Coleção de sinapses 6

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Essa semana não identificamos a raça de duas caveiras, mas identificamos a mesma imagem fotografada e desenhada ao mesmo tempo. Vimos que ao mesmo tempo também ocorre a censura e a revolta da liberdade de expressão. Uma música revoltosa e apocalíptica do Therion foi apreciada, bem como o Theremin e seu gracioso som, feérico como a música de Enya.

A Força de uma galáxia distante apareceu num lugar inesperado, e descobrimos marcas alienígenas em toalhas (Douglas Adams tem algo a ver com isso?), bem como relatos de extraterrestres no interior do Mato Grosso do Sul. E do interior do Rio Grande do Norte, um violeiro autodidata ancião demonstra habilidade no improviso em verso e violão, enquanto vemos um debate sobre educação em casa versus a educação formal na Escola.

Camiseta Igualdade – RedBug Camisetas

Apesar dos estudos do racismo científico afirmarem que é possível identificar a “raça” de uma pessoa pelas medidas do crânio, com a miscigenação generalizada na face da Terra não dá mais para dizer com tanta certeza se alguém é “negro” ou “branco” só pela caveira.  O sorriso esquelético  por trás de pele e músculo é o mesmo.

Hotlink – Nerdson não vai à Escola

Informações muito importantes sobre ética na internet, mais especificamente sobre os hotlinks, ou seja, o uso de material hospedado fora de seu próprio domínio. Essa foi uma das razões para eu ter escolhido uma hospedagem sem limites de armazenamento, para que eu não precisasse nunca “puxar” imagens de outros sites, clandestinamente, “comendo” a bandwidth alheia.

Arthur (Rick Wakeman) – YouTube

Os teclados de Rick Wakeman visitam Camelot nesse clássico dos anos 70. Conheci essa música há alguns anos através de um vinil do meu pai. Uma canção épica, de descoberta e nostalgia de um tempo de transição entre a antiguidade pagã e o cristianismo medieval. Emocionante.

Lápis vs câmera – Assuntos Criativos

Montagens criativas de Ben Heine, em que a realidade da fotografia se encontra com a surrealidade do desenho.

Tratado do Lobo da Estepe: Só para Loucos (Herman Hesse) – Rubedo

Um belo texto literário sobre autoconhcimento, sobre os antagonismos íntimos entre superego e id, entre razão e instinto, entre a ordem e o caos. Minha Inês tem esse livro me recomendou muito. Ainda não conheço quase nada de Herman Hesse, mas fiquei empolgado.

100 posters sobre liberdade de expressão – Design on the Rocks

Desenhos criativos (alguns nem tanto) sobre o conflito entre liberdade de expressão e censura. Às vezes a repressão cria condições para o surgimento de obras muito criativas, que tematizam a própria censura, como é o caso de muitas das canções de Chico Buarque.
"Censura" e "Esta boca é minha"

To Mega Therion (Therion) – YouTube

Uma música apocalíptica, escatológica, que lembra um desmoronar espetacular do mundo pelas forças da natureza.

Theremin, A Música Etérea dos Deuses – Negative Zero

Randy George’s Theremin Music Channel – YouTube

Informações sobre esse intrigante instrumento musical inventado na Rússia, que faz o instrumentista parecer o maestro de uma orquestra invisível. Confiram também o segundo link, com vídeos de Randy George tocando o Theremin.

Porutogaro-gô: O desafio do idioma de Camões para velhinhos japoneses – CartaCapital

Uma crônica pitoresca sobre os encontros brasileiros entre o Português e o Nihon-go (ou o Porutogaru-go e o Japonês). Nessa história, a gente percebe que o que interessa não é dominar um idioma, mas aprender a se comunicar.

Tea House Moon (Enya) – YouTube

Singela e doce. Lembra gotas de mel caindo. Deveria se  chamar “Honey House Moon”.

“May the Force be with you” – Twitpic

É aí que averiguamos que Guerra nas Estrelas realmente se tornou parte do repertório cultural do Ocidente, quase uma mitologia marginal.

Conjunto Toalhas Crop Circles – Nerdstore

Um produto para nerds, entusiastas de Ufologia e malucos em geral. Fiquei com vontade de comprar, mas R$ 39,90 por 2 toalhas… Mas que é criativa e bonita, isso é. E me faz recordar de quando eu viajava pelo espaço visitando outros planetas…

The Heroes of Hesiod: A Monster Slayers Adventure – Dungeons & Dragons

Fiquei com vontade de traduzir esse livrinho para jogar com meu neto-enteado. Mas talvez seja só uma desculpa para eu voltar a jogar RPG…

O ET de Corguinho – Estadão

São muito intrigantes os relatos de pessoas semianalfabetas que se encaixam com dados ufológicos e com as teorias sobre a manifestação da consciência em outras dimensões, como a Conscienciologia, da qual sou estudioso. Talvez esses ETs não estejam fisicamente por aí, mas extrafisicamente, e seja através do parapsiquismo (percepção extrassensorial) dos personagens dessa história que eles são vistos.

Pais contratam ‘palhaço do mal’ para aterrorizar crianças por uma semana – G1 Planeta Bizarro

Minha ideia é levar um pouco de vida e gargalhada para as crianças. [Dominic Deville, “palhaço do mal”]

Só pode ser piada. Acho que tem criança que até pode gostar da brincadeira, mas depois que algumas delas desenvolverem coulrofobia eu quero ver se esse palhaço continua com esse estranho ofício.

Chico Mote Improvisando na Casa da Amizade – YouTube

Eis meu sogro, membro da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, improvisando em cima de motes sugeridos por José Lucas de Barros. E olhem que Chico Mota já está com 85 anos, não estava acompanhado (quando os violeiros estão em dupla, um pode pensar nos versos enquanto o outro toca) e já tinha bebido algumas. Eu não faria isso nem sóbrio e nem com um parceiro…

A propósito, abri um blog sobre Chico Mota (http://violadechicomota.blogspot.com/) para compilar informações sobre esse renomado violeiro, sobre quem não há quase nada na internet.

Napëpë – Yanomami Ask Their Blood Back – YouTube

Trechos de um filme sobre o conflito cultural entre a indústria farmacêutica e os Ianomâmis, que tiveram amostras de sangue coletadas há alguns anos e acreditam que uma pessoa falecida só pode descansar em paz se não houver mais nenhum pedaço de seu corpo vivo. Eles demandam a devolução das amostras.

Entrevista especial com Cleber Nunes – A educação em casa como um direito básico – O PEnsador Selvagem!

Entrevista especial com Rudá Ricci – O homeschooling é uma afronta ao projeto coletivo de sociedade – O Pensador Selvagem!

Um debate complicado. Se por um lado a escola traz muitos problemas de compatibilidade entre os valores dos pais e os da instituição de ensino, por outro lado a vida moderna dificulta muito a dedicação dos pais para assumir a formação de suas crianças. Acho que o ideal, na atual conjuntura, é procurar equilibrar as duas coisas. Os pais podem e devem participar do desenvolvimento cognitivo dos filhos, mas a maioria não tem tempo para fazer isso da forma mais adequada, e a escola poderia suprir essa necessidade. Porém, é sempre preciso conhecer bem onde você está colocando seu filho para ser educado.

Enchendo balões

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Esta semana Karlisson fez um pequeno desafio em seu blog Nerdson não vai à Escola. Ele criou uma tirinha sem título e sem falas, com os personagens principais de suas histórias em quadrinhos, os programadores Nerdson, Beta Bitsy e Lilo Tag.

Os visitantes tiveram a oportunidade de praticar sua criatividade e concorrer a uma camiseta e a três bottons da Redbug. O desafio real consistia em criar um dialogo coerente com as imagens (contextos, cenários e expressões dos personagens) e fazê-lo mantendo-se fiel às personalidades dos personagens e aos temas comumente tratados em suas histórias.

Fumetti senza paroli

Após ver muitas sugestões dos visitantes nos comentários, percebi que eu seria incapaz, em minha sugestão, de chegar ao nível de sofisticação normalmente presente nos diálogos de Nerdson e cia., tendo em vista que sou leigo em programação e não estou bem atualizado sobre as notícias que envolvem internet e tecnologia.

É claro que muitos temas podem ser tratados, como a gripe suína, o conflito entre Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes ou até coisas do dia-a-dia, comuns a qualquer ser humano, programador ou não. Como eu queria participar, mas como sabia que tinha poucas chances de compreender bem a linguagem específica de Nerdson e cia. para criar uma tirinha que me satisfizesse e a Karlisson, esculhambei e usei Nerdson, Beta e Lilo como instrumentos para uma historinha nonsense com Superman, Lois Lane e Batman.

NerDC Comics

O problema dessa ideia é que o diálogo foi construído no formulário de comentários do blog do Nerdson, e não me preocupei muito com a extensão das frases, que poderiam não caber nos balões ou, mesmo aumentado estes, poderiam não caber nos quadrinhos. Percebe-se isso na imagem acima, que editei no Inkscape. Tive que aumentar os balões e o resultado estético não foi muito agradável. As coisas ficaram abarrotadas e um elemento do cenário ficou escondido (a placa da parada de ônibus).

Além desses problemas, também não se encaixou bem o teor dos balões com os semblantes dos personagens. A expressão de susto de Beta/Lois no primeiro quadrinho não condiz com a despreocupação de sua fala. A cara fleumática de Nerdson/Clark na cena final não tem nada a ver com sua tentativa de despistar Lilo/Bruce. Apenas o segundo quadrinho ficou bem neste sentido.

O resultado do concurso foi divulgado hoje. Averiguei que não era necessário saber coisa nenhuma de programação para fazer uma tirinha como esta:

S03E05 - Apocalipse

Tão importante quanto tratar de um tema corriqueiro entre os nerds, Gabriel Rondon conseguiu encaixar as falas com as situações e expressões dos personagens. Os outros que ganharam menção honrosa também foram bem-sucedidos, inclusive brincando com o próprio concurso.

Foi então que decidi copiar a imagem da promoção e aplicar a sugestão que eu tinha feito (e cujo resultado já foi citado e mostrado acima). Aí pensei em fazer outra coisa. Criei um novo diálogo, dessa vez me preocupando ao máximo com a adequação e com os espaços disponíveis para as falas. O resultado, também um tanto nonsense, está abaixo:

Leçon de Français

Fiz uma alusão a um episódio de O Laboratório de Dexter, no qual o menino gênio Dexter passou a falar a expressão francesa “omelette du fromage” descontroladamente, após dormir ouvindo uma gravação para a aula da manhã seguinte. A alusão aos desenhos animados contemporâneos se mantém no último quadrinho, em que Lilo cita a repetitiva fala de Pikachu, do anime Pokémon.

Um exercício parecido com este e que rende muitos risos é o Festival de Legendas do site Jovem Nerd. A cada semana, eles publicam um frame de algum filme famoso e os internautas devem dar suas sugestões de legenda para a cena, ou seja, devem usar a criatividade para dizer o que está sendo falado ali. Não vale, é claro, usar a fala original do filme.

Esse tipo de exercício de criatividade é muito interessante. Ajuda a desenvolver a capacidade de preencher lacunas e dar sentido às coisas. Quando estamos investigando um assunto, muitas vezes precisamos fazer a ligação entre um tema e outro, e isso só se dá porque construímos uma ponte, cuja resistência será averiguada a posteriori, quando outras pessoas se enveredarem por aquele caminho.

Um exercício de redação muito comum é oferecer uma frase ou parágrafo para o experimentador continuar a história. Uma variação é juntar um grupo, no qual cada integrante contará um pedaço de uma narrativa, baseado no que o outro escreveu. Dyego Saraiva promoveu duas vezes essa brincadeira, em que participamos eu, Dyego, Bárbara, Francine e Mr. T. Aquele que inicia a narrativa não concebe a priori o desfecho que a história acaba tendo.

É mais ou menos o que ocorre na Ciência. O descobridor de alguma lei do universo não consegue prever o que os cientistas que tomam por base suas descobertas farão. O conhecimento evolui através do olhar do outro, que vê as lacunas do conhecimento de seus antecessores e as preenche. Mais tarde, estes preenchimentos serão revistos por uma nova geração.

Para concluir, ao menos por enquanto, sugiro um exercício que já fiz algumas vezes. Procure alguma anotação antiga sua, um trecho de um texto não concluído ou apenas ensaiado, um esboço de um desenho ou qualquer obra inacabada que há muito tempo você não revisita. Tente concluir e note como ficam claras as diferenças entre quem você era no momento em que iniciou aquela obra e quem você é agora.