, enfim, o prazer da leitura.</p>
<p><strong>A obra aborda</strong></p>
<ul>
<li>preconceito,</li>
<li>bibliofilia,</li>
<li>imaginação,</li>
<li>destino,</li>
<li>missão de vida,</li>
<li>superação e</li>
<li>coragem.</li>
</ul>
<h3>Para adquirir os filmes</h3>
<ul>
<li><a href="http://www.videolar.com/produtoDVD.asp?ProductID=101819&amp;WT.srch=1" target="_blank"><em>Em Busca do Vale Encantado</em></a></li>
<li><em><a href="http://www.starcineshop.com.br/sistema/ListaProdutos.asp?IDLoja=3769&amp;origem=buscape&amp;IDProduto=1037879&amp;q=Dvd+A+Viagem+de+Chihiro&amp;1ST=1&amp;Y=4981730797693" target="_blank">A Viagem de Chihiro</a></em></li>
<li><a href="http://www.videolar.com/produtoDVD.asp?ProductID=063829&amp;WT.srch=1" target="_blank"><em>A História sem Fim</em></a></li>
</ul>
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		<title>Semelhanças entre Star Wars e Indiana Jones</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 17:03:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ou Fórmulas para criar grandes aventuras As duas obras cinematográficas mais bem-sucedidas de George Lucas são provavelmente as séries de filmes Guerra nas Estrelas e Indiana Jones. É notório entre os fãs de ambas as séries que há várias referências de Guerra&#8230; nos filmes de Indiana&#8230;, como a aparição de R2-D2 e C3P0 como hieróglifos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>Fórmulas para criar grandes aventuras</strong></p>
<p>As duas obras cinematográficas mais bem-sucedidas de George Lucas são provavelmente as séries de filmes <em>Guerra nas Estrelas</em> e <em>Indiana Jones.</em> É notório entre os fãs de ambas as séries que há várias referências de <em>Guerra&#8230;</em> nos filmes de <em>Indiana&#8230;,</em> como a aparição de R2-D2 e C3P0 como hieróglifos e o Clube Obi Wan.</p>
<p>Mas há várias semelhanças nas narrativas, nos personagens e nas cenas que podem não ter sido intencionais e provavelmente se tratam da marca do criador, elementos da imaginação de George Lucas que se repetem e dizem mais sobre o autor do que sobre a obra. Essas recorrências podem ainda nos dizer muito sobre os elementos indispensáveis para o sucesso e a longevidade de um filme de aventura.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1730" title="Guerra nas Estrelas e Indiana Jones" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/swindyilust.jpg" alt="Guerra nas Estrelas e Indiana Jones" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-1717"></span>Eis uma relação de algumas semelhanças entre as duas séries, bem como a provável razão porque estão presentes em filmes de aventura bem-sucedidos. Os filmes referenciados são:</p>
<ul>
<li><em>Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio IV: Uma Nova Esperança</em></li>
<li><em>Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio V: O Império Contra-ataca</em></li>
<li><em>Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio VI: O Retorno de Jedi</em></li>
<li><em>Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida</em></li>
<li><em>Indiana Jones e o Templo da Perdição</em></li>
<li><em>Indiana Jones e a Última Cruzada</em></li>
</ul>
<h3>Harrison Ford</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1735" title="Han Solo e Indiana Jones" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/hanindyford.jpg" alt="Han Solo e Indiana Jones" width="600" height="200" /></p>
<p>George Lucas escolheu Harrison Ford tanto para o papel de Han Solo, um dos coadjuvantes mais importantes  em <em>Guerra nas Estrelas,</em> e para Indiana Jones, o protagonista dos filmes homônimos.</p>
<p>Tanto Han Solo quanto Indiana Jones são epítomes do arquétipo do aventureiro, e Ford incorpora muito bem o intrépido viajante em busca de tesouros e aventura.</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> Harrison Ford consegue interpretar um personagem ao mesmo tempo audacioso e extremamente fleumático, que enfrenta as situações mais tensas sem hesitar. Grande parte dos homens se identificacom um ideal de masculinidade e muitas mulheres se encantam. E o intrépido viajante que há dentro de todos nós encontra uma ressonância.</p>
<h3>Troca de tiros num bar</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1736" title="Han enfrenta Greedo e Indiana enfrenta Lao" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/hanindybar.jpg" alt="Han enfrenta Greedo e Indiana enfrenta Lao" width="600" height="150" /></p>
<p>Na primeira aparição de Han Solo em <em>Guerra nas Estrelas,</em> ele topa com o caçador de recompensas Greedo e é obrigado a se sentar numa das mesas da cantina de Mos Eisley e trocar uma rápida sucessão de tiros.</p>
<p>Na primeira cena de <em>O Templo da Perdição,</em> Indiana está num restaurante em Xangai, em busca de um diamante. Sentado à mesa do chinês Lao e seus dois capangas, há um tenso trecho em que um amigo de Indiana aponta uma arma escondida, ameaçando os chineses. Em seguida, o barulho de garrafas de champanhe se abrindo abafa o tiro que mata o assistente de Indiana.</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> Essas cenas criam uma tensão que deixa o espectador na iminência da possibilidade de uma reviravolta na trama. Estão todos sentados, o que a princípio significaria que estão todos relaxados, mas a tensão cria um paradoxo, uma leve perplexidade que traz incerteza. A mesa, símbolo da confraternização, se torna palco de um festim de sangue.</p>
<h3>Vilões imperialistas militaristas</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1737" title="Oficial Jerjerrod e Coronel Vogel" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/imperialnazi.jpg" alt="Oficial Jerjerrod e Coronel Vogel" width="600" height="200" /></p>
<p>Os principal antagonista em <em>Guerra nas Estrelas</em> é o Império Galático. Os oficiais do Império são claramente uma referência aos oficiais nazistas, com uniformes e postura muito parecidos com os dos militares da Alemanha do 3º Reich.</p>
<p>Não por acaso, os maiores inimigos de Indiana Jones são os nazistas, que estão sempre atrás das relíquias buscadas pelo Dr. Jones.</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> A mentalidade moderna rechaçou o imperialismo militarista e ditatorial representado pelo Nazismo, pelo Fascismo e pelos regimes socialistas. Um vilão que traga ameaça à liberdade, seja dos povos de uma ex-República Galática, seja ao desenvolvimento da ciência arqueológica, provoca a hostilidade de quase todos os espectadores e a automática simpatia pelos que lutam contra ele.</p>
<h3>Disfarce entre os vilões</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1738" title="Han como stormtrooper e Indiana como nazista" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/hanindydisfarce.jpg" alt="Han como stormtrooper e Indiana como nazista" width="600" height="200" /></p>
<p>Luke Skywalker e Han Solo, ao tentar resgatar a Princesa Leia, se infiltram na Estrela da Morte disfarçados de stormtroopers, os soldados de infantaria do Império, para chegar até a cela onde está presa Leia.</p>
<p>Em <em>A Última Cruzada,</em> Indiana vai em busca do diário de seu pai, que está nas mãos dos nazistas. Ele precisa se vestir em uniforme nazista para se infiltrar, e acaba topando com o próprio Führer, Adolf Hitler. Ficamos esperando que ele será desmascarado e perderá o diário que está em suas mãos, mas Hitler pega o livro e o autografa. Ufa! O diário acaba ficando ainda mais valioso.</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> Uma cena em que os heróis mergulham na fortaleza inimiga, arriscando-se a ser descobertos a qualquer momento, cria uma tensão que prende o espectador na frente da tela. É uma cena tão clichê&#8230; mas, quando bem feita, provoca suspense.</p>
<h3>O piloto e o artilheiro</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1739" title="Luke Skywalker na Millenium Falcon e Henry Jones num aeroplano nazista" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/lukehenrytiros.jpg" alt="Luke Skywalker na Millenium Falcon e Henry Jones num aeroplano nazista" width="600" height="150" /></p>
<p>Quando estão fugindo da Estrela da Morte, Han, Luke e cia. embarcam na Millenium Falcon e escapam, mas são perseguidos. Luke assume a artilharia da Falcon, pilotada por Han, para se livrar das naves imperiais em seu encalço.</p>
<p>Em<em> A Última Cruzada,</em> há uma referência a esta cena, em que Indiana e Henry Jones sobem num aeroplano para fugir de seus perseguidores. Indiana assume a cadeira do piloto enquanto seu pai, no assento posterior, pega a metralhadora para repelir os nazistas. Jones pai acaba destroçando o leme do próprio veículo&#8230;</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> São cenas típicas de perseguição que acrescentam animação à história. E é quase indispensável que numa história de aventura haja pelo menos uma cena de perseguição. Além disso, temos o acréscimo de haver dois personagens trabalhando em conjunto para fugir dos perseguidores, um encarregado da pilotagem e outro do armamento. A resolução depende da boa sintonia entre os dois, o que Han e Luke, que mal se conhecem, conseguem com êxito, enquanto os Jones, pai e filho, falham.</p>
<h3>Batalhas contra veículos encouraçados</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1740" title="AT-ATs em Hoth e um tanque nazista" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/atattank.jpg" alt="AT-ATs em Hoth e um tanque nazista" width="600" height="200" /></p>
<p>Ao longo da trilogia <em>Guerra nas Estrelas,</em> o Império se utiliza de armamentos gigantescos, como os Destróieres Imperiais, os AT-ATs, que parecem quadrúpedes imensos de metal, e a própria Estrela da Morte, que destrói planetas. Os rebeldes não têm mais do que pequenas naves ou pistolas e rifles laser. Tanto na batalha do planeta Hoth, em <em>O Império Contra-ataca,</em> quanto na batalha na lua de Endor, em <em>O Retorno de Jedi,</em> os rebeldes são como Davis enfrentando Golias.</p>
<p>Os tanques nazistas que Indiana Jones e seu pai enfrentam lembram os grandes AT-ATs blindados ou os AT-RTs bípedes que os pequenos ewoks de Endor derrubam com fundas e toras de madeira.</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> É emocionante ver heróis lutando contra uma força muito maior do que eles e usando a astúcia para derrotar o poder dominador. Os grandes monstros de metal que os na&#8217;vi enfrentam em <em>Avatar</em> pertencem a este mesmo tema, assim como os 300 espartanos liderados por Leônidas em <em>300 de Esparta,</em> de Frank Miller, que enfrentam um exército persa muito maior e com muito mais armadura.</p>
<h3>Vira-casaca que se arrepende</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1755" title="Lando Calrissian e Elsa Schneider" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/landoelsa.JPG" alt="Lando Calrissian e Elsa Schneider" width="600" height="200" /></p>
<p>Desde sua primeira aparição em <em>O Império Contra-ataca,</em> Lando Calrissian provoca uma impressão ambígua. Única esperança de Han Solo para fugir do Império, não sabemos se podemos confiar nele. Primeiro, ele acolhe Han, Leia e Chewbacca, demonstrando hospitalidade e oferecendo socorro. Depois, ele os entrega a Darth Vader para enfim se arrepender da traição e se tornar um dos maiores aliados da Aliança Rebelde.</p>
<p>Dra. Elsa Schneider ajuda Indiana Jones e seu pai na busca pelas pistas para encontrar o Santa Graal, para depois entregá-los aos seus colegas nazistas. Mais tarde, ela muda sua intenção, renegando os interesses dos nazistas e tentando retomar a confiança dos Jones.</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> Em situações de perigo, busca e incerteza, os heróis precisam contar com alguém que tenha meios e recursos extras. Mas nem sempre se pode confiar em todo mundo. É esse um dos elementos que tornam <em>O Clã das Adagas Voadoras,</em> para citar outro exemplo, tão instigante e envolvente.</p>
<p>Além disso, quando tanto os traídos quanto os traidores se deparam com uma ameaça maior a ambos, eles tendem a juntar forças. A solidariedade diante das adversidades nos toca.</p>
<h3>A salvação do pai</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1741" title="Luke salva Darth Vader e Indiana salva Henry Jones" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/lukeindypai.jpg" alt="Luke salva Darth Vader e Indiana salva Henry Jones" width="600" height="200" /></p>
<p>A missão de Luke Skywalker em <em>O Retorno de Jedi</em> deveria ser matar Darth Vader. Quando aquele descobre que este é seu pai, ele deliberadamente muda de ideia e enfrenta seu antagonista com a intenção de salvá-lo do lado sombrio da Força. Uma das cenas memoráveis deste filme é quando Luke dialoga com seu pai moribundo, cujo verdadeiro nome é Anakin:</p>
<blockquote><p>ANAKIN (muito fraco)<br />
Agora&#8230; vá, meu filho. Deixe-me.</p>
<p>LUKE<br />
Não. Você vem comigo. Não posso deixá-lo aqui. Tenho que salvá-lo.</p>
<p>ANAKIN<br />
Você já me salvou, Luke. Você estava certo sobre mim. Diga a sua irmã&#8230; que você estava certo.</p></blockquote>
<p>Numa posição semelhante, Indiana traz até seu pai ferido um pouco de água no Santo Graal, com que cura um ferimento de bala. A cura física da ferida é apenas uma metáfora de uma situação em que pais e filho, depois de tantos anos de desentendimento, finalmente se entendem.</p>
<p><strong>Por que dá certo?</strong> O conflito entre pai e filho, segundo Sigmund Freud, que batizou esse conflito de Complexo de Édipo, está na base da maioria das neuroses e é inclusive uma realidade psíquica que move a maioria das pessoas, estando geralmente relacionado, para falar em termos mais generalistas, a um conflito entre os impulsos naturais e a autoridade repressora. Resolver esse conflito na forma de um encarar de frente o próprio pai e derrubar a tradição segundo a qual existe uma hierarquia absoluta em que pai (ou a Lei, o Estado, Deus etc.) precede o filho mexe com todos nós. Quando Luke se salva do conflito com o pai, ele também salva Anakin. Quando Indiana se livra do constrangimento do pai, este também se liberta, e podemos ver este diálogo no final de <em>A Última Cruzada:</em></p>
<blockquote><p>INDY<br />
O que você encontrou, pai?</p>
<p>HENRY<br />
Eu?&#8230; Iluminação.</p></blockquote>
<h3>Considerações finais</h3>
<p>Não busquei fazer aqui uma relação dos easter eggs de <em>Guerra nas Estrelas</em> presentes em <em>Indiana Jones.</em> Uma relação dessas referências/homenagens pode ser vista <a href="http://indianajones.wikia.com/wiki/Star_Wars" target="_blank">neste link</a>.</p>
<p>Aqui procurei relacionar referências (provavelmente) não intencionais, temas presentes nas boas histórias de aventura. O fato de ambas as sagas terem sido concebidas pelo mesmo George Lucas só facilita essa identificação. Mas se analisarmos bem qualquer grande aventura, poderemos encontrar a maior parte dos itens que relacionei neste texto.</p>
<h3>Links</h3>
<ul>
<li><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Wars" target="_blank"><em>Guerra nas Estrelas</em> na Wikipédia</a></li>
<li><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Indiana_Jones" target="_blank"><em>Indiana Jones</em> na Wikipédia</a></li>
<li><a href="http://www.blueharvest.net/scoops/rotj-script.shtml" target="_blank">Roteiro de <em>Guerra nas Estrelas &#8211; Episódio V: O Retorno de Jedi</em></a></li>
<li><a href="http://www.scifiscripts.com/scripts/Indiana3.txt" target="_blank">Roteiro de <em>Indiana Jones e a Última Cruzada</em></a></li>
<li><a href="http://indianajones.wikia.com/wiki/Star_Wars" target="_blank">Referências de <em>Guerra nas Estrelas</em> em <em>Indiana Jones</em></a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Avatar [Resenha - Parte 3]</title>
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		<comments>http://teianeuronial.com/avatar-resenha-parte-3/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 19:04:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ou Ficção mítica, fantasia científica e o romântico retorno à natureza Avatar (2009) é um filme que, se dividiu muita gente na opinião quanto à trama e aos temas tratados na narrativa, encantou a maioria em seus aspectos estéticos. Toda a criação virtual deu um aspecto muito real ao mundo imaginário de Pandora, com fauna [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>Ficção mítica, fantasia científica e o romântico retorno à natureza</strong></p>
<p><em><strong>Avatar</strong></em> (2009) é um filme que, se dividiu muita gente na opinião quanto à trama e aos temas tratados na narrativa, encantou a maioria em seus aspectos estéticos. Toda a criação virtual deu um aspecto muito real ao mundo imaginário de Pandora, com fauna e flora críveis e um ecossistema simbiótico envolvente.</p>
<p>Na <a href="http://teianeuronial.com/avatar-resenha-parte-1/">primeira parte desta resenha</a>, fiz um resumo comentado do filme e discorri sobre os nomes usados na história. Na <a href="http://teianeuronial.com/avatar-resenha-parte-2/">segunda parte</a>, analisei algumas questões antropológicas. Nesta terceira e última parte, trato dos aspectos estéticos de <em>Avatar,</em> do mundo áudio-visual criado por Cameron, da ficção científica misturada com fantasia mítica (e um pouco mística) e de como tudo isso se relaciona com um dos temas mais contundentes do filme: Ecologia e meio ambiente.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1602" title="Avatar (2009)" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/avatarbanner3.jpg" alt="Avatar (2009)" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-1555"></span><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-1102" title="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Spoilers.png" alt="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." width="600" height="50" /></p>
<h3>Sinestesia fantástica</h3>
<p>(Não pude ver o filme na versão 3D, pois tenho visão monocular (mas, se pudesse, não hesitaria experimentar essa nova tecnologia cinematográfica). Mas alguns comentaristas constam que a obra não foi inicialmente concebida para ser vista em 3D, então penso que este recurso é só um extra interessante. No entanto, mesmo em 2D o visual é espetacular.)</p>
<table style="font-weight:bold;text-align:right;float:right;margin:5px 0 5px 10px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td>Trama</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Montagem</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Atuação</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Diálogo</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Visual</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Trilha sonora</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Reflexão</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O clima penumbroso do laboratório é frio e deprimente. Ao fazer a conexão com seu avatar, Jake Sully faz uma viagem neuronial, apresentada em primeira pessoa, que leva o próprio espectador a sentir que saiu de um lugar cinzento para uma sala bem iluminada. A cor do corpo na&#8217;vi se destaca, e o amarelo dos olhos compõe, sobre a pele azul, a imagem do amanhecer, dois sóis que se destacam contra o céu.</p>
<p>Mas a luz reconfortante desta antessala é só uma transição para o que está do lado e fora: uma atmosfera diferente, com um brilhante sol a esquentar o chão que há muito Jake Sully não sentia; agora ele corre para aproveitar ao máximo a sensação que perdera com seu paralítico corpo humano. Mas isso não é suficiente para ele, pois em seus melhores sonhos ele voa.</p>
<p>Passamos então para a floresta fechada, onde há plantas um tanto diferentes do que se viu na Terra (se é que esses personagens viram muitas plantas na devastada Terra) e animais exóticos mas nada muito alienígenas. Fauna e flora pandorianas são ao mesmo tempo surpreendentes e familiares, tudo sob uma luz/sombra florestal que nos faz sentir aconchego e apreensão.</p>
<p>A noite traz perigo e mistério. Luzes se acendem no céu, nas plantas e na pele, como velas numa caverna. Os na&#8217;vi recebem Jake Sully com receio, mas tanto o forasteiro quanto a tribo nativa dão uma chance um ao outro. Já a manhã traz um cenário aberto com planícies a cavalgar e cânions a sobrevoar. Subimos as Montanhas Aleluia, grandes pedras flutuantes, e estamos quase voando. Mas é só quando as belas aves pterossáuricas são montadas que o destino de Jake Sully começa a se concretizar.</p>
<p>Um destino que se alcança às custas de várias viagens de ida e volta, entre o sonho aborrecido que experimenta entre humanos e a realidade vívida que vive entre os na&#8217;vi. Nesta realidade, Jake Sully encontra um amor construído com aprendizado e afeição, e entendemos junto com ele e Neytiri que os seres que habitam o universo têm todos algo em comum.</p>
<p>A Árvore das Almas e a bioluminescência de tudo em volta é uma imagem brilhante e envolvente, e nos faz quase sentir nossos cabelos se arrepiando e se envolvendo na mente dos seres vivos que formam todos uma só consciência. E quando fazem amor, Jake Sully e Neytiri expressam em poucos gestos e palavras uma afeição que não precisa ser mostrada de outra forma.</p>
<p>Mas toda essa benevolente realidade é ameaçada pelo pesadelo de escorpiões voadores e grandes fantoches de metal. Ou será o contrário, o onírico mundo regido por Eywa ameaçado pela terrível realidade destrutiva humana? Se o sonho é ruim ou bom, se a realidade física é negativa ou não, se uma coisa é a outra ou vice versa, depende da experiência de cada um. Para Augusto dos Anjos, a ilusão era doença:</p>
<blockquote><p>A simbiose das coisas me equilibra.<br />
Em minha ignota mônada, ampla, vibra<br />
A alma dos movimento rotatórios&#8230;<br />
E é de mim que decorrem, simultâneas,<br />
<strong> A saúde das forças subterrâneas<br />
E a morbidez dos seres ilusórios!</strong></p></blockquote>
<p>Grifo meu.</p>
<p>No filme, seres construídos por computadores lutam contra humanos feitos pela natureza. Porém, são as criaturas virtuais que representam as forças naturais, enquanto os seres de carne e osso se apresentam como ícones da tecnologia empregada para fins inescrupulosos. Toda a imagem é digna de um épico ilustrado em paredes esculpidas por antigas civilizações.</p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 0px initial initial;" title="Batalha aérea em Pandora" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/bansheescorpions.jpg" alt="Batalha aérea em Pandora" width="600" height="424" /></p>
<p>Jake Sully completa seu destino nas costas de um Toruk, &#8220;última sombra&#8221;, e voa com os na&#8217;vi, uma corte de guerreiros alados. Ele se reconcilia com seu rival Tsu&#8217;Tey, atual líder na&#8217;vi, assim como um predador gigante renuncia sua ferocidade para que Neytiri monte em suas costas. Toda a natureza toma partido e luta contra a ameaça tecnológica, não para vencer uma guerra, não para matar um inimigo, mas para preservar algo muito maior, às tristes custas da morte de alguns.</p>
<p>Neytiri sente que Jake Sully está morrendo em seu corpo humano, ela o vê à distância. Ao alcançar o frágil corpo humano, ela o acolhe em seus braços, reconhecendo a alma forte que ela enxerga no fundo dos olhos que a enxerga da mesma forma. Numa das cenas de  amor romântico mais belas que já vi, dois indivíduos, de espécies alienígenas um para o outro, se acariciam depois e abraçarem a alma um do outro.</p>
<p><em>Avatar</em> é um universo mágico, uma aventura de Fantasia que remonta às histórias de viagens a mundos idealizados, como a Terra do Nunca a que Peter Pan leva Wendy e seus irmãos, como o País das Maravilhas a que Alice é conduzida por um coelho branco, ou Oz em que Dorothy se perde. Sempre se viaja para um mundo de maiores possibilidades que a realidade, de libertação, normalmente se vai para mais perto da natureza, em busca de algo perdido e sufocado pela civilização.</p>
<p>Mas não só a Fantasia oferece essas viagens reveladoras. Na Ficção Científica, Neo viaja da Matrix para o mundo real; o Planeta dos Macacos também é destino de uma viagem que ensina muito sobre a natureza humana; o arqueólogo Daniel Jackson faz uma jornada no espaço e na história para descobrir os segredos do Antigo Egito. E <em>Avatar</em> também se envereda a Ficção Científica.</p>
<h3>Ficção científica</h3>
<p><em>Avatar</em> não é um filme de ficção científica, pelo menos não uma hard science fiction. É uma história romântica (não só no vulgarizado sentido do romance amoroso, que também está presente, mas especialmente no aspecto que envolve a autodescoberta e a fantasia do retorno à natureza selvagem) que tem elementos de ficção científica.</p>
<p>Mas não é como <em>Guerra nas Estrelas,</em> uma aventura épica cujos elementos de ficção científica são mais fantásticos do que científicos. <em>Avatar</em> tem uma ficção científica verossímil, pertinente e bem encaixada na narrativa.</p>
<p>Qualquer história de ficção se inicia com uma pergunta, que normalmente está implícita, um problema cuja solução se tenta resolver através da narrativa. &#8220;E se um fantoche criasse vida?&#8221; Resposta: <em>Pinóquio,</em> de Carlo Collodi. &#8220;Como seria a história de um homem atormentado pela dúvida se sua mulher o traiu ou não?&#8221; Resposta: <em>Dom Casmurro,</em> de Machado de Assis.&#8221;E se uma pequena e fleumática criatura se envolvesse numa aventura épica?&#8221; Resposta: <em>O Hobbit,</em> de J. R. R. Tolkien.</p>
<p>Na ficção científica, essa pergunta necessariamente se dá no campo da especulação científica e normalmente envolve uma preocupação social em relação ao desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia. &#8220;E se houvesse um planeta habitado por macacos inteligentes e humanos bestiais?&#8221; Resposta: <em>O Planeta dos Macacos,</em> de Pierre Boulle. &#8220;Se uma espécie alienígena avançada e pacifista olhasse para a Terra da Guera Fria, que partido ela tomaria?&#8221; Resposta: <em><a href="http://teianeuronial.com/o-dia-em-que-a-terra-parou/" target="_self">O Dia em que a Terra Parou</a>,</em> de Robert Wise.&#8221;Quais seriam as implicações da criação artificial de um ser humano?&#8221; Resposta: <em>Frankenstein,</em> de Mary Shelley. (É claro que essas perguntas estão muito resumidas. Cada uma dessas histórias tem um conjunto complexo de questões encadeadas.)</p>
<p>&#8220;E se a Terra ficar exaurida de recursos naturais? E se o mundo que tem os recursos que queremos explorar é habitado por criaturas inteligentes que vivem em cima do metal precioso que queremos? E se essas criaturas respiram um ar tóxico para nós? E se a lua em que vivem tem gravidade maior do que a da Terra? E se esses nativos têm 3 metros de altura e se locomovem com agilidade num ambiente que para humanos é difícil de ser explorado?&#8221; Resposta: <em>Avatar.</em></p>
<p>Imagine então uma tecnologia que permita a um ser humano assumir a forma de um nativo, respirar o mesmo ar que ele, resistir à forte gravidade, percorrer com desenvoltura, força e agilidade o ambiente local e, da mesma forma que os alienígenas, fazer conexões neuroniais com animais e plantas desse mundo. É uma tecnologia muito complexa, avançada e, portanto, cara. E é empregada como um pesado investimento para a obtenção do valiosíssimo unobtânio.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1710" title="Jake Sully e seu avatar" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/jakesullyavatar.jpg" alt="Jake Sully e seu avatar" width="600" height="300" /></p>
<p>A humanidade chegou a um avanço tecnológico gigantesco: viagens intergalácticas, robôs humanoides bélicos que obedecem aos movimentos de seus pilotos, transmissão da mente para outro corpo. Mas não conseguiu avançar sua ética, e repetem com os na&#8217;vi os mesmos erros que os colonizadores (humanos) cometeram com povos (humanos) nativos no escopo do planeta Terra.</p>
<p>Dessa forma, <em>Avatar</em> repete e inverte a fórmula clássica de filmes sobre alienígenas que invadem a Terra com ultratecnologia e ultradestrutividade. Mas desta vez os invadidos são os alienígenas, os humanos são os invasores. &#8220;Como seria se os humanos detivessem tecnologia suficiente para visitar outro planeta com tecnologia menos avançada?&#8221; Resposta de James Cameron: seria o mesmo que se viu em <em>Independence Day,</em> de Roland Emmerich, só que os humanos é que estão nas naves estelares.</p>
<p>O ecossistema de Pandora também parece verossímil ao espectador médio, principalmente pelo realismo das imagens, e menos por causa de alguma verossimilhança sistêmica na relação entre animais e plantas. Mas o detalhismo deste âmbito não é tão importante neste filme. A parte da natureza sai da ficção científica e entra mais no fantástico, sobre que discorri acima.</p>
<p>Assim, James Cameron concebeu Eywa como um sinônimo de mãe-natureza, como uma referência à divindade grega Gaia, que representa a Terra, a biosfera, o ecossistema terráqueo. Eywa é essa mesma divindade, mas representada pelos na&#8217;vi no planeta Pandora. Ela tem uma grande importância para a questão ambiental tratada no filme.</p>
<h3>Questão ambiental</h3>
<div id="attachment_1693" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-1693" title="Planeta Terra" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/terra.jpg" alt="Este pequeno planeta precisa de cuidados." width="300" height="300" /><p class="wp-caption-text">Este pequeno planeta precisa de cuidados.</p></div>
<p>De acordo com a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3tese_de_Gaia" target="_blank">hipótese (ou teoria) de Gaia</a>, a biosfera da Terra constitui um sistema autorregulador, quase como um ser vivo composto pelos  animais, plantas e outras criaturas e pelo meio ambiente ocupado e formado por esses seres. Fugindo da polêmica em torno do real significado metafórico ou não de Gaia (não sou versado em Geologia, Ecologia nem qualquer área pertinente), uma coisa parece ser unânime entre os cientistas: um ser vivo mantém uma relação direta ou indireta com todo o ecossistema terrestre, e qualquer grande mudança de uma de suas partes  acarreta uma reação do todo.</p>
<p>Os seres vivos de Pandora vivem uma conexão extrema. Os na&#8217;vi, inteligentes, conectam suas mentes (através de fios de cabelos que transmitem impulsos bioquímicos/sinápticos) às de montarias nativas, cavalos hexápodes, para fazê-los obedecer ordens de movimento, ou a grandes aves para que estas os carreguem voando. Os na&#8217;vi também se conectam assim à Árvore das Vozes, para escutar seus ancestrais. A interconexão entre os seres de Pandora é tão interdependente que qualquer interferência séria como a derrubada de uma grande árvore põe em risco todo o biossistema.</p>
<p>O ecossistema fictício de Pandora é assim uma metáfora hiperbólica de uma realidade existente em nosso próprio mundo, o planeta Terra. A extinção de uma espécie terráquea, a derrubada ou queimada de florestas, a poluição de um rio ou de um mar e a infestação do ar com fumaça são exemplos de interferências humanas que têm consequências sérias sobre todo o conjunto.</p>
<p><em>Avatar</em> é, portanto, bem atual ao tocar num tema que está na pauta contemporânea e que tem preocupado diversos setores das sociedades ocidentais. Na base de todas as controvérsias sobre as causas mais contundentes e do real escopo das mudanças climáticas (especialmente as controvérsias sobre se há ou não um aquecimento global catastrófico provocado pelos seres humanos), é unânime a exortação de que devemos cuidar do meio ambiente.</p>
<p>A mensagem ecológica do filme é sintetizada na frase dita a Jake Sully por Neytiri: &#8220;Tudo o que Eywa dá é emprestado e será preciso devolver&#8221;. É uma exortação à nossa responsabilidade enquanto parte integrante de um mesmo meio ambiente. E enquanto seres humanos, capazes de transformar esse meio de formas muito impactantes, é preciso lembrar do que Carl Sagan disse no livro <em><strong>Bilhões e Bilhões:</strong> Reflexões sobre Vida e Morte na Virada do Milênio:</em></p>
<blockquote><p>Não há nenhuma causa mais urgente, nenhuma tarefa mais apropriada do que proteger o futuro de nossa espécie. Quase todos os nossos problemas são provocados pelos humanos e podem ser resolvidos pelos humanos. Nenhuma convenção social, nenhum sistema político, nenhuma hipótese econômica, nenhum dogma religioso é mais importante [p. 85].</p></blockquote>
<p>Que completa, reiterando:</p>
<blockquote><p>Se os humanos criam problemas, os humanos podem encontrar soluções [p. 86].</p></blockquote>
<p>Numa resenha muito pertinente publicada na <em>Folha de S. Paulo,</em> o físico Marcelo Gleiser nota que <em>Avatar</em> pode ser visto como um aviso dos atuais perigos ambientais na Terra. Esta, no filme, está esgotada de recursos naturais, o que obriga os humanos a buscarem energia fora do Sistema Solar. Precisamos cuidar da Terra para que não se repita a farsa histórica na qual os nativos de um paraíso natural são dizimados pela ganância e pelo desespero. Gleiser conclui assim seu artigo:</p>
<blockquote><p>somos nossos piores inimigos e nossa única esperança. A natureza não vai nos ajudar.</p></blockquote>
<h3>Comentários sobre as notas</h3>
<p><strong>Trama 4:</strong> a história é bem conhecida, e a falta de originalidade faz com que a trama seja previsível. Mas ela é bem construída e agradável, suas partes se encaixam bem, com início, meio e fim, com harmonia e sem excessos.</p>
<p><strong>Montagem 5:</strong> As cenas se encaixam com perfeição. Cada corte diz muita coisa sobre os sentimentos dos personagens e sobre o clima geral da trama. A exemplo o momento em que Jake Sully acorda em seu corpo humano logo após fazer amor com Neytiri. A música silencia, os olhos desolados de Jake se abrem dentro da tubo de conexão e ele se pergunta: &#8220;O que diabos você está fazendo, Jake?&#8221;, sem saber mais qual é sua missão ali.</p>
<p><strong>Atuação 3:</strong> os atores fazem bem o seu trabalho, sem nada excepcional. Alguns personagens são marcantes, como o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) e a doutora Grace Augustine (Sigourney Weaver), mas no geral as dramatis personae são secundárias diante do espetáculo visual e da sucessão de eventos.</p>
<p><strong>Diálogo 3:</strong> as falas são bem simples e não contribuem muito para o show. Mas não se percebe nenhuma pretensão de se criar algo impactante e original nos diálogos, e eles não atrapalham em nada.</p>
<p><strong>Visual 5:</strong> o visual é simplesmente perfeito. Toda a beleza selvagem que se pretendeu criar está presente nas imagens e os seres artificiais que aparecem na tela são muito realistas.</p>
<p><strong>Trilha sonora 4:</strong> a música é linda e apropriada, fazendo com que os cenários se enriqueçam e sejam facilmente acessíveis ao espectador. No entanto, há momentos em que o som fica discrepante com a cena, mas isso ocorre pouco.</p>
<p><strong>Reflexão 4:</strong> os temas são muito instigantes para quem nunca viu <em>Dança com Lobos, O Último Samurai</em> ou <em>Distrito 9.</em> Mas a maioria deles é batida. No entanto, soma-se aí o detalhe de o estrangeiro ser de outra espécie, o que faz com que o protagonista mude de corpo, se tornando realmente um outro, e a questão ambiental tão em voga e ainda pouco (e mal) explorada no cinema.</p>
<h3>Links</h3>
<ul>
<li><a href="http://www.ncpam.com/2010/01/avatar-e-antropologia-das-sociedades.html" target="_blank"><em>Avatar e Antropologia das Sociedades Tradicionais</em></a><em>,</em> por Ricardo Lima</li>
<li><a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100128/not_imp502631,0.php" target="_blank"><em>&#8216;Avatar&#8217; e o espírito do nosso tempo</em></a><em>,</em> por Eugênio Bucci</li>
<li><em><a href="http://claressencia.blogspot.com/2010/02/avatar-reflexoes-pessoais.html" target="_blank">Avatar – reflexões pessoais</a>,</em> por Clara Emilie</li>
<li><em><a href="http://osmorcegos.blogspot.com/2010/01/esse-tar-de-avatar.html" target="_blank">Esse &#8216;tar&#8217; de Avatar&#8230;!</a>,</em> por Dilberto L. Rosa</li>
<li><a href="http://jovemnerd.ig.com.br/nerdcast/nerdcast-193-skxawngsi-avatar/" target="_blank">Nerdcast 193 &#8211; Skxawng’si Avatar</a></li>
<li><em><a href="http://www.sbda.org.br/artigos/49.htm" target="_blank">O filme Avatar sob a visão do Direito Espacial</a>,</em> por José Monserrat Filho</li>
<li><a href="http://www.cinemacomrapadura.com.br/rapaduracast/?p=4574" target="_blank">RapaduraCast 162 – Biografia/Duplex: James Cameron e Avatar</a></li>
<li><em><a href="http://intercampi.org/2010/02/11/artigo-uma-visao-conscienciologica-do-filme-avatar-de-james-cameron/" target="_blank">Uma Visão Conscienciológica do Filme </a></em><a href="http://intercampi.org/2010/02/11/artigo-uma-visao-conscienciologica-do-filme-avatar-de-james-cameron/" target="_blank">Avatar,</a><em><a href="http://intercampi.org/2010/02/11/artigo-uma-visao-conscienciologica-do-filme-avatar-de-james-cameron/" target="_blank"> de James Cameron</a>,</em> por mim (Thiago Leite)</li>
</ul>
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		<title>Avatar [Resenha - Parte 2]</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 19:15:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ou Questões antropológicas em Alfa Centauro O filme Avatar (2009), de James Cameron, apesar de sua trama simples e previsível, apresenta muitos temas relevantes para a humanidade do século XXI. Com uma montagem de cenas perfeita e imagens arrebatadoramente belas e envolventes, consegue sensibilizar para muitas questões pertinentes. Na primeira parte desta resenha, fiz uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>Questões antropológicas em Alfa Centauro</strong></p>
<p>O filme <em><strong>Avatar</strong></em> (2009), de James Cameron, apesar de sua trama simples e previsível, apresenta muitos temas relevantes para a humanidade do século XXI. Com uma montagem de cenas perfeita e imagens arrebatadoramente belas e envolventes, consegue sensibilizar para muitas questões pertinentes.</p>
<p>Na <a href="http://teianeuronial.com/avatar-resenha-parte-1/" target="_self">primeira parte desta resenha</a>, fiz uma sinopse comentada e uma análise dos nomes de lugares e personagens da trama. Nesta segunda parte, discorrerei sobre temas antropológicos: observação participante, choque cultural, etnocentrismo, relativismo, imperialismo; e, imiscuídas nestes tópicos, questões filosóficas: ética e universalismo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1557" title="Avatar (2009)" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/avatarbanner2.jpg" alt="Avatar (2009)" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-1521"></span><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-1102" title="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Spoilers.png" alt="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." width="600" height="50" /></p>
<h3>Choque cultural</h3>
<p><em>Avatar</em> é uma história de choque cultural. Extrapandorianos, humanos, com tecnologia superavançada pousam no mundo dos na&#8217;vi e começam um trabalho de exploração capitalista que vai ao encontro do modo de vida dos nativos. Os alienígenas terráqueos consideram importante para os na&#8217;vi aprender a língua da Terra (o inglês) e ter acesso a novíssimas e complexas tecnologias que mudarão suas vidas. É a velha anedota do colonizador que traz bugigangas para os índios em troca de pau-brasil e ouro.</p>
<table style="font-weight:bold;text-align:right;float:right;margin:5px 0 5px 10px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td>Trama</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Montagem</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Atuação</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Diálogo</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Visual</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Trilha sonora</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Reflexão</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Mas os nativos não precisam de nada que os humanos oferecem. Porém, estes estão ávidos por três coisas: a riqueza material que poderiam extrair do unobtânio, minério caríssimo (Parker Selfridge e sua equipe); a oportunidade belicosa de viver uma batalha (Miles Quaritch e seu batalhão); e a oportunidade científica de descobrir novas realidades geológicas, botânicas, zoológicas e antropológicas. Apenas esta última se justifica racionalmente.</p>
<p>They missed the point, of course. A motivação de um homem que cai ali de paraquedas, o paraplégico Jake Sully, é retomar suas pernas e viver uma aventura. O resultado é que ele conseguiu algo muito mais valioso do que dinheiro, adrenalina guerreira ou descobertas científicas. Ele descobre a importância do equilíbrio natural do universo, através de sua iniciação na sociedade dos na&#8217;vi do clã Omaticaya.</p>
<h3>Observação participante</h3>
<div id="attachment_1618" class="wp-caption alignright" style="width: 294px"><img class="size-full wp-image-1618" title="Malinowski e trobriandeses" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/malinowskitrobriandeses.jpg" alt="Bronislaw Malinowski, antropólogo inglês, com ilhéus das Ilhas Trobriand, em 1918." width="284" height="165" /><p class="wp-caption-text">Bronislaw Malinowski, antropólogo inglês, com ilhéus das Ilhas Trobriand, em 1918.</p></div>
<p>Antes de tudo, e repetirei isso adiante, Jake Sully <em><strong>não</strong></em> empreendeu a <em>observação participante</em> propriamente dita, ou seja, o método científico desenvolvido pelo antropólogo Bronislaw Malinowski em seus estudos etnográficos nas Ilhas Trobriand. Ele não usou uma abordagem científica nem estava preocupado com elaborar teorias a respeito da vida dos na&#8217;vi. Afinal, ele não era cientista, era um &#8220;bebê&#8221;.</p>
<p>No entanto (relevando a impossibilidade de se tornar um nativo em qualquer cultura diferente daquela que nos criou desde criança até a idade adulta em apenas 3 meses), podemos ver a experiência de Jake como uma ilustração de como se dá a observação participante, essa que é talvez uma das mais sofisticadas metodologias na Antropologia.</p>
<p>O pouco tempo que Jake leva para se iniciar na vida dos na&#8217;vi poderia se justificar (em parte) pelo fato de que terráqueos e pandorianos já tinham bastante experiência uns com os outros, o que não é mostrado no filme. A história começa com uma tentativa de retomada de contato, ou seja, cada uma das duas culturas já sabe bastante sobre a outra. Neste sentido, penso que foi uma perda grande não ter explorado mais o choque cultural, metaforizando as reais dificuldades advindas de um encontro entre alienígenas que nunca haviam ouvido falar uns dos outros (o que a série <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Trek:_The_Next_Generation" target="_blank">Jornada nas Estrelas: A Nova Geração</a></em> faz bem melhor).</p>
<p>Repetindo, Jake não é antropólogo e não empreende a observação participante malinowskiana. Mas ele entra no clã dos omaticaya de coração e cabeça vazios, o que permite que ele se abra à completa experiência de se mover pelas árvores com agilidade, domar montarias, dominar o arco e flecha e sentir-se conectado à natureza como qualquer na&#8217;vi.</p>
<p>Por ser um &#8220;bebê&#8221; para Neytiri, Jake começa do zero sua imersão. Como nenhum outro cientista conseguiu, por terem as cabeças cheias de expectativas, o ex-fuzileiro está pronto para começar uma nova vida, e somente incorporando a identidade e os costumes na&#8217;vi ele consegue entender a mentalidade, a vida e os anseios do outro. Pode-se dizer que ele realizou uma observação participante visceral e não-etnográafica.</p>
<h3>Antropologia imperialista</h3>
<p>Os maiores desenvolvimentos da Antropologia se deram, paradoxalmente, em situações neocolonialistas. A Grã-Bretanha enviou Malinowski às Ilhas Trobriand porque estas eram colônia inglesa, e conhecer melhor os nativos era importante para uma melhor administração.</p>
<p>Uma crítica que li algures à história de <em>Avatar</em> foi que o escolhido para salvar os nativos era um &#8220;civilizado&#8221;, ou seja, um humano branco norte-americano, e isso seria propaganda ideológica norte-americana, mostrando quão virtuoso é o povo salvador do mundo. Porém, lembremo-nos que esses norte-americanos do filme são na maioria favoráveis à exploração dos na&#8217;vi e de Pandora.</p>
<p>Além disso, Jake deixa aos poucos de ser humano e incorpora a identidade na&#8217;vi, tanto que a vida em seu corpo paraplégico passa a ser um sonho ruim e a vida com os na&#8217;vi vai se tornando cada vez mais real. Ele realmente renasce como na&#8217;vi, e a única coisa que lhe permite ajudar seus novos irmãos é seu conhecimento profundo do inimigo e uma audácia que ele deve mais ao seu temperamento individual e a sua história particular do que ao fato de ser humano branco norte-americano.</p>
<p>Depois de audaciosamente domar um Toruk (&#8220;última sombra&#8221;, uma espécie de ave extremamente feroz que apenas 5 na&#8217;vi conseguiram cavalgar na história dos omaticaya) a nobreza de Jake finalmente se manifesta no ato humilde de oferecer ajuda ao novo chefe do clã, Tsu&#8217;tey (que herdou o posto de Eytucan, recém-morto pelos humanos), seu ex-rival, sem clamar para si nenhum posto importante, mesmo sabendo que, ao se tornar Toruk Macto (&#8220;cavaleiro da última sombra&#8221;), será respeitado por todos os na&#8217;vi.</p>
<h3>Guerra preventiva ou Pax Romana</h3>
<p>A guerra é muitas vezes (irracionalmente) justificada por motivos preventivos, especialmente em situações imperialistas. O que está por trás é na verdade um interesse escuso, normalmente garantir uma posição dominante na relação com o outro.</p>
<p>Foi o que empreendeu o Império Romano com a chamada Pax Romana. Foi o que repetiu o império norte-americano na Guerra do Iraque. E há uma claríssima referência, em <em>Avatar,</em> à política beligerante de George &#8220;Warrior&#8221; Bush, quando o coronel Miles Quaritch brada que &#8220;vamos combater o terror com terror&#8221;.</p>
<div id="attachment_1588" class="wp-caption aligncenter" style="width: 596px"><img class="size-full wp-image-1588" title="Júlio César, George W. Bush e Miles Quaritch" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/juliocesarbushquaritch.jpg" alt="Júlio César, imperador de SPQR; George &quot;Warrior&quot; Bush, presidente dos EUA; Miles Quaritch, coronel da RDA. &quot;Si vis pacem para bellum&quot; é a ideologia belicista." width="586" height="150" /><p class="wp-caption-text">Júlio César, imperador de SPQR; George &quot;Warrior&quot; Bush, presidente dos EUA; Miles Quaritch, coronel da RDA. &quot;Si vis pacem para bellum&quot; é a ideologia belicista.</p></div>
<p>O conhecimento sobre os na&#8217;vi tinha o único objetivo de melhor explorar sua lua-natal. Essa abordagem se assemelha muito ao conhecimento do Oriente elaborado pelas nações imperialistas ocidentais. Esse conjunto de saberes, que incluíam vários preconceitos, generalizações e menosprezo, foi chamado por Edward W. Said de Orientalismo e servia de justificativa (irracional) para a dominação.</p>
<p>Esse tipo de atitude preconceituosa é visto durante todo o filme em afirmações que representam os na&#8217;vi como animalescos, primitivos, ignorantes, drogados. A conexão bioquímica entre a fauna e flora de Pandora, explicada por Grace Augustine, é ridicularizada por Parker Selfridge: &#8220;o que diabos vocês andaram fumando lá embaixo?&#8221;</p>
<p>Os exploradores não se permitem a experiência de aprender a cultura local e tirar algum proveito nobre e evolutivo. Talvez a troca tivesse se efetivado se os humanos mostrassem boa vontade de compartilhar uma experiência e não insistissem que são só eles quem têm o que oferecer aos nativos, sendo o unobtânio a moeda e o preço pelo &#8220;progresso&#8221; trazido da Terra (que, pelo que consta em algumas falas do filme, está com seus recursos naturais esgotados).</p>
<h3>A subestimação do &#8220;selvagem&#8221;</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1586" title="Ewoks" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/ewoks.jpg" alt="Ewoks" width="600" height="247" /></p>
<p>O colunista Jorge Coli, da <em>Folha de S. Paulo,</em> escreveu uma resenha interessante sobre <em>Avatar,</em> na qual ele faz uma referência a <em>Os Sertões,</em> de Euclides da Cunha. Durante os preparativos de um ataque aos revoltosos liderados por Antônio Conselheiro, o coronel Moreira César afirmou: &#8220;Vamos almoçar em Canudos&#8221;. Ele não esperava que seria tão difícil combater os &#8220;brutos&#8221; sertanejos, da mesma forma que o coronel Miles Quaritch não esperava perder a batalha contra os na&#8217;vi, antes da qual afirmara: &#8220;vamos jantar em casa&#8221;.</p>
<p>Este é um tema comum em épicos, e se trata de um interessante tema antropológico, pois que toca no relativismo cultural. As grandes civilizações levam seu etnocentrismo a uma escala imperial, considerando que aqueles povos não-assimilados e cuja cultura é considerada inferior não têm condições de resistir a uma guerra (pois, pensam os conquistadores, não têm tecnologia tão avançada nem táticas eficazes) nem à assimilação (pois a cultura do conquistador é considerada melhor e mais desejável).</p>
<p>Porém, a <a href="http://jovemnerd.ig.com.br/nerdcast/nerdcast-118-a-guerra-do-vietna/" target="_blank">Guerra do Vietnã</a> serve de exemplo real para o equívoco imperialista. Os norte-americanos não esperavam que os vietcongues tivessem a capacidade de, em seu próprio território, resistir e ludibriar os inimigos. O exército norte-americano, por exemplo, se surpreendeu com o uso complexo de túneis, que permitiu aos nativos promover ataques surpresa.</p>
<p>Voltando à ficção, em <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0086190/" target="_blank">Guerra nas Estrelas: Episódio VI &#8211; O Retorno de Jedi</a>,</em> o Império Galáctico se utiliza dos típicos recursos de um governo expansionista, especialmente a violência física. Mas, com sua avançada tecnologia, não consegue vencer a batalha contra os pequeninos ewoks da lua de Endor, com suas lanças de madeira e pedra, fundas e asas-delta de couro.</p>
<h3>Exploração dos recursos naturais e o obstáculo humano</h3>
<p>O etnocentrismo imperialista está longe de deixar de ser um problema atual. Se tomarmos o exemplo da influência cultural dos EUA em todas as partes do mundo, vemos que uma relação de dominação ainda se mantém, em que se supervaloriza acriticamente tudo o que é produzido pelos gringos e se subestimas os modos de pensar, viver e até de falar dos povos que vivem em sociedades subordinadas.</p>
<p>A arrogância do conquistador (que age hoje mais no âmbito cultural do que no bélico) o faz tomar a liberdade de assumir a liderança da história de povos &#8220;menos civilizados&#8221;, como se estes não tivessem a capacidade de &#8220;descobrir&#8221; o melhor caminho para sua evolução e como se a intervenção externa fosse a melhor das bençãos.</p>
<p>Às vezes essas intervenções podem trazer, a longo prazo, melhorias para os conquistados (que restarem). Mas nem sempre, e sempre é ao custo de muitas mortes e de enormes prejuízos para ambos os lados. Especialmente quando se consideram os produtos naturais cultivados para o bem-estar de uma população (e que poderiam servir para toda a humanidade) como mercadorias a entrar no mundo capitalista, para benefício de uns e prejuízo de outros. E é exatamente o que ocorre na corrida pelo unobtânio (Pandora é uma espécie e Eldorado, onde o ouro é substituído pelo unobtânio): para a RDA, os nativos de Pandora são obstáculos e não parceiros.</p>
<p>Apesar disso, é corrente atualmente o ideário que valoriza a diversidade cultural, e que tem origem no Romantismo alemão de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Gottfried_von_Herder" target="_blank">Johann Gottfried von Herder</a> <em>(<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=69376&amp;sid=0209722541221543234018560&amp;k5=293B3840&amp;uid=" target="_blank">Também uma Filosofia da História para a Formação da Humanidade</a>).</em> Paradoxalmente, esse ideário pode ter efeitos interessantes para o imperialismo cultural, pois pode dificultar a mudança histórica e o intercâmbio cultural ao cristalizar nichos sociais e valorizar a manutenção das tradições (com a ideia de autenticidade, analisada por <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Taylor_(philosopher)" target="_blank">Charles Taylor</a> em <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=26916&amp;sid=0209722541221543234018560&amp;k5=1A7076AF&amp;uid=" target="_blank">The Ethics of Authenticity</a>).</em></p>
<p>É esse ideário que permite a aparição de uma história onde a cultura local de um povo tribal é vista como mais importante do que os interesses egoicos de um empreendimento capitalista. Porém, para ser mais real, a trama deveria deixar mais claro que o contato entre humanos e na&#8217;vi deveria trazer grandes mudanças para todos os envolvidos, mas o desfecho dá a entender que tudo só pode terminar bem se tudo continuar como era.</p>
<p>[Continua...]</p>
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		<title>Avatar [Resenha - Parte 1]</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 17:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ou Um resumo comentado e uma terminologia simbólica Avatar (2009), de James Cameron, era um filme cujos trailer e pré-resenhas me deixaram com um pouco de vontade de assistir. Não havia entendido bem a ideia, mas gostara do visual dos personagens alienígenas, esbeltos e azuis, e dos cenários selváticos da lua Pandora. Mas foi depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>Um resumo comentado e uma terminologia simbólica</strong></p>
<p><em><strong><a href="http://www.avatarmovie.com/" target="_blank">Avatar</a></strong></em> (2009), de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000116/" target="_blank">James Cameron</a>, era um filme cujos trailer e pré-resenhas me deixaram com um pouco de vontade de assistir. Não havia entendido bem a ideia, mas <a href="http://jovemnerd.ig.com.br/jovem-nerd-news/cinema/veja-varias-fotos-novas-de-avatar/" target="_blank">gostara do visual dos personagens alienígenas</a>, esbeltos e azuis, e dos cenários selváticos da lua Pandora.</p>
<p>Mas foi depois de ver algumas pós-resenhas que realmente me motivei a ir ao cinema. Havia, segundo li, <a href="http://www.ncpam.com/2010/01/avatar-e-antropologia-das-sociedades.html" target="_blank">uma questão antropológica</a> de grande interesse meu. Antevi uma semelhança com <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dances_with_wolves" target="_blank">Dança com Lobos</a></em> (1990), mas, tendo em mente que eu veria clichês e uma trama mais ou menos previsível, preparei-me para as novidades que o filme oferecesse. Ademais, histórias com alienígenas são uma preferência pessoal.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1482" title="Avatar (2009)" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/avatarbanner.jpg" alt="Avatar (2009)" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-1468"></span><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-1102" title="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Spoilers.png" alt="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." width="600" height="50" /></p>
<h3>Sinopse estendida</h3>
<p>No século XXII, Pandora, um satélite natural do planeta Polifemo (que gira ao redor de uma estrela da constelação Alfa Centauro) constitui <a href="http://www.pandorapedia.com/doku.php" target="_blank">uma atração para os humanos</a>, pois é habitada por uma espécie inteligente chamada na&#8217;vi. Sobretudo, é uma atração para a economia humana porque essa lua contém um minério valiosíssimo chamado <strong>unobtânio.</strong> Na realidade, os na&#8217;vi podem ser considerados mais um obstáculo do que uma atração, pois a região com maior concentração de unobtânio é protegida por eles como um santuário.</p>
<table style="font-weight:bold;text-align:right;float:right;margin:5px 0 5px 10px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td>Trama</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Montagem</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Atuação</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Diálogo</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Visual</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Trilha sonora</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Reflexão</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><strong>Pandora</strong> é  uma boa alegoria para a expressão Inferno Verde (com que os exploradores europeus apelidaram a Amazônia), pois é uma biosfera densa e bela, mas ao mesmo tempo hostil aos humanos, pois possui grandes animais perigosos e é envolta por uma atmosfera tóxica para pulmões terráqueos.</p>
<p>Ela é habitada por exóticos seres inteligentes chamados <strong>na&#8217;vi,</strong> humanoides esquios e azuiss, com 3 metros de altura, cabelos pretos, lisos e longos (como os dos ameríndios), pescoços e membros compridos e caudas preênseis. Possuem grande força, resistência e agilidade e se movem com facilidade pelas florestas em que vivem, portando armas simples como arcos e flechas, cavalgando grandes montarias parecidas com cavalos e animais alados semelhantes a grandes aves com asas coriáceas.</p>
<p>Para explorar o local em busca do unobtânio, que não está em nossa tabela periódica dos elementos, a empresa <strong>RDA</strong> instala uma base em Pandora, com um programa dividido em duas partes.</p>
<p>A primeira parte desse programa é o <strong>Projeto Avatar:</strong> corpos de na&#8217;vi capazes de portar a consciência de alguns indivíduos humanos selecionados (o DNA desses corpos é uma mistura do DNA na&#8217;vi com o do indivíduo humano que o vai controlar), para que estes possam interagir na atmosfera de Pandora e, especialmente, para interagir com os na&#8217;vi e negociar a exploração do unobtânio.</p>
<p><strong>Jake Sully,</strong> ex-fuzileiro naval paraplégico, entra em cena para substituir seu falecido irmão gêmeo univitelino. Ele assume a responsabilidade sobre o avatar do seu irmão, pois tem o mesmo DNA deste. <strong>Grace Augustine,</strong> a cientista que lidera as atividades dos avatares,<strong> </strong>duvida que ele seja capaz de substituir o irmão. Jake fica maravilhado ao redescobrir as sensações e movimentos dos pés e pernas em seu corpo na&#8217;vi.</p>
<p>Diferente de seu irmão, Jake não passou por um processo de preparação para incorporar um avatar nem para se comunicar e interagir com os na&#8217;vi. <strong>Neytiri,</strong> a filha do líder dos Omaticaya, clã na&#8217;vi com que Sully entra em contato, o considera uma criança, e é sua mente fresca, com muito poucas expectativas, que o permite ser aceito no clã e ser ensinado a ser um nativo. Contra as expectativas de Augustine, Sully consegue melhor do que ninguém incorporar um na&#8217;vi.</p>
<p>Ele se torna assim a maior esperança de <strong>Parker Selfridge,</strong> o diretor maquiavélico da ação exploratória, mostrado como um homem obcecado pelo unobtânio; e de <strong>Miles Quaritch,</strong> o coronel que comanda a tropa militar que vai empreender a segunda parte do projeto: defender os humanos de possíveis perigos e atacar aqueles que servirem de obstáculo. Quaritch promete a Sully, em troca do sucesso da operação, um tratamento para retomar o movimento das pernas.</p>
<div id="attachment_1525" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><img class="size-full wp-image-1525" title="Augustine, Selfridge e Quaritch" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/quaritchselfridgeaugustine.jpg" alt="A cientista, o empresário e o militar" width="576" height="175" /><p class="wp-caption-text">Augustine, a cientista; Selfridge, o empresário; Quaritch, o militar. O capitalismo desconsiderou a vida dos nativos, enquanto o militarismo os viu como inimigos. A Ciência, felizmente, compreendeu e passou para o lado dos na&#39;vi.</p></div>
<p>Sully acaba por frustrar os planos da RDA, tornando-se um na&#8217;vi de corpo e alma, domando sua própria montaria alada, entendendo e adotando o modo de vida dos na&#8217;vi (aprendendo a viver em harmonia e conexão com a natureza, chamada de <strong>Eywa</strong> pelos na&#8217;vi) e tornando-se parceiro amoroso de Neytiri. A vida como na&#8217;vi passa a ser mais real para ele do que a vida como humano, e ele se torna incapaz de trair seus irmãos na&#8217;vi e, embora tenha fornecido informações cruciais à RDA sobre o acesso ao unobtânio, tenta de tudo para impedir Selfridge e Quaritch de tomar a terra dos nativos à força.</p>
<p>O híbrido Sully, meio-humano meio-na&#8217;vi, encontra-se então no limbo, traidor da empresa que o contratou, pois vai impedi-la a todo custo de violar a liberdade dos nativos; traidor dos que o acolheram como irmão, pois desde sempre não confidenciou o plano original por trás de sua imersão em Pandora.</p>
<p>Em contrapartida, Sully empreende um passo decisivo para retomar a confiança dos na&#8217;vi, domando uma fera alada que só grandes heróis do passado conseguiram. Finalmente, tendo informações valiosas sobre seus ex-aliados, que estão em vias de destruir a árvore sagrada sob a qual jaz o unobtânio, ele lidera uma defensiva que livra os na&#8217;vi do perigo humano.</p>
<p>Sully completa sua transformação com a transferência definitiva de sua consciência para o corpo na&#8217;vi, ganhando de Eywa as pernas prometidas por Quaritch. O selvagem primitivo se torna seu próximo passo evolutivo, mais avançado na superação dos preconceitos inter-raciais e interespécies, na compreensão da interconexão dos seres e da natureza e no entendimento do equilíbrio das forças e energias naturais.</p>
<h3>A trama através da nomenclatura</h3>
<p>Muitas dos nomes do cenário de <em>Avatar</em> são simbólicos e ajudam a contar a história, pois revelam o destino da trama e a índole de personagens. A começar com o nome do mundo em que tem palco a narrativa: Pandora.</p>
<p><em><strong>Pandora</strong></em> é uma personagem da mitologia grega, que em algumas versões do mito é considerada a primeira mulher criada pelos deuses. Prometeu havia dado aos humanos o fogo divino, que lhes permitiu sair da barbárie. Após puni-lo, Zeus mandou que Hefesto criasse uma mulher, Pandora, que enganaria Epimeteu, irmão de Prometeu, para que este abrisse a caixa com todos os males que afligiriam a humanidade. Mas ela a fechou antes que a esperança escapasse.</p>
<p>A lua Pandora pode ser vista então como um terreno com valor polivalente para os humanos que ali descem: é ao mesmo a fonte de enormes riquezas materiais, uma selva perigosa que pode matar quem nela se aventura ou uma chance de aprender lições valiosas sobre a alteridade, a natureza e a esperança.</p>
<p>O <em><strong>unobtânio,</strong></em><em> </em>um aportuguesamento livre da palavra unobtainium, é um metal cujo nome já prediz o resultado da história, pois é um trocadilho com unobtainable, que significa em inglês &#8220;inobtenível&#8221;,  &#8221;que não se pode obter&#8221;. Esse minério está no solo em que se enraíza uma árvore sagrada para os na&#8217;vi, que a protegerão com suas vidas. A natureza, Eywa, também não deixará que os humanos coletem o valioso metal.</p>
<p><em><strong>Na&#8217;vi,</strong></em> o nome inventado dos habitantes de Pandora, pode ser entendido como uma mistura de nativo (native, em inglês) com o sânscrito Devi. Eles são o símbolo da alteridade na história, o outro que pode ser visto como antagonista não-humano ou, como vem a ser no final, o não-humano humanizado, compreendido como igual. Eles são os nativos colonizados ou que se pretendem colonizar, simbolizando todo os povos exóticos.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1522" title="Kali" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/kali.jpg" alt="Kali" width="200" height="285" />Mas ao mesmo tempo são entendidos como seres míticos, como deuses e, talvez, como aquilo a que o humano aspira ser. Eles são Devi, que na mitologia hindu designa as divindades femininas, ou as manifestações femininas da divindade, ou ainda as manifestações divinas do feminino. Os na&#8217;vi até lembram, com suas peles azuis, algumas imagens sacras de deuses hindus.</p>
<p>Neste sentido, os na&#8217;vi são incorporações da natureza de Pandora, ou Eywa, e representam o antagonista-natureza de caráter feminino, que se opõe à tecnologia bélica de caráter masculino levada pela RDA. Esse antagonismo entre selva e tecnologia, natureza e cultura, feminino e masculino, é instigante como tema de narrativas como <em>Alien: O Oitavo Passageiro,</em> também dirigido por James Cameron.</p>
<p>Também do sânscrito, <em><strong>avatar</strong></em> denomina as encarnações terrenas da divindade, como Krsna e, dependendo da interpretação teológica, Cristo (Deus feito carne). (Essa palavra nomeia, por derivação, as imagens que na internet servem para identificar uma pessoa (seja em bate-papo, em redes sociais, em RPGs online ou em comentários de blog).)</p>
<p>Os humanos que encarnam na&#8217;vi no mundo destes são como os avatares hindus, deuses encarnados na Terra. Neste sentido, a lição do filme chega a ser ateísta e humanista, pois esses avatares se deparam com o fato de que são iguais aos na&#8217;vi &#8220;comuns&#8221;. Ao mesmo tempo, é salvacionista, pois é o avatar de Jake Sully quem lidera e salva o clã que o acolhe.</p>
<p><em><strong>Eywa</strong></em> é a divindade suprema nas crenças dos nas&#8217;vi, e poderia ser entendida como a imagem que nós humanos nomeamos de Mãe-Natureza. Eywa lembra Eva, a primeira mulher, e como entidade feminina primordial, Eywa simboliza o mundo dos na&#8217;vi, uma interconexão natural.</p>
<p>Segundo Gilbert Durand <em>(As Estruturas Antropológicas do Imaginário),</em> o imaginário se divide basicemente em dois regimes: o diurno e o noturno. Este último é onde as imagens são regidas pela ideia de acolhimento, de aconchego, do abraço, da rede que embala e, envolvendo, protege. Se para o regime diurno a rede é uma teia de aranha que tolhe a liberdade, para o regime noturno, que poderia ser entendido como regido por uma mãe, é acalentamento. Eywa, Eva, princípio feminino, é maternal.</p>
<p><em><strong>Jake Sully,</strong></em> à primeira vista, é um homem cujo principal objetivo é se ocupar depois que perdeu as pernas e, se possível, tê-las de volta com uma cirurgia. O que muda bastante depois que ele se empolga com o Projeto Avatar, que lhe dá a oportunidade de andar e de conhecer um mundo novo e fascinante. A reviravolta completa acontece quando ele se torna um na&#8217;vi, é aceito pelo clã e se une amorosamente a Neytiri.</p>
<p><a href="http://onelook.com/?w=sully&amp;ls=a" target="_blank">Sully</a> é um verbo inglês que reporta à ideia de suspeita, ou seja, Jake Sully está todo o tempo sendo vigiado para que suas intenções fiquem claras e se saiba como ele vai agir. Em certo momento, ele se torna traidor em ambos os lados e precisa tomar uma atitude para agir da maneira mais justa.</p>
<p><em><strong>Grace Augustine,</strong></em> a botânica que escreveu um tratado sobre a flora de Pandora, é Graça Augusta. Se sua importância faz a primeira impressão dela parecer arrogante, ela se mostra uma valiosa aliada para os na&#8217;vi em sua luta pela proteção de Pandora, sendo permitida sua entrada na vila dos Omaticaya, que, mais tarde, tentarão salvar sua vida ameaçada por um tiro de Quaritch.</p>
<p><strong><em>Parker Selfridge</em></strong> está pouquíssimo interessado em entender os outros. A única coisa que ocupa suas preocupações é o self, sua própria trincheira. Os outros ou são ferramentas para ele conseguir o que quer ou são obstáculos a ser derrubados. O estereótipo do empreendedor egoísta e maquiavélico.</p>
<p><em><strong>Miles Quaritch</strong></em> só tem um objetivo: quarrel, peleja. Ele está a serviço da RDA apenas para combater os na&#8217;vi com armas. Ele vai matar quantos nativos forem necessários para executar a meta de Selfridge. Sua índole bélica será decisiva para frustrar qualquer plano diplomático e para criar uma guerra na selva que remonta o sonho guerreiro dos norte-americanos.</p>
<p>[Continua...]</p>
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		<title>Distrito 9 [Resenha]</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 02:02:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>Na pele do camarão</strong></p>
<p>Imagine uma gigantesca nave espacial parada no ar sobre sua cidade. Nada sai lá de dentro durante algum tempo e não sabemos o que a nave trouxe. As Forças Armadas, após algum período de ansiedade geral, decide penetrar a nave e descobre uma população alienígena, com uma aparência mais ou menos de artrópodes bípedes, desnutrida e desamparada.</p>
<p>O que seria mais adequado fazermos com esses extraterrestres que pedem asilo na Terra? Onde devemos alocá-los? O que podemos lhes oferecer? O que eles podem nos dar em troca? Devemos integrá-los à nossa sociedade? Devemos tratá-los como humanos, como não-humanos com alma ou como animais sem alma (animais sem alma, agora eu me toco, é uma contradição; alma vem do latim: anima)?</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1084" title="Distrito 9" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/distrito9.jpg" alt="Distrito 9" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-1083"></span><br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-1102" title="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/Spoilers.png" alt="Spoilers: Esta resenha contém revelações sobre a obra. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura." width="600" height="50" /></p>
<p>O filme <em>Distrito 9,</em> de Neill Blomkamp, produzido por Peter Jackson, assume que uma nave extraterrestre pairou sobre Joanesburgo, capital da África do Sul, e apresenta essa história na forma de um semidocumentário. Nele vemos que as Forças Armadas decidiram abrir a nave e encontraram alienígenas desnutridos e desamparados em busca de asilo.</p>
<table style="font-weight:bold;text-align:right;float:right;margin:5px 0 5px 10px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td>Trama</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Atuação</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Diálogo</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Visual</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Trilha sonora</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Reflexão</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Não sabemos o que ocorreu com eles nem porque vieram até a Terra; especula-se que seus líderes morreram ou que os recursos naturais de seu planeta-natal se exauriram. O fato é que: ei-los, não têm para onde ir.</p>
<p>Começam os conflitos. Os não-humanos, apelidados de &#8220;camarões&#8221; pelos humanos, são alocados numa região inabitada do município, próxima ao centro urbano, chamada de Distrito 9. Assim como os ex-escravos negros construíram o que hoje são as favelas, os &#8220;camarões&#8221; passam a viver uma vida degenerada, habitações apertadas envoltas por lixo, convívio com humanos da Nigéria que traficam armas e drogas. O resultado é que o Distrito 9 se tornou um depósito de &#8220;camarões&#8221; e de lixo.</p>
<p>Aliás, mais do que um depósito, um criadouro. A população não-humana vai crescendo e os &#8220;camarões&#8221;, segregados da população humana, começam a ser vistos como um perigo. As autoridades decidem realocar os &#8220;camarões&#8221; e autorizam a MNU (Multinational United), uma empresa militar privada, a empreender uma ação de despejo liderada pelo funcionário Wikus van der Merwe. Os residentes do Distrito 9 deverão ser realojados no Distrito 10, fora das imediações de Joanesburgo.</p>
<p>Por acidente, Wikus é infectado por uma substância que o faz passar por uma gradativa metamorfose, tornando-o genética e fenotipicamente um híbrido de humano e alienígena. Ele se torna cobaia de testes da MNU e depois foragido, nem humano nem &#8220;camarão&#8221;. Estabelece uma relação ambígua com Christopher, um alienígena que está tentando fugir da Terra. No final, Wikus ajuda Christopher a escapar na nave, em troca da promessa de trazer, em alguns anos, a cura para sua metamorfose.</p>
<h3>O navio negreiro e o banzo interplanetário</h3>
<div id="attachment_1446" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-1446" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/negreirorugendas.jpg" alt="Navio Negreiro, de Johann Moritz Rugendas" width="200" height="127" /><p class="wp-caption-text">Navio Negreiro, de Johann Moritz Rugendas</p></div>
<p>A nave espacial repleta de extraterrestres desamparados pode ser entendida como uma metáfora de um navio negreiro ou uma embarcação repleta de imigrantes. A nave simboliza o degredo e nos faz perguntar qual é a origem desse povo degenerado que se encontra sem rumo no espaço, sem líderes e sem saber para onde ir.</p>
<p>Podemos inferir, pelo conjunto de analogias com a relação colonialista e escravocrata da qual a África foi vítima, que os alienígenas que pairam no céu de Joanesburgo são uma carga de escravos, e que a tripulação da nave morreu de alguma forma, talvez assassinada pelos &#8220;camarões&#8221;.</p>
<p>Entretanto, os equipamentos que eles trazem só podem ser usados por eles, ou seja, foram construídos para sua espécie e provavelmente pela sua espécie. Se eles era escravos, os escravizadores eram muito provavelmente outros &#8220;camarões&#8221;. Os especialistas entrevistados no &#8220;documentário&#8221; dizem que os &#8220;camarões&#8221; encontrados na nave eram operários incapazes de tomar decisões.</p>
<p>Nessa condição, semelhante à dos negros trazidos em navios para a América, seria muito difícil encontrar para eles um abrigo melhor do que uma favela. Não só porque os extraterrestres provocam medo e ninguém sabe que perigo eles podem representar, mas porque a humanidade não se preparou para ampliar os Direitos Humanos ao nível interplanetário.</p>
<p>Esse é o ponto em que a história pode se tornar polêmica. O fato de serem criaturas conscientes (sentient beings) não deveria lhes conceder os mesmos direitos que aqueles concedidos aos humanos?</p>
<h4>Humanos não-humanos</h4>
<p>Quando as nações  europeias expandiram seu domínio ao Leste, construíram um conjunto de representações racistas (o <em>Orientalismo,</em> segundo Edward W. Said; <a href="http://teianeuronial.com/orientalismo-1/" target="_self">leia aqui</a> minha resenha do seu livro sobre este tema) que rebaixaram os humanos orientais a uma condição menos evoluída. Para muitos, sua &#8220;situação&#8221; era irreparável: árabes, indianos e judeus sempre seriam dependentes do domínio do europeu civilizado.</p>
<p>Quando navegantes europeus chegaram à África ocidental e à América, algo semelhante se constituiu. As biologias e as culturas de ameríndios e africanos foram consideradas sub-humanas pela ideologia imperialista, e mais tarde se desenvolveria o racismo científico que naturalizaria a inferioridade e a não-humanidade de povos não-europeus.</p>
<p>O próximo capítulo dessa história, e que se aproxima mais da trama de <em>Distrito 9,</em> é o processo de imigração, especialmente de imigrantes considerados de &#8220;raças&#8221; diferentes, e que ainda são vistos com o mesmo racismo imperialista e colonialista. É nesse contexto que se desenvolve a xenofobia na forma como a vulgarizamos hoje, ou seja, o medo dos estrangeiros.</p>
<h4>Não-humanos humanos</h4>
<p>Atualmente, o processo de mundialização da história da humanidade já vislumbra uma nova ética planetária, ainda não colocada plenamente em prática, mas em princípio já esboçada, segundo a qual todos os seres humanos têm os mesmos direitos básicos. Há também uma tendência a ampliar esses direitos aos animais não-humanos (um exemplo pode ser visto no documentário <em>Terráqueos (Earthlings),</em> sobre o qual você pode saber mais <a href="http://www.earthlings.com/" target="_blank">neste link</a>).</p>
<p>Como já escrevi em algum lugar desta Teia, esses direitos deverão se expandir quando os humanos tiverem contato e começarem relações com espécies alienígenas. Assim como a crença nas diferenças fundamentais entre &#8220;raças&#8221; humanas (que justificavam conflitos violentos) foi revista, qualquer crença que justifique desigualdades baseadas nas diferenças interespécies deverá ser superada tanto por parte dos humanos quanto de qualquer outro povo extraterrestre.</p>
<div id="attachment_1461" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-1461" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/unitedfederationplanets.png" alt="Brasão da Federação Unida de Planetas" width="200" height="151" /><p class="wp-caption-text">Brasão da Federação Unida de Planetas, do universo de Jornada nas Estrelas</p></div>
<p>Essa utopia é prevista em obras como a franquia <em>Jornada nas Estrelas,</em> onde se concebe a Federação Unida de Planetas, que rege vários planetas e vários povos que entre si são alienígenas, tanto biológica como culturalmente. Na série <em>Babylon 5,</em> também há a ideia de que os vários povos interplanetários devem tratar uns aos outros como detentores dos mesmos direitos básicos.</p>
<p>A situação criada em Joanesburgo e no Distrito 9 dificultou grandemente a aplicação de qualquer ideal universalista pós-humanista. Os alienígenas estavam em situação tão precária e doente que passaram a viver no lixo, viciados em ração de gato, traficando armas hi-tech e sem controle populacional.</p>
<p>Ou seja, sem condições de reconstruir uma vida organizada, os &#8220;camarões&#8221; passam a ser monstros ou, no mínimo, animais, uma praga com que ninguém sabe como lidar. Os Direitos Humanos, portanto, não têm condições de evoluir nessas circunstâncias. Talvez, se nós um dia tivermos condições de acolher um povo desamparado com as melhores condições para sua recuperação, poderemos começar a revisar os Direitos Humanos e constituir os Direitos Universalistas.</p>
<h3>O híbrido no limbo</h3>
<p>Wikus van der Merwe é um personagem que à primeira vista dá a impressão de poder ser resumido numa palavra: pateta. É arrogante, simplório, preconceituoso e bobo. Porém, enquanto figura central da narrativa, ele se revela e revela a complexidade humana, em seus sentimentos e ações, diante do inusitado, diante do outro e do diferente.</p>
<p>A operação de despejo ocorre através de duas forças antagônicas e complementares: a abordagem pseudoconciliatória de Wikus e a abordagem destrutiva dos soldados que o acompanham. Wikus arrefece os ânimos dos militares (ansiosos para descarregar suas tensões e balas nos &#8220;camarões&#8221; cuja existência é uma afronta a sua xenofobia) enquanto estes asseguram a eficiência da ação e a segurança de Wikus.</p>
<p>A complexidade subjetiva de sua ação de despejo se revela primeiramente quando ele não consegue convencer um dos alienígenas, Christopher, a deixar sua casa, pois este, inadvertidamente, sabe ler o mandado de despejo e encontra uma contradição. Para se safar, Wikus apela para os sentimentos de Christopher, ameaçando levar embora seu filho.</p>
<p>Em segundo lugar, Wikus se vê sofrendo uma mutação que transforma seu corpo, primeiro um dos braços, no de um &#8220;camarão&#8221;. Ele é forçado a testar uma arma alienígena, que só funciona quando em contato com um &#8220;camarão&#8221;, e a matar um não-humano, o que ele recusa insistentemente.</p>
<p>Ao fugir do cativeiro, Wikus passa a protagonizar um dos principais temas do filme: o dilema do híbrido. Ele se torna pária entre os humanos, e aquele que deveria ter salvo Joanesburgo da praga dos &#8220;camarões&#8221; se encontra no caminho não só de se tornar um destes como de minar a operação de despejo. Isso por que ele passa a trabalhar com um dos alienígenas, em busca de uma troca de favores: Christopher quer voltar para casa e Wikus quer uma cura para a transformação.</p>
<p>Mas é graças à transformação que Wikus consegue salvar a própria pele e a de seu amigo. Para todos os efeitos, Wikus passa a ser um &#8220;camarão&#8221;, mesmo que neste ponto do filme ele ainda seja bem reconhecível como humano. Sua esposa não o quer mais (primeiro por insistência do pai, mas depois pelo escândalo que os acontecimentos causaram) e ele perde toda os laços com Joanesburgo.</p>
<p>Quando o &#8220;branco&#8221; se misturou com um &#8220;negro&#8221; (ou um &#8220;camarão&#8221;), a ideologia segregacionista da colonização anglo-saxã não cogitou a identidade mestiça. O resultado da mistura é que a parte &#8220;branca&#8221; foi sujada pela parte &#8220;negra&#8221;. Como nos EUA, em que uma gota de sangue negro é suficiente para tornar um indivíduo &#8220;negro&#8221;, Wikus se tornou um &#8220;camarão&#8221; ao entrar em contato com uma gota do elixir preto de Christopher.</p>
<h4>(O dilema do híbrido</h4>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1445" title="Spock, Worf e Arwen" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/spockworfarwen.JPG" alt="Spock, Worf e Arwen" width="600" height="150" /></p>
<p>Esse problema trazido pelo ineditismo da identidade híbrida aparece em outras histórias em que a mistura é tematizada. Spock é exemplar, pois, por mais claro que seja, para ele e para os que o rodeiam, o fato de que sua mãe é humana e seu pai é vulcano, ele insistentemente declara sua identidade vulcana, e é muitas vezes questionado sobre essa identidade. Ele é exortado pelo pai, em <em>Star Trek</em> (2009), a escolher entre sua natureza vulcana e humana, e não a assumir uma terceira opção, ou seja, a de que ele é um mestiço.</p>
<p>Ainda no universo de <em>Jornada nas Estrelas,</em> Worf nasceu klingon mas foi criado por humanos. Embora tivesse pouquíssimo contato com outros klingons, ele insistiu que os pais só lhe fizessem comida de sua cultura-natal, e foi muito exigente consigo mesmo quanto à manutenção da tradição de seus ancestrais biológicos e não a dos seus pais adotivos. &#8220;I&#8217;m a Klingon&#8221; é uma expressão que ele repete em muitos momentos da série <em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.</em> O encontro de culturas poderia ter feito nascer uma mentalidade amálgama em Worf, mas ele parece não ter herdado nada dos pais humanos.</p>
<p>Na Terra-Média criada por J. R. R. Tolkien, várias raças se encontram e se misturam. Arwen, por exemplo, é uma meio-elfa, resultado de uma genealogia em que se encontram elfos e humanos. Mas ela é considerada elfa, e portanto imortal, durante quase toda a história de sua vida, até que decide se tornar mortal (humana) por amor ao seu marido, Aragorn, que é humano. Ela não poderia ser um híbrido (como aliás existe no universo do RPG <em>Dungeons &amp; Dragons),</em> com características de ambas as ascendências?</p>
<p>(Pretendo escrever em breve um post mais elaborado sobre este tema.))</p>
<h4>O herói</h4>
<p>Despretensiosamente, Wikus se tornou um herói para os &#8220;camarões&#8221;, e talvez sua metamorfose seja considerada uma benção pelos não-humanos. O fato é que, com o tempo, ele completou essa metamorfose e se tornou fisicamente um &#8220;camarão&#8221;, vivendo no lixo do Distrito 10, à espera do retorno de Christopher.</p>
<p>Porém, fica implícito que a promessa de Christopher de trazer uma cura pode ser uma mentira. De certa forma, Wikus só foi importante para que se abrisse a oportunidade de os &#8220;camarões&#8221; fugirem e voltarem para casa. Ele é o Judas sem cuja traição Cristo(pher) não poderia ter cumprido sua promessa (talvez a analogia religiosa tenha um certo apelo nos espectadores).</p>
<p>No entanto, é bem provável que Wikus não tenha mais perspectiva de retornar à humanidade. Ele se tornou um anátema em Joanesburgo, por muitos é tido como morto (para sua ex-epossa, ele é um fantasma que deixa flores de metal na porta de sua casa).</p>
<p>Se Christopher retornar com mais não-humanos, possivelmente tentará resgatar os &#8220;camarões&#8221; que ficaram (e que se multiplicam velozmente) e é bem provável que ocorra um conflito violento com os humanos. Neste conflito, só haverá duas opções razoáveis para Wikus: abster-se ou ficar do lado dos alienígenas. Se a oportunidade de ajudar os humanos surgir (baseada na larga experiência de como vivem e pensam os &#8220;camarões&#8221;), ele não terá nada a ganhar.</p>
<h3>Um cinema híbrido</h3>
<p><em>Distrito 9</em> me causou sentimentos ambíguos. Se por um lado suscitou uma reflexão interessante (exposta acima) e se inicia de forma criativa, como um documentário realístico, passa depois a conter elementos de ação heroicista e belicista. Se em alguns momentos aborda os temas de modo crítico, em outros cai no apelo emotivo.</p>
<p>No entanto, essa mistura de cinema sul-africano com Hollywood gerou uma obra multifacetada, que pode ser admirada de várias formas e gerar diversas interpretações e apreciações. A introdução do filme cria uma tensão muito grande e uma expectativa de tragédia iminente que, se não fosse contornada pela ação da segunda parte da história, a faria terminar como <em>Dançando no Escuro</em> de Lars von Trier. Pensando  bem, o final de Wikus, transformado em alienígena, é trágico.</p>
<p>Essa mesma ação, que se opõe à primeira parte, contribui para manter a tensão e o espectador na cadeira. Neste aspecto, o cineasta foi bem-sucedido, criando uma obra que prende a atenção até o fim e proporciona a oportunidade de não nos perdermos enquanto acompanhamos uma trajetória repleta de elementos que nos levam à reflexão sobre humanidade, Direitos Humanos e Universalismo.</p>
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		<title>Star Wars vs. Star Trek</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 16:43:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
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		<description><![CDATA[ou O passado heroico e o futuro utópico No seriado Os Universitários (Undergrads), a que eu assistia no [adult swim], a faculdade técnica era habitada por nerds e geeks. Entre eles, havia uma certa rivalidade entre os fãs de Guerra nas Estrelas (Star Wars) e os fãs de Jornada nas Estrelas (Star Trek), também conhecidos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>O passado heroico e o futuro utópico</strong></p>
<p>No seriado <em><strong>Os Universitários</strong> (Undergrads),</em> a que eu assistia no [adult swim], a faculdade técnica era habitada por nerds e geeks. Entre eles, havia uma certa rivalidade entre os fãs de <em><strong>Guerra nas Estrelas</strong> (Star Wars)</em> e os fãs de <em><strong>Jornada nas Estrelas</strong> (Star Trek),</em> também conhecidos como trekkers.</p>
<p>Eu não conhecia quase nada sobre <em>Jornada nas Estrelas</em> há até certo tempo, tendo apenas visto uns dois episódios de <em>Enterprise</em> e apenas um dos filmes. Porém, sabia quase tudo sobre <em>Guerra nas Estrelas</em> (ao menos tudo o que não incluísse o Universo Expandido), tendo visto todos os 6 filmes mais de uma vez cada.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-509 aligncenter" title="Tripulação original de Jornada nas Estrelas" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/startrekcrew.jpg" alt="Tripulação original de Jornada nas Estrelas" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-508"></span>Tinha um certo preconceito em relação a <em>Jornada,</em> talvez pelo fato de ser uma história produzida em série, o que muitas vezes implica o esgotamento da criatividade, diluída em tantos episódios e produções cinematográficas. Mas eu já havia assistido a praticamente quase toda a série <em>Babylon 5,</em> uma obra de ficção científica muito boa e de qualidade.</p>
<p>Há algum tempo venho me interessando cada vez mais pelas histórias de ficção científica que têm como tema alienígenas e extraterrestres, e esse interesse me levou a buscar conhecer melhor <em>Jornada nas Estrelas,</em> que é, a propósito, uma das principais influências de J. Michael Straczynski para a concepção de <em>Babylon 5.</em> Só a idéia de um conjunto de histórias que trata das relações entre diversos povos da galáxia já deveria ter me levado a conhecer melhor a <em>Jornada.</em> Então decidi comprar a primeira temporada da série clássica. Ao assistir a vários episódios, comecei a refletir sobre algumas diferenças entre <em>Star Wars</em> e <em>Star Trek.</em></p>
<p>Em primeiro lugar, e isso é fundamental para se entender a maioria das diferenças conceituais entre a mitologia da Força e a alegoria trekker, <em>Guerra nas Estrelas</em> é uma história que se passa há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, enquanto <em>Jornada nas Estrelas</em> é uma fábula futurista que se passa nesta galáxia, com protagonistas cuja origem é o planeta Terra.</p>
<p>Ou seja, enquanto a primeira se trata de acontecimentos muito distantes de nós, a outra concerne o nosso futuro, as conseqüências do nosso presente. Enquanto uma se passa num passado mítico, outra acontece num futuro utópico.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-510" title="Protagonistas de Guerra nas Estrelas VI: O Retorno de Jedi" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/starwarsteam.jpg" alt="Protagonistas de Guerra nas Estrelas VI: O " width="200" height="250" />O nome <em>Guerra</em> já caracteriza a história de Luke e Anakin Sktwalker como um conflito bélico, que destaca como figuras centrais heróis de guerra. Há complôs políticos, traições, golpes e a instauração de um regime de terror totalitário que precisa ser derrubado à força.</p>
<p><em>Jornada</em> é uma palavra-chave, pois caracteriza a idéia original de uma nave e sua tripulação explorando a galáxia. Os conflitos que ocorrem não chegam a configurar guerras, mas muitas vezes se busca uma solução pacífica, embora isso nem sempre seja possível.</p>
<p>No cenário da <em>Guerra,</em> os poderes de uma casta especial de guerreiros é um ponto fundamental da trama, pois é entre os Jedi que vai aparecer o Escolhido e seu filho. Eles são predestinados desde o nascimento a se tornar figuras centrais dos vários episódios dessa saga épica. Tornam-se figuras notáveis como os grandes guerreiros invencíveis dos mitos antigos, tais quais Hércules, rei Arthur ou Sansão. A decisão de um desses heróis ou os efeitos sobre eles têm conseqüências galácticas, ou seja, eles têm, individualmente, poder de mudar a história.</p>
<p>Os protagonistas da <em>Jornada</em> não são super-humanos. Eles se destacam muito mais por suas peculiaridades individuais, idiossincrasias pitorescas que servem de mote para o desenrolar das tramas dos episódios. Embora haja encontros com espécies alienígenas que possuem poderes sobre-humanos, o mais importante nesses encontros é a resolução das diferenças, as formas de se usar a diplomacia. Dessa forma, o destino de cada episódio não depende somente da decisão de um herói, mas de um conjunto de fatores os mais diversos.</p>
<p>Um dos mais interessantes aspectos da saga da <em>Guerra</em> é o conflito mítico-arquetípico-psicanalítico. A história não é só uma aventura espacial, uma space opera. O cenário de ficção científica aí não é importante, pois a história poderia se passar num cenário de fantasia medieval, na antigüidade grega ou até na contemporaneidade ocidental, com o Império sendo representado por um governo totalitário e expansionista.</p>
<p>A ficção científica apenas serve de máscara para uma história heróica, que remete ao teatro clássico, com episódios de tragédia e drama. O mais notável dos quais é a relação edipiana entre Luke Skywalker e Darth Vader. A sedução inevitável de Anakin Skywalker para o lado sombrio da Força também é impressionante. O desenrolar desse épico tem início, meio e fim, ou seja, a história completa um círculo triunfal, na forma de uma escatologia.</p>
<p>Não há esse elemento dramático em <em>Jornada.</em> O desenrolar das histórias formam como que uma linha mais ou menos homogênea, com altos e baixos que sempre mantêm o universo em equilíbrio. O final de cada episódio traz a normalidade, representada pela repetida observação do Capitão Kirk de que a Enterprise segue firme de volta ao seu rumo.</p>
<p>Acho que a diferença mais básica entre uma e outra está no nível psíquico pelo qual cada uma fisga o expectador. A <em>Guerra</em> apela mais para os sentidos. Quem assiste fica passivo diante do espetáculo, das cores e luzes, das batalhas e duelos, dos confrontos dramáticos entre os personagens. Na <em>Jornada,</em> é a trama que interessa, e o expectador não pára de pensar nas possibilidades de como será resolvido o roteiro, pois atiça a inteligência da platéia. Essa diferença, penso, pode guiar o apreciador de ficção científica a escolher entre uma experiência poético-dramática da <em>Guerra</em> entre o bem e o mal ou uma experiência mais intelectual e abstrata na <em>Jornada</em> pelas descobertas do Universo.</p>
<p>Quanto à abordagem do tema <em>alienígenas e extraterrestres,</em> acho a <em>Jornada</em> melhor, pois, assim como <em>Babylon 5,</em> muitas das histórias se utilizam da questão das diferenças, da alteridade entre as espécies de planetas diversos, como metáfora dos problemas que os povos humanos enfrentam entre si. Quando chegar o tempo em que entrarmos em contato com seres de outros planetas, teremos que estar preparados social, cultural, moral e psiquicamente para lidarmos com povos que provavelmente terão diferenças muito maiores do que as que há entre europeus e africanos, e tais diferenças terão que ser superadas se quisermos evoluir.</p>
<h3>Adendo (06/12/2008 e.c.; 11:40)</h3>
<p style="text-align:center;"><object width="480" height="385" data="http://www.youtube.com/v/v4ijDlbvAxw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/v4ijDlbvAxw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr />
<h3>Republicação e notas</h3>
<p>Este texto foi originalmente publicado em 5 de dezembro de 2008 e.c., e estava entre vários <a href="http://teianeuronial.com/mesma-alma-outro-corpo/">posts que se perderam</a> num problema do <a href="http://dreamhost.com/" target="_blank">Dreamhost</a>.</p>
<p>Dia destes eu descobri que conseguiria recuperar os textos (mas não os comentários) através do <a href="http://www.google.com.br/reader/" target="_blank">Google Reader</a>, que armazena todo o conteúdo dos feeds desde o momento em que eu me inscrevo em um. Eu sabia que me inscrever no feed do meu próprio site poderia vir a ser útil.</p>
<p>Minha motivação mais imediata para republicar este texto foi o quadrinhista <a href="http://almadeaco.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Aoki</a>, que, ao que tudo indica, veio à Teia Neuronial através da comunidade do <a href="http://orkut.com" target="_blank">orkut</a> <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=4510210" target="_blank">Gosto de Star Wars e Star Trek</a>, onde certa vez <a href="http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=4510210&amp;tid=5276608816422348861" target="_blank">deixei um link</a> para o texto agora republicado. Infelizmente ele chegou aqui e não encontrou o texto. Felizmente o texto está aí. Espero que tenha apreciado, Fernando.</p>
<p>Neste momento, 17 de junho de 2009 e.c., já assisti a toda a série original de <em>Jornada nas Estrelas,</em> aos três primeiros filmes e a quase toda a primeira temporada de <em>Jornada nas Estrelas: A Nova Geração,</em> que, a propósito, é muito boa também. A tripulação da Enterprise que aparece no vídeo acima é da <em>Nova Geração.</em></p>
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		<title>Um sonho dentro de um sonho [Resenha]</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Jun 2009 22:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
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		<category><![CDATA["Twin Peaks"]]></category>
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		<category><![CDATA[A Estrada Perdida]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Hopkins]]></category>
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		<category><![CDATA[Edgar Allan Poe]]></category>
		<category><![CDATA[Um Sonho dentro de um Sonho]]></category>
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		<description><![CDATA[ou Procurando um subtítulo para esta resenha Comecei a ver o filme Um Sonho dentro de um Sonho (Slipstream, 2007) percebendo que se tratava de algo cronologicamente desconexo. Pelo título em português, imaginei que a sucessividade descontínua, evidente logo no início do filme, deveria se explicar por uma aparente confusão entre realidade e sonho. Provavelmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>Procurando um subtítulo para esta resenha</strong></p>
<p>Comecei a ver o filme <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0499570/" target="_blank">Um Sonho dentro de um Sonho</a></strong> (Slipstream,</em> 2007) percebendo que se tratava de algo cronologicamente desconexo. Pelo título em português, imaginei que a sucessividade descontínua, evidente logo no início do filme, deveria se explicar por uma aparente confusão entre realidade e sonho. Provavelmente o protagonista presenciaria duas realidades simultâneas, o mundo desperto e o mundo onírico.</p>
<p>Pensei que talvez o filme tivesse algo de semelhante com <a href="http://www.imdb.com/title/tt0243017/" target="_blank"><em>Waking Life</em></a> (2001) e suas elocubrações no mundo dos sonhos. Mas fui me dando conta de que ele tinha mais a ver com <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0315733/" target="_blank">21 Gramas</a> (21 Grams,</em> 2003), com sua trama em formato de quebra-cabeça que só vamos entender do meio para o final do filme, reconstituindo mentalmente a ordem lógica das tomadas. Porém, passei a pensar que essa estranha obra de Anthony Hopkins se assemelhava mais ao surrealismo de David Lynch, como em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0098936/" target="_blank"><em>&#8220;Twin Peaks&#8221;</em></a> (1990) ou <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0116922/" target="_blank">A Estrada Perdida</a> (Lost Highway,</em> 1997). Outro engano.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-457 aligncenter" title="Um sonho dentro de um sonho" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/sliptreamfilme.jpg" alt="Um sonho dentro de um sonho" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-456"></span>Se, como nos filmes de Lynch (que, aliás, dirigiu um belíssimo e não-surreal filme com a participação de Anthony Hopkins, <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0080678/" target="_blank">O Homem Elefante</a> (The Elephant Man,</em> 1980)), o filme instiga o expectador a procurar desesperadamente um sentido cronológico e lógico para a trama, aqui temos alguns elementos, presentes no próprio universo da obra, que nos fazem achar que é inútil tentar desvendar qualquer coisa.</p>
<table style="font-weight:bold;text-align:right;float:right;margin:5px 0 5px 10px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td>Trama</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="0" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota0.png" alt="0" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Atuação</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Diálogo</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="4" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Visual</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="5" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Trilha sonora</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Reflexão</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O que fica (mais ou menos) claro em certo momento é que, quando a história está focada em Felix Bonhoeffer (o roteirista interpretado pelo próprio diretor, Hopkins), há interferências constantes dos próprios pensamentos dele, representadas por flashes.</p>
<p>Em certo momento, a história sofre uma reviravolta. Paradoxalmente, essa reviravolta ocorre com a trama ganhando mais sentido. Os flashes diminuem consideravelmente e não há cortes de cena durante muitos minutos.</p>
<p>Descobrimos que se trata de um filme (dentro do filme), cujo roteiro é de Felix Bonhoeffer, mas que, nessa cena contínua e sem flashes, sofreu muitas intervenções de um dos atores, que resolveu roubar a cena. Bonhoeffer é chamado para restituir o roteiro, e aí recomeça a confusão para o expectador. Os personagens mudam o tempo todo de papel dentro da história, em um momento, Gina é atriz no filme roteirizado por Bonhoeffer, em outro momento, ela é sua esposa.</p>
<p>Então começa a ficar mais claro que grande parte do que estamos vendo nesse filme só existe na mente de Felix Bonhoeffer. Ele vai criando enredos, baseando-se em coisas que vê ao seu redor, e até participa da história que ele mesmo cria. Mas parece que ele não tem muito controle sobre sua própria percepção da realidade: a ficção que inventa e a realidade que vive se misturam de forma perturbadora.</p>
<h3>Uma resenha dentro de uma resenha</h3>
<p>Essa foi o único jeito de escrever uma resenha sobre <em>Um sonho dentro de um sonho.</em> Não há o que desvendar, não se trata de um filme policial nem de um enredo em forma de quebra-cabeças. O que se pode entender desse filme é que (parece que) ele reflete o processo de criação do próprio roteirista e diretor, ou seja, o processo criativo de Anthony Hopkins e sua relação com a própria história.</p>
<p>Isso se dá não só no reflexo que o filme representa da construção da obra (o que é inevitável, e vai neste caso ao ponto de a esposa de Hopkins interpretar a esposa de Bonhoeffer), mas também no sentido inverso. Por exemplo, quando o filme deixa de focar em Felix Bonhoeffer, é justamente quando a história parece mudar de rumo, quando um de seus personagens ganha vida e muda o roteiro. Inesperadamente, as coisas voltam ao normal e, quando Bonhoeffer reassume o controle de seu roteiro, o filme se torna, outra vez, meio louco.</p>
<p>Ainda fiquei sem entender a fundo o que a menção a Edgar Allan Poe quer dizer. É que um personagem misterioso comenta que a forma de Felix Bonhoeffer pensar lembra o poema <em>A Dream within a Dream (Um Sonho dentro de um Sonho)</em>, de Poe. Em vários trechos do filme, aparecem corvos, lembrando um outro poema deste autor, <em><a href="http://en.wikisource.org/wiki/The_Raven_(Poe)" target="_blank">The Raven</a> (O Corvo).</em> De qualquer forma, entendo que a primeira referência é óbvia, já que estamos diante de um filme em que é impossível ter certeza do que é sonho e do que é realidade.</p>
<blockquote><p>Take this kiss upon the brow!<br />
And, in parting from you now,<br />
Thus much let me avow-<br />
You are not wrong, who deem<br />
That my days have been a dream;<br />
Yet if hope has flown away<br />
In a night, or in a day,<br />
In a vision, or in none,<br />
Is it therefore the less <em>gone?</em><br />
<em>All</em> that we see or seem<br />
Is but a dream within a dream.</p>
<p>I stand amid the roar<br />
Of a surf-tormented shore,<br />
And I hold within my hand<br />
Grains of the golden sand-<br />
How few! yet how they creep<br />
Through my fingers to the deep,<br />
While I weep- while I weep!<br />
O God! can I not grasp<br />
Them with a tighter clasp?<br />
O God! can I not save<br />
One from the pitiless wave?<br />
Is <em>all</em> that we see or seem<br />
But a dream within a dream?</p></blockquote>
<p>Outra referência a que foi dada muita ênfase é o filme <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0049366/" target="_blank">Vampiros de Almas</a> (Invasion of the Body Snatchers,</em> 1956), do qual ouvira falar depois que assisti à série <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0460651/" target="_blank">Invasão</a> (Invasion,</em> 2005). Talvez eu compreenda algo mais depois que vir esse clássico do terror hollywoodiano&#8230; ou talvez fique ainda mais confuso.</p>
<h3>Comentários sobre a avaliação</h3>
<p>A tabela de avaliação acima precisa de comentários. Dei nota zero à <em>trama,</em> não porque seja ruim (neste caso, a nota teria sido 1), mas porque ela é difícil ou impossível de divisar. É uma sequência psíquica de eventos. Por isso, o zero quer dizer que, no caso deste filme, o quesito <em>trama</em> não se aplica. O próprio filme diz isso numa cena de engarrafamento em que um homem sai do carro enfurecido com a buzina do motorista que vem atrás, atirando em vários pessoas e gritando:</p>
<blockquote><p>We lost the plot! [Perdemos a trama!]</p></blockquote>
<p>Já os <em>diálogos</em> são bons, são fluidos, mas&#8230; como o resto do filme, são meio que um monte de frases jogadas, sem pistas de como serem conectadas entre si.</p>
<p>A <em>atuação</em> e o <em>visual,</em> que são, digamos os aspectos mais técnicos do filme, são excelentes, por isso mereceram nota máxima. Mas não lembro de nada da <em>trilha sonora,</em> o que pode ser um ótimo sinal (por um lado, ela pode ser tão sutil que nos faz prestar mais atenção à história do que à música) ou um péssimo sinal (por outro lado, a trilha sonora era tão sem graça que meu inconsciente me fez ignorá-la). Por isso, uma nota média.</p>
<p>Avaliei a <em>reflexão</em> da mesma forma, pois, se por um lado o filme permite uma miríade de pensamentos e conexões com outros temas, ele o faz mais porque estimula de modo caótico e aleatório o cérebro, e não através de uma desconstrução crítica de ideias sobre um tema específico. Em suma, é ruim e bom ao mesmo tempo. Portanto, 3.</p>
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		<title>O dia em que a Terra parou [Resenha]</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 20:24:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[alienígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque ETs]]></category>
		<category><![CDATA[extraterrestres]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Fria]]></category>
		<category><![CDATA[O Dia em que a Terra Parou]]></category>
		<category><![CDATA[The Lost Vikings II]]></category>
		<category><![CDATA[Uma Noite Alucinante 3]]></category>

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		<description><![CDATA[ou A paz é uma ameaça Em plena Guerra Fria, um extraterrestre vem à Terra convocar uma reunião com todos os líderes do planeta, para discutir a ameaça nuclear que as briguinhas da raça humana representa para a humanidade e para povos de outros planetas. Mal-interpretado, ele sofre as consequências daquilo que veio erradicar: a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>A paz é uma ameaça</strong></p>
<p>Em plena Guerra Fria, um extraterrestre vem à Terra convocar uma reunião com todos os líderes do planeta, para discutir a ameaça nuclear que as briguinhas da raça humana representa para a humanidade e para povos de outros planetas. Mal-interpretado, ele sofre as consequências daquilo que veio erradicar: a imaturidade belicista do <em>Homo sapiens belicosus.</em></p>
<p><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0043456/" target="_blank"><strong>O Dia em que a Terra Parou</strong></a> (The Day the Earth Stood Still,</em> 1951), dirigido por Robert Wise, roteiro de Edmund H. North, conta a história de uma missão de paz no planeta Terra, confiada ao extraterrestre Klaatu, que pousa com seu disco voador em Washington, DC, EUA, e, ao descer da nave demonstrando intenções pacíficas e um estranho instrumento confundido com uma arma por um soldado humano, é baleado. Ao sinal de perigo, um robô sai da nave e assiste seu mestre, destruindo as armas dos soldados.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-406 aligncenter" title="O Dia em que a Terra Paou" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/filmeodiaemqueaterraparou.jpg" alt="O Dia em que a Terra Paou" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-405"></span>Como se o governo tentasse esconder a besteira que fez, leva Klaatu para um hospital do exército, onde ele mostra ter uma saúde e constituição físicas sobre-humanas, recuperando-se rapidamente da ferida da bala. Além disso, possuindo a aparência de um homem humano de uns 35 a 40 anos de idade, revela ter na verdade 78.</p>
<table style="font-weight:bold;text-align:right;float:right;margin:5px 0 5px 10px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td>Trama</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Atuação</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Diálogo</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Visual</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Trilha sonora</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="4" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Reflexão</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="5" width="170" height="25" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Mas não só seu corpo tem a perfeição divina em relação aos padrões humanos. Seus valores morais também são superiores, tanto que ele ordena que o robô Gort pare de destriur as armas dos soldados que tentaram matá-lo. No interesse da harmonia cósmica, ele é integrante de uma raça alienígena superavançada que teme o mal uso da energia nuclear pelos seres humanos, em seus conflitos egoístas e bairristas. Por isso é lógico, para ele, que sua mensagem seja transmitida numa reunião com os líderes de todas as nações da Terra.</p>
<p>Mas o governo norte-americano não pode aceitar essa proposta. Os líderes da Terra estão ocupadíssimos com interesses bélicos que dificultam ou impedem o diálogo. O que para o assessor do presidente dos EUA é um conflito entre o bem e o mal, no qual seu país é o bem e a URSS é o mal, para Klaatu o mal permeira o próprio conflito, o mal está nos dois lados da guerra. O diplomata extraterrestre sente que sua missão tem grandes chances de fracassar.</p>
<p>Felizmente, ele recebe ajuda de uma criança e de um cientista. A pureza do menino o ajuda a entender melhor os seres humanos e a racionalidade ética do prof. Barnhardt permite que ele arranje uma reunião com pensadores de todo o mundo. Infelizmente, seus planos não terminam como esperado. Klaatu é morto pela polícia, ressucitado por Gort, seu robô indestrutível, e deixa para um grupo atônito de cientistas e soldados a mensagem de que o futuro da Terra dependerá de uma escolha que supere os mesquinhos interesses que movem a humanidade a uma guerra iminente.</p>
<h3>O que Robert Wise e Edmund H. North trouxeram do espaço?</h3>
<p>É animador ver que um diretor norte-americano fez uma história na qual os interesses oficiais de seu próprio país são vistos como algo secundário e a mensagem trazida pelo alienígena, de que há algo muito mais relevante do que pequenos conflitos internos, sobressai.</p>
<p>Já aí, na década de 50, vemos que sempre houve quem vislumbrasse a possibilidade de conseguirmos construir um mundo no qual os interesses da humanidade (e, a posteriori, de todos os povos do Cosmos) seriam unificados. Ao privilegiar uma forma mais universalista, racionalde e desinteressada de conhecimento, no caso a Ciência, que é o meio de contato inicial entre Klaatu e o prof. Bernhardt, afastamo-nos da Política, forma mais sectarista e interessada de lidar com as relações interconscienciais.</p>
<p>Podemos apreender dessa história a compreensão de que a humanidade ainda está extremamente apegada aos seus valores sectários e à necessidade de defendê-los com a guerra. A ordem coordenada pelas elites das diversas sociedades terráqueas é defendida por quem dela mais se beneficia, mas também por aqueles que estão na base da pirâmide social e que não veem outra realidade possível. A paz oferecida pelos alienígenas é uma ameaça à ordem vigente na Terra.</p>
<p>O contexto em que foi produzido o filme enfatizou a ameaça real da Guerra Fria, o conflito entre EUA e URSS, entre Capitalismo e Socialismo. Mas quando Klaatu fala sobre as infantis brigas que os seres humanos mantêm entre si, podemos levar e trazer essa observação para o passado e o presente da humanidade, de modo que, embora tenham surgido outros tipos de conflitos no planeta desde 1951, a mensagem do filme ainda é a mesma.</p>
<h3>&#8220;Klaatu barada nikto&#8221;</h3>
<p><em>O Dia em que a Terra Parou</em> é um dos grandes marcos da ficção científica, sendo influência significativa para as histórias sobre extraterrestres criadas posteriormente, tanto no cinema quanto na televisão e nos video games.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-424" title="The Lost Vikings II © Blizzard" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/thelostvikings2klatu.png" alt="The Lost Vikings II #copy; Blizzard" width="200" height="168" />No hilário <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0106308/" target="_blank">Uma Noite Alucinante 3</a> (Army of Darkness,</em> 1992), Ash precisa recitar as palavras &#8220;klaatu verata niktu&#8221; para evitar que a maldição do Necronomicon caia sobre a terra. No entanto, ele se atrapalha com as palavras. Parodiando a paródia, a Blizzard, no jogo The Lost Vikings II, para Super Nintendo, uma bruxa recita palavras parecidas para enviar os vikings por teletransporte, e se atrapalha da mesma forma.</p>
<p>No seriado <em>Mission Hill,</em> um dos personagens descobre que seu vizinho foi o diretor de um pouco conhecido filme de ficção científica no qual um estranho extraterrestre, que lembra muito Gort, desce num disco voador e ameaça a Terra. Quando o garoto resolve exibir o filme no cinema local, todos riem dos efeitos especiais e da interpretação do ator, que era o atual marido do ex-cineasta e que só estrelou porque era namorado do diretor.</p>
<p>Mas a importância maior dessa obra foi quebrar com a tendência de se pensar os extraterrestres como portadores de más intenções, sempre querendo invadir a Terra para colonizá-la ou destruí-la. Neste caso, quem agiu de forma violenta e brutal foram os seres humanos, primitivos demais para entender os propósitos nobres do &#8220;homem do espaço&#8221;.</p>
<p>Vemos esse tipo de abordagem repetido 15 anos depois na série <em>Jornada nas Estrelas,</em> em que se valorizam as relações diplomáticas entre os povos de planetas diferentes. No seriado <em>Babylon 5,</em> também há uma referência ao filme de Wise: no primeiro contato dos humanos com os minbari, habitantes do planeta Minbar, um gesto de boas intenções do tripulante da nave minbari foi mal interpretado pelos humanos, que iniciaram um ataque que culminou numa guerra. Esta só terminaria quando os minbari, moralmente mais evoluídos do que os humanos, perceberam a inutilidade do conflito.</p>
<p>Também é herdeiro dessa forma de lidar com extraterrestres o cineasta Steven Spielberg, em flmes como <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0075860/" target="_blank">Contatos Imediatos do Terceiro Grau</a> (Close Encounters of the Third Kind,</em> 1977) e <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0083866/" target="_blank">E.T.: O Extraterrestre</a> (E.T.: The Extra-terrestrial,</em> 1982). É preciso perceber que, da mesma forma que diferentes grupos humanos têm diferentes modos de ver o mundo, espécies alienígenas teriam formas ainda mais díspares de conceber o universo.</p>
<p>Talvez não pudéssemos parodiar a velha história dos aliens invasores, como no filme <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0116996/" target="_blank">Marte Ataca!</a> (Mars Attacks!,</em> 1996) e no livro <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Hitchhiker%27s_Guide_To_The_Galaxy" target="_blank">O Guia do Mochileiro das Galáxias</a> (The Hitchhiker&#8217;s Guide to the Galaxy),</em> se não fosse o rompimento com essa visão etnocêntrica que coloca o ser humano (e, em certa medida, os seres humanos ocidentais) como o modelo de vida inteligente no universo.</p>
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		<title>Gotas de chuva moderna</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 02:29:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Cantando na Chuva]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[George Lucas]]></category>
		<category><![CDATA[história do cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Modernidade]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>

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		<description><![CDATA[ou O espetáculo da história do cinema Cantando na Chuva (Singin&#8217; in the Rain, 1952) é um dos grandes clássicos do cinema ocidental. Assisti ao filme recentemente, ao lado de uma fã que pintara uma impressão tão entusiasmada sobre a obra que não resisti. Felizmente, já há algum tempo que venho desconstruindo meu preocnceito em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">ou <strong>O espetáculo da história do cinema</strong></p>
<p><em><a href="http://www.imdb.com/title/tt0045152/" target="_blank"><strong>Cantando na Chuva</strong></a> (Singin&#8217; in the Rain,</em> 1952) é um dos grandes clássicos do cinema ocidental. Assisti ao filme recentemente, ao lado de <a href="http://objetobscuro.blogspot.com/2009/05/canando-na-chuva.html" target="_blank">uma fã</a> que pintara uma impressão tão entusiasmada sobre a obra que não resisti. Felizmente, já há algum tempo que venho desconstruindo meu preocnceito em relação aos musicais, especialmente por causa de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0203009/" target="_blank"><em>Moulin Rouge!</em></a> (2001).</p>
<p>Se os filmes de Hollywood das décadas de 50 e 60 são encantadores por seus diálogos bem representados e pela técnica primorosa da direção e produção, <em>Cantando na Chuva</em> traz alguns ingredientes extras que o tornam uma experiência estética rica para a audiência contemporânea, acostumada com imagens velozes e brilhantes e com explosões ensurdecedoras que distraem a visão das expressões insignificantes dos atores e o ouvido da falta de diálogos marcantes.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-373 aligncenter" title="Cantando na Chuva" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/filmecantandonachuva.jpg" alt="Cantando na Chuva" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-372"></span>A começar pelo fato de que não se trata apenas de um filme, mas também de um show musical. Não só a trilha sonora é muito bem feita, mas as canções entoadas pelo atores mostram seu grande preparo para representar não apenas falas e expressões faciais de um personagem, mas também para cantar e tocar instrumentos quando é necessário.</p>
<table style="font-weight: bold; text-align: right; float: right; margin: 5px 0 5px 10px;" border="0">
<tbody>
<tr>
<td>Trama</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Atuação</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Diálogo</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota4.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Visual</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Trilha sonora</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota5.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
<tr>
<td>Reflexão</td>
<td><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="3" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/nota3.png" alt="3" width="170" height="25" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>É também um show de dança fenomenalmente bem ensaiado, com tomadas longas em que os dançarinos sobem e descem escadas, sapateiam sobre mesas e cadeiras e interagem com o cenário de maneira criativa e técnica.</p>
<p>Não bastassem tantas multifaces, o longa é ainda um semidocumentário bem-humorado sobre a história do cinema. Vemos ali como os profissionais do cinema lidaram com as mudanças trazidas por novas tecnologias como filmes com voz e, posteriormente, com cores.</p>
<p>Sendo uma comédia, há muito de paródia no filme. Mas muitas referências humorísticas são sutis e imperceptíveis para a audiência contemporânea ou para quem não conhece bem a história do cinema e do teatro. Por exemplo, se eu não tivesse consultado a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Singin_in_the_rain" target="_blank"><em>Wikipédia</em></a> antes de escrever este artigo, jamais saberia que, quando Cosmo Brown entoa a frase &#8220;ridi, pagliaccio!&#8221; (da ópera <em>Pagliacci)</em> na sequência da música <em>Make &#8216;Em Laugh,</em> está se referindo ao fato de essa música ser um plágio de <em>Be a Clown,</em> de Cole Porter.</p>
<p>Mas o caráter humorístico não dá todo o tom da comédia. Em termos daquilo que pode ser enquadrado no gênero, o filme também é uma comédia porque tem um final feliz. Mas, além de toda a versatilidade já descrita, ele consegue ser também uma boa história romântica, no sentido amoroso do termo.</p>
<p>O filme é moderno, muito moderno, e talvez possa ser considerado um bom exemplo daquilo que são o Modernismo e a Modernidade. É o cinema contando a história do cinema, e sem nenhum pudor de fazer graça desse fato. Uma das personagens chega a falar que os atores do cinema são artistas medíocres que nunca chegarão a fazer algo tão sofisticado quanto os atores de teatro.</p>
<p>É uma obra de arte que vale a pena ser apreciada por seus atributos técnicos e estéticos, sincronia perfeita, não só nas danças e cantos, mas na construção de todas as cenas. Um belíssimo quadro em movimento (motion picture) que mexe de maneira agradável com o lado direito do cérebro. Tanto que em inúmeras cenas de filmes e seriados de televisão parodiaram ou parafrasearam a ontológica cena em que Don Lockwood/Gene Kelley canta e dança sob a chuva.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/rmCpOKtN8ME&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/rmCpOKtN8ME&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/rmCpOKtN8ME&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/rmCpOKtN8ME&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00"></embed></object></p>
<p>Tanto que alguém inventou de se perguntar:</p>
<h3>E se George Lucas restaurasse <em>Cantando na Chuva?</em></h3>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="data" value="http://www.youtube.com/v/YeYgju2qopM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/YeYgju2qopM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/YeYgju2qopM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" data="http://www.youtube.com/v/YeYgju2qopM&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00"></embed></object></p>
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