Panoramas cósmicos

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Para nossos sentidos podados pela vida terrestre, por nossos corpos humanos e por nossa experiência restringidora na biosfera da Terra, é difícil conceber a imensidão do universo. É preciso muito esforço e disciplina mental para termos uma percepção das dimensões do cosmos que nos rodeia e de como nós cabemos nele.

Eis três trechos de filmes que mostram sequências (obviamente, montagens) que nos ajudam a sentir o tamanho do sistema solar, da galáxia, do universo em que estamos inseridos. O primeiro é a cena de abertura do filme Contato (Contact, 1997, Robert Zemeckis). O segundo são os créditos iniciais do filme Superman: o Retorno (Superman Returns, 2006, Bryan Singer). O terceiro são os créditos finais de Star Trek (2009, J. J. Abrams). Boa viagem.

Adendo (13/10/2011 – 8:17)

O vídeo abaixo mostra o tamanho em escala dos planetas do Sistema Solar, comparados às maiores estrelas conhecidas da Via Láctea.

Adendo 2 (14/10/2011 – 8:20)

Segue uma sugestão de Dilberto Rosa, que bem lembrou a paródica cena final de Homens de Preto, em que descobrimos o verdadeiro tamanho de nossa galáxia.

Contatos imediatos – parte 1

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Stephen Hawking disse recentemente que é no mínimo bastante improvável que a Terra seja o único planeta onde tenha surgido vida, já que estamos num Universo com 100 bilhões de galáxias, cada uma com centenas de milhões de estrelas. De fato, a pretensão de que somos o ápice da “Criação” só se justifica na ignorância sobre os atuais conhecimentos da Astronomia.

Em certa época, não se sabia que as estrelas eram corpos celestes gigantescos com astros menores ao redor de si, nem se tinha ideia da quantidade de estrelas da nossa galáxia e tampouco que Andrômeda era uma outra galáxia como a nossa e que havia muitíssimo mais delas no Universo.

Hawking disse ao jornal britânico The Sunday Times:

To my mathematical brain, the numbers alone make thinking about aliens perfectly rational, The real challenge is working out what aliens might actually be like.

[Para o meu cérebro matemático, os números por si mesmos tornam perfeitamente racional pensar na existência de alienígenas. O verdadeiro desafio é imaginar qual seria a real natureza dos alienígenas.]

Capitão Kirk no planeta Vulcano, durante o pon farr de Spock

Capitão Kirk no planeta Vulcano, durante o pon farr de Spock

Tendo em vista o escassíssimo conhecimento sobre vida extraterrestre, não dá para ir muito mais longe do que a especulação. Apenas sabemos um pouco sobre as condições materiais e climáticas de alguns corpos celestes. Naqueles raros que possuem características semelhantes às da Terra (que na ficção científica de Jornada nas Estrelas são chamados de “Classe M”), pode-se imaginar um tipo de vida baseado em água e carbono que talvez se assemelhe às espécies do planeta azul. Ou talvez sejam parecidas com estas apenas microscopicamente.

Em planetas com composição, tamanho, órbita e/ou clima diferentes dos da Terra, poderia haver espécies vivas extremamente diversas, quem sabe feitas de metal, como os metalianos de Marcelo Cassaro (Espada da Galáxia), de silício, como as grandes lesmas de Janus VI (Jornada nas Estrelas), ou compostos de matéria mais densa do que a nossa ou até mais rarefeita.

Sr. Spock fazendo uma conexão mental com a criatura de silício de Janus VI

Sr. Spock fazendo uma conexão mental com a criatura de silício de Janus VI

XenomorfoMuitas histórias de ficção científica descreveram uma enorme variedade de espécies vivas com características que, para os padrões humanos, seriam consideradas bizarras. Um exemplo é a xenomorfo, que apareceu pela primeira vez no filme Alien: O Oitavo Passageiro. Ele possui um ciclo reprodutivo bastante complexo, além de ser resistente aos extremos calor e frio e ter sangue altamente corrosivo.

Muitas pessoas relatam contatos com seres de outros planetas. Esses contatos podem ser de dois tipos (considerando a possibilidade ou probabilidade de sua veracidade, excluindo-se mentiras e alucinações):

  1. Contato imediato intrafísico, em que os alienígenas em questão se fazem presentes na dimensão material, com seus corpos físicos;
  2. Contato imediato ou não extrafísico, em que a testemunha vê uma imagem ou encontra, numa projeção da consciência para fora do corpo, um ou mais indivíduos que habitam outro planeta e se apresentam, na dimensão extrafísica, com a forma que possui seu corpo físico (no caso de ainda estar vivo; pode acontecer de ele ter morrido e estar se manifestando apenas extrafisicamente).

Esses encontros de ambos os tipos podem ter inspirado grande parte dos personagens fictícios que encontramos em livros, filmes e séries de TV. De qualquer forma, há muitas especulações, mais ou menos verossímeis, sobre as diversas possibilidades de formas de vida no Universo. Elas podem ter atingido ou não um grau avançado de complexidade mental, social e cultural, podem ser mais animalescas do que nós ou muito mais sofisticadas psiquicamente.

We only have to look at ourselves to see how intelligent life might develop into something we wouldn’t want to meet. I imagine they might exist in massive ships, having used up all the resources from their home planet. Such advanced aliens would perhaps become nomads, looking to conquer and colonise whatever planets they can reach.

[Só precisamos olhar para nós mesmos para ver como a vida inteligente poderia se desenvolver em algo que nós não gostaríamos de encontrar. Imagino que eles devam existir em naves gigantes, tendo esgotado todos os recursos de seu planeta-natal. Esses alienígenas avançados poderia talvez se tornar nômades, procurando conquistar e colonizar qualquer planeta que eles encontrem.]

Se a vida em outro planeta se desenvolver num caminho parecido com o que trilharam os seres vivos da Terra, é razoável pensar que uma espécie alienígena inteligente venha a possuir uma psique parecida com a nossa e desenvolver anseios parecidos com os humanos.

Gilbert Durand, no livro As Estruturas Antropológicas do Imaginário, argumenta que os esquemas básicos do imaginário humano e, portanto, de sua psicologia, apresentam certos elementos fundantes universais (universais no âmbito da espécie humana, claro), baseados na experiência básica comum a todos os indivíduos da espécie, especialmente o impulso e a experiência de se alimentar, o aprendizado de se elevar na postura ereta e andar, e o impulso e a vida sexuais.

Assim, muitas das características que nos tornam humanos deverão estar presentes numa espécie que possui morfologia e fisiologia parecidas com as nossas e um ciclo reprodutivo semelhante. Por outro lado, é verossímil imaginar que espécies possuidoras de uma biologia alienígena para os nossos padrões tenha uma fisiologia psicológica bem diversa, talvez chegando a desenvolver uma cognição equivalente em alguns pontos, mas com processos mentais que funcionam de outra maneira, com desejos e repulsas diferentes dos nossos.

Os klingons gritam quando um dos seus morre, para avisar aos espíritos que um guerreiro terrível agora ronda entre eles

Os klingons gritam quando um dos seus morre, para avisar aos espíritos que um guerreiro terrível agora ronda entre eles

Essas prováveis diferenças na “natureza” mental, cultural, moral e psíquica das espécies alienígenas é muito explorada na série Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. É comum, na série, que cada espécie com que os humanos entram em contato estranhe as emoções, os valores, o modus vivendi, a visão de mundo do Homo sapiens, e este age de modo recíproco.

No entanto, toda essa abordagem tem sérias controvérsias. Em Jornada nas Estrelas, cada espécie, inclusive a humana, é tratada de modo extremamente homogêneo, como se não houvesse variações culturais. Dessa forma, a caracterização dos humanos é grandemente baseada nos valores ocidentais, perdendo-se de vista que, por exemplo, existem povos humanos que têm uma cultura parecida com a dos klingons. Estes, por sua vez, compartilham todos o mesmo modo de viver, sem variações análogas à real condição multímoda do Homo sapiens.

Outra controvérsia é a própria visão hominocêntrica de Hawking, que imagina que a forma de encarar o universo de seres inteligentes de outros planetas deva ser a mesma do ser humano. Pode ser que alguma espécie tenha desenvolvido uma ética universalista que os impede de se aproveitar de uma espécie menos ou mais avançada (como a Primeira Diretriz da Federação, em Jornada nas Estrelas). Embora a história humana tenha sido marcada por guerras, espoliações, genocídios e violentas conquistas, é razoável imaginarmos uma situação futura em que essas coisas terão diminuído significativamente. E isso pode acontecer com outras espécies algures, nesta ou em outra galáxia.

Continua...

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