Ai, se eu te pego

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O status de arte da música popular – ou pop – sempre foi posto em xeque, já que esse é um estilo que obedece a estruturas que variam dentro de um padrão pré-estabelecido, como duração, refrães, andamento e coisas do tipo. O historiador Eric Hobsbawm dá explicações muito mais completas e sensatas sobre as características da música pop em seu belíssimo livro A História Social do Jazz.

A discussão acerca do caráter artístico da música está aparentemente superada, já que essas produções voltadas para um mercado consumidor maciço podem ser desenvolvidas de forma pré-moldada, contudo seu grau de expressividade transcende suas limitações estruturais, assim como as técnicas de apropriação musical são utilizadas para criar novas linguagens, o que é um aspecto fundamental da arte.

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As micaretas de Cristo

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Uma coisa as manifestações religiosas perderam com o passar dos anos: a solenidade. Se era preciso mostrar ao mundo ou aos próximos a fé que se sentia, isso costumava ser feito com certa cerimônia e serenidade. As pessoas davam à exposição da fé o tom solene que as promessas de salvação e conduta requeriam. Hoje, o que mais se percebe é uma carnavalização da fé e da religiosidade.

As cidades estão cheias do que se poderia chamar de micaretas de Cristo: são carros de som, trios elétricos, bandas, palanques e fogos anunciando a salvação e a presença de Deus no meio da rua. O que antes era solenidade, hoje é balbúrdia e alarde, como acontece nas outras manifestações carnavalescas.

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