Rambo e Goku natalenses

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Do Museu de Tudo – Quanto maiores e mais caóticas as cidades, maiores são as possibilidades de inadequação, assim como são mais variados os subterfúgios para safar-se dessa onda massacrante de confusão cotidiana. Por isso, personagens como Goku e Rambo de Natal são, em certa altura, compreensíveis.

Se a um primeiro olhar mais precipitado as pessoas sentem a necessidade de tratar essas figuras que têm ganhado espaço nas ruas de Natal e nas redes sociais como loucos é porque, provavelmente, não convivem ou já se perderam em meio ao caos urbano. Ninguém veste roupa de super-herói e sai às ruas gratuitamente: esses rapazes fazem aquilo a que a cidade os obriga: surtar para não surtar. Não é à toa que os personagens escolhidos são heróis que marcaram gerações: não há ninguém vestido de Bento XVI ou de Neil Armstrong, porque a distância que a fantasia estabelece da realidade é peça fundamental para que a primeira adentre a segunda e provoque o efeito desejado.

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Coronelismo virtual

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Os leitores da Teia sabem que tive um texto plagiado. Em resumo, descobri o plágio de um texto meu no site Star Trek Brasil (www.jornadanasestrelas.com), enviei mensagem, pediram provas de que o texto é de minha autoria, enviei provas e não recebi mais nenhuma manifestação do site. Nesse ínterim, muita gente denunciou e enviou reclamações, diretamente ao site ou no Twitter.

Paralelamente, outro blogueiro, Hugo Cardoso, também alertado para um plágio no mesmo site e pela mesma colunista, Jéssica Esteves, escreveu sobre o caso e enviou uma mensagem pelo Twitter para o site. Diferentemente do que aconteceu comigo, a resposta do site foi uma demonstração de baixaria, típica de quem não tem argumentos para se defender.

As respostas cretinas a Hugo podem ser vistas aqui e aqui. A primeira é um insulto direto e demonstra tanto que o pessoal do site sabe que a denúncia de plágio tem fundamentos quanto está disposto a não tomar providências a respeito disso.

A segunda foi uma forma de dizer que não têm medo de terem sua podridão exposta, e ao acusar Hugo de querer ser “dono do mundo”, estão eles mesmos afirmando que o são. É uma mensagem tão sem noção que veicula um disparate ao pretender que Hugo não tem nada a ver com o assunto. Mas ele está diretamente envolvido, pois foi espoliado por Jéssica Esteves. Como se não bastasse tanta brutalidade, ainda escrevem muito mal.

Toda essa manifestação é bizarra e contraditória, tendo em vista que Jornada nas Estrelas é uma franquia de histórias que procuram veicular elevados valores éticos, representados pela fictícia e utópica Federação dos Planetas Unidos. Mas qualquer código moral pode ser usado para justificar atos de violência, como a Inquisição promovida pelos seguidores do mítico pacifista Jesus Cristo.

Também achei estranho que essas ofensas, dispensadas a Hugo e também a meu irmão Diego e a meu amigo Léo Rodrigues, não tenham sido endereçadas a mim. Pelo que Hugo disse em seu próprio blog, dei-me conta de que o fato de o site ser brasileiro e Hugo ser português é um obstáculo para qualquer tipo de ação judicial, que seria muito difícil levar adiante devido às diferenças de jurisdição e de leis.

Quanto aos outros injuriados, não estão diretamente envolvidos, o que é visto pelo pessoal do site como uma oportunidade para jogar sua raiva em alguma direção sem correr muitos riscos de ser processado. Ou seja, são várias manifesações de covardia. Mas errar é humano, e as pessoas que fazem esse site não são vulcanos, ferengi nem trills.

Talvez eles quisessem deixar implícito que os erros da colunista não são culpa do site. Eles realmente podem ter agregado a moça sem saber que ela recorreria ao plágio para alimentar o site. Mas, ao perceber isso, deveriam ter sido mais sérios, tirando os textos do ar ou lhes dando os devidos créditos (além do meu e o de Hugo, havia vários outros textos plagiados). E nem precisava pedir desculpas.

Hoje eles tomaram, finalmente, uma providência razoável. Tiraram do ar a coluna e os artigos assinados por Jéssica Esteves. O que enfim poderia ser considerado um ato de humildade parece mais ter sido motivado por covardia. Ora, o @startrek_brasil continuou enviando insultos e demonstrando imensa arrogância (agradecendo a visibilidade que os tweets de reclamação têm dado ao site, por exemplo – francamente, não me importo se o site está fazendo sucesso ou não, mas me incomoda que enganem cada vez mais leitores).

Coronelismo virtual

Eis uma das lições que se podem tirar disso tudo: na internet, as estruturas de dominação se reproduzem, mesmo que virtualmente. Na história humana, temos vários exemplos de povos e pessoas que usaram algum tipo de poder para se apoderar dos bens alheios (dinheiro, terras, pessoas – que se tornavam escravos ou súditos). Esses espólios eram usados para aumentar ainda mais seu poder e para manter a ilusão de que a dominação assim criada era legítima, vontade dos deuses, prova de uma suposta superioridade de um povo ou de seu destino glorioso.

Um exemplo mais próximo da realidade da maioria dos leitores da Teia é a história fundiária do Brasil. Desde a Abolição da escravidão até hoje, pratica-se o chamado coronelismo, o monopólio realizado por indivíduos e famílias que possuem capital econômico e político para manter uma posição de poder, estabelecendo suas próprias regras na região em que atuam, espoliando terras ocupadas por pequenos agricultores (e se arrogando a propriedade legítima), submetendo pessoas à obediência forçada, usando meios criminosos para silenciar e matar aqueles que ameaçam seu poder.

O que pode ser visto como uma versão em miniatura dos impérios, como o Romano e o Mongol. No universo de Jornada nas Estrelas (já que estamos falando nisso), o Império Klingon utiliza esses mesmos meios para estender e ampliar seu poder na galáxia. Sua primeira aparição na série (Missão de MisericórdiaErrand of Mercy -, 27º episódio, 1ª temporada, TOS) é emblemática daquilo que os caracteriza como um povo conquistador, belicoso, orgulhoso e imperialista. Kor, agente do Império Klingon, aporta no planeta Organia declarando que este está automaticamente anexado ao Império e que toda manifestação contrária será reprimida.

O site Star Trek Brasil agiu como um coronel que se pensa intocável e não assume como crimes os atos de roubo que comete. Ao contrário, deixa bem claro que a visibilidade que possui na internet, a quantidade de leitores e de seguidores no Twitter, lhe serve como capital para justificar sua impunidade, e ainda envia ofensas aos injuriados, como demonstração de uma suposta imunidade.

Os autores cujos nomes foram mascarados pelo nome de Jéssica Esteves não têm tantos leitores nem tantos seguidores no Twitter para promover uma mobilização de tamanho significativo. Mas eles têm provas a apresentar e têm registrada a publicidade de todo o episódio na internet. Provavelmente nem Jéssica Esteves (se é que ela existe) nem o Star Trek Brasil pedirão desculpas, mas agora eles sabem que, se incorrerem novamente no erro, estão suscetíveis a novas denúncias. Não da minha parte, pois me cansei disso, tenho minha vida para viver e meus posts para escrever. Mas basta ter amigos menos pacientes e mais dispostos a nos defender para que certas falcatruas venham à tona.

“A Teia vai nos unir”

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Na última sexta-feira, dia 28 de janeiro de 2011, Miguel Nicolelis ministrou uma palestra, a convite do Movimento dos Blogueiros Progressistas, no Auditório da Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall (Natal/RN). Nicolelis aderiu recentemente ao Twitter, onde sofreu a dificuldade de provar que ele é o neurocientista Miguel Nicolelis, e sugeriu que sua palestra tivesse o título “Eu juro que eu sou eu”.

Tomando como ponto de partida sua recente experiência com o Twitter, Nicolelis falou sobre Ciência, democracia, redes sociais e de como o caráter libertário de cada um desses elementos pode convergir para um mundo novo e melhor. Abaixo, segue o registro de cerca de 20 minutos (de uma palestra que durou 40), seguido de breve comentário.

Identidade

A identidade é um valor caríssimo na modernidade ocidental. Porém, ela se reveste de um caráter opressor quando o que temos são classificações impostas pelos valores sociais e quando certas coisas como etnia, classe social, sexo/gênero e fenótipo estão imbuídas de significados pré-estabelecidos.

As redes sociais virtuais, que servem de máscaras para a maioria das pessoas, paradoxalmente permitem que demonstremos um “eu” muito mais complexo do que aquele que apresentamos no cotidiano e que é baseado em um conjunto de preconceitos e expectativas a respeito de nosso sexo/gênero, nacionalidade, profissão, “raça”, etnia e idade, entre outros aspectos.

Nicolelis cita seu próprio exemplo, mostrando que o fato de ser cientista não quer dizer que uma pessoa tenha que se limitar a viver 100% de sua vida pensando, sentindo e fazendo Ciência. Cada um de nós é uma complexa teia de identidades, as que nos são impostas, as que se desenvolvem a partir de nossas experiências e a que escolhemos para nós mesmos.

Porém, pouco interessa quem queremos ser ou o que os outros querem que sejamos. Para o mundo à nossa volta, que inclui milhares de pessoas que não conhecemos pessoalmente, importam muito mais nossas ações e o resultado positivo delas para o máximo de pessoas possível.

Democracia do conhecimento

As redes sociais trazem uma possibilidade libertária para que todos participem da produção, desenvolvimento e divulgação do conhecimento. Blogs, microblogs, fotologs, videologs, comunidades e grupos de discussão permitem que o papel divulgador de notícias e saberes não se limite às pessoas encarregadas socialmente desse papel, sejam jornalistas, filósofos, sacerdotes ou cientistas.

O monopólio da notícia e do saber não apenas cai por terra, como expõe, através dos múltiplos agentes civis que noticiam em primeira mão os fatos que veem ao seu redor (e com os quais às vezes estão envolvidos diretamente), através de câmeras de celular e mensagens de 140 caracteres que podem ser vistas em todo o mundo, quanto a mídia hegemônica e os nichos acadêmicos estão corrompidos por interesses mesquinhos.

Além disso, a facilidade com que cada um pode divulgar sua visão dos fatos, bem como a distância global que essa divulgação alcança, permite que a participação no debate internacional não seja unilateral, pois, se os meios de comunicação podem escolher divulgar ou não as respostas às suas matérias, essas respostas podem ser disponibilizadas e acessadas com muito maior alcance através da internet. O direito da liberdade de expressão assim se faz muito mais efetivamente e tem resultados democráticos muito mais autênticos.

A grande Teia Neuronial

Nicolelis usa (em minha opinião, muito apropriadamente) a palavra “teia” para substituir aquilo que costumamos chamar, em linguagem da internet, “rede”. É, de fato, a tradução literal de “web” e se coaduna melhor com as características, apontadas por Nicolelis, de ser uma realidade que se espalha mas, por causa dos inúmeros fios e conexões, não pode ser quebrada.

Além disso, é uma teia que se constrói segundo suas próprias regras, segundo a própria experiência coletiva que a tece e que não é ditada por autoridade alguma a não ser aquela da democracia que faz a si mesma. A teia é também o lugar em que a identidade criada por cada um e utilizada para interagir (e aqui temos outro paradoxo) não importa tanto quanto se sentir pertencente a uma realidade maior do que nós e o resultado de nossas ações para o conjunto daqueles que formam essa teia.

A importância da Ciência (e eu não me resumiria apenas à Neurociência, mas daria também uma atenção especial às Ciências Humanas) para o reconhecimento de que todos os seres humanos existem na condição da isogênese é crucial para entendermos quão importante é a participação igualitária dentro dessa teia, num exercício de democracia virtual.

Cada um de nós, como nossas teias neuroniais individuais, criamos sinapses com outras teias, construindo uma Teia maior e mais significativa em que cada um de nós é importante perante os outros e (outro paradoxo) não tão importante quanto a coletividade. A Teia pode, enfim, ser vista como um embrião da verdadeira democracia pura (em que cada um representa a si mesmo), que almejamos utopicamente desde a Antiguidade e que ainda não conseguiu ser realizada neste planeta.

Adendo (30/01/2011 e.c.)

Esqueci de colocar um link para o blog Blogueiros Progressistas do RN, dos responsáveis pelo evento. Veja aqui o post deles, em que fazem um bom resumo do que foi discutido:

30 translações

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Há 1 ano eu escrevi um texto sobre meu aniversário de 29 anos, 29 translações ou Uma festa não muito esperada. Hoje eu chego a um número “redondo” (pois tem um zero, que tem forma redonda), 5 vezes 6, 3 vezes 10, 2 vezes 15. Porque um número “redondo” tem tanta importância eu não sei. Meu pai falou em 30 anos como se fosse um marco. Versão “3.0”.

Mas isso não importa agora. Esses momentos institucionalizados pela nossa cultura para servir como celebração e confraternização, ou seja, para reforçar os laços sociais, são para ser aproveitados mesmo, e aqueles que pensam nessas horas com certo cinismo temos mesmo é que usufruir, compartilhando a alegria dos amigos e familiares que vêm nos enviar felicitações e comemorar.

Às voltas com o pós-operatório de uma cirurgia cardíaca realizada em 30 de agosto deste ano, ainda com algumas sequelas físicas que me mantêm em tratamento diário 1, vejo-me na condição de uma peça em manutenção, que vai retomar suas atividades normais com mais energia e eficácia.

O coração é o centro do corpo 2, protegido pela caixa torácica junto com outros órgãos vitais, encontra-se bem no meio, para distribuir igualmente o rubro líquido oxigenador por todo o soma 3. É um órgão fundamental para o funcionamento do cérebro, que, sem o oxigênio capturado pelos pulmões e levado à corrente sanguínea, não poderia tecer ideias, pensamentos, emoções nem sonhos, ficando desligado do mentalsoma, o corpo mental que se manifesta na dimensão mentalsomática, que não pode se manifestar na dimensão intrafísica sem a conexão com a glândula pineal, o coração do cérebro 4.

Hoje, dia seguinte ao meu aniversário, escrevo aqui só para constar. Somando os presentes de Natal com os de aniversário (pois acontece tudo tão perto que eu considero os presentes como referentes a uma situação só), ganhei uma carteira, um cinto, camisas, um par de sandálias, uma miniatura de dragão púrpura, o livro de receitas Quase Vegetariano: Alimentação Saudável através de Receitas Deliciosas, de Geni Coli 5, o livro de ficção científica Ubik, de Philip K. Dick, um lindo vaso de flores-do-serrado, e talvez algo mais que eu tenha esquecido. Um conjunto e tanto para começar as atividades de 2011 e.c..

Houve também, como é costume nos dias atuais, muitas mensagens de felicitações nas redes sociais virtuais, todas “curtidas” e respondidas, além de ligações telefônicas apreciadas.

Last but not least, espero que este post represente um singelo presente aos leitores desta Teia que teço com tanto carinho e cuidado. À maneira dos hobbits, gosto da ideia de dar presentes em meu aniversário. Ademais, também pode servir como presente de Natal atrasado e de Ano Novo antecipado. Boas festas e felicidade a todos nós!


Notas

  1. Depois da cirurgia, fui internado mais 3 vezes. Na primeira, tive que ter parte da cicatriz aberta de novo, para a inserção de um tubo para drenar um derrame no pericárdio. Na segunda vez, após o diagnóstico de uma arritmia cardíaca, tive que ser medicado na UTI e submetido a uma cardioversão (um choque com desfibrilador; ainda estou tomando diariamente um comprimido para manter a regularidade da frequência cardíaca). A terceira vez, bem recentemente, foi para a retirada de um fio de aço, colocado durante a cirurgia original para segurar as duas partes do esterno enquanto este cicatrizava, e que meu corpo estava rejeitando. Ainda vou quase diariamente ao hospital para chek-ups e trocas de curativo.
  2. Talvez por isso ele receba tantas atribuições nas filosofias mundo afora, tendo sido considerado na Grécia antiga o órgão onde se sedia a mente.
  3. …eu acho.
  4. Então, retomando a nota 2, o coração, se não é a sede da mente, ao menos desempenha papel importante em sua manutenção.
  5. Vou me esforçar ao máximo para aprender a cozinhar este ano. Eu não juro, mas prometo.

The internet is for dummies

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Os computadores pessoais (PCs, Macs etc.) representam um dos maiores avanços de nossa sociedade contemporânea. Com eles, somos capazes de processar informações de forma profissional, elaborando documentos de texto, planilhas para nossa auto-organização (inclusive com uma calculadora embutida), trabalhar com imagens, desenhos, gráficos e fotos, além de várias formas de entretenimento concentradas em um só aparelho: jogos, música, filmes e muito mais!

Além disso, a internet, indubitavelmente, trouxe o mundo para os indivíduos. Através de uma conexão eletro-magnética, é possível ter acesso rápido a informações advindas de todas as partes da Terra. Podemos aprender outros idiomas, saber das notícias de todos os países, conhecer pessoas de qualquer etnia e aprender qualquer assunto por um custo mínimo.

Mas os computadores e a internet não fazem milagres e não substituem a educação básica e a alfabetização, sejam formais ou não. Também não ensinam ninguém a ser civilizado. Poder-se-ia forjar um novo ditado: “Costumes da vida real vão à vida virtual”. Algumas práticas corriqueiras e estúpidas de quem usa computador e internet mostram que, por mais recursos que se tenham disponíveis para melhorar a vida, seu bom uso depende da sensibilidade pessoal e de uma disposição neofílica para o aprendizado.

Dito isso, listo 7 coisas que me irritam, sem ordem lógica:

1 – Arquivos com o nome “Relatório_novo.doc”

Quando criamos uma nova versão de um documento, o ideal é identificá-lo de forma a não confundi-lo com as versões anteriores. Isso pode ser feito salvando-o numa pasta nova que contenha no nome a data em que foi criada ou dando um novo nome ao próprio arquivo, com uma referência ao evento de que trata ou com a data em que foi feito: “Relatório 05-01-2010.doc” ou “Relatório Reunião de Planejamento 2010-1.doc”.

Quando, por estupidez ou falta de atenção (que às vezes são sinônimos), uma pessoa resolve nomear uma nova versão de um documento como “Relatório_novo.doc”, não se dá conta de que, cada vez que se fizer isso no futuro, haverá mais de um relatório novo (às vezes em várias pastas diferentes, já que não se pode criar mais de um arquivo com o mesmo nome dentro de uma mesma pasta), e se alguém não se der ao trabalho chato de buscar a data de criação dos documentos, não vai saber qual é a versão mais nova.

Quando criar um novo documento, especialmente se for algo compartilhado numa instituição ou empresa, pense nos outros: identifique os arquivos de modo inteligente.

2 – Frases no lugar dos nicknames

Quantas vezes você não viu alguém num bate-papo ou no Orkut usando um nome como “Feliz Natal!”, “Solteira sim, sozinha nunca”, “Alguém quer comprar uma placa-mãe?” e coisas do gênero, de modo que é preciso abrir uma janela de bate-papo ou o perfil para saber de quem se trata?

Essas pessoas se esquecem que tanto os serviços de bate-papo (MSN Messenger, Google Messenger etc.) quanto as redes sociais (Orkut, Facebook etc.) oferecem dois campos principais para identificação: o nome e o status. No primeiro, você coloca seu nome ou seu apelido: “Fulano de Tal”, “Garanhão do Forró”, “Morena Charmosa” etc. Mesmo com eses apelidos esdrúxulos seus amigos acabam se acostumando.

O segundo campo é onde você coloca as frases ridículas tais como as citações inventadas de Oscar Wilde ou baboseiras do tipo: “A esperança não é a única que morre”. Facilite a vida dos seus amigos ou daqueles que você chama de amigos.

3 – Fotos com a legenda “eu”

Há coisas que não são em si mesmas erradas, mas que, não sei quanto a vocês, me chateiam pelo egoísmo da atitude.

Por exemplo, uma pessoa cria um álbum de fotos no Orkut para publicar sua própria imagem. Tudo bem, eu fiz isso também. Aí ela nomeia cada uma dessa fotos com a legenda “eu”.

É claro que, normalmente, quando olhamos uma foto de uma pessoa no orkut, passamos antes pela página de seu perfil, e não precisamos de uma legenda com o nome dela para saber que é ela na foto: se está escrito “eu”, é claro que é ela (espero que não tenha ficado confuso…).

Mas há dois problemas possíveis: um é que as buscas através das imagens fica prejudicada; às vezes você quer descobrir se um amigo seu está no orkut, mas pelo perfil você não o reconhece. Pela foto, no entanto, dá para reconhecer, mas a foto está com a legenda “eu”. Portanto, a imagem não aparecerá na busca (e, se você buscar por “eu”, vai encontrar centenas de milhares de resultados).

Outro problema é um sintoma de falta de criatividade: as legandas das fotos são uma excelente oportunidade para se exercitar a imaginação ou o bom humor, oferecendo aos outros uma oportunidade de sorrir com uma imagem que acaba se tornando de domínio público, e se perde muito ao reduzir tudo ao ego do autor da foto.

Porém… isso é mais implicância minha. Podem nomear suas fotos como quiserem, caros “eus”.

eu

eu

4 – Blogs sem conteúdo próprio

Se você criar um blog, lembre-se de que esse nome é a abreviação de web log, ou seja “diário virtual” (numa tradução livre). É um espaço para você exercitar sua ccriatividade, deixando sua impressão do mundo ou de um dos aspectos do mundo, sua opinião sobre os acontecimentos ao seu redor, seus poemas, contos, novelas, resenhas, críticas…

Para mim, é uma bobagem fazer um blog só para postar textos que se encontram em outros blogs, imagens engraçadinhas que se encontram em outros blogs, vídeos maluquinhos que se encontram em outros blogs…

Se for para usar isso como pretexto para um comentário original, tudo bem. Mas simplesmente postar os textos roubados (muitas vezes sem indicar a fonte), as fotos surrupiadas (às vezes até com uma legenda embutida em que se lê o endereço do blog que a está veiculando, fazendo crer que seu autor é o dono do blog) e os vídeos encontrados por aí no YouTube é uma falta de imaginação gigantesca.

O pior, o pior mesmo, muito pior mesmo, é quando esses blogs idiotas têm um gigantesco público cativo que aumenta a cada dia (talvez aqui eu esteja sendo movido por um ressentimento  pessoal…).

5 – Colheita Feliz

Alguns jogos têm nomes tão idiotas que surpreende como podem fazer tanto sucesso. Minha curiosidade em saber mais sobre o jogo Colheita Feliz veio do fato de a maioria dos meus contatos do Orkut o estar jogando. Porém, quando via que “Fulano de Tal está jogando Colheita Feliz”, só conseguia imaginar uma pessoa com cara de idiota, sorrindo à toa, na frente do computador (por que será que o sorriso parece combinar tão pouco com a sabedoria?).

Não é dos meus jogos favoritos, por isso deixei que Inês cuidasse totalmente da minha fazenda virtual. É até um joguinho bacana… mas que nome idiota!

6 – “Citações” da própria autoria

Uma regra básica que a gente aprende nas aulas do ensino primário de Língua Portuguesa e/ou Redação é que as aspas servem para citar uma frase ou texto de autoria de outra pessoa. Portanto, se você escreve em seu perfil do Orkut um poema, um parágrafo ou um aforismo  de sua própria autoria, qualquer pessoa inteligente vai assumir que quem inventou esse poema, parágrafo ou aforismo é você, mesmo que você não o assine.

Mas algumas pessoas cometem a gafe de colocar aspas nos próprios textos e ainda indicar, entre parênteses, o autor, ou seja, elas mesmas. Às vezes isso dá a impressão de que se está fazendo autopromoção, como se fosse uma frase famosa e, vejam só!, você é o autor dessa frase! (Não lembro bem dessa frase, mas as aspas me dão a impressão de que se trata de um aforismo famoso do qual me lembro vagamente… hum…)

“Colocar aspas nos textos de sua própria autoria é tão desnecessário quanto deselegante” (Thiago Leite).

7 – Tempestade de  emoticons

Os emoticons são muitísismo úteis na comunicação por bate-papos, pelo fato de o texto escrito não transmitir emotividade, e sabemos que parte significativa (alguns dizem 70%) da mensagem que transmitimos na comunicação interpeessoal vem da entonação, dos movimentos faciais e dos gestos. Assim, num bate-papo em que predomina o texto, os emoticons ajudam a transmitir essa parte não-verbal daquilo que queremos dizer. 😉

Além disso, os emoticons proporcionam brincadeiras extras, com imagens animadas que colorem ainad mais a conversação. Mas há um limite para isso.

Esse limite aparece quando um usuário inadvertido do Windows Live Messenger e similares começa a colecionar emoticons desenfradamente e atribuir a eles atalhos como “rs” (para uma carinha rindo), “k” (para uma carinha gargalhando), “que” (para um bonequinho com uma interrogação na cabeça) e até bobagens esdruxulíssimas como “a” para um desenho estilizado da letra A, “b” idem etc.

Se essa pessoa quiser dizer perspectiva ou backup… pior, se ela escrever algo que tenha emoticons querepresentem sinais de pontuação, o dessastre está feito! O que deveria servir para facilitar a comunicação acaba atrapalhando ainda mais, pois você precisa parar para descobrir aqueletra corresponde cada figura que pisca desesperadamente diante de seus pobres olhos!

29 translações

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Na madrugada de 29 de dezembro de 2009, eu e minha esposa fomos dormir depois de terminar de assistir a De Volta para o Futuro III 1. Antes de cairmos no sono, ela me desejou feliz aniversário e boa noite. Sonhei com ela acendendo incensos no quarto e dançando músicas de estilos variados.

O dia amanheceu com uma deusa depositando uma bandeja de néctar e ambrosia no meu colo 2. Suco de goiaba, torrada de pão francês com queijo, torrada de pão preto com presunto, ovo frito, café com leite, tapioca e bolo de chocolate. Praticamente tudo o que eu precisava para já sentir que o dia foi satisfatório.

Nesse dia, desde que fui dado à luz sobre a crosta deste planeta Terra, o mesmo completa 29 translações ao redor do Sol, esta pequena estrela amarela que flutua no subúrbio da Via Láctea 3.

29 anos de idade, no dia 29 de dezembro de 2009. O que há de significativo em tantos 2 e 9 convergindo na mesma ocasião? Coincidência tão interessante só mesmo o 21/12/2012, quando ocorrerá um raro alinhamento astronômico previsto por um povo (os maias) que não seguia o calendário gregoriano 4.

Ainda não sou um balzaquiano, mas… nem li Mulher de 30 Anos, de Honoré de Balzac, só sei a referência. Dele li O Lírio do Vale, que ganhei de presente de aniversário há uns 3 anos. Uma obra belíssima, recheada de descrições poéticas riquíssimas e que apresenta a instigante dualidade entre a mulher materna e a mulher amante.

Ao longo do dia, recebi ligações telefônicas com felicitações, recebi vários recados no Orkut com mensagens amigas, recebi parabéns pelo MSN e congratulações pelo Twitter. É interessante como mudaram as coisas. Antes da internet, as pessoas conhecidas, os familiares e amigos, ligavam para desejar feliz aniversário. Hoje em dia, não só as pessoas mais próximas, mas também gente que só conhecemos virtualmente, sabem a data de nosso aniversário e nos parabenizam. O efeito colateral disso é que ficamos confiando nas redes sociais para “lembrar” as datas e, se passarmos alguns dias sem acessar a internet, alguns aniversários podem passar batidos.

Meus pais vieram me visitar e ganhei uma bela camisa vermelha (tinha uma parecida, que comprara em 2004 para com ela defender minha monografia de graduação em Ciências Sociais). Vesti-a e saímos para jantar sushi 5. Foi divertido comer enquanto brincávamos com Paulinho, neto de minha esposa. Meu pai, xará dele, acabou convencendo-o a chamar seu macaco de pelúcia de Chico Banana 6.

Já tive aniversários com muitos presentes, com muita gente em casa, com música, festa, bolo, surpresas. Mas não fizeram falta desta vez. Apenas a Terra completa mais uma volta ao redor do Sol, marca-se mais um passo no meu desenvolvimento, em meu amadurecimento, em minha evolução. E tive mais do que o necessário para um dia feliz.

Ilustração

A ilustração deste post é um trecho de Uma Festa Muito Esperada, de Inger Edelfeldt, que representa o primeiro capítulo de O Senhor dos Anéis, onde Bilbo Bolseiro comemora seu aniversário de 111 anos em meio a 144 parentes.

Notas póstumas (acrescidas às 14:45)

  1. A saga de Marty McFly e Dr. Brown é muito interessante. De modo geral, a ficção científica da história é bem sopesada com a comédia. Há alguns furos sutis na trama da parte III, mas a homenagem bem humorada aos westerns é divertida, e a mensagem final do filme é muito bem colocada. “O futuro é o que você faz dele”.
  2. Não pude deixar de lembrar de Os 12 Trabalhos de Asterix. Um dos trabalhos de Asterix e Obelix é desembarcar em e sair da Ilha dos Prazeres, onde vivem sacerdotisas sensuais que seduzem os visitantes. Ao oferecerem néctar e ambrosia a Obelix, alegando que os gauleses são deuses e que não havia javalis assados a ser servidos ali, Obelix não vê outra alternativa a não ser fugir.
  3. Segundo Douglas Adams, o Guia do Mochileiro das Galáxias diz somente isto no verbete Terra: “Praticamente inofensiva”. Klaatu talvez discordasse desse Guia…
  4. Ainda não vi o filme 2012 e só pretendo ver quando não tiver que gastar dinheiro para isso.
  5. O sushi do restaurante Pinga Fogo é muito bem feito. Há uma grande variedade de sushis, com frutas, frituras e firulas (o sushi no Ocidente, no Brasil talvez ainda mais, se transforma em miríades de guloseimas). O restaurante Taiyo, que fica próximo, oferece um sushi mais simples, mas é tão bem preparado que acho melhor do que o do Pinga Fogo. Os do Taiyo parece que são mais japoneses.
  6. Meu pai disse que todo macaco se chama Chico. Mas me vêm à cabeça Simão, Sócrates, George (o curioso). O macaquinho em questão é amarelo e se parece com o Dr. Zaius. Se fosse meu eu o batizaria assim.