A orgia humana – parte 2

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A natureza é muitas vezes um recurso argumentativo para defender um modelo ideal de comportamento humano. A Etologia pode ser fonte para justificar, por exemplo, um dado tipo de conduta sexual e de formação de laços entre as pessoas. Porém, vemos que os comportamentos animais são tão diversos que não é possível basear nosso ideal de comportamento humano numa suposta “natureza” imutável.

Quando não adianta recorrer à “natureza” para defender a tradição familiar cristã (que na verdade é tão diversa e muito mais ideal do que real), recorre-se a argumentos de cunho “sociológico”. Um exemplo, dado na primeira parte deste ensaio, é a defesa do suposto significado “correto” da palavra “casal”.

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A orgia humana – parte 1

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Diante das mudanças na aceitação das uniões homoafetivas e das demandas cada vez mais fortes por direitos e combate ao preconceito, o discurso reacionário reage como pode. “Dois homens morando juntos não são um casal. Dupla pode ser, mas casal é só homem e mulher. Eu até respeito a opção de dois homens conquistarem a união civil, mas é um crime eles adotarem uma criança”.

Muitas vezes esse discurso se acompanha de frases do tipo: “Isso é uma afronta contra Deus”. De certo modo, equivale a dizer que a homossexualidade é antinatural, ou seja, vai de encontro aos ditames da natureza. Dentro dessa perspectiva, parte-se do pressuposto de que a pessoa que se relaciona com um parceiro do mesmo sexo escolhe sua orientação sexual, escolhe “pecar”, e poderia facilmente seguir o caminho “natural”, se quisesse.

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