Astronauta: Magnetar

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Roteiro e Desenhos: Danilo Beyruth; Editora: Panini; Ano: 2012

Acabo de ler o romance gráfico Astronauta: Magnetar, do quadrinhista Danilo Beyruth, publicado pela Editora Panini sob o selo Graphic MSP. O significado do nome deste selo pode ser inferido por quem acompanha os quadrinhos brasileiros: sua proposta é produzir graphic novels/romances gráficos sobre o universo e os personaens de Maurício de Sousa.

Aqui se trata do primeiro volume dessa coleção, trazido por Danilo Beyruth, que revisitou (numa espécie de reboot não-canônico) o personagem Astronauta, criado por Maurício de Sousa em 1963. Para além das histórias infantis e cômicas encenadas pelo personagem, desde as tirinhas no Diário de S. Paulo na década de 60 até os dias de hoje nas boas e velhas revistas da Turma da Mônica e cia., Beyruth reimaginou Astronauta Pereira através de um viés mais adulto e se aprofundando no potencial que ele carrega em termos de Ficção Científica .

Sinopse

Colocando Astronauta na missão de observar e registrar um fenômeno astrofísico chamado magnetar, Beyruth desenvolve magnificamente uma personalidade que optou pela solidão como preço para uma vida de explorador das profundezas do espaço sideral. A princípio mantendo comunicação com o computador de bordo, Astronauta se vê sem ninguém para dialogar quando a nave recebe radiação excessiva de uma estrela moribunda e um asteroide rompe parte de sua cápsula espacial, deixando-o naufragado em meio aos destroços do magnetar.

A partir deste momento, em meio à busca incessante e diária por um meio de escapar, ele enfrenta seus fantasmas, especialmente na figura de seu sábio avô, que costumava conversar com ele em sua infância enquanto pescavam numa fazenda no interior do Brasil. Desse contato revelador, em que também aparecem a ex-namorada Ritinha, o irmão e o pai, cada um lamentando o fato de Astronauta ter se ausetntado em momentos importantes das vidas de todos, nosso protagonista se desapega daquilo que o mantém preso no asteroide e consegue, arriscando a própria vida, fugir de seu exílio forçado.

Enriquecendo os quadrinhos brasileiros

Astronauta: Magnetar vem enriquecer os quadrinhos brasileiros com uma obra bem desenhada e bem escrita. Mantendo-se fiel a todo o universo criado por Maurício de Sousa, com a cápsula esférica, o computador de bordo, o famigerado uniforme azul e amarelo, Ritinha e a BRASA (Brasileiros Astronautas), organização fictícia a que pertence o protagonista, Beyruth dá um ar realista e maduro a um personagem infantil, como que uma evolução para os leitores que saem da infância lendo os gibis e desejam ver seu aprofundamento num romance gráfico.

A obra de 80 páginas traz uma bela narrativa visual, com trechos primorosos, sem se valer desnecessariamente do texto escrito, bem sucinto, dando ênfase às imagens dinâmicas que nos fazem visualizar o movimento e a ação. Destaco o trecho em que Astronauta começa uma rotina diária e monótona, repetida em quadrinhos cada vez menores, dando a impressão do tempo passando cada vez mais enfadonho, levando-o a um surto paranoico.

Vemos alguns trechos com referências ao mundo dos quadrinhos, como o asteroide em forma de “menir” (relembrando Asterix). Além disso, o próprio Maurício de Sousa e seus 50 anos de carreira são homenageados no nome do magnetar em questão. Também vemos homenagens ao universo da Ficção Científica em trechos como “Eu vivo para ir […] a lugares onde ninguém jamais esteve”.

A propósito, os elementos de Ficção Científica do livro são dignos dos bons escritores do gênero, tendo o autor feito uma pesquisa sobre os fenômenos astronômicos que ocorrem na história e os explorado bem, para uma narrativa que se centra não apenas no drama perssoal do protagonista, mas nos desafios físicos com que este se depara em pleno espaço, sem gravidade e sem som.

Como a própria metáfora da pedra que quica na superfície da água, utilizada no conto como inspiração para Astranouta em sua fuga, Beyruth mostra despreendimento ao expor, no final do livro, os elaborados esboços que deixou de lado para montar um romance gráfico bem acabado. Além disso, ele se lança num passo importante para o aperfeiçoamento de uma arte ainda pouco desenvolvida no Brasil, mantendo um tom universal com nuances próprias da cultura brasileira.

Eram os Deuses Astronautas?

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Provavelmente não. Mas é fácil pensar que sim. O olhar contemporâneo antropocêntrico, eurocêntrico, enfim, etnocêntrico, interpreta as manifestações de outras culturas e épocas segundo seus próprios parâmetros e experiências. Por isso, quando Erich von Däniken pergunta “eram os deuses astronautas?”, é preciso abordar a questão de forma crítica e despojada das pré-noções de quem se atreve a investigar esse tema.

A primeira vez que me deparei com Eram os Deuses Astronautas? foi com uma velha edição de capa verde do meu pai, e este me causou a impressão de que era uma obra impressionante, que revelava uma realidade perturbadora sobre nossos passado e origem. Não cheguei a ler o livro na época. Mas há poucos anos adquiri uma edição nova e, mais interessado do que nunca sobre qualquer tema relacionado a extraterrestres, li o livro rapidamente, sem sentir o impacto que normalmente os leitores dizem sentir.

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Panoramas cósmicos

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Para nossos sentidos podados pela vida terrestre, por nossos corpos humanos e por nossa experiência restringidora na biosfera da Terra, é difícil conceber a imensidão do universo. É preciso muito esforço e disciplina mental para termos uma percepção das dimensões do cosmos que nos rodeia e de como nós cabemos nele.

Eis três trechos de filmes que mostram sequências (obviamente, montagens) que nos ajudam a sentir o tamanho do sistema solar, da galáxia, do universo em que estamos inseridos. O primeiro é a cena de abertura do filme Contato (Contact, 1997, Robert Zemeckis). O segundo são os créditos iniciais do filme Superman: o Retorno (Superman Returns, 2006, Bryan Singer). O terceiro são os créditos finais de Star Trek (2009, J. J. Abrams). Boa viagem.

Adendo (13/10/2011 – 8:17)

O vídeo abaixo mostra o tamanho em escala dos planetas do Sistema Solar, comparados às maiores estrelas conhecidas da Via Láctea.

Adendo 2 (14/10/2011 – 8:20)

Segue uma sugestão de Dilberto Rosa, que bem lembrou a paródica cena final de Homens de Preto, em que descobrimos o verdadeiro tamanho de nossa galáxia.

Coleção de sinapses 12

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Estas semana revisitamos o tema das cotas raciais numa pesquisa controversa sobre seus danos, visitamos um berçário de estrelas numa viagem cósmica, fomos ao planeta Marte e ao satélite Titã procurar sinais de vida, encontramos vida em Mos Eisley num anúncio da Adidas e constatamos que tanta informação em tão pouco tempo dispersa alguns atributos cognitivos como a atenção.

Encontramos criatividade numa mesa de colo para notebooks e em alguns logos que escondem símbolos de forma criativa. Carl Sagan nos mostra como descobrir ou estimar a quantidade de civilizações na galáxia e voltamos à questão racial com uma pergunta: a “raça” é incompatível com o individualismo? Se os golfinhos têm uma resposta, ainda nos é desconhecida…

Pesquisa mostra danos das cotas raciais – O Globo (via Ministério do Planejamento)

O fato de grande parte dos cotistas não alcançar a nota mínima para entrar na Universidade não é de surpreender. Grande parte dos não-cotistas também não alcança essa nota. Por isso outras coisas é que acho que há um problema na concepção da ideia de cotas raciais no Ensino Superior. Mas sobre isso me delongarei em outro post…

cartazes modernos com um toque retro – obvious

O estilo do ilustrador Tom Whalen é muito criativo, como se vê nos dois exemplos abaixo. Veja outros trabalhos dele no link, com cartazes recriados num estilo “retrô” que mistura influências dos quadrinhos e do cinema hollywoodiano.

Image of the Day: The Ghostly Beauty of a Dark Globule & Star Birth – The Daily Galaxy

Um berçário de estrelas, é o que diz a fonte. Será que dá para ver coisas assim numa viagem interplanetária, da maneira que os tripulantes da Enterprise veem?

Berço de estrelas

“ExoMars” -Europe’s Robotic 2018 Mission to Search for Life on Mars – The Daily Galaxy

New NASA Mars Discovery: Evidence of an Ancient Environment Favorable for Life – The Daily Galaxy

Is there Life on Saturn’s Moon,Titan? NASA Asks… – The Daily Galaxy

A busca por sinais de vida no Sistema Solar continua. Nada de homenzinhos verdes em Marte, é claro, mas se sabe agora que o planeta vermelho já teve um ambiente que parece ter sido favorável à vida. Já em Titã, um dos satélites de Saturno, a química flerta com a bioquímica e talvez encontremos uma forma de vida orgânica não-carbônica… ainda, ainda, ainda esperar para ver…

Vote na Teia Neuronial – Prêmio Top Blog

A Teia Neuronial está participando do Prêmio Top Blog na categoria Cultura. Se você gosta, curte, admira, acha legal e quer contribuir, vote na Teia pelo link acima ou por um dos dois links que estão na barra lateral do site. Obrigado e volte sempre.

adidas Originals – Star Wars™ Cantina 2010 – YouTube

Para quem se lembra bem da cena em Mos Eisley do primeiro filme de Guerra nas Estrelas, essa propaganda é muito bem-feita e criativa, com umas celebridades interagindo no mesmo ambiente filmado em 1977.

Excesso de informações provocado pelo avanço da tecnologia altera capacidade de concentração – O Globo

Se você está lendo isso e ao mesmo tempo está ouvindo um podcast, conversando com sua mãe no MSN, regando sua fazenda na Colheita Feliz, twittando sobre o gol da Coreia do Norte contra o Brasil e baixando filmes piratas no µTorrent… já notou alguma dificuldade de ler um livro durante alguns minutos? Eu já. E essa matéria me deixou preocupado…

P.S.: Minha mãe não usa MSN e não jogo Colheita Feliz. Vai, Coreia!

Mesa de colo – Pino

Uma invenção pertinente, baseada numa necessidade contemporânea. Só não vou usar isso para não destruir ainda mais minha coluna vertebral (quem é alto e tem a visão ruim sabe do que estou falando).

25 logos bem legais com símbolos escondidos – Design on the Rocks

A aplicação dos conceitos das artes plásticas na publicidade dão origem a belas obras de arte, como essas logomarcas que abusam das lacunas dos grafemas ocidentais, que os tornam parecidos com certas imagens ou que deixam espaços em branco que podem ser interpretados como símbolos. Um bom exercício de criatividade. Um dia eu ainda faço uma logo nesse estilo para a Teia Neuronial.

Will the Mysteries of the Universe Fuel a New Religion? A Galaxy Insight: Sagan, Hawking, Dawkins – The Daily Galaxy

Talvez venha a surgir alguma religião “baseada na Ciência”… Surpreende-me a afirmação de Dawkins de que ele é um “não-crente religioso”… Deste link eu destaco o vídeo abaixo, em que o astrônomo Carl Sagan demonstra a famigerada Equação de Drake, que calcula a quantidade provável de planetas com vida inteligente na galáxia.

‘Raça e Destino’ – O Globo

Um argumento lúcido sobre a questão identitária racial brasileira. A instauração de “raças” nos moldes que estão sendo pensados por uma parcela do Movimento Negro cria a ilusão de que há um conjunto de desejos, aspirações e potecialidades inerentes a cada uma das “raças” (“negros”, “brancos”…). Isso é um meio de minar a diversidade inerente a cada conjunto de pessoas arbitrariamente englobados numa “raça”. Se se quer mesmo ir adiante com as políticas voltadas a “raças”, é preciso ter muito cuidado com como se usa esse conceito.

Dolphin Speak -A Language of Infinite Complexity & Sophistication – The Daily Galaxy

Bem, como já disse em post anterior, fascinam-me muito os cetáceos, especialmente os golfinhos. Eles talvez saibam mais sobre a vida, o universo e tudo mais do que imaginamos. Espero que consigamos um dia nos comunicar com eles, seria um imenso aprendizado para nossa espécie.