Fahrenheit 451

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Fahrenheit 451 é um romance sobre um futuro distópico em que a sociedade (mais especificamente a dos EUA – não aparecem referências a outros países na obra) desenvolveu um desapreço pelo pensamento, pelo conhecimento e pelas relações humanas. O resultado mais gritante desse processo é a queima sistemática de livros apreendidos, feita pelos bombeiros, e uma cultura virtual na qual a relação com personagens fictícios da mídia televisiva passa a ser mais importante do que as relações com outros indivíduos reais.

A narrativa desta clássica ficção científica de Ray Bradbury segue os últimos dias de Guy Montag como bombeiro. Na profissão há 20 anos, ele gosta de queimar livros, como qualquer outro bombeiro, mas possui uma coleção secreta, oculta até de sua própria esposa Mildred. Seu fascínio pelos livros aumenta depois que ele conhece Clarisse McLellan, sua vizinha de quase 17 anos que gosta de pensar, de sentir o mundo à sua volta e conversar com outras pessoas – três coisas que a maioria não costuma mais fazer. E, embora não fique explícito em nenhum momento da narrativa, é provável que ela leia livros também.

Depois de algumas semanas, Clarisse desaparece e Montag começa a sentir sua falta. Algum tempo depois, o bombeiro participa de uma missão na qual as coisas não saem como deveriam. Uma casa repleta de livros está prestes a ser queimada pela equipe da qual ele é membro, mas pelo fato de a polícia não ter prendido a dona da casa com antecedência, como era o protocolo, ela decide morrer junto a sua casa e sua biblioteca, apesar dos protestos de Montag, que se dispôs a salvá-la.

Esses dois acontecimentos o levam a repensar sua carreira e sua vida, e ele revela a Mildred e a duas amigas dela os livros que tem em casa, lendo trechos e arrancando lágrimas. A esperança surge a Montag na forma de Faber, um velho que costumava trabalhar numa editora antes da proibição dos livros. No entanto, o comportamento de Montag faz com que seu chefe, Beatty, desconfie de que ele esteja roubando livros durante as missões, e se preocupa em lhe dar conselhos, para que ele não desperdice a chance de uma promoção, sendo um funcionário tão exemplar como é. Porém, uma denúncia anônima leva o batalhão à casa do protagonista, e este não apenas queima a própria casa como também seu chefe. Na fuga, ele despista a polícia e se refugia num retiro de rebeldes que memorizam os conteúdos dos livros, com o objetivo de ressucitá-los quando a era de obscurantismo terminar.

Os livros não são tão importantes

O tema central de Fahrenheit 451 é a desagregação das relações sociais através do empobrecimento dos meios de comunicação, sejam livros, revistas, televisão, rádio e até mesmo as relações interpessoais diretas. Dessa forma, a importância dos livros é indireta, é simbólica dentro dessa fábula, tendo em visa a possibilidade de se manter a riqueza cultural em condições ágrafas.

O problema indireto da destruição dos livros e do concomitante esvaziamento do conteúdo reflexivo de meios como a televisão é que as pessoas, carentes de informação, não têm assunto para conversar. Essa situação é retroalimentada pela tendência superindividualista da época em que se passa a história, que leva as pessoas a se fecharem em suas intimidades, o que é simbolizado pelos fones de ouvido que isolam Mildred do mundo exterior e quase a levam à morte.

Correção política e felicidade

Segundo Beatty, em um intenso diálogo com Montag, o que levou à proscrição dos livros foi um sistemático esforço da sociedade para deixar as pessoas mais felizes. Tudo aquilo que era incômodo, que trazia desconforto e nos forçava a refletir foi paulatinamente abolido e destruído. Foi assim que os livros se transformaram a princípio em obras mutiladas (sem os trechos incômodos), posteriormente em meros resumos sem substância e finalmente proibidos de uma vez por todas.

Uma das forças apontadas por Beatty para que os livros tivessem trechos cortados é uma certa correção política. Livros com trechos racistas foram podados para agradar as minorias raciais. As partes machistas de uma obra foram retiradas para contentar as leituras do sexo feminino. E assim com obras que tinham trechos antissemitas, xenofóbicos, homofóbicos etc., tudo com o objetivo de acabar com qualquer coisa que causasse infelicidade, até que não sobrasse quase nada dessas obras.

Podemos fazer um paralelo dessa situação fictícia com algumas tentativas reais de se modificar obras clássicas que possuem teor discriminatório, como alguns livros de Mark Twain (que um professor nos EUA republicou após retirar palavras ofensivas como “nigger”); os esforços de algumas organizações italianas para censurar a Divina Comédia; ou ainda a recomendação de se retirar dos currículos escolares no Brasil algumas das obras de Monteiro Lobato, que possuem trechos racistas.

Penso ser salutar pesar com cuidado essa crítica de Bradbury à correção política, pois ela pode resvalar para um viés conservador. É absolutamente acertado ver na censura de obras literárias, sejam quais forem, uma atitude autoritária e contrária à liberdade de expressão. Mas os conteúdos intolerantes e discriminatórios dos clássicos devem ser percebidos, apontados e problematizados, para que não se transformem essas obras em objetos sagrados, intocáveis e inocentes. A crítica ao conteúdo desses livros é tão importante quanto a crítica à censura desses mesmos livros.

Assim, é possível que alguns leitores vejam, por extensão, nessa crítica bradburiana uma crítica a toda preocupação politicamente correta que busca desconstruir os discursos de preconceito, intolerância e ódio. A postura politicamente correta daqueles que criticam esses discursos sem censurá-los, e que defendem seu direito à liberdade de expressar essa crítica, não pode ser confundida, como os “politicamente incorretos” costumam fazer, com uma suposta atitude ditatorial.

A crítica de Bradbury tem validade se igualarmos as censuras “politicamente corretas” àquelas promovidas por regimes autoritários de facto, como o da Igreja Católica medieval, com seu Index librorum prohibitorum, e a condenação de obras artísticas pelo regime nazista. Qualquer queima de livros é um prejuízo para a humanidade e uma forma de minar o pensamento crítico.

Livros e memória

Bradbury era um grande entusiasta da leitura e da escrita. Como indivíduo pertencente à cultura ocidental, é normal que, sendo em primeiro lugar um defensor dos saberes, fosse consequentemente um ferrenho defensor dos livros, uma vez que estes são o repositório padrão do conhecimento nas sociedades ocidentais. Por fazermos parte de um mundo que valoriza o grafismo como a forma mais legítima de registro histórico, mnemônico e cognitivo, o banimento dos livros seria um colapso para o Ocidente eurocêntrico.

Porém, ao enfatizar a manutenção dos livros, pode-se incorrer numa postura etnocêntrica segundo a qual o registro gráfico (a escrita) é a melhor, senão a única, maneira de se não perder o conhecimento acumulado. Pessoalmente, sou um defensor dos livros e do antigo adágio “verba volant, scripta manent” (“as palavras se vão, a escrita permanece”). A quantidade de conhecimento acumulado no mundo, tanto em sociedades ágrafas quanto naquelas que conhecem a escrita, exige que utilizemos um meio externo (ao cérebro) para armazená-la e garantir que estará acessível às gerações futuras.

Mas é preciso cuidado para não incorrermos no possível erro de considerar que as sociedades ágrafas estão numa situação trágica, como se vivessem no mundo distópico de Fahrenheit 451, sem acesso ao conhecimento dos antepassados. Nessas sociedades, encontradas na África, na América e em outros redutos pouco ou nada influenciados pela expansão da cultura ocidental, utilizam-se de maneira bastante complexa as capacidades da memória oral, e os saberes não se perdem da forma como os ocidentais perderíamos se nossos livros fossem queimados.

Embora esses sejam possíveis desdobramentos da premissa do livro, o próprio Bradbury nos apresenta, ao final da história, um extenso grupo de pessoas que mantém o conteúdo dos clássicos intocado em suas memórias. Cada indivíduo desse grupo carrega em sua mente o texto completo de um livro e é capaz de recitá-lo para quem o queira “ler”. Quando um dos indivíduos morre, já tem passado adiante seu texto para um jovem herdeiro, e assim o livro se mantém através das gerações, sem a necessidade de registros escritos. Curiosamente, é nessa condição sem livros que as pessoas mais interagem entre si e subvertem a ordem individualista vigente.

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