Caro Augusto…

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Natal, 28 de agosto de 2015 e.c.

Caro Augusto,

Desde a última vez que nos falamos um vulto alado persiste em rondar minha cabeça. Simplesmente genial sua alegoria da consciência, equiparada a um morcego que volteava sua rede naquela meia-noite desconfortável. Não sei nem quero saber se você tem problemas graves de consciência pesada ou se tudo não passou de fabulação sem conhecimento de causa. Mas de uma coisa estou bem certo: mesmo que se possa provar que há pessoas que não são atormentadas por sentimentos de culpa, todos nós temos, no mínimo, um pouco de insanidade. E tendo em vista uma pitoresca ocorrência pela qual passei outro dia, enquanto tentava descansar na sombra de uma árvore, e que me fez lembrar do seu Morcego, constatei que a consciência quiróptera é apenas uma faceta da loucura humana, ou um tipo de doideira específica (não uma doidice, o que é bem diferente).

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