A alma dos robôs – parte 3

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Um computador pode emular uma inteligência humana de modo visivelmente artificial. Não é difícil encontrar na internet programas que simulam um interlocutor com o qual você pode travar um bate-papo mais ou menos coerente. Mas basta aprofundar ou complexificar um pouco a conversa para desmascarar o robô e fazê-lo dizer coisas sem sentido.

A inteligência das máquinas tem uma especificidade particularmente artificial. A utilidade de um computador prescinde de qualquer traço de humanidade. Um computador e um braço mecânico de uma fábrica não precisam ser nenhum pouco parecidos com um ser vivo, e talvez fosse muito perturbador para nós se não fossem explicitamente artificiais. Esse é o tema de uma história de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, em que Data descobre que tem um irmão mais velho, Lore, que fora descartado por seu criador porque era parecido demais com um ser humano.

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A alma dos robôs – parte 1

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A evolução dos robôs segue seu caminho. Para cientistas, engenheiros e entusiastas da Ciência e da Tecnologia, há, entre outros, um objetivo claro: reproduzir com cada vez mais fidelidade a inteligência humana. Não basta, portanto, criar ferramentas supereficazes em suas tarefas autômatas, mas dar a ilusão de que as máquinas têm uma alma.

Desde a Antiguidade se contam fábulas sobre criaturas artificiais que se tornam seres vivos. Histórias sobre robôs na ficção científica têm abordado o fascínio do ser humano pela possibilidade de surgirem vida e alma das criações tecnológicas. A antropomorfização de seres inanimados não é novidade na história humana, mas quando se tratam de seres que imitam comportamentos e funções humanas, como os robôs, é muito forte a fantasia de que eles podem se tornar completamente humanos.

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30 translações

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Há 1 ano eu escrevi um texto sobre meu aniversário de 29 anos, 29 translações ou Uma festa não muito esperada. Hoje eu chego a um número “redondo” (pois tem um zero, que tem forma redonda), 5 vezes 6, 3 vezes 10, 2 vezes 15. Porque um número “redondo” tem tanta importância eu não sei. Meu pai falou em 30 anos como se fosse um marco. Versão “3.0”.

Mas isso não importa agora. Esses momentos institucionalizados pela nossa cultura para servir como celebração e confraternização, ou seja, para reforçar os laços sociais, são para ser aproveitados mesmo, e aqueles que pensam nessas horas com certo cinismo temos mesmo é que usufruir, compartilhando a alegria dos amigos e familiares que vêm nos enviar felicitações e comemorar.

Às voltas com o pós-operatório de uma cirurgia cardíaca realizada em 30 de agosto deste ano, ainda com algumas sequelas físicas que me mantêm em tratamento diário 1, vejo-me na condição de uma peça em manutenção, que vai retomar suas atividades normais com mais energia e eficácia.

O coração é o centro do corpo 2, protegido pela caixa torácica junto com outros órgãos vitais, encontra-se bem no meio, para distribuir igualmente o rubro líquido oxigenador por todo o soma 3. É um órgão fundamental para o funcionamento do cérebro, que, sem o oxigênio capturado pelos pulmões e levado à corrente sanguínea, não poderia tecer ideias, pensamentos, emoções nem sonhos, ficando desligado do mentalsoma, o corpo mental que se manifesta na dimensão mentalsomática, que não pode se manifestar na dimensão intrafísica sem a conexão com a glândula pineal, o coração do cérebro 4.

Hoje, dia seguinte ao meu aniversário, escrevo aqui só para constar. Somando os presentes de Natal com os de aniversário (pois acontece tudo tão perto que eu considero os presentes como referentes a uma situação só), ganhei uma carteira, um cinto, camisas, um par de sandálias, uma miniatura de dragão púrpura, o livro de receitas Quase Vegetariano: Alimentação Saudável através de Receitas Deliciosas, de Geni Coli 5, o livro de ficção científica Ubik, de Philip K. Dick, um lindo vaso de flores-do-serrado, e talvez algo mais que eu tenha esquecido. Um conjunto e tanto para começar as atividades de 2011 e.c..

Houve também, como é costume nos dias atuais, muitas mensagens de felicitações nas redes sociais virtuais, todas “curtidas” e respondidas, além de ligações telefônicas apreciadas.

Last but not least, espero que este post represente um singelo presente aos leitores desta Teia que teço com tanto carinho e cuidado. À maneira dos hobbits, gosto da ideia de dar presentes em meu aniversário. Ademais, também pode servir como presente de Natal atrasado e de Ano Novo antecipado. Boas festas e felicidade a todos nós!


Notas

  1. Depois da cirurgia, fui internado mais 3 vezes. Na primeira, tive que ter parte da cicatriz aberta de novo, para a inserção de um tubo para drenar um derrame no pericárdio. Na segunda vez, após o diagnóstico de uma arritmia cardíaca, tive que ser medicado na UTI e submetido a uma cardioversão (um choque com desfibrilador; ainda estou tomando diariamente um comprimido para manter a regularidade da frequência cardíaca). A terceira vez, bem recentemente, foi para a retirada de um fio de aço, colocado durante a cirurgia original para segurar as duas partes do esterno enquanto este cicatrizava, e que meu corpo estava rejeitando. Ainda vou quase diariamente ao hospital para chek-ups e trocas de curativo.
  2. Talvez por isso ele receba tantas atribuições nas filosofias mundo afora, tendo sido considerado na Grécia antiga o órgão onde se sedia a mente.
  3. …eu acho.
  4. Então, retomando a nota 2, o coração, se não é a sede da mente, ao menos desempenha papel importante em sua manutenção.
  5. Vou me esforçar ao máximo para aprender a cozinhar este ano. Eu não juro, mas prometo.

Mind tricks

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O site akinator.com é divertido. O gênio da lâmpada Akinator vai lhe perguntar sobre o personagem (real ou fictício) em que você está pensando. De acordo com suas respostas, ele tentará adivinhar. Até hoje, ele errou poucos dos meus palpites e dos de outras pessoas a quem mostrei o site.

Com o tempo você vai percebendo que as perguntas são colocadas de modo inteligente, e suas respostas vão eliminando as possibilidades no banco de dados do site, até que só sobra uma resposta certa. Às vezes pode haver mais de uma resposta no final (já que o número de perguntas é limitado), e o programa deve buscar a mais popular das respostas possíveis, propiciando um possível erro.

As sugestões dos internautas também contribuem para aumentar o banco de dados de personagens e de perguntas e ajudar o gênio virtual a acertar com cada vez mais acurácia. E surpreende às vezes, como quando ele adivinhou que eu pensava em Alfred Pennyworth, mordomo de Bruce Wayne. O mais intrigante foi que meu irmão disse que mostrou o site aos colegas no trabalho e Akinator adivinhou várias atrizes pornô brasileiras.

O TurcoLembrei-me então de uma máquina que causou muita polêmica e discussão no século XIX, e que foi objeto do conto Maelzel’s Chess-player, de Edgar Allan Poe. Era um robô chamado O Turco, que consistia num boneco preso a uma caixa cujo topo tinha um tabuleiro de xadrez. Um jogador real fazia suas jogadas e o boneco, não lembro através de que mecanismo, respondia suas jogadas e, na maioria das vezes, ganhava as partidas. Muitos buscaram descobrir como funcionava o engenho, e já se considerou que havia um anão dentro da máquina, que era exímio jogador de xadrez e fazia funcionar o boneco.

Hoje em dia nós nos divertimos tentando adivinhar como os mágicos de rua, tais quais David Blaine, Criss Angel e Cyril Takayama, conseguem executar performances tão impressionantes como levitar, fazer outras pessoas levitarem, adivinhar uma palavra de um livro escolhida aleatoriamente por você, fazer um objeto atravessar vidro, transformar um sanduíche de um menu em um sanduíche real e tantas maravilhas que deixam o cérebro em curto circuito.

Blaine é o mais peba. Angel e Takayama são fenomenais.

Sabe-se que os mágicos utilizam prestidigitação (“a mão é mais rápida do que o olho”) e distração, entre outras técnicas, para iludir as plateias. De vez em quando, aparece um “Mr. M” para desafiar os ilusionistas a inovarem seus números. É um bom exercício de criatividade e de superação dos limites humanos. Infelizmente, são essas técnicas de ilusão mental que muitos adivinhos utilizam para iludir os incautos ingênuos. O texto Como se tornar um vidente, de Newton “Cafetron” Gonzales (em seu blog Nebulosa Nerd’s Bar) é bem esclarecedor sobre os meios que se podem usar para fazer as pessoas pensarem que um adivinho tem percepções extrassensoriais.

No entanto, há fenômenos e técnicas que fogem à especulação que leva em consideração somente a ilusão de ótica ou de outros sentidos. A experimentação de técnicas de aprimoramento psico-físico que nos levam a buscar os limites de nossas capacidades somáticas e perceber e desenvolver as potencialidades extrafísicas deveriam ser encorajada em nossa cultura/educação. A prática de educação física deveria ser complementada com exercícios de yôga ou similares.

As aulas mais cognitivas deveriam se enveredar pelo desenvolvimento da memória (com técnicas usadas há séculos pelos árabes, por exemplo, que conseguem decorar em pouco tempo o Alcorão) e das percepções. Sentir-se integrado no ambiente ao redor, perceber-se uma parte do universo, é o objetivo de muitas filosofias que buscam na meditação uma integração com a natureza. O pouco que já senti nesse âmbito já é bastante recompensador.

Como muitas coisas que se encontram na internet, o Akinator não tem uma grande utilidade além de distrair um pouco. Já esta figura misteriosa abaixo deixa você adivinhar a palavra em que ele está pensando. É uma forma legal de praticar o inglês. No link presente no flash há outros joguinhos interessantes (desobri esse site graças a Dyego). Aqui se trata mais de distração e imaginação sem disciplina.

A mente é capaz de conceber o universo, de compreendê-lo (contê-lo), e está dentro dele compreendida. Podemos jogar com a mente através de técnicas que a iludam, mas é sempre possível superar esta ilusão e criar uma ainda mais complexa. Conhecer a mente é saber como enganá-la e descobrir como despistar as ilusões, como aprimorá-la para compreender em detalhes o Cosmos. Esse é o sentido do pensar, essa é a utilidade de se aprender.