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‘Resenhas’

Joguinho online para as horas de folga

ou Um tetris naturalquímico



Poção verdeHá algum tempo descobri o Naturalchemist, um jogo em flash acessado online. À primeira vista, já se percebe que é um herdeiro do Tetris e do Columns. Mas o jogo mais parecido que conheço é Puyo Puyo. Como neste, o objetivo imediato é unir os itens semelhantes por trios.

As regras do jogo são simples, embora não seja tão fácil ser bem-sucedido. Você é um alquimista e tem à sua direita uma espécie de cadinho onde vai produzir ingredientes para misturar poções a posteriori. Os ingredientes básicos vêm aos pares, e na parte inferior da tela é preciso combinar os itens semelhantes. A seta para cima troca a posição dos dois itens, as setas laterais movem o par de objetos para posicioná-los e a seta para baixo os derruba para o fundo do cadinho.

Naturalchemist

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Autor: Categories: Resenhas, Video Games

Star Wars vs. Star Trek

Star Wars vs. Star Trek

ou O passado heroico e o futuro utópico



No seriado Os Universitários (Undergrads), a que eu assistia no [adult swim], a faculdade técnica era habitada por nerds e geeks. Entre eles, havia uma certa rivalidade entre os fãs de Guerra nas Estrelas (Star Wars) e os fãs de Jornada nas Estrelas (Star Trek), também conhecidos como trekkers.

Eu não conhecia quase nada sobre Jornada nas Estrelas há até certo tempo, tendo apenas visto uns dois episódios de Enterprise e apenas um dos filmes. Porém, sabia quase tudo sobre Guerra nas Estrelas (ao menos tudo o que não incluísse o Universo Expandido), tendo visto todos os 6 filmes mais de uma vez cada.

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Um sonho dentro de um sonho [Resenha]

ou Procurando um subtítulo para esta resenha



Comecei a ver o filme Um Sonho dentro de um Sonho (Slipstream, 2007) percebendo que se tratava de algo cronologicamente desconexo. Pelo título em português, imaginei que a sucessividade descontínua, evidente logo no início do filme, deveria se explicar por uma aparente confusão entre realidade e sonho. Provavelmente o protagonista presenciaria duas realidades simultâneas, o mundo desperto e o mundo onírico.

Pensei que talvez o filme tivesse algo de semelhante com Waking Life (2001) e suas elocubrações no mundo dos sonhos. Mas fui me dando conta de que ele tinha mais a ver com 21 Gramas (21 Grams, 2003), com sua trama em formato de quebra-cabeça que só vamos entender do meio para o final do filme, reconstituindo mentalmente a ordem lógica das tomadas. Porém, passei a pensar que essa estranha obra de Anthony Hopkins se assemelhava mais ao surrealismo de David Lynch, como em “Twin Peaks” (1990) ou A Estrada Perdida (Lost Highway, 1997). Outro engano.

Um sonho dentro de um sonho

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Autor: Categories: Filmes, Resenhas

O dia em que a Terra parou [Resenha]

ou A paz é uma ameaça



Em plena Guerra Fria, um extraterrestre vem à Terra convocar uma reunião com todos os líderes do planeta, para discutir a ameaça nuclear que as briguinhas da raça humana representa para a humanidade e para povos de outros planetas. Mal-interpretado, ele sofre as consequências daquilo que veio erradicar: a imaturidade belicista do Homo sapiens belicosus.

O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, 1951), dirigido por Robert Wise, roteiro de Edmund H. North, conta a história de uma missão de paz no planeta Terra, confiada ao extraterrestre Klaatu, que pousa com seu disco voador em Washington, DC, EUA, e, ao descer da nave demonstrando intenções pacíficas e um estranho instrumento confundido com uma arma por um soldado humano, é baleado. Ao sinal de perigo, um robô sai da nave e assiste seu mestre, destruindo as armas dos soldados.

O Dia em que a Terra Paou

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Gotas de chuva moderna

ou O espetáculo da história do cinema



Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, 1952) é um dos grandes clássicos do cinema ocidental. Assisti ao filme recentemente, ao lado de uma fã que pintara uma impressão tão entusiasmada sobre a obra que não resisti. Felizmente, já há algum tempo que venho desconstruindo meu preocnceito em relação aos musicais, especialmente por causa de Moulin Rouge! (2001).

Se os filmes de Hollywood das décadas de 50 e 60 são encantadores por seus diálogos bem representados e pela técnica primorosa da direção e produção, Cantando na Chuva traz alguns ingredientes extras que o tornam uma experiência estética rica para a audiência contemporânea, acostumada com imagens velozes e brilhantes e com explosões ensurdecedoras que distraem a visão das expressões insignificantes dos atores e o ouvido da falta de diálogos marcantes.

Cantando na Chuva

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Autor: Categories: Filmes, Resenhas

A verdade que a mentira conta

ou De como a desonestidade pode ou não ser uma virtude



O filme Mentiras Sinceras (Separate Lies, 2005), dirigido por Julian Fellowes, conta a história de um trio amoroso às voltas com a verdade e a mentira, a honestidade e a traição. Mas não de forma óbvia e previsível, como é o clássico caso de Arthur-Guinevere-Lancelot.

O casal inglês James e Anne Manning vive uma relação estável e morna, quase britanicamente fria. Depois que Anne conhece Bill Bule1, dois acontecimentos começam a esquentar a situação, mas não de forma positiva nem agradável, especialmente para James.

Mentiras Sinceras

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Autor: Categories: Filmes, Resenhas

O mundo fantástico do Oriente – parte 2

ou Mostrando aos orientais quem eles são



No texto anterior, escrevi uma resenha sobre Orientalismo, livro de Edward W. Said. Havia tantas coisas para escrever que tive que cortar o texto em duas postagens. Pretendo aqui dar continuidade às considerações que iniciei anteriormente, dando mais ênfase a alguns exemplos que tenho observado e que se aplicam bem, na prática, ao que Said nos apresenta em teoria.

VImos anteriormente que o orientalismo é um corpus de saberes que criam no nosso imaginário uma entidade chamada “Oriente”, que generaliza características que acabamos atibuindo a uma variedade enorme de povos, culturas, religiões, modos de produção e meios e modos  de viver. Além disso, costumamos atribuir a esses povos o aspecto de serem atrasados em relação ao “Ocidente”, e acabamos justificando uma “necessidade” de este colonizar aquele.

Erva afrodisíaca

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A outra primeira jornada

ou Retomando o passado onde ninguém jamais esteve



Star Trek, dirigido por J. J. Abrams, estreou dia 8 de maio de 2009. Vi o filme com amigos no dia 9. Éramos um grupo heterogêneo em termos de sua relação com Jornada nas Estrelas. Alguns não sabiam quase nada sobre a série. Um casal só conhecia os 10 filmes anteriores. Alguns já tinham assistido muitos episódios de uma ou outras séries da franquia. Eu, por exemplo, só conheço (toda) a série clássica e o primeiro filme, Jornada nas Estrelas: o Filme.

Mas todos curtiram muito a obra. De fato, como disse Alottoni, no site Jovem Nerd, não é preciso ter assistido nada de Jornada para apreciar o filme. Este serve, inclusive, como introdução a quem quer começar a se inteirar desse intrigante universo de ficção científica. E, para quem já conhece, há muitas referências à série antiga, abordadas de forma bem humorada e coerente.

Star Trek (2009)

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O mundo fantástico do Oriente – parte 1

ou O Leste ainda não chegou no Oeste



O livro Orientalismo, de Edward W. Said, é uma obra muito importante para a compreensão do engendramento das representações europeias e americanas sobre o que se convencionou, no “Ocidente”, chamar de “Oriente”. Aí se incluem quase todos os povos da Ásia e o mundo islâmico em geral.

Said era americano de origem palestina, nascido em Jerusalém de pais árabes cristãos. Foi professor de Inglês e Literatura Comparada na Universidade de Columbia, nos EUA, e um dos maiores ativistas na defesa dos direitos dos palestinos. Fundou, em 1999, com o amigo argentino de origem israelita Daniel Barenboim, a West-Eastern Divan Orchestra, composta de jovens judeus e árabes.

Orientalismo por Edward Said

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Autor: Categories: Antropologia, Livros, Resenhas

A brazilian western…

…in South Thick Grass



A matéria Faroeste à Brasileira, da CartaCapital desta semana, versa sobre a situação dos guaranis no Mato Grosso do Sul e a questão fundiária envolvendo os territórios indígenas. Nesse cenário de western, índios são violentados de diversas formas pelo poder local, especialmente os grandes proprietários de terras. Alguns índios estão encarcerados, como diz o trecho a seguir, que resume alguns dos principais problemas da questão indígena no Brasil.

Na carceragem, o comportamento do líder kaiowá e dos outros dois indígenas presos com ele, Cassimiro Batista e Antônio Barrio, é considerado “exemplar” pelo diretor do presídio, Alexandre Ferreira de Souza. De acordo com ele, dos 207 internos, 50 são índios, um quarto do total. De uniforme laranja, eles estão habituados a andar de cabeça baixa e com as mãos para trás, como reza a disciplina local. Reclama da falta de colchões e da ausência dos familiares. “Minha mulher não pôde entrar porque não tinha certidão de casamento para apresentar. Estou há um ano e nove meses sem visita”, queixa-se Barrio, de 43 anos, pai de nove filhos. O sonho de voltar à liberdade só é refreado por um temor: “Tenho medo de sair e ser assassinado por pistoleiros.” [grifos meus]

O comportamento exemplar dos índios prisioneiros, a cabeça baixa e as mãos para trás, é provavelmente um sinal de sua melancolia, uma reação de desânimo frente às grandes dificuldades a que se expõe a população indígena. Uma dessas dificuldades é a necessidade de assumir costumes “brasileiros”, como registrar um casamento no cartório. O depoimento de que eles têm medo dos pistoleiros reforça a impressão de desamparo.

É importante salientar que há informações sobre agressões provocadas pelos índios, e não podemos nos enganar pelo mito do bom selvagem que não compreende nada sobre o mundo ocidental moderno e não conhece suas manhas, estratégias e armas.

O fato é que os indígenas são, de forma geral, o lado que mais sofre nesses conflitos, e a existência de alguns índios que procuram resolver tais conflitos por vias mais violentas não justifica o vilipêndio direcionado a todos os índios, como é comum ocorrer em certos meios de comunicação de massa.

Outra forma de se denegrir os índios, tão perversa quanto o vilipêndio, e que se pauta na mesma estrutura de representações racistas, é a visão de que os índios precisam ser aculturados devido a uma suposta condição inferior em relação aos brancos, que, por sua vez, deveriam tutelar aqueles, como a crianças:

O pecuarista Gino José Ferreira, presidente licenciado do Sindicato Rural de Dourados e candidato a vereador pelo ex-PFL, é mais catastrófico na previsão: “Os índios estão sendo usados como massa de manobra pela Funai e por ONGs estrangeiras que, na verdade, querem acabar com a economia do estado.” Na avaliação dele, o problema dos índios não é falta de terras. “De qua adianta dar terra, se eles não têm como produzir? Vai dar terra para eles produzirem o quê? A melhor solução é abrir as portas das aldeias para que nós, brancos, possamos ajudá-los. Eu gostaria até de poder adotar uma família indígena.” [grifo meu]

A última frase, que pode passar como uma manifestação humanista, sintetiza uma representação a respeito dos índios que os tem como menos humanos do que os brancos, menos capazes de viverem de forma autônoma e segundo costumes diferentes da civilização. É comum tratarmos essa população como se fosse uma espécie animal em perigo de extinção, que precisa da caridade de alguns benfeitores para garantir sua sobreevivência (ao custo, porém, de renunciar suas crenças, suas visões de mundo, seus modos de vida e suas perspectivas de futuro). Subjaz aí a idéia colonialista de que a “civilização cristã” (este termo é usado explicitamente pelo Movimento Paz o Campo) tem um papel transformador em relação aos nativos da América e seus descendentes.

Os fazendeiros da região estão preocupados com a possibilidade de uma grande parte do território de Mato Grosso do Sul, ou seja, 28 municípios, ser transformado em terra indígena, como mostra o segundo mapa do boletim do Movimento Paz no Campo, Sem Medo da Verdade, número 75. Na verdade, como explicou o antropólogo Rubem Thomaz de Almeida em entrevista à CartaCapital, esse mapa mostra os municípios onde se localizam os territórios indígenas, por isso o território parece ser bem maior do que é.

Não é a primeira vez que o uso de mapas serve para fazer acusações infundadas em casos de regularização de territórios étnicos. Um exemplo análogo foi a matéria O Conto dos Quilombos, da revista ISTOÉ, que apresentou, sem citar sua autoria, um mapa elaborado por Rafael Sanzio (reproduzido abaixo), que mostra os municípios brasileiros onde se localizam comunidades quilombolas. A revista afirmou que o mapa representa as áreas dos territórios quilombolas que o Estado pretende regularizar, ou seja, cerca de 30 milhões de hectares, o que soma algo maior do que o estado de São Paulo. Obviamente, a manipulação dos dados serve para assustar a população incauta.

http://www.secom.unb.br/unbagencia/ag0505-18.htm

Municípios com remanescentes das comunidades dos quilombos

Adendo (29/09/2008 e.c.)

Confiram esta matéria.

Autor: Categories: Resenhas
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