Anticristo

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De Anticristo (Antichrist, 2009), de Lars von Trier, se diz que é um filme de terror. Não gosto de classificar os filmes em gêneros, “comédia”, “ação”, “ficção científica”. Isso sempre empobrece a apreciação da originalidade de uma obra. Felizmente, Anticristo é tão sui generis que se torna um bom exemplo da impossibilidade de se reduzir uma obra original a um rótulo.

A história é no geral um drama, com elementos de tragédia e, certamente, de terror. O tema principal é a face maléfica do feminino e a misoginia. Mas, se há mérito pela originalidade artística e pela abordagem ao tema, também se pode dizer que a obra como um todo é um exagero de grotesquidão, e a impressão que fica no final é: “o que diabos esse filme diz?”

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No campo da vida real

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Ontem*, ao tomar o ônibus para casa, presenciei duas situações que me deram a ideia de escrever um texto na Teia. A primeira foi uma mulher oferecendo o assento a um homem idoso. Este disse polidamente que não precisava. Aquela reiterou dizendo que se ele quisesse poderia sentar no lugar dela. Ao dizer isso, ela nem sequer fez um movimento para se levantar 1.

A outra situação foi um homem sentado à janela da última linha de cadeiras, meio deitado, ocupando dois espaços, absorto na paisagem, sem esboçar a menor disposição para ceder um espaço, sem aparentemente perceber que o ônibus ficava cada vez mais cheio de gente em pé e que agradeceria imensamente a bondade de um estranho que lhe oferecesse um pouco de conforto coletivo.

O sociopata e a sociedade

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