Mitose Neural 8 – O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Saudações! Bem-vindos a nossa espaçonave Mitose Neural! Neste episódio 8 do podcast da Teia Neuronial, conversamos sobre O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy), clássico livro de ficção científica e humor de Douglas Adams, discorrendo sobre a as paródias cientificamente corretas e reflexões filosóficas a respeito da vida, o universo e tudo mais.

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A primeira toalha de Hipólita

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“Clio, o que há de errado?”

“Nada, Hipólita, tava só pensando…”

“Quer desistir? Sei que você tem gostado muito deste lugarzinho sem graça, deste planetinha praticamente inofensivo, mas temos que seguir em frente. Nosso trabalho… quero dizer, seu trabalho aqui terminou, ainda temos muitos mundos para visitar antes de… bem, de qualquer forma, depois que tivermos concluído tudo, você pode voltar aqui e ficar dando peixes aos golfinhos até o fim do universo.”

“Não é isso… é que tenho um pressentimento… como se algo horrível fosse acontecer a qualquer momento e nunca mais vou poder voltar aqui…”

“Escute, Clio, você talvez esteja cansada desta vida de repórter interplanetária, deve ter visitado quarenta e dois mil mundos por essa galáxia afora, mas eu estou confinada à Terra desde que nasci, e não posso perder a oportunidade de conhecer outras paragens. Ter conhecido e feito amizade com uma mulher extraterrestre, na arquibancada de um jogo de críquete, que por acaso está só de passagem neste planeta e que conhece uma maneira de me tirar daqui é uma tremenda improbabilidade!”

“Infinita paciência me deem os divinos designers de Magrathea! Minha cara Hipólita, não estou querendo cortar seu barato, só estou dizendo que estou preocupada.Toda mulher de Betelgeuse tem um oitavo sentido, sabe? Mas se houver qualquer grande tragédia vindo aí para assolar a Terra, não poderemos fazer nada, não é? Mas pode ser que eu esteja enganada… o que estou querendo dizer é: NÃO ENTRE EM PÂNICO! Prometo que você vai cair fora deste seu pitoresco planeta, ou não me chamo Clio Renault!”

“Você não se chama Clio Renault, minha amiga…”

“Não importa. Vamos às compras!”

“Hem?!”

“Se liga, Hipólita! Se quer viajar pela galáxia, tem que se preparar!”


“Vai lá, Hipólita, escolha uma.”

“Hum… gosto desta estampa com cachalotes… essa aqui com vasinhos de petúnia também me agrada…”

“Tanto faz, amiga, temos pouco tempo. Vamos logo ao caixa.”

“Ué, só vamos comprar isso?”

“Você vai precisar disso mais do que qualquer outra coisa nessa viagem. Bem, agora que já fomos na loja de roupa, mesa e banho, devo lhe entregar isto.”

“Ah, então esse é o famoso…”

“Manual do Caroneiro Interplanetário, 1ª Edição.”

“Hem? Pensei que se chamasse Guia…”

“Não trabalho mais pare eles agora. Recebi uma proposta irrecusável. O Manual é o futuro em termos de compêndios para viajantes, Hipólita! Eles têm uma proposta diferenciada, que vai revolucionar a maneira como os mochileiros aproveitam suas viagens interplanetárias.”

“Hum… para mim dá no mesmo, ainda sou iniciante…”

“Agora vem a parte divertida. Mostre-me sua orelha.”

“Ah, aquele tal de peixe-babel que você falou…”

“Errou de novo, amiga. Os pesquisadores do Manual descobriram algo muito mais surpreendente. Apresento-lhe o polvo-uhura!”

“Hem?”

“Parece um pequeno octópode arroxeado. Depois que é introduzido no ouvido, ele espalha seus finíssimos tentáculos pelo sistema nervoso do hospedeiro. E aí vem a melhor parte! Ele não apenas traduz automaticamente qualquer idioma de qualquer lugar da galáxia (como também faz o peixe-babel), mas cria ondas nervosas extracutâneas que reverberam nos cérebros de outras criaturas e as fazem achar que você pertence à espécie delas! Não é demais?!”

“Hem?! Quer dizer que, se eu usar esse peixe-uhura, uma pessoa de outra espécie, digamos, um vogon, vai me ver como uma vogon?”

“Exato! Além disso, e essa é a parte mais espetacular de todas, o polvo-uhura cria uma rede de ondas cerebrais, uma espécie de teia neuronial virtual através do espaço, que liga todos os usuários desse pequeno molusco. Essa rede angaria informações e conhecimentos que são transmitidas automaticamente para os mainframes na sede do Manual, e é aí que essa obra supera de longe o Guia, pois é constantemente alimentada por informações de pessoas que nem sabem que estão contribuindo!”

“Impressionante! E você, vai usar um desses bichinhos também?”

“Eu já uso um. Quando você me conheceu eu já usava.”

“É mesmo? Então… peraí, quer dizer que você não é assim?! Digo, sempre me perguntei quais eram as probabilidades de uma alienígena ser tão parecida com um ser humano…”

“Você é quase tão esperta quanto um rato, amiga!”

“Hem?”

“Pare de dizer ‘hem?’! Vamos nessa!”

“Puxa, Clio, nem acredito que você está fazendo esse favor por mim… você tem um coração de ouro, sabia?! Não sei nem como agradecer!”

“Que nada. É sempre bom ter companhia. Em nossa próxima parada você me paga uma dinamite pangaláctica. Agora segure sua toalha que vamos pegar uma carona…”

Dia da Toalha

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25 de maio foi comemorado o Dia da Toalha, em memória de Douglas Adams. Em sua “trilogia de 5 livros” O Guia do Mochileiro das Galáxias, a toalha é apresentada como o item mais útil para um viajante interestelar. Duas semanas após a morte de Adams, seus fãs estabeleceram o Dia da Toalha, em que cada pessoa deve sair de casa com sua toalha, que pode vir a calhar em diversas situações cotidianas.

Essa data também é o dia da estreia de Guerra nas Estrelas, em 1977. Como muitos fãs das histórias de Guerra nas Estrelas e da obra de Adams são nerds, resolveram transformar esta data também no Dia do Orgulho Nerd, ou Dia del Orgullo Friki, comemorado pela primeira vez em Madrid, Espanha, em 2006.

Tudo isso é parte de uma onda contemporânea de assunção de uma certa identidade nerd. É interessante ver essas diversas manifestações culturais surgirem como que do nada, celebrando alguns ícones que já se tornaram parte de nossas mitologias modernas, alguns mais populares (como Guerra nas Estrelas e seus jedis) e outras nem tanto (mas com um fiel público específico, como é o caso de O Guia do Mochileiro das Galáxias e sua desconcertante resposta para “a vida, o universo e tudo mais”: 42).

A toalha

Eis o que há de tão extraordinário nas toalhas, segundo Douglas Adams:

O Guia do Mochileiro das Galáxias faz algumas afirmações a respeito das toalhas.

Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido ao seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.

Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc., etc. Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está a sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito.

Daí a expressão que entrou na gíria dos mochileiros, exemplificada na seguinte frase: “Vem cá, você sancha esse cara dupal, o Ford Prefect? Taí um mingo que sabe onde guarda a toalha.” (Sancha: conhecer, estar ciente de, encontrar, ter relações sexuais com; dupal: cara muito incrível; mingo: cara realmente muito incrível.)

De fato, os viajantes profissionais que perambulam na própria superfície terrestre costumam ter uma toalha a tiracolo, que serve para muitas coisas (dependendo também do tamanho dela). Se pensarmos bem, há tanta coisa que se pode fazer com uma toalha, um verdadeiro quebra-galho, que pode ser considerada uma das grandes invenções da humanidade.

As viagens interplanetárias de Arthur Dent e Ford Prefect, protagonistas da série de Adams, representam todas as odisseias em que nos jogamos, todas as grandes aventuras, buscas e missões de cada ser humano e da humanidade como um todo. Se houver algo mais para se fazer nesse tal de Dia da Toalha que não seja ficar exibindo um pedaço de pano por aí, que seja para pensarmos sobre nossa infinita busca por conhecimento e experiências.

E levar essa reflexão para todos os nossos dias, saindo pelo mundo a conhecê-lo e criando uma existência plena e significativa.

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Contatos imediatos – parte 2

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Em Contatos imediatos – parte 1, comentei algumas observações de Stephen Hawking a respeito da probabilidade da existência de seres vivos extraterrestres e das possibilidades de sua natureza. É improvável que a Terra seja o único astro da galáxia a ter vida, e é possível que esta se manifeste de várias formas.

Dando continuidade aos meus comentários ensaísticos sobre as observações de Hawking (retiradas diretamente de um post do site The Daily Galaxy), faço mais algumas especulações sobre as probabilidades e possibilidades da vida extraterrestre, de esta vida vir a desenvolver inteligência e de esta inteligência assumir várias naturezas, reportando-me a referências da Ficção Científica e da Antropologia.

Hawking certa vez questionou:

What are the chances that we will encounter some alien form of life, as we explore the galaxy?

[…] there ought to be many other stars, whose planets have life on them. Some of these stellar systems could have formed 5 billion years before the Earth. So why is the galaxy not crawling with self-designing mechanical or biological life forms?

[Quais são as chances de nós encontrarmos alguma forma de vida alienígena quando estivermos explorando a galáxia?

[…] deve haver muitas outras estrelas cujos planetas tenham vida. Alguns desses sistemas estelares podem ter se formado 5 bilhões de anos antes da Terra. Então por que a galáxia não está infestada por formas de vida mecânicas ou biológicas autoprojetadas?]

Boa pergunta. Mas uma coisa que me vem à mente é o tamanho dos seres vivos da Terra, minúsculos em comparação com o tamanho dos astros. Já os astros são minúsculos em comparação com a quantidade de espaço vazio que existe na Via Láctea. Se houver um planeta habitado em cada constelação, destes apenas alguns teriam forma de vida inteligente, e destes apenas alguns teriam alcançado a Era Espacial, e destes só uns poucos conseguiriam viajar a uma velocidade com que valesse a pena explorar outras constelações.

Outra variável a ser considerada no “cálculo” acima é a sobrevivência dos extraterrestres antes de poderem fazer viagens interplanetárias. Se seres inteligentes chegarem a um ponto semelhante ao que chegamos na Terra, arriscando-se a exaurir os recursos naturais de seu planeta, eles podem vir a destruir seu mundo, e provavelmente não os encontraremos vivos.

Assim, a probabilidade de criaturas minúsculas vagando em tanto espaço vazio se encontrarem é também bem reduzida. E nós nem sabemos com certeza ainda se iremos um dia realmente viajar na velocidade da luz ou dobrando o espaço.

A pequenina nave espacial Discovery perdida na imensidão do espaço; análogo a um átomo, o Sistema Solar é, na maior parte, espaço vazio (a distância entre o Sol e os planetas está fora de escala - eles são bem mais espaçados -, mas os tamanhos estão)

A pequenina nave espacial Discovery perdida na imensidão do espaço; análogo a um átomo, o Sistema Solar é, na maior parte, espaço vazio (a distância entre o Sol e os planetas está fora de escala – eles são bem mais espaçados -, mas os tamanhos estão na escala correta)

Apenas com uma tecnologia capaz de detectar numa determinada seção tridimensional do espaço qualquer objeto do tamanho de um ônibus espacial ou maior poderia resolver esse problema (afinal, detectar com radar um jato no céu é uma coisa, mas detectar uma nave espacial no espaço sideral é bem diferente… ou não?). Como não sei se essa tecnologia existe, não sei se seria tão fácil assim ver uma nave se aproximando da Terra, se ela tiver o tamanho, por exemplo, da Discovery.

I discount suggestions that UFO’s contain beings from outer space. I think any visits by aliens, would be much more obvious, and probably also, much more unpleasant.

[Eu descarto as sugestões de que os ÓVNIs contenham seres do espaço sideral. Acho que quaisquer visitas de alienígenas seriam muito mais óbvias e, provavelmente, muito mais desagradáveis.]

Talvez sim, talvez não. Talvez nós precisássemos de muito tempo observando e avaliando um planeta habitado antes de aterrissar, se chegássemos a encontrar um. Há muitos possíveis riscos, como doenças desconhecidas que podem ser mortais (que foi a causa da ruína dos marcianos em A Guerra dos Mundos), plantas e/ou animais cujos corpos são venenosos para certos visitantes do espaço, ou até mesmo uma reação violenta e intolerante por parte dos nativos.

Dito isso, podemos imaginar que, se alguns dos ÓVNIs avistados da Terra são naves extraterrestres, seus tripulantes tomariam essas mesmas precauções antes de pousar na superfície terráquea. Isso sem considerar uma ou outra espécie com tendências mais arredias ou paranoicas. Isso tudo explicaria porque é tão difícil ver ETs na superfície terrestre.

Por outro lado, possíveis problemas técnicos por parte dos tripulantes extraterrestres já deveriam ter ocasionado alguma aparição mais evidente, no meio de uma cidade populosa, por exemplo. No entanto, essas aparições, se em alguns casos forem mesmo alienígenas do espaço, acontecem na zona rural ou em locais ermos, sem grande concentração populacional humana, e as testemunhas sempre são escassas.

Porém, quase todos os relatos impactantes conhecidos de pessoas que dizem que viram e/ou encontraram extraterrestres são envoltos em mistério e confusão, além de serem abafados pelas autoridades militares. O ET de Varginha foi visto por um militar, que deu um depoimento à mídia, mas pouco tempo depois desmentiu tudo o que disse à mesma mídia.

Uma outra possibilidade para a dificuldade da obviedade de um encontro com uma espécie extraterrestre é ela ser composta de matéria num estado sutil ou em outra dimensão, ou ainda serem muito pequenos. Pode ser até que nem consideremos os alienígenas como seres vivos, e os confundamos com robôs (como no filme O Milagre Veio do Espaço) ou até com naves espaciais (como no primeiro episódio de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração).

 

O Milagre veio do Espaço

No filme O Milagre veio do Espaço, humanos conhecem uma forma de vida não-orgânica, que mais nos parecem robôs

What is the explanation of why we have not been visited? One possibility is that the argument, about the appearance of life on Earth, is wrong. Maybe the probability of life spontaneously appearing is so low, that Earth is the only planet in the galaxy, or in the observable universe, in which it happened. Another possibility is that there was a reasonable probability of forming self reproducing systems, like cells, but that most of these forms of life did not evolve intelligence.

[Qual é a explicação para nós não termos sido visitados? Uma possibilidade é que o argumento sobre a aparição da vida na Terra está errado. Talvez a probabilidade de a vida aparecer espontaneamente seja tão baixa que a Terra é o único planeta na galáxia, ou no Universo visível, no qual isso aconteceu. Outra possibilidade é que houve uma razoável probabilidade de se formarem sistemas autorreprodutivos, como células, mas que a maioria dessas formas de vida não desenvolveu inteligência.]

Essa é uma possibilidade que temos que considerar. Porém, em termos puramente físicos, astronômicos e bioquímicos, alguns cientistas, como Carl Sagan, concordam que é improvável, pelas dimensões do Universo, que não exista vida fora da Terra. Mas que essa vida tenha evoluído para um estágio de inteligência como a conhecemos na Terra, ou até superior a ela, é uma outra possibilidade.

It took a very long time, two and a half billion years, to go from single cells to multi-cell beings, which are a necessary precursor to intelligence. This is a good fraction of the total time available, before the Sun blows up. So it would be consistent with the hypothesis, that the probability for life to develop intelligence, is low. In this case, we might expect to find many other life forms in the galaxy, but we are unlikely to find intelligent life.

[Levou muito tempo, dois e meio bilhões de anos, para células simples evoluírem para seres pluricelulares, que é um precursor necessário para a inteligência. Esta é uma boa fração do tempo total disponível antes que o Sol exploda. Então isso seria consistente com a hipótese de que a probabilidade da vida desenvolver inteligência é baixa. Neste caso, deveríamos esperar encontrar muitas outras formas de vida na galáxia, mas é improvável que encontremos vida inteligente.]

Nós temos um conceito de vida muito restrito aos parâmetros terráqueos, àquilo que conhecemos na superfície do terceiro planeta do Sistema Solar. E temos padrões mais restritos ainda para o que concebemos como vida inteligente.

A vida celular foi o que vingou na Terra, e talvez não houvesse muitas outras possibilidades neste ambiente. Mas o vírus é uma forma de vida não-celular, que talvez tivesse mais possibilidades de diferenciação num planeta diferente, e talvez até viesse a evoluir e alcançar o status de vida inteligente em outras paragens do Cosmos.

A vida pluricelular também deve ter sido o mais adequado para as condições deste planeta. Mas  não seria possível que, em determinadas condições, uma espécie unicelular evoluísse de modo a crescer mais e mais, se diferenciando cada vez mais em suas organelas e assumindo uma forma macroscópica com um sistema interno próprio ao desenvolvimento da inteligência? O sistema neurológico é a única estrutura que a natureza poderia ter encontrado para desenvolver cérebros?

Toda essa especulação vai no sentido de vislumbrar uma forma de vida com inteligência da maneira como entendemos esta. Por mais que façamos abstrações, a cognição humana pode ser apenas uma de inúmeras possibilidades.

A organização do pensamento humano tem uma especificidade que advém da peculiaridade da experiência do Homo sapiens. Grande parte da forma como o ser humano representa o mundo, o compreende e o interpreta é resultado de um modo peculiar de percebê-lo e de interagir com ele. É o que mostra Gilbert Durand no livro As Estruturas Antropológicas do Imaginário: aprender a se erguer e caminhar nos faz valorizar e desvalorizar de uma certa forma as noções de cima e baixo, de subida e descida; o impulso e o ato de comer e a sexualidade nos fazem entender de uma certa maneira nossa animalidade e os conceitos de dentro e fora. A especificidade dos sentidos humanos também influenciam essas valorizações, de modo que, por exemplo, a luz se torna um conceito/imagem extremamente importante nas metáforas sobre o conhecimento do mundo, já que a visão é um dos, se não o mais, sentidos mais importantes do Homo sapiens.

Uma espécie sem visão, que pautasse a maior parte de suas percepções do mundo na audição, por exemplo, da forma como um morcego “enxerga” (e da forma como o super-herói Demolidor (Daredevil), da Marvel, “vê”, usando uma audição aguçadíssima), poderia construir o entendimento (interessantemente, o verbo entender é cognato do francês entendre, que significa “ouvir”) do mundo com base em metáforas que incluem a ideia de voz, de música, de melodia, e poderia, ao invés de textos para serem lidos, gravarem seus conhecimentos em meios auditivos. Como deve ser a cognição de um rapaz cego que se localiza no espaço através de ecolocalização, se a compararmos com o pensar de uma uma pessoa vidente?

Além disso, se buscarmos as variações da própria espécie humana, veremos como às vezes é difícil traduzir os modos de pensar de povos com cultura diferente da nossa. Essa tentativa de compreender a linguagem, o pensamento, a cosmologia e a cultura do outro é o principal esforço das obras etnográficas de autores como Bronislaw Malinowski, Ruth Benedict, Claude Lévi-Strauss e todos os antropólogos que viveram entre alienígenas e escreveram sobre suas experiências.

Se muitas vezes é preciso ficar imerso na cultura do outro humano por um bom período até se entender seu modo de viver e pensar, imaginemos como seria hercúleo o esforço para compreender a cultura de uma espécie nascida num planeta diferente, com composição química diferente, aparência diferente, modos de se comunicar diferentes.

Ora, demoramos tanto tempo para descobrir uma fração da inteligência dos golfinhos, uma das espécies mais inteligentes no planeta Terra. Douglas Adams, em O Guia do Mochileiro das Galáxias, mostra de forma bem-humorada como é difícil uma espécie chegar a compreender a inteligência de outra. Na história, os golfinhos, a segunda espécie mais inteligente da Terra (antes dos humanos,a terceira, e depois dos ratos), sabiam que a Terra estava prestes a ser destruída, mas não conseguiram avisar os humanos, que interpretaram sua mensagem como piruetas divertidas. Vejam o trecho inicial do filme inspirado no livro:

Podemos então vislumbrar espécies extraterrestres tão díspares daquilo que consideramos vida inteligente que teríamos dificuldade até de reconhecer que são inteligentes, como a criatura de silício encontrada por Kirk e Spock, descrita na primeira parte deste texto. Assim, qualquer primeiro contato entre duas espécies inteligentes está sujeita a muitos mal-entendidos.

Esse foi o tema de um episódio da série televisiva Babylon 5, em que a origem da guerra entre humanos e minbari é explicada: em seu primeiro contato, uma nave humana encontrou uma nave minbari, cujos tripulantes ativaram as armas da nave, que para eles é um sinal de respeito (algo como tirar a espada da bainha e pô-la no chão, significando a intenção de não entrar em conflito). Os humanos interpretaram o gesto como uma ofensiva, e teve início um longo conflito.

Há assim muitos motivos para ter cautela nos contatos com extraterrestres, e sobre isso me delongarei na próxima parte de Contatos Imediatos.

Continua...

Continua…

Coleção de sinapses 10

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Esta semana foi a Semana da Toalha, com a comemoração, em 25 de maio, do Dia da Toalha, em memória de Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias. Vimos uma polêmica declaração de uma empresa de video games sobre a classificação etária dos jogos e uma polêmica situação de racismo na UFPB.

Lemos um texto de Manuela Carneiro da Cunha sobre o racismo na questão quilombola e a questão indígena foi abordada, levando-se em conta o conceito de “nação indígena”. Os conceitos primários do design foram apresentados de modo sucinto enquanto vimos um teaser trailer de LittleBigPlanet 2, onde o foco é o design pelos jogadores. No céu, um bebê vestindo uma armadura de metal…

O Guia do Programador das Galáxias – Nerdson não vai à Escola

Towel Day – Wikipedia

Dia da Toalha – Wikipédia

Dia da Toalha homenageia autor de “O Guia do Mochileiro das Galáxias” – Livraria da Folha

Feliz Dia da Toalha com a Toalha Don’t Panic Towel! – Blog de Brinquedo

Contos e Crônicas da Vida Moderna: A resposta sem pergunta – Blog do Duzão

25 de maio foi comemorado o Dia da Toalha, em memória de Douglas Adams. Em sua “trilogia de 5 livros” O Guia do Mochileiro das Galáxias, a toalha é apresentada como o item mais útil para um viajante interestelar. Duas semanas após a morte de Adams, seus fãs estabeleceram o Dia da Toalha, em que cada pessoa deve sair de casa com sua toalha, que pode vir a calhar em diversas situações cotidianas.

A obra de Douglas Adams é uma boa mistura de ficção científica, especulação epistemológica e refinado humor britânico. Qualquer dia desses eu posto uma resenha sobre cada um dos 5 livros:

  1. O Guia do Mochileiro das Galáxias
  2. O Restaurante no Fim do Universo
  3. A Vida, o Universo e Tudo Mais
  4. Até logo, e Obrigado pelos Peixes
  5. Praticamente Inofensiva

Só para lembrar, o mesmo dia 25 é aniversário da estreia de Guerra nas Estrelas.

Rockstar ataca a crítica anti-games – Jovem Nerd News

Consulte a classificação dos jogos eletrônicos ou de RPG – Ministério da Justiça

Os pais que compram video games para os filhos muitas vezes têm o descuido de não conhecer os jogos com que as crianças estão se divertindo. Todos os jogos têm uma classificação indicativa, e os pais que reclamam que os jogos dos seus filhos são muitos violentos são irresponsáveis e erram ao acusar as empresas que fabricam os jogos de estarem aliciando os infantes para a violência e a “imoralidade”. Video game não é só para crianças. Há jogos que servem para pequenos e há os que não servem (a depender do que os responsáveis – ou não – consideram adequado). É só prestar atenção e se informar. O site do Ministério da Justiça é um exemplo de fonte de informação para os pais preocupados.

Estudante africana é agredida a chutes dentro da Universidade Federal da Paraíba – O Globo

Que a polícia está despreparada estamos cansados de ouvir, e ninguém discorda. E aqui vemos que esse despreparo concerne à noção do que é crime ou não. A imagem da polícia foi muito prejudicada com as alegações da delegada que “acompanhou” o caso e mostrou não entender o que é racismo.

A querela das terras de quilombos – Racismo Ambiental

Um ótimo e atual texto da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha sobre a questão quilombola, que tem atingido as susceptibilidades da (grande) propriedade privada da oligarquia brasileira.

Nações dentro da Nação: Um Desencontro de Ideologias – UnB

Uma excelente discussão teórica de Alcida Rita Ramos sobre o conceito de nação, usado e abusado na questão indígena, quando se fala em “nação indígena”. Muitos sentem que há uma ameaça à “soberania nacional” quando os indígenas reivindicam direitos político-organizacionais, e muita gente se confunde com os diversos significados possíveis do conceito de nação.

Os princípios perdidos do design – Design on the Rocks

Sou voluntário de uma instituição que trabalha com educação e pesquisa de Conscienciologia, e coordeno o Comitê de Comunicação dessa instituição. Sempre procuro entender um pouco mais de design para oferecer uma contribuição útil ao INTERCAMPI (Associação Internacional dos Campi de Pesquisas da Conscienciologia). Além do fato de eu há muito tempo me interessar por artes visuais.

LittleBigPlanet 2 Announcement Trailer (LBP2) HD – YouTube

LittleBigPlanet é um dos melhores jogos já feitos para Playstation 3. Criativo e divertido, permite também aos jogadores criar cenários e fases que podem ser jogados por outros usuários conectados à Playstation Network. O trailer da continuação desse belo jogo mostra que muitas das limitações do primeiro título na criação de fases (que sempre seguiam o mesmo esquema bidimensional de “jogos de plataforma”) serão sanadas, permitindo maior interação com o cenário, melhores desafios e a concepção de jogos inteiros, aproveitando muito mais a criatividade dos jogadores metidos a designers.

IRON BABY – YouTube

Bem… é… engraçado. 😀

Coleção de sinapses 8

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Nesta semana contribuí com um abaixo-assinado contra o trabalho escravo e outro a favor da manutenção da política de regularização de territórios quilombolas. Li sobre cientistas que contribuíram para desfazer a imagem das lulas gigantes como monstros, enquanto a Editora Abril se mostrou um monstro ao demitir um de seus renomados funcionários que fez a besteira de exercer sua liberdade de expressão.

Vi um ovo projetar um pinto numa releitura imagética da natureza e li sobre uma triste tentativa do estado do Arizona de levar uma releitura empobrecida da história americana para as escolas. Vi também uma releitura escultural da fictícia morada de Bilbo Bolseiro e um leitura cultural e histórico do papel dos negros, da escravidão e da Abolição no Brasil, enquanto ouvia uma conversa sobre a ficção científica de Douglas Adams, que aborda a cultura, a história, a vida, o universo e tudo mais.

Abaixo-assinado pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo -PECcravo do Trabalho E

O trabalho escravo foi abolido oficialmente no dia 13 de maio de 1888, mas não o foi de fato. É preciso que o Estado exerça o princípio contido na Lei Áurea, de acabar efetivamente com qualquer situação de alienação dos indivíduos humanos de sua própria integridade e liberdade.

Quilombolas-STF – PetitionOnline

A política de regularização de territórios quilombolas promovida pelo Estado brasileiro tem falhas conceituais e processuais. Mas ela é necessária para que a Reforma Agrária do país seja completa. Há muita gente vivendo há muito tempo em terras sobre as quais não consegue exercer o direito de propriedade, devido à situação marginalizada e à opressão de quem se utiliza de poder político, econômico e social para esbulhar e se apossar do que acha que pode ser seu. Penso que há muito o que mudar na referida política, mas acho que isso deve ser feito sem que os trabalhos já iniciados seja prejudicados e mais gente continue vendo seus direitos humanos negados.

Colossal Squid Is No Monster, Study Finds – LiveScience

A lula gigante provavelmente inspirou o mítico monstro Kraken, do imaginário escandinavo. Mas, se observarmos bem a natureza, muitos dos maiores animais não são caçadores e são os mais dóceis (contanto, claro, que os deixemos em paz). Elefantes, baleias, girafas, hipopótamos; na pré-história, braquiossauros, tricerátopes, mamenquissauros… até porque quanto maior é o animal, mais lento ele é.  Bbiólogos estão descobrindo que as lulas gigantes não são predadores ferozes, mas esperam pela presa para agarrá-la.

Jornalista é demitido da National Geographic por criticar Veja no Twitter – PortalImprensa

Felipe Milanez utilizou sua conta de Twitter pessoal para criticar o racismo e a manipulação de informações da revista Veja. Mas, mesmo tendo tido um papel importante para a consolidação da National Geographic no Brasil, foi demitido. É claro que uma empresa quer que seus empregados zelem pelo nome e a reputação de seus patrões. Mas… ora bolas, a Veja tem uma péssima reputação na visão de muitos jornalistas. A Nat Geo é uma ótima revista, talvez por veicular informações que não tocam tanto em assuntos políticos, que é um dos pontos fracos do Brasil.

Chicken and the Egg – Tim O’Brien

Uma ilustração bonita e original, uma metáfora entre natureza e tecnologia. O que veio primeiro, o ovo, o projetor ou a galinha? Essa imagem, aliás, me remeteu ao estilo de Luigi Serafini, em seu extravagante e surreal livro Codex Seraphinianus.

Estado do Arizona proíbe matérias sobre minorias étnicas nas escolas – G1 Mundo

Os Estados Unidos talvez sejam o país que mais contribui para a visão ocidental (compartilhada pela cultura brasileira também) de que o branco-caucasiano-europeu-dolicocéfalo é o humano normal, sendo os outros povos e etnias considerados variações menos perfeitas e que precisam abandonar a primitividade e adotar o American Way of Life, mais evoluído, mais avançado, mais humano… Negar a diversidade humana é uma forma de negar uma das características mais fundamentais de nossa espécie, e negar a contribuição de múltiplas origens da história dos EUA é dividir desigualmente o prêmio da construção do Império Norte-americano. Agora o Arizona quer ensinar às crianças a se definir como exclusivamente euro-descendentes, negando sua mestiçagem (biológica ou não, mas cultural certamente) e até esquecendo que seu atual presidente é um autodeclarado mestiço.

My Hand Made Hobbit Hole – Bag End from Lord of the Rings – Madshobbithole’s Blog

Uma muito bonita adaptação artesanal da casa de Bilbo Bolseiro (protagonista de O Hobbit, de J. R. R. Tolkien), escavada dentro de uma colina. A morada de Bilbo já é para os humanos medianos uma miniatura, e essa miniatura da miniatura nos remete ao fascínio pelas representações diminuídas da realidade “normal”. É como se , ao nos imaginarmos naquele cenário miniaturizado, simulássemos o desejo de ser pequenos, ou seja, de voltar a ser crianças. O mais interessante, no entanto, é que isso tudo está me inspirando para escrever um texto mais longo sobre o tema… aguardem.

O Negro No Brasil Pós-Abolição – Conversa de Bar

13 de Maio – Conversa de Bar

13 de Maio – Dia Nacional de Luta Contra o Racismo – Conversa de Bar

Eduardo Prado fez em seu blog Conversa de Bar um pequeno dossiê sobre o racismo e a Abolição da escravidão, ensejado pelo 13 de maio. Como já discorri acima, a escravidão é um processo incacabado. Além disso, a Abolição é um fato controverso de nossa história, pois aboliu a condição de escravos dos africanos e seus descendentes, mas não houve nenhuma ação do Estado para que esses recém-libertos passassem a viver como gente livre. Daí toda uma série de desigualdades que se perpetua até hoje.

Nerdcast 209 – Douglas Adams – A Vida, o Universo e Tudo Mais – Jovem Nerd

A “trilogia de 5 livros” O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, é uma ótima fonte de diversão inteligente, humor intelectual ou qualquer coisa parecida. Um belo exemplo do refinado humor britânico, aplicado à ficção científica e às histórias de aventura espacial. Neste episódio do Nerdcast, os locutores faze um apanhado dos de alguns dos aspectos mais interessantes da obra de Adams. Mas eu sugiro veementemente que o ouvinte leia pelo menos o primeiro livro da “trilogia” antes de escutar o episódio. E se prepare para sair com sua toalha no dia 25 deste mês. A propósito… NÃO ENTRE EM PÂNICO!

29 translações

Padrão

Na madrugada de 29 de dezembro de 2009, eu e minha esposa fomos dormir depois de terminar de assistir a De Volta para o Futuro III 1. Antes de cairmos no sono, ela me desejou feliz aniversário e boa noite. Sonhei com ela acendendo incensos no quarto e dançando músicas de estilos variados.

O dia amanheceu com uma deusa depositando uma bandeja de néctar e ambrosia no meu colo 2. Suco de goiaba, torrada de pão francês com queijo, torrada de pão preto com presunto, ovo frito, café com leite, tapioca e bolo de chocolate. Praticamente tudo o que eu precisava para já sentir que o dia foi satisfatório.

Nesse dia, desde que fui dado à luz sobre a crosta deste planeta Terra, o mesmo completa 29 translações ao redor do Sol, esta pequena estrela amarela que flutua no subúrbio da Via Láctea 3.

29 anos de idade, no dia 29 de dezembro de 2009. O que há de significativo em tantos 2 e 9 convergindo na mesma ocasião? Coincidência tão interessante só mesmo o 21/12/2012, quando ocorrerá um raro alinhamento astronômico previsto por um povo (os maias) que não seguia o calendário gregoriano 4.

Ainda não sou um balzaquiano, mas… nem li Mulher de 30 Anos, de Honoré de Balzac, só sei a referência. Dele li O Lírio do Vale, que ganhei de presente de aniversário há uns 3 anos. Uma obra belíssima, recheada de descrições poéticas riquíssimas e que apresenta a instigante dualidade entre a mulher materna e a mulher amante.

Ao longo do dia, recebi ligações telefônicas com felicitações, recebi vários recados no Orkut com mensagens amigas, recebi parabéns pelo MSN e congratulações pelo Twitter. É interessante como mudaram as coisas. Antes da internet, as pessoas conhecidas, os familiares e amigos, ligavam para desejar feliz aniversário. Hoje em dia, não só as pessoas mais próximas, mas também gente que só conhecemos virtualmente, sabem a data de nosso aniversário e nos parabenizam. O efeito colateral disso é que ficamos confiando nas redes sociais para “lembrar” as datas e, se passarmos alguns dias sem acessar a internet, alguns aniversários podem passar batidos.

Meus pais vieram me visitar e ganhei uma bela camisa vermelha (tinha uma parecida, que comprara em 2004 para com ela defender minha monografia de graduação em Ciências Sociais). Vesti-a e saímos para jantar sushi 5. Foi divertido comer enquanto brincávamos com Paulinho, neto de minha esposa. Meu pai, xará dele, acabou convencendo-o a chamar seu macaco de pelúcia de Chico Banana 6.

Já tive aniversários com muitos presentes, com muita gente em casa, com música, festa, bolo, surpresas. Mas não fizeram falta desta vez. Apenas a Terra completa mais uma volta ao redor do Sol, marca-se mais um passo no meu desenvolvimento, em meu amadurecimento, em minha evolução. E tive mais do que o necessário para um dia feliz.

Ilustração

A ilustração deste post é um trecho de Uma Festa Muito Esperada, de Inger Edelfeldt, que representa o primeiro capítulo de O Senhor dos Anéis, onde Bilbo Bolseiro comemora seu aniversário de 111 anos em meio a 144 parentes.

Notas póstumas (acrescidas às 14:45)

  1. A saga de Marty McFly e Dr. Brown é muito interessante. De modo geral, a ficção científica da história é bem sopesada com a comédia. Há alguns furos sutis na trama da parte III, mas a homenagem bem humorada aos westerns é divertida, e a mensagem final do filme é muito bem colocada. “O futuro é o que você faz dele”.
  2. Não pude deixar de lembrar de Os 12 Trabalhos de Asterix. Um dos trabalhos de Asterix e Obelix é desembarcar em e sair da Ilha dos Prazeres, onde vivem sacerdotisas sensuais que seduzem os visitantes. Ao oferecerem néctar e ambrosia a Obelix, alegando que os gauleses são deuses e que não havia javalis assados a ser servidos ali, Obelix não vê outra alternativa a não ser fugir.
  3. Segundo Douglas Adams, o Guia do Mochileiro das Galáxias diz somente isto no verbete Terra: “Praticamente inofensiva”. Klaatu talvez discordasse desse Guia…
  4. Ainda não vi o filme 2012 e só pretendo ver quando não tiver que gastar dinheiro para isso.
  5. O sushi do restaurante Pinga Fogo é muito bem feito. Há uma grande variedade de sushis, com frutas, frituras e firulas (o sushi no Ocidente, no Brasil talvez ainda mais, se transforma em miríades de guloseimas). O restaurante Taiyo, que fica próximo, oferece um sushi mais simples, mas é tão bem preparado que acho melhor do que o do Pinga Fogo. Os do Taiyo parece que são mais japoneses.
  6. Meu pai disse que todo macaco se chama Chico. Mas me vêm à cabeça Simão, Sócrates, George (o curioso). O macaquinho em questão é amarelo e se parece com o Dr. Zaius. Se fosse meu eu o batizaria assim.

 

É preciso o Orgulho Nerd?

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Ontem, dia 25 de maio, foi o Dia da Toalha. Esta data foi inventada por fãs da obra de ficção científica/comédia de Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias, segundo o qual a toalha é o item mais útil que um mochileiro das galáxias pode levar numa viagem pelo espaço sideral.

Essa data também é o dia da estreia de Guerra nas Estrelas, em 1977. Como muitos fãs das histórias de Guerra nas Estrelas e da obra de Adams são nerds, resolveram transformar esta data também no Dia do Orgulho Nerd, ou Dia del Orgullo Friki, comemorado pela primeira vez em Madrid, Espanha, em 2006.

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