Enchendo balões

Esta semana Karlisson fez um pequeno desafio em seu blog Nerdson não vai à Escola. Ele criou uma tirinha sem título e sem falas, com os personagens principais de suas histórias em quadrinhos, os programadores Nerdson, Beta Bitsy e Lilo Tag.

Os visitantes tiveram a oportunidade de praticar sua criatividade e concorrer a uma camiseta e a três bottons da Redbug. O desafio real consistia em criar um dialogo coerente com as imagens (contextos, cenários e expressões dos personagens) e fazê-lo mantendo-se fiel às personalidades dos personagens e aos temas comumente tratados em suas histórias.

Fumetti senza paroli

Após ver muitas sugestões dos visitantes nos comentários, percebi que eu seria incapaz, em minha sugestão, de chegar ao nível de sofisticação normalmente presente nos diálogos de Nerdson e cia., tendo em vista que sou leigo em programação e não estou bem atualizado sobre as notícias que envolvem internet e tecnologia.

É claro que muitos temas podem ser tratados, como a gripe suína, o conflito entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes ou até coisas do dia-a-dia, comuns a qualquer ser humano, programador ou não. Como eu queria participar, mas como sabia que tinha poucas chances de compreender bem a linguagem específica de Nerdson e cia. para criar uma tirinha que me satisfizesse e a Karlisson, esculhambei e usei Nerdson, Beta e Lilo como instrumentos para uma historinha nonsense com Superman, Lois Lane e Batman.

NerDC Comics

O problema dessa ideia é que o diálogo foi construído no formulário de comentários do blog do Nerdson, e não me preocupei muito com a extensão das frases, que poderiam não caber nos balões ou, mesmo aumentado estes, poderiam não caber nos quadrinhos. Percebe-se isso na imagem acima, que editei no Inkscape. Tive que aumentar os balões e o resultado estético não foi muito agradável. As coisas ficaram abarrotadas e um elemento do cenário ficou escondido (a placa da parada de ônibus).

Além desses problemas, também não se encaixou bem o teor dos balões com os semblantes dos personagens. A expressão de susto de Beta/Lois no primeiro quadrinho não condiz com a despreocupação de sua fala. A cara fleumática de Nerdson/Clark na cena final não tem nada a ver com sua tentativa de despistar Lilo/Bruce. Apenas o segundo quadrinho ficou bem neste sentido.

O resultado do concurso foi divulgado hoje. Averiguei que não era necessário saber coisa nenhuma de programação para fazer uma tirinha como esta:

S03E05 - Apocalipse

Tão importante quanto tratar de um tema corriqueiro entre os nerds, Gabriel Rondon conseguiu encaixar as falas com as situações e expressões dos personagens. Os outros que ganharam menção honrosa também foram bem-sucedidos, inclusive brincando com o próprio concurso.

Foi então que decidi copiar a imagem da promoção e aplicar a sugestão que eu tinha feito (e cujo resultado já foi citado e mostrado acima). Aí pensei em fazer outra coisa. Criei um novo diálogo, dessa vez me preocupando ao máximo com a adequação e com os espaços disponíveis para as falas. O resultado, também um tanto nonsense, está abaixo:

Leçon de Français

Fiz uma alusão a um episódio de O Laboratório de Dexter, no qual o menino gênio Dexter passou a falar a expressão francesa “omelette du fromage” descontroladamente, após dormir ouvindo uma gravação para a aula da manhã seguinte. A alusão aos desenhos animados contemporâneos se mantém no último quadrinho, em que Lilo cita a repetitiva fala de Pikachu, do anime Pokémon.

Um exercício parecido com este e que rende muitos risos é o Festival de Legendas do site Jovem Nerd. A cada semana, eles publicam um frame de algum filme famoso e os internautas devem dar suas sugestões de legenda para a cena, ou seja, devem usar a criatividade para dizer o que está sendo falado ali. Não vale, é claro, usar a fala original do filme.

Esse tipo de exercício de criatividade é muito interessante. Ajuda a desenvolver a capacidade de preencher lacunas e dar sentido às coisas. Quando estamos investigando um assunto, muitas vezes precisamos fazer a ligação entre um tema e outro, e isso só se dá porque construímos uma ponte, cuja resistência será averiguada a posteriori, quando outras pessoas se enveredarem por aquele caminho.

Um exercício de redação muito comum é oferecer uma frase ou parágrafo para o experimentador continuar a história. Uma variação é juntar um grupo, no qual cada integrante contará um pedaço de uma narrativa, baseado no que o outro escreveu. Dyego Saraiva promoveu duas vezes essa brincadeira, em que participamos eu, Dyego, Bárbara, Francine e Mr. T. Aquele que inicia a narrativa não concebe a priori o desfecho que a história acaba tendo.

É mais ou menos o que ocorre na Ciência. O descobridor de alguma lei do universo não consegue prever o que os cientistas que tomam por base suas descobertas farão. O conhecimento evolui através do olhar do outro, que vê as lacunas do conhecimento de seus antecessores e as preenche. Mais tarde, estes preenchimentos serão revistos por uma nova geração.

Para concluir, ao menos por enquanto, sugiro um exercício que já fiz algumas vezes. Procure alguma anotação antiga sua, um trecho de um texto não concluído ou apenas ensaiado, um esboço de um desenho ou qualquer obra inacabada que há muito tempo você não revisita. Tente concluir e note como ficam claras as diferenças entre quem você era no momento em que iniciou aquela obra e quem você é agora.

4 comments

  • :- | eu ri muito com o do Pikachu. Mas essas coisas são legais mesmo, de testar a criatividade. O hospedeiro disse que fazia isso todo dia, quando a gente atualizava mais.
    :- ) agora ele só trabalha e trabalha e trabalha!
    :- | vamos fazer essas brincadeiras de novo. Chama a turma, hahaha!

    ps: :- | ainda lembro daquela história do galo, um dos textos mais sombrios que já publiquei no blogue.

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