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	<title>Teia Neuronial &#187; HQs</title>
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	<description>Antropologia, Ficção Científica, cultura e sociedade</description>
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		<title>O espelho satírico do mundo</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 11:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Theo G. Alves</dc:creator>
				<category><![CDATA[HQs]]></category>
		<category><![CDATA[Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[André Dahmer]]></category>
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		<category><![CDATA[Quadrinhos dos Anos 10]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma leitura de Quadrinhos dos Anoa 10, de André Dahmer]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta geraçãoo da imagem, da interatividade nas redes sociais, da pós-consciência ecolégica e dos novos papéis sociais parece ser também a geraçãoo da futilidade online, da inconsistência dos discursos, da inaniçãoo das relações sociais tête-à-tête e da dificuldade de ponderar causas e efeitos de suas atitudes.</p>
<p>É nesse cenário que surge um dos críticos mais contundentes desse momento de quebra paradigmática em que nos encontramos, e seu trabalho estabelece uma leitura precisa, irônica e afiada de nossos comportamentos, mas não através de volumosos compêndios filosóficos ou sociológicos: André Dahmer estabelece sua crítica ao modelo social em que vivemos a partir de suas tirinhas e charges publicadas também em jornais e revistas, mas, sobretudo, na internet.</p>
<p><span id="more-6168"></span>Não surpreende, inclusive, que a ferrenha crítica de Dahmer encontre seu veículo mais eficaz na rede de computadores, já que essa mesma rede é um dos principais agentes modificadores do comportamento social das últimas gerações. Parte significativa dessas mudanças está relacionada diretamente às transformações da internet, à velocidade de acesso, conteúdo e níveis de interação.</p>
<p>A série de tirinhas “Quadrinhos dos Anos 10”, publicada por Dahmer quase diariamente em sua página www.malvados.com.br, traz ácidas situações que põem em xeque nossos comportamentos transformados mais marcantes. Elementos como as relações sociais, o trabalho, questões existenciais, televisão, internet, família e política aparecem constantemente como matéria de seu trabalho como desenhista. Justamente esse olhar para o mundo em que nos encontramos e carente de autocrítica faz com que Dahmer possa ser apontado como um dos principais cronistas do caos que compartilhamos, afinal, se é papel do cronista contar e refletir as histórias de seu tempo, poucos fazem isso tão bem quanto esse jovem artista carioca. A tradição de desenhistas como Schulz e Quino continua bem representada por aqui.</p>
<p>As reflexões sobre a maneira como as novas gerações, especialmente esta dos anos 10, se relacionam com a internet são frequentes na série e apontam para um caminho em que o vazio existencial não é preenchido, mas posto em estado de letargia: não interessa mais compreender e obter respostas para questões grandiosas, pois o que fazemos para evitar o terror de nossos espelhos é não pensar. Para Dahmer, a internet cria o ambiente perfeito para a falta de reflexão, substituindo o papel da televisão dos anos 90 e 2000 de uma maneira ainda mais eficaz. Essa ausência reflexiva gera a necessidade de compartilhar com o mundo nossas situações mais imediatas, por ínfimas que sejam, dando mais importância ao registro efêmero do que a situação em si: a vida real serve apenas para alimentar as redes sociais. Algo como preferir fotografar um passeio em um lugar deslumbrante para depois disponibilizar fotos que renderão comentários no Facebook em lugar de viver e ver a olho nu a beleza desse lugar.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6173" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/tirinha1524.jpg" alt="" width="591" height="188" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6174" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/tirinha1530.jpg" alt="" width="591" height="188" /></p>
<p>A leitura que Dahmer nos apresenta desse mundo caótico é tão precisa e irônica que nos permite rir do que nos tornamos, por pior que seja o resultado. As futilidades da geração dos anos 10 também resultam em valores corrompidos pelo dinheiro e nas relações aviltantes entre homem e trabalho, além de adormecer a indignação que, por exemplo, a maneira como indústria e mídia manipulam as pessoas deveria provocar:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6175" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/tirinha1565.jpg" alt="" width="591" height="188" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6176" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/tirinha1486.jpg" alt="" width="591" height="188" /></p>
<p>O Facebook e o Youtube são fontes intermináveis de matéria bruta para a ourivesaria de Dahmer, que sabe onde encontrar o que mais peculiariza essa geração tão cheia de carências e incoerências quanto quaisquer outras, mas que pensa pouco sobre si mesma. A preocupação em seu trabalho não é a de explicar para onde iremos, posto que não se trata de um olhar profético para o mundo, mas de nos mostrar quem somos diante do espelho satírico em que sua obra vem se convertendo. Dahmer parece saber muito bem quem nós somos.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-6177" title="" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/tirinha1507.jpg" alt="" width="591" height="188" /></p>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-61690"></div></div>]]></content:encoded>
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		<title>O Chinês Americano [Resenha]</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 18:45:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
				<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
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		<description><![CDATA[ou O mundo fantástico do Oriente - parte 3]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma lenda chinesa que conta a história de Sun Wukong, o Rei Macaco. Nascido de uma pedra, ele empreende uma busca de autoaprimoramento, pela qual tenta se tornar cada vez mais poderoso e provar que pode se igualar aos deuses, mas acaba se obrigando a negar sua natureza, o que o leva à necessidade de uma busca espiritual.</p>
<p>Jin Wang é um menino de ascendência chinesa nascido nos EUA. Neste contexto, ele é estigmatizado e luta entre a necessidade de ser feliz e a urgência de se adaptar a um meio no qual ele é pária. O contrário acontece com Danny, que é americano e se vê às voltas do embaraço causado pela visita do primo chinês Chin-Kee. As três histórias estão mais interligadas entre si do que parece à primeira vista.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-801" title="O Chinês Americano, o Rei Macaco e Gene Luen Yang" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/ochinesamericano.jpg" alt="O Chinês Americano, o Rei Macaco e Gene Luen Yang" width="600" height="150" /></p>
<p><span id="more-785"></span><em>O Chinês Americano</em> é uma história em quadrinhos escrita e desenhada pelo norte-americano de origem chinesa Gene Luen Yang. Trata, numa linguagem simples, singela e profunda, de racismo, xenofobia, bullying, autoaceitação, crises de identidade e outros temas. Tendo, aparentemente, aspectos autobiográficos, possui um viés infanto-juvenil que, no entanto, não tira o interesse do público adulto.</p>
<h3>Recontando uma lenda antiga</h3>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-807" title="Pintura do Palácio do Verão em Beijing, mostrando cena da Jornada ao Oeste" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/jornadaaooeste.jpg" alt="Pintura do Palácio do Verão em Beijing, mostrando cena da Jornada ao Oeste" width="600" height="247" /></p>
<p>Gene Yang reconta a <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Journey_to_the_West" target="_blank">Jornada ao Oeste</a>,</em> clássico épico chinês cujo protagonista é <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sun_Wukong" target="_blank">Sun Wukon</a>g, o Rei Macaco. Este personagem é tão importante no imaginário do Extremo Oriente que serviu de inspiração para Akira Toriyama e seu Son Goku, protagnonista de <em>Dragon Ball.</em></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-830" title="O Rei Macaco buscando aprimoramento" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/ochinesamericanoreimacacomacacos.jpg" alt="O Rei Macaco buscando aprimoramento" width="200" height="200" />A história do Rei Macaco é uma alegoria da busca pela própria natureza. Ele inicia sua jornada tornando-se um mestre em várias técnicas espirituais, como voar em cima de uma nuvem e lutar com grande força e habilidade. Para a desgraça dos deuses, ele dá uma surra em todo o panteão depois de ser recusado a entrar numa festa.</p>
<p>Sua busca por aprimoramento continua, mas agora com outra motivação. Ele quer ser indestrutível como o deuses e ser aceito como um. Passa a calçar sapatos e, dominando a técnica da metamorfose, assume aspecto humano. Apesar disso, nunca consegue esconder que é um macaco, pois seu rosto ainda é de símio.</p>
<p>Quando finalmente se depara com a entidade mais poderosa do universo, o criador de tudo, este o ensina algumas coisas sobre autoaceitação e arrogância. Só depois de muitos séculos é que o Rei Macaco vai perceber que poderia ter saído debaixo da montanha de pedras simplesmente assumindo sua forma original e pequena de macaco. Ao ser chamado como discípulo de um monge, este lhe diz que não precisará dos sapatos em sua nova jornada.</p>
<h3>Os outros entre nós</h3>
<p>Jin Wang é um menino norte-americano cujos pais são chineses. Suzy Nakamura é sua colega de classe, cuja origem é japonesa. Wei-Chen é seu melhor amigo, e veio de Taiwan. Todos eles são &#8220;orientais&#8221; para os colegas de escola e, portanto, são todos iguais. Pior, são culturalmente atrasados e têm sorte de estar vivendo na América.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-827" title="Danny recebe Chin-Kee" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/ochinesamericanodannychinkee.jpg" alt="Danny recebe Chin-Kee" width="200" height="200" />Mas têm o enorme azar de ainda serem &#8220;orientais&#8221; e, portanto, diferentes, e não podem participar da vida comum aos alunos &#8220;brancos&#8221;. Por mais que dominem o inglês, por mais que incorporem o american way of life, por mais adaptados que estejam, não conseguem realizar os desejos comuns a todo jovem norte-americano de sua idade sem que renunciem à própria liberdade de serem quem são.</p>
<p>Para Danny, norte-americano, o maior embaraço é ter que acolher todos os anos seu primo chinês Chin-Kee, que mal sabe pronunciar a língua inglesa, que é extremamente estudioso e sempre responde certo às perguntas dos professores, que é bastante desengonçado quando tenta dançar músicas ocidentais, que tem modos bizarros ao se alimentar e, talvez o pior de tudo, tem costumes bárbaros quando se trata de cortejar as meninas.</p>
<h3>Abrindo a obra</h3>
<p>O interessante na história do Rei Macaco <em>não é</em> &#8220;aprender a aceitar quem nós somos e nos manter fiéis a isso pela eternidade&#8221;. Afinal, todos nós mudamos com o passar do tempo e das experiências. Porém, precisamos aprender os limites dos autossacrifícios, que podem muitas vezes nos fazer sofrer mais do que a situação em que somos párias. Por que querer ser humano, se o que me faz realente feliz não pode ser apreciado por um ser humano?</p>
<p>Da mesma forma, o drama de Jin Wang é enfrentar o racismo. Ele chega ao ponto de achar que só se tornando um norte-americano (ou seja, um branco, já que, na ideologia norte-americana, nem índios nem negros nem imigrantes se enquadram nessa categoria) poderá ser feliz.</p>
<p>A lição de que temos que aceitar nossas origens é previsível e um tanto simplória. Como disse acima, podemos mudar se isso for melhor para nós. Mas a profundidade filosófica do conto é a de que o mundo (formado ao mesmo tempo pelo espaço e pelas pessoas que o habitam) precisa aceitar as diferenças idiossincráticas como singularidades e não como defeitos.</p>
<p>E temos surpresas quando nos deparamos com as diferentes facetas dos personagens. Nennhum deles pode ser critalizado pela primeira impressão que temos deles. No final, não se os pode classificar simploriamente como bons nem maus.</p>
<h3>Amarrando a trança</h3>
<p>As três tramas têm elementos em comum, relativos ao tema do preconceito, da autoestima e da autoaceitação. Mas também elas se entrelaçam, e cada uma das três passa a ter um significado diferente depois que percebemos essa ligação. Três peças bem construídas passam a formar uma obra maior e bem-feita.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-824" title="Crash: no Limite" src="http://teianeuronial.com/wp-content/uploads/crashthumb.jpg" alt="Crash: no Limite" width="125" height="178" />Outra proeza  de Yang é abordar as três histórias com três estilos narrativos diferentes. A primeira tem um aspecto épico e poético, com elementos de ação e emoção que remontam ao mesmo tempo a um drama e a uma história de super-herói. A segunda se apresenta como um drama, quase um melodrama com aspectos trágicos. E a terceira é uma comédia, uma paródia dos sitcoms televisivos norte-americanos, que satirizqa a forma como os meior de comunicação de massa utilizam os estereótipos étnicos para fazer humor.</p>
<p>Tanto o entrelaçar de histórias como a quebra de expectativa em relação aos personagens lembram o excelente filme <a href="http://www.imdb.com/title/tt0375679/" target="_blank"><em>Crash</em></a> (2004), de Paul Haggis, cujo principal tema é racismo e xenofobia. O mérito de <em>O Chinês Americano,</em> como o de <em>Crash,</em> é iludir o expectador e fazê-lo experimentar, na própria degustação da obra, os sentimentos dos personagens ao descobrir as consciências pensantes por trás das máscaras das etnias, das raças ou das espécies.</p>
<div class="rw-left"><div class="rw-ui-container rw-class-blog-post rw-urid-7860"></div></div>]]></content:encoded>
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