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‘Tessitura livre’

Objeto Neuronial 001

Tecido por
7/07/2009
5 comentários

“Sou mesmo um sujeito de sorte”



Surgiu na natureza uma estrutura suculenta cujas cores vivas e cujos aroma e sabor atraem animais famintos, que deixam cair no solo partes menores e mais duras, que chamamos sementes, e assim o vegetal que deu origem àquela fruta pode se reproduzir.

Alguns insetos utilizam frutas como bercários, pondo seus ovos ali, que eclodem para dar à luz uma larva que logo se serve do berçário como alimento. Animais maiores, que se alimentam dessa fruta, podem também decidir abocanhá-la e engolir junto a lagarta.

Objeto Neuronial 001

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toki musi

Tecido por
26/09/2008
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anu toki pona li pona anu seme?



tenpo ni la mi sitelen e lipu pi toki pona.

toki pona li toki musi. ona li pona tawa mi, taso ona li pana ala e mani tawa jan.

toki pona li kute pona. mi ken sitelen e toki olin en toki unpa tawa meli mi. jan mute li sona ala e toki pona li sona ala e ni: mi sitelen e toki olin en toki unpa tawa meli mi.

sina sona e toki pona anu seme?

mi tawa.


jan pona o kama sona e toki pona.

Autor: Categories: Crônicas, Tessitura livre

Tessitura livre

Tecido por
25/09/2008
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ou Do ghost writer à ghost writer



Só queria escrever algo despretensioso, como se fossem meus dedos os autores e eu fosse um ghost writer, ou um writer ghost, como Brás Cubas ou como William Shakespeare.

Eu me pergunto se Shakespeare vem de alguma família de lanceiros? Those who shake spears? Ou era alguma brincadeira infame que acabou pegando e ficou como sobrenome da família?

Talvez tenha acontecido algo parecido com os ancestrais de meu pai, cujo sobrenome é Perigo (e não Périgo, como já confundiram). Dizem que havia um cara muito perigoso, com quem ninguém mexia, e cujo apelido era esse mesmo, Perigo, e que decidiu passar o nome para os filhos.

O sobrenome é considerado um legado, uma herança, um tesouro da família. O homem da família tradicional ocidental passa seu sobrenome aos filhos, que são suas propriedades, e à esposa, idem. E ainda tem sambista, Ney Lopes, que canta:

Mulher a gente trata com respeito,
Dá força, dá carinho e sobrenome

Trata com respeito enquanto ela se contentar com a sabedoria conservadora de Martinho da Vila:

Você não passa de uma mulher
Ah, mulher!

Cada um no seu quadrilátero equilátero. Da forma como quer o Vaticano, ou seja, família chefiada por homem,  ao qual obecede a esposa e os filhos, que devem seguir o exemplo do pai (as filhas se espelham na mãe). Nada de homem com homem nem mulher com mulher. Nada de camisinha, que é a borracha do Diabo.

Mas espero que a humanidade não abra mão desses avanços, da liberdade de escolher formar um casal (ou trio etc.) com um homem ou com uma mulher, de não fazer disso uma cerimônia matrimonial (e patrimonial, do ponto de vista do Estado), de fazer sexo por prazer, de não ter filhos.

Certa vez o padre superstar Marcelo Rossi argumentou falaciosamente que um casal que nutre confiança mútua não deveria usar camisinha, ou seja, não deveria usar métodos preservativos. E o casal que não quer ter filhos, que quer usar métodos contraceptivos?

Há quem ache que impedir o espermatozóide de fecundar o óvulo é um assassinato. Pensam que a vida se inicia no espermatozóide? Então cada ejaculação é um genocídio, pois mesmo que haja fecundação, só um espermatózoide, entre milhares, consegue penetrar o óvulo.

É a crença ainda recorrente de que a herança do pai é mais importante. Não poderíamos também considerar que a vida começa no óvulo? Seria a mesma ilusão, como um fantasma da mãe, que seria a verdadeira autora, a ghost writer do pai.

Autor: Categories: Ensaios, Tessitura livre
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