O que faz do nerd um nerd? – parte 2

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Desde que a palavra nerd começou a nomear estudantes CDFs das escolas norte-americanas, muitas vezes fascinados por Ciências Exatas, o termo se estendeu para abranger pessoas que têm gostos exóticos ou se aprofundam de maneira exagerada em coisas fora do mainstream (o que às vezes é chamado de cult).

No entanto, certas mídias se tornaram corolários de uma certa identidade nerd que hoje assume o aspecto quase de uma tribo urbana. Quadrinhos, ficção científica, literatura fantástica, cinema de aventura, RPG, video games, Star Wars, Star Trek, O Senhor dos Anéis… A tendência de alguém que goste muito de uma dessas coisas é aumentar seu ciclo de amizades e ampliar seus gostos com base em algo comum a tudo isso. Mas o que há realmente em comum entre tudo isso? O que faz do nerd um nerd?

Romantismo fantástico

A literatura e o cinema de Ficção Científica tratam de coisas que não existem, ainda não existem ou talvez venham a existir. A literatura de Fantasia descreve mundos imaginários, onde há magia, raças mágicas e heróis extraordinários. Os video games são mundos irreais onde o jogador simula uma interação. Os quadrinhos geralmente contam histórias igualmente irreais e espetaculares. O RPG é um jogo no qual se imagina viver numa outra realidade. A literatura e o cinema de Terror mostram seres e lugares sobrenaturais.

O que há em comum entre todas essas coisas é o vislumbre de realidades imaginárias, onde ocorrem coisas impossíveis na vida real. Num futuro utópico ou distópico, vemo-nos diante de tecnologias, mundos e seres vivos novos (“to explore strange new worlds,  to seek out new life and new civilizations”), e imaginamos como seriam as novas facilidades e os novos desafios da vida humana, distanciando-nos de nossa vida cotidiana, tão comum.

Na Fantasia, identificamo-nos com heróis em mundos grandiosos, com monstros incomuns, seres e fenômenos mágicos e malvados vilões. Os arquétipos reinam e a armosfera remete a sonhos de glória e nostalgia, de uma época mítica onde tudo era fabuloso. Nos quadrinhos também imperam temas arquetípicos e míticos, com elementos equivalentes aos da Fantasia. A mesma sobrenaturalidade, com coisas de outro mundo e situações inusitadas, aparece no Terror.

No mundo criado por J.R.R Tolkien, há magia, lugares pitorescos e raças fantásticas, como os hobbits – Gandalf chega na Cidade dos Hobbits (Gandalf comes to Hobbiton), de John Howe

Nos video games, a realidade também é subvertida, e há uma identificação mais direta com os heróis, incorporados pelo jogador dentro de ambientes inverossímeis e plenos de perigos e desafios. O RPG é outra versão desses desafio de interpretação e solução de problemas.

Podemos aventar uma hipótese segundo a qual a introspecção está ligada à introversão e ao pouco convívio social (seja pelo temperamento do introvertido, seja por traços físicos discriminados, seja por outras circunstâncias). A introversão leva ao desfrute de atividades que são geralmente ou podem ser apreciadas na solidão ou com uma companhia mínima, como a leitura, o cinema, os jogos (eletrônicos ou não), quadrinhos e séries de TV (e até mesmo os estudos, pouco apreciados pela maioria). Disso pode nascer uma tendência à introspecção e o desenvolvimento de certas faculdades mentais. Uma certa angústia por causa da falta de amigos pode levar à imersão em mundos fantásticos, como os relacionados acima, que servem de refúgio ao candidato a nerd.

Essa tendência cria uma personalidade intelectual, que busca sempre mais conhecimentos na suas áreas de interesse. A imagem do nerd usando óculos não é à toa. Embora fique meio isolado durante algum tempo, esse indivíduo encontra pessoas que compartilham de gostos parecidos, o que cria laços de amizade e um convívio social bem específico, mas os traços mentais advindos da introversão se mantêm (a introversão em si pode ser superada).

Desafios mentais

A maioria dos produtos da cultura nerd envolve uma ou mais formas de desafio mental. O aspecto intelectual do nerd se revela em uma constante busca por desafiar as próprias faculdades mentais. Há pelo menos duas formas gerais de manifestação dessa tendência autodesafiadora: 1) a busca pelo aprofundamento em determinado tema ou coleção e 2) o engajamento no desafio em forma de jogo.

Álbum de figurinhas

O álbum de figurinhas (ou, como preferem as editoras,  “livro ilustrado”) é um exemplo-símbolo do aspecto do aprofundamento, pois envolve várias de suas facetas. Em primeiro lugar, o próprio álbum de figurinhas pode ser considerado um item nerd, e muitos nerds já colecionaram ou colecionam figurinhas.

Em segundo lugar, o objeto da coleção é algo fácil e ao mesmo tempo difícil de conseguir. Basta comprar um envelope numa  banca de revistas para ter acesso a umas 10 figurinhas diferentes, Mas é grande a probabilidade de cada envelope comprado vir com itens repetidos. Portanto, é preciso muita paciência para encontrar todas as figurinhas que completarão o álbum. A melhor forma de conseguir isso é trocando as repetidas com outros colecionadores, jogando bafo com eles ou negociando de acordo com um valor atribuído a cada figurinha (segundo sua popularidade e/ou dificuldade de ser encontrada).

O gosto pela busca das peças é mais interessante do que o prazer de completar a coleção. Por isso, talvez o álbum de figurinhas seja um exemplo imperfeito do que estou discutindo aqui, pois ele pode ser completado. Tomemos, por exemplo, a modalidade derivada mais próxima da coleção de figurinhas e mais ligada ao mundo nerd: os card games.

Magic: the Gathering

Cartas de Magic: the Gathering. Cartas, muitas cartas! Um desafio para qualquer colecionador-jogador

Um dos card games mais famosos, Magic: the Gathering, é composto por um número virtualmente infinito de cartas, cada uma com características distintas, diferentes efeitos no jogo, valor de troca e raridade. O desafio é buscar, comprando caixinhas com um baralho inteiro e/ou envelopes com cartas avulsas (que o colecionador só conhece depois que abre), além da troca com outros jogadores, as melhores cartas para compor um deck que funcione bem numa partida. Como a Wizards of the Coast está sempre lançando cartas novas e novos sets temáticos, a busca pelo baralho perfeito é interminável. Além disso, há o prazer de colecionar as cartas em si,, que sempre são belamente ilustradas por renomados artistas especializados em Fantasia.

Como apontou Dilberto Rosa em comentário à primeira parte deste ensaio, uma das principais características do nerd é que o objeto que o fascina é conseguido através de pesquisa e uma busca desafiadora, pois normalmente se trata de um produto fora do mainstream ou “cult”.

A literatura de ficção científica, por exemplo, ocupa um espaço marginal ou underground no mercado de livros, e é difícil para um leitor desse tipo compor uma boa biblioteca, ou porque as editoras são pequenas/independentes ou porque as editoras grandes lançam pequenas tiragens desse gênero. Isso vale para qualquer tipo de artigo, e a geração que viveu a infância nos anos 1980 conheceram vários tipos de coleções daquilo que hoje se tornou uma cultura nerd consagrada ou “clássica”.

Porém, essa cultura nerd consagrada se tornou muito mais fácil de se conseguir e colecionar, e a geração que hoje em dia está na infância/adolescência pode apreciar quase livremente os ligros de J.R.R. Tolkien, as melhores histórias do Batman (sem precisar colecionar todos os números de uma série mensal que data de várias décadas) e todos os episódios da série Jornada nas Estrelas dos anos 1960.

Esses neonerds, adeptos muito mais de uma moda do que portadores de um certo perfil intelectual, não sabem em sua maioria o que é o desafio de colecionar, e podem simplesmente comprar uma caixa completa com todos os episódios de Guerra nas Estrelas, em várias versões remasterizadas e com muito material extra e inédito. Porém, aqueles que buscam as novidades que ainda não viraram moda ou que ainda não foram publicados oficialmente no Brasil podem ser considerados mais próximos do perfil do nerd que hoje tem mais de 25 anos.

A busca e o aprofundamento também se manifestam de modo notável na coleção de “universos expandidos” de realidades fictícias. O “verdadeiro fã” de Guerra nas Estrelas não se contenta com a trilogia original (nem com a infame trilogia-prequência), mas busca os desenhos animados de C3P0 e R2D2 e dos Ewoks, os diversos livros inspirados na série, os video games, os bonecos (ou “action figures”), as miniaturas, o RPG, os quadrinhos… Esse nerd “jedi” quer ser expert em seu hobby, e muitos nerds caem numa armadilha: a produção em massa e desenfreada de novos produtos voltados para este público-alvo.

Ressalte-se que, como diz Dyego em um comentário:

Como o Jovem nerd disse uma vez: “o nerd não é nerd pelo objeto que ele gosta, mas do JEITO que ele gosta, é mais por atitude” (adaptado). Sendo assim, há mais nerds do que se pensava, e até aquele senhorzinho que coleciona garrafas de cachaça pode ser um nerd, mesmo sem se PARECER com um.

Isso me levou a uma expansão da classificação do termo “nerd”, que abrange várias ideias em torno da palavra:

  1. Nerds são aqueles marginalizados das escolas norte-americanas, geralmente estudiosos ou com gostos exóticos.
  2. Por derivação e “evolução”, nerds são uma geração autodenominada que viveu nos anos 80 e trouxe e desenvolveu de lá para os dias atuais uma certa “cultura nerd”. É sobre estes nerds que estou discorrendo mais amplamente neste ensaio.
  3. Por derivação, “nerds” são pessoas que colecionam e se aprofundam em alguma área do saber, da cultura, ou da mídia, não necessariamente da “cultura nerd” supracitada, de modo que já havia “nerds” antes de aparecer o termo, há jovens nerds hoje que não viveram nos anos 80 e vão continuar existindo nerds no futuro.
  4. Por herança, neonerds são como que uma tribo urbana bem jovem que está mais a seguir uma moda do que a portar um certo perfil intelectual.

Jogos

O outro aspecto do autodesafio é a busca por tarefas de cunho mental, como os jogos de tabuleiro, o RPG, os video games, os card games, as palavras cruzadas etc. Muitas vezes o nerd procura se superar mentalmente, não só com jogos; eles podem, por exemplo, ter um gosto especial por entender mecanismos e reproduzi-los, seguir manuais e destrinchar o uso de equipamentos eletrônicos.

Video games, por exemplo, apresentam problemas que o jogador deve resolver, em variados formatos, estilos e gêneros. Há jogos que exigem paciência, outros rapidez de resposta. Alguns lidam com visão esrratégica e de conjunto, outros propõem quebra-cabeças.

Seja como for, os video games exigem inteligência de vários tipos (dependendo do estilo de jogo) e, notadamente, ajudam a desenvolver as respectivas faculdades mentais. Estudos mostram que as pessoas que têm o video game como hobby desenvolvem melhor a capacidade de resolver problemas do quotidiano e até têm sonhos lúcidos com mais frequência do que as pessoas que não jogam.

O RPG exige mais imaginação do que os video games, pois os jogadores (players, que neste contexto está mais para atores do que jogadores), sentados ao redor de uma mesa, não têm à disposição mais do que descrições de seus respectivos personagens. Toda a ação acontece nas mentes dos participantes, e as situações imaginadas demandam trabalho em equipe e criatividade.

Além desses dois exemplos, qualquer tipo de desafio mental, qualquer tipo de jogo que demande esforço para ser resolvido, ajudando também a desenvolver as faculdades mentais demandadas, é um típico afazer nerd.

Não à toa, muitos cientistas são nerds e muitos nerds se engajam na Ciência como profissão.Esta é um empreendimento que exige do profissional um grande despojamento mental, criticidade, abertismo, acuidade, associação de ideias. Tudo isso vale para as Ciências Exatas como para as Naturais e Sociais. A própria Filosofia, talvez mais do que as ciências, depende de um algo grau de pensamento crítico, para que o filósofo não se deixe levar pelo puro pensar desenfreado.

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The End?

Copa do Mundo – parte 1

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Não há nada mais brasileiro do que um esporte inventado na Inglaterra. A bola no pé faz parte da cultura brasileira de uma forma que impressiona os outsiders. Digo isso porque nunca fui fã de futebol e sempre achei exagerada a “cultura futebolística”, as incessantes conversas sobre “o jogo de ontem” e os usuais cumprimentos entre amigos: “E aí, flamenguista!” – “Diga lá, fluminense!”

Mas desde há muito tempo reconheço o esporte como um espetáculo de inteligência corporal digno de ser visto e apreciado. E a Copa do Mundo é uma chance de se ver os melhores (é o que se espera) jogadores de cada país mostrando suas habilidades numa competição acirrada e emocionante, com bons exemplos de extrapolação das habilidades do corpo humano. Mas estou longe de ser um típico brasileiro quando o assunto é futebol.

Um brasileiro (não muito) longe do futebol

Thiago flamenguista

A foto fatídica que não deixou marcas no tempo… ou sim?

Meu padrinho, flamenguista, me deu uma camisa rubro-negra quando eu tinha 2 anos, e eternizou o momento em que desejou passar adiante seu fanatismo. Não conseguiu, e eu só lembro muito vagamnente daquele momento. Provavelmente a falta de entusiasmo do meu pai, pouco afeito aos campeonatos nacionais, e de minha mãe, mulher tipicamente desinteressada por futebol, contribuíram (e eu lhes agradeço) para que eu não me interessasse tanto (quase nada) por futebol.

Acho que foi em 1994 que, em clima de Copa do Mundo, 13  anos de idade, com meu irmão e com um primo, treinávamos na garagem de uma casa vazia, na vizinhança de uma tia-avó, alguns chutes e defesas. Eu me convenci que tinha jeito para goleiro. Mas as recomendações oftalmológicas eram de que eu evitasse esportes de impacto, que poderiam causar descolamento das retinas. Vicissitudes da Síndrome de Marfan…

Torcer para um time era algo que nunca me atiçou. A camisa do Flamengo que vestiu minha pele na infância não tocou meu coração, e houve até certa época em que eu acompanhei um campeonato norte-americano de basquete, torcia para o Chicago Bulls (d’oh!), mas não me tornei fã e nem voltaria a torcer (eu acho).

Num episódio de escola, meus colegas perceberam que eu não acompanhava as conversas futebolísticas. Um deles me perguntou qual era meu time, e eu respondi “Chicago Bulls”. Zombaram de mim, e alguns tentaram me convencer a escolher seus times preferidos. Contei que era flamenguista por imposição avuncular, e um deles, corintiano, se revoltou. A filiação a um time, em nossa cultura, é quase uma obrigação, especialmente para os homens, chegando a ser uma forma de manifestar virilidade competitiva. Na época em que eu tinha um Mega Drive, eu nem sequer entrava em discussões para discutir se a Sega era melhor do que a Nintendo.

Até hoje nunca me dei ao trabalho de jogar um video game de futebol. FIFA Soccer e quejandos sempre me causavam certa repulsa, não via graça alguma em simular o técnico de um time e controlar vários bonequinhos levando uma bola para fazer gols. Acho que isso tem muito a ver com minha dificuldade com jogos de estratégia, como Warcraft II e Total Annihilation. Controlar várias unidades a mesmo tempo, ou seja, fazer duas ou mais coisas concomitantemente, sempre foi uma dificuldade.

Fifa Soccer

Por mais que os novos games de futebol tenham belos atrativos áudio-visuais, ainda não sinto vontade de jogá-los

A última vez em que me envolvi mais de perto com a Copa do Mundo foi em 1998, quando eu tinha 17 anos e me deixava levar pelo clima festivo, anotando os resultados dos jogos numa tabela da revista Veja, que meu pai assinava. A final superdisputada entre Brasil e Itália, com um pênalti atrás do outro, prolongou inusitadamente a decisão. O interessante, ao rever o vídeo abaixo, é observar Dunga, atual e rabugento técnico da seleção brasileira, como capitão e chutador que ajudou a decidir os pênaltis, com um semblante bem diferente da carranca de treinador.

Em 2002, a Copa aconteceu num período em que eu estava com problemas na retina direita, fazendo cirurgia em São Paulo, com tampão num olho (o outro já tinha a visão ruim) e sem condições de ver os jogos. Ma eu me emocionei especialmente com um jogo acirrado entre Inglaterra e Argentina, que acompanhei só ouvindo.

Acho que foi uma experiência que me mostrou como é possível acompanhar um jogo pelo rádio, sem altos recursos áudio-visuais, o que para muitos da juventude contemporânea é impensável. Mas minha mãe conta que a final da Copa de 1970 ela e toda a sua vizinhança ouviram pelo rádio, e se emocionaram tanto quanto os telespectadores atuais.

A imaginação humana é poderosa.

Eu impliquei muito com o futebol em minha vida. Mas passei a me interessar pelo seu aspecto “arte”, pelo espetáculo corporal, a inteligência somática e estratégica levada para fora dos limites do cotidiano. Mesmo em casos que extrapolam a própria normalidade do âmbito do futebol, como as estripulias de um René Higuita, são motivos para prestar atenção.

Nas raríssimas vezes em que vejo jogos, ou seja, a cada 4 anos, procuro apreciar o jogo em si, ver as seleções mais preparadas, as partidas mais desafiadoras. Jogos como Eslováquia x Itália foram bonitos de se ver.

Pequeno ensaio despretensioso sobre antropologia do futebol

Mas as pessoas não se atêm muito a uma apreciação do esporte pelo esporte. As conversas sobre futebol costumam girar em torno de superficialidades, que às vezes nada têm a ver com a partida em si. O senso comum, com seus muitos preconceitos, se manifesta com vigor nessas conversas e não menos nos comentários dos narradores.

Ouvi, por exemplo, alguém dizer que “os negros jogam melhor”. E pouco tempo depois li um artigo de Luiz Carlos Azenha criticando, com muita razão, a infeliz afirmação de um comentarista de que “o negro é cientificamente mais forte” e, pior ainda, a de um narrador que completou a ideia sugerindo que aos times africanos falta inteligência. Isso tudo sem mencionar as várias vezes em que a plateia xingou algum jogador com ofensas racistas ou homofóbicas. O próprio nacionalismo que incita ufanismos e etnocentrismos, além dos ódios aos rivais e xenofobias, é para mim uma excrescência que deveria ser superada.

Penso que essa tendência geral a colocar em segundo plano o esporte em si tenha a ver com a função social do futebol, como um meio mais de congregar as pessoas e atender a uma necessidade psicossocial do que uma oportunidade de se debater sobre as potencialidades psíquicas e somáticas humanas. Como disse certa vez meu amigo sociólogo Flaubert Mesquita, a experiência do torcedor é análoga à experiência religiosa, na comunhão e no êxtase. É uma forma também de se ter um meio de socialização, como observou meu amigo antropólogo Samuel Cruz.

Além dessa observação mais básica e óbvia para qualquer cientista social, sempre percebi uma relação mais estreita entre o meio do futebol e a religião, especialmente me reportando à teoria ainda atual de Émile Durkheim (As Formas Elementares da Vida Religiosa) e de Sigmund Freud (Totem e Tabu). A forma elementar da vida religiosa pode ser extrapolada para quase qualquer tipo de instituição social, pois os elementos básicos da religião são formas de se criar coesão social e dar sentido ao mundo humano.

As sociedades menos complexas se organizam como grandes grupos denominados tribos, que representam um grupo étnico maior (a tribo dos torcedores de futebol), subdividido em vários clãs (os times), cada qual com seu totem, que é um animal, planta ou algum ser da natureza (o mascote), com seus símbolos específicos que o diferenciam dos outros clãs (o brasão do time e as cores) e com uma noção de ancestralidade comum (geralmente os filhos torcem para o mesmo time que os pais; mas mesmo nos casos em que se foge à regra, o importante é que os torcedores de um mesmo time se sentem como uma família). Isso tudo se amplia planetariamente na Copa do Mundo: a tribo é o conjunto dos países que participam, os clãs são as seleções, com seus símbolos, brasões e cores e com a noção de pertencimento a um mesmo grupo étnico e linhagem.

Seleção universal

Camisa 10 - Spock

Uma camisa nada séria para um campeonato que não se deve levar a sério

Minha esposa gosta mais de futebol do que eu, e ela acabou me levando a gostar um pouco mais, principalmente neste campeonato mundial. Recentemente, comentei no Botecagem S.A., dos irmãos Heering, que não me daria ao trabalho de fazer considerações sobre os posts que tratem de futebol. Ironicamente, aqui estou eu escrevendo um texto sobre o famigerado esporte (e ainda mais com a parte 2 em forma de rascunho.)

Este ano o Brasil não é favorito. De qualquer forma, nem para o Brasil eu torço. A onda, na Copa, para quase todos os brasileiros, os leva para a torcida ferrenha pela seleção canarinho. Embora seja apenas uma diversão, não compartilho do espírito competitivo, não tomo partido nenhum, nem mesmo do time do “meu país”. Para mim, os jogos são um show para ser apreciado. O importante para mim é ver um jogo bem disputado no final.

Anteontem vi o jogo em que disputaram Brasil e Portugal. Vesti minha camisa da seleção da Federação Unida de Planetas, camisa 10, do Sr. Spock. Um símbolo do que eu acho que deveria ser o espírito da Copa. Não uma competição entre nações (que leva os times desclassficados a ficarem deprimidos – ora, alguém tem que vencer, uns perdem, outros ganham, os que já venceram antes devem dar a chance para que outros levem a copa dourada para casa), mas a celebração da humanidade, com todos os povos pisando o mesmo gramado e desmentindo qualquer teoria que coloque numa hierarquia natural os diversos grupos humanos.

Continua...

Continua…

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Nota pós-texto – 27/06/2010 10:03

Errata

  1. A Copa do Mundo em que a Itália e o Brasil disputaram a final dos pênaltis foi em 1994, como mostra o vídeo, e não em 1998, como afirmei. Eu tinha 13 anos.
  2. O vídeo sobre a partida entre Itália e Eslováquia que eu incorporara ao texto foi retirado pelo usuário; coloquei outro no lugar.

 

Coleção de sinapses 13

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Esta semana, jogadores de video games descobriram que têm sonhos mais criativos do que os outros, vimos logomarcas muito criativas, enquanto Diderot fala da falta de criatividade dos usuários da internet. Os Thundercats disseram Hello! num crossover engraçadinho e alguns posters cinematográficos voltaram aos anos 60 num crossover temporal.

Uma artista usa a Ótica para recriar obras de arte e o Estatuto da Igualdade Racial foi recriado e aprovado. O Cinema e a Antropologia nunca mais foram os mesmos depois de Rouch e a Literatura nunca mais foi a mesma depois de Saramago. Vimos belas imagens do espaço, descobrimos que as noções de espaço e número surgem muito cedo na infância humana e o trauma de infância de Bruce Wayne dá ensejo a 2 fan films excelentes do Batman.

Video Gamers Can Control Dreams, Study Suggests – LiveScience

Pela minha própria experiência de “gamer”, sei que os jogos eletrônicos ajudam a melhorar o campo visual. Sempre joguei video game, desde os 8 ou 9 anos de idade, e, depois que tive sérias complicações na visão, passei a jogar certos jogos que exigiam mais atenção visual, o que me ajudou a enxergar melhor. Também noto que tenho muita facilidade de lidar com sonhos perturbadores e de perceber, durante o sono, que são sonhos.

Golada de 50 logos inspiradores – Design on the Rocks

Misturar imagens, imagens com letras e letras com letras exige muita imaginação e criatividade. Eis um bom exercício de percepção e inventividade. Dá vontade de sair inventando logos…

Logos criativas e inspiradoras

Blog do Diderot – Blogs do Além

Li este “blog” quando estava me questionando sobre a dispersão causada pela enorme quantidade de informação encontrada na internet e como ela afeta a capacidade de criar novos conteúdos. Simplesmente o tempo disponível para escrever fica reduzidíssimo se nos deixarmos levar pelos infinitos hyperlinks. O efeito colateral que sinto é que, quando estou escrevendo um novo texto para a Teia, tenho a impressão de estar perdendo novas notícias que aparecem o tempo todo na internet…

Hello Thunderkitties – Flickr

Acho legal todo crossover bem feito. Aqui vemos como o estilo e a forma são essenciais para caracterizar certos personagens. O aspecto ferino e heroico dos Thundercats se perde quase totalmente nessas imagens, assim como a Hello Kitty! perderia sua fofura se fosse desenhada no estilo dos Gatos do Trovão.

Posters de filmes atuais ao estilo noir – Getro

Da mesma forma que os crossovers fazem perder certos aspectos de ambos os universos cruzados, colocar um filme contemporâneo num cartaz dos anos 60 mostra uma disparidade. A forma dos cartazes dos anos 60 já diziam muita coisa sobre a concepção de Cinema da época, assim como os dos anos 90-00 são uma forma de sentir antecipadamente seus filmes correspondentes.

Timothy Lin

When spools of thread become ART-masterpieces by Devorah Sperber – Yatzer

Vejam o vídeo no link e confiram o processo de criação das obras de Devorah Sperber. É um trabalho mental fenomenal, que mexe com as percepções, a Ótica a formação de imagens mentais. É extrapolar a experiência visual.

Devorah Sperber

Senadores aprovam Estatuto da Igualdade Racial, mas retiram cotas – Correio Braziliense

Esse Estatuto tem dado o que falar entre militantes dos movimentos sociais e acadêmicos das Ciências Humanas. Só o tempo dirá se as mudanças feitas na proposta inicial do senador Paulo Paim serão suficientes para não caracterizar o Brasil como uma nação racializada e para realmente servir na luta contra o racismo. Em breve, um post mais detalhado…

O legado realista de Jean Rouch – Tribuna do Norte

O olhar do cineasta pode revelar muito do seu etnocentrismo. Ao combinar o uso da câmera com um olhar antropológico, Rouch dá novas perspectivas não apenas aos aos seus colegas, mas também aos cientistas sociais.

NASA Astronauts on Extraterrestrial Life – The Daily Galaxy

Pena que não há mais informações a respeito. Mas que é intrigante, isso é…

Morre o escritor português José Saramago – O Globo

Saramago revolucionou a literatura da língua portuguesa não apenas com novas abordagens de conteúdo, temática e narrativas, mas também na forma, abolindo exclamações e interrogações, por exemplo, e estendendo os parágrafos por páginas e páginas… Só li dele O Evangelho Segundo Jesus Cristo e uns techos do último, Caim, e foi suficiente para sentir que ele fará falta. Vou tentar escrever algo sobre o escritor português nos próximos dias.

Image of the Day -The Mysterious Beauty of a Supernova Embryo – The Daily Galaxy

Image of the Day: Galaxy X – The Daily Galaxy

Image of the Day: A Brilliant Island Universe -How Many Twin Earths Exist Here? – The Daily galaxy

Image of the Day: Red Monster of the Milky Way – The Daily Galaxy

Como disse meu amigo Dyego, “imagens do espaço rule”!

NGC 4725

NGC 253

V385 Carinae

New Study Shows Human Infants Grasp Number, Space and Time Concepts – The Daily Galaxy

Novas descobertas sobre a cognição humana. Noções matemáticas de quantidade e espaço aparecem desde muito cedo no desenvolvimento humano. Somos mais espertos do que muitas vezes queremos admitir.

Veja agora fan film incrível de Batman! – Jovem Nerd News

Dois curtas muito bem feitos com o Homem-Morcego, feitos por um estúdio amador com qualidade nada amadora. Foram bem fiéis ao espírito dos quadrinhos, tanto na construção da trama (especialmente no segundo vídeo) quanto na exemplar caracterização dos personagens (com destaque para o Coringa).


CITY OF SCARS
Enviado por Batinthesun. – Temporadas completas e episódios inteiros online

Coleção de sinapses 7

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Nesta semana, vimos que a questão das cotas raciais se complexifica com os argumentos de um militante negro anticotas, e jogamos um joguinho de uma fase só que se complexifica a cada etapa, enquanto assistimos a um belo e complexo filme concebido por Dalí e Disney e os filmes da série Guerra nas Estrelas foram lembrados no seu próprio dia comemorativo,

Acompanhamos a discussão sobre mídia hegemônica e políticas de reconhecimento, vimos uma crítica gráfica aos que são contra as políticas que defendem o casamento entre homossexuais, encontramos indícios de que humanos e neandertais se casaram antes de estes se extinguirem (ou não) e vimos que ainda não se extinguiu a teoria de que Jesus veio do espaço.

O Estado deve incluir, jamais discriminar – CartaCapital

Nessa entrevista com José Roberto Militão, vemos que nem todo o Movimento Negro é a favor das cotas raciais, o que pode enriquecer muito o debate sobre a real função e conseguências de uma política de reservas de vagas baseadas em critérios raciais.

This Is The Only Level – Armor Games

Neste joguinho simples para relaxar no trabalho, cada fase se passa no mesmo lugar, com pequenas variações que vão deixando o jogo mais difícil. Às vezes a gravidade e/ou os controles se invertem, às vezes os obstáculos são diferentes… enfim, um jogo casual.

O “Destino” uniu Salvador Dalí e Walt Disney – Design on the Rocks

Em 1946, o mágico da animação Walt Disney se encontrou com o mágico da pintura Salvador Dalí e ambos conceberam a ideia de um filme chamado Destino. Infelizmente, o projeto foi arquivado. Felizmente, um funcionário dos Estúdios Disney retomou o projeto e criou um curta que combina o caráter fantástico da animação disneyiana e as extrapolações sensoriais do gênio surrealista.

Star Wars Day – Wikipedia

Descobri que 4 de maio é o Dia de Guerra nas Estrelas, ou Star Wars Day. Tudo por causa da sonoridade de May the 4th, que lembra “May the Force…”, primeiras palavras da icônica frase “May the Force be with you”, proferida pelos jedi da galáxia concebida por George Lucas.

A Veja e as Políticas de Reconhecimento – Núcleo de Análises em Políticas Públicas – UFRRJ

A revista Veja é conhecida por manipular informações em nome do status quo da sociedade brasileira, além de privilegiar matérias direcionadas à elite, pouco representando os interesses das minorias. Na matéria A farsa da antropologia oportunista, Veja publicou dados incorretos sobre as áreas indígenas, de preservação e quilombolas,  truncou e inventou citações de dois estudiosos das Ciências Sociais e proferiu expressões preconceituosas e pouco compreensivas da realidade antropológica brasileira. O dossiê linkado acima mostra a matéria e diversas respostas e contrarrespostas, evidenciando as contradições da mídia que se pretende imparcial mas veicula sutilmente sua posição política.

Tradukka

Ainda não se criou um tradutor automático perfeito e, se Umberto Eco estiver correto, nunca aparecerá um. Mas o Tradukka até que acerta bastante. Porém, sigam meu conselho: nunca confiem cegamente num tradutor automático. Ao invés disso, participem dos Wordreference Language Forums, onde é possível conversar com nativos dos idiomas estudados e entender nuances de significado que escapam aos tradutores automáticos.

Consequences of gay marriage – Flickr

Há ainda quem pense que o casamento entre homossexuais, por ser contrário a uma tradição milenar, vai trazer grande sofrimento aos seres humanos, talvez advindo de uma punição de um poderoso deus que nos confunde com ideias como “livre arbítrio” e “pecado”.

Farinha do mesmo neandertal – Xis Xis

Seria improvável que, no contato dos humanos modernos com os neandertais, não tivesse ficado nenhum resquício.  E agora sabemos que alguns de nós têm herança genética do Homo sapiens neanderthalensis. Assim, talvez não seja tão acurado dizer que os neandertais estão extintos…

“Jesus Cristo era um ET” – CartaCapital

As pessoas que têm contatos imediatos dos mais variados graus com extraterrestres normalmente são figuras notáveis. Lourival Navarro não é exceção, mostrando-se um polímata que conserta bolsas, administra um estúdio de gravação, faz música e conhece todas as supostas referências bíblicas aos assuntos da Ufologia. Um potencial intelectual que poderia ter sido melhor aproveitado, talvez…

The internet is for dummies

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Os computadores pessoais (PCs, Macs etc.) representam um dos maiores avanços de nossa sociedade contemporânea. Com eles, somos capazes de processar informações de forma profissional, elaborando documentos de texto, planilhas para nossa auto-organização (inclusive com uma calculadora embutida), trabalhar com imagens, desenhos, gráficos e fotos, além de várias formas de entretenimento concentradas em um só aparelho: jogos, música, filmes e muito mais!

Além disso, a internet, indubitavelmente, trouxe o mundo para os indivíduos. Através de uma conexão eletro-magnética, é possível ter acesso rápido a informações advindas de todas as partes da Terra. Podemos aprender outros idiomas, saber das notícias de todos os países, conhecer pessoas de qualquer etnia e aprender qualquer assunto por um custo mínimo.

Mas os computadores e a internet não fazem milagres e não substituem a educação básica e a alfabetização, sejam formais ou não. Também não ensinam ninguém a ser civilizado. Poder-se-ia forjar um novo ditado: “Costumes da vida real vão à vida virtual”. Algumas práticas corriqueiras e estúpidas de quem usa computador e internet mostram que, por mais recursos que se tenham disponíveis para melhorar a vida, seu bom uso depende da sensibilidade pessoal e de uma disposição neofílica para o aprendizado.

Dito isso, listo 7 coisas que me irritam, sem ordem lógica:

1 – Arquivos com o nome “Relatório_novo.doc”

Quando criamos uma nova versão de um documento, o ideal é identificá-lo de forma a não confundi-lo com as versões anteriores. Isso pode ser feito salvando-o numa pasta nova que contenha no nome a data em que foi criada ou dando um novo nome ao próprio arquivo, com uma referência ao evento de que trata ou com a data em que foi feito: “Relatório 05-01-2010.doc” ou “Relatório Reunião de Planejamento 2010-1.doc”.

Quando, por estupidez ou falta de atenção (que às vezes são sinônimos), uma pessoa resolve nomear uma nova versão de um documento como “Relatório_novo.doc”, não se dá conta de que, cada vez que se fizer isso no futuro, haverá mais de um relatório novo (às vezes em várias pastas diferentes, já que não se pode criar mais de um arquivo com o mesmo nome dentro de uma mesma pasta), e se alguém não se der ao trabalho chato de buscar a data de criação dos documentos, não vai saber qual é a versão mais nova.

Quando criar um novo documento, especialmente se for algo compartilhado numa instituição ou empresa, pense nos outros: identifique os arquivos de modo inteligente.

2 – Frases no lugar dos nicknames

Quantas vezes você não viu alguém num bate-papo ou no Orkut usando um nome como “Feliz Natal!”, “Solteira sim, sozinha nunca”, “Alguém quer comprar uma placa-mãe?” e coisas do gênero, de modo que é preciso abrir uma janela de bate-papo ou o perfil para saber de quem se trata?

Essas pessoas se esquecem que tanto os serviços de bate-papo (MSN Messenger, Google Messenger etc.) quanto as redes sociais (Orkut, Facebook etc.) oferecem dois campos principais para identificação: o nome e o status. No primeiro, você coloca seu nome ou seu apelido: “Fulano de Tal”, “Garanhão do Forró”, “Morena Charmosa” etc. Mesmo com eses apelidos esdrúxulos seus amigos acabam se acostumando.

O segundo campo é onde você coloca as frases ridículas tais como as citações inventadas de Oscar Wilde ou baboseiras do tipo: “A esperança não é a única que morre”. Facilite a vida dos seus amigos ou daqueles que você chama de amigos.

3 – Fotos com a legenda “eu”

Há coisas que não são em si mesmas erradas, mas que, não sei quanto a vocês, me chateiam pelo egoísmo da atitude.

Por exemplo, uma pessoa cria um álbum de fotos no Orkut para publicar sua própria imagem. Tudo bem, eu fiz isso também. Aí ela nomeia cada uma dessa fotos com a legenda “eu”.

É claro que, normalmente, quando olhamos uma foto de uma pessoa no orkut, passamos antes pela página de seu perfil, e não precisamos de uma legenda com o nome dela para saber que é ela na foto: se está escrito “eu”, é claro que é ela (espero que não tenha ficado confuso…).

Mas há dois problemas possíveis: um é que as buscas através das imagens fica prejudicada; às vezes você quer descobrir se um amigo seu está no orkut, mas pelo perfil você não o reconhece. Pela foto, no entanto, dá para reconhecer, mas a foto está com a legenda “eu”. Portanto, a imagem não aparecerá na busca (e, se você buscar por “eu”, vai encontrar centenas de milhares de resultados).

Outro problema é um sintoma de falta de criatividade: as legandas das fotos são uma excelente oportunidade para se exercitar a imaginação ou o bom humor, oferecendo aos outros uma oportunidade de sorrir com uma imagem que acaba se tornando de domínio público, e se perde muito ao reduzir tudo ao ego do autor da foto.

Porém… isso é mais implicância minha. Podem nomear suas fotos como quiserem, caros “eus”.

eu

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4 – Blogs sem conteúdo próprio

Se você criar um blog, lembre-se de que esse nome é a abreviação de web log, ou seja “diário virtual” (numa tradução livre). É um espaço para você exercitar sua ccriatividade, deixando sua impressão do mundo ou de um dos aspectos do mundo, sua opinião sobre os acontecimentos ao seu redor, seus poemas, contos, novelas, resenhas, críticas…

Para mim, é uma bobagem fazer um blog só para postar textos que se encontram em outros blogs, imagens engraçadinhas que se encontram em outros blogs, vídeos maluquinhos que se encontram em outros blogs…

Se for para usar isso como pretexto para um comentário original, tudo bem. Mas simplesmente postar os textos roubados (muitas vezes sem indicar a fonte), as fotos surrupiadas (às vezes até com uma legenda embutida em que se lê o endereço do blog que a está veiculando, fazendo crer que seu autor é o dono do blog) e os vídeos encontrados por aí no YouTube é uma falta de imaginação gigantesca.

O pior, o pior mesmo, muito pior mesmo, é quando esses blogs idiotas têm um gigantesco público cativo que aumenta a cada dia (talvez aqui eu esteja sendo movido por um ressentimento  pessoal…).

5 – Colheita Feliz

Alguns jogos têm nomes tão idiotas que surpreende como podem fazer tanto sucesso. Minha curiosidade em saber mais sobre o jogo Colheita Feliz veio do fato de a maioria dos meus contatos do Orkut o estar jogando. Porém, quando via que “Fulano de Tal está jogando Colheita Feliz”, só conseguia imaginar uma pessoa com cara de idiota, sorrindo à toa, na frente do computador (por que será que o sorriso parece combinar tão pouco com a sabedoria?).

Não é dos meus jogos favoritos, por isso deixei que Inês cuidasse totalmente da minha fazenda virtual. É até um joguinho bacana… mas que nome idiota!

6 – “Citações” da própria autoria

Uma regra básica que a gente aprende nas aulas do ensino primário de Língua Portuguesa e/ou Redação é que as aspas servem para citar uma frase ou texto de autoria de outra pessoa. Portanto, se você escreve em seu perfil do Orkut um poema, um parágrafo ou um aforismo  de sua própria autoria, qualquer pessoa inteligente vai assumir que quem inventou esse poema, parágrafo ou aforismo é você, mesmo que você não o assine.

Mas algumas pessoas cometem a gafe de colocar aspas nos próprios textos e ainda indicar, entre parênteses, o autor, ou seja, elas mesmas. Às vezes isso dá a impressão de que se está fazendo autopromoção, como se fosse uma frase famosa e, vejam só!, você é o autor dessa frase! (Não lembro bem dessa frase, mas as aspas me dão a impressão de que se trata de um aforismo famoso do qual me lembro vagamente… hum…)

“Colocar aspas nos textos de sua própria autoria é tão desnecessário quanto deselegante” (Thiago Leite).

7 – Tempestade de  emoticons

Os emoticons são muitísismo úteis na comunicação por bate-papos, pelo fato de o texto escrito não transmitir emotividade, e sabemos que parte significativa (alguns dizem 70%) da mensagem que transmitimos na comunicação interpeessoal vem da entonação, dos movimentos faciais e dos gestos. Assim, num bate-papo em que predomina o texto, os emoticons ajudam a transmitir essa parte não-verbal daquilo que queremos dizer. 😉

Além disso, os emoticons proporcionam brincadeiras extras, com imagens animadas que colorem ainad mais a conversação. Mas há um limite para isso.

Esse limite aparece quando um usuário inadvertido do Windows Live Messenger e similares começa a colecionar emoticons desenfradamente e atribuir a eles atalhos como “rs” (para uma carinha rindo), “k” (para uma carinha gargalhando), “que” (para um bonequinho com uma interrogação na cabeça) e até bobagens esdruxulíssimas como “a” para um desenho estilizado da letra A, “b” idem etc.

Se essa pessoa quiser dizer perspectiva ou backup… pior, se ela escrever algo que tenha emoticons querepresentem sinais de pontuação, o dessastre está feito! O que deveria servir para facilitar a comunicação acaba atrapalhando ainda mais, pois você precisa parar para descobrir aqueletra corresponde cada figura que pisca desesperadamente diante de seus pobres olhos!

Joguinho online para as horas de folga

Padrão

Poção verdeHá algum tempo descobri o Naturalchemist, um jogo em flash acessado online. À primeira vista, já se percebe que é um herdeiro do Tetris e do Columns. Mas o jogo mais parecido que conheço é Puyo Puyo. Como neste, o objetivo imediato é unir os itens semelhantes por trios.

As regras do jogo são simples, embora não seja tão fácil ser bem-sucedido. Você é um alquimista e tem à sua direita uma espécie de cadinho onde vai produzir ingredientes para misturar poções a posteriori. Os ingredientes básicos vêm aos pares, e na parte inferior da tela é preciso combinar os itens semelhantes. A seta para cima troca a posição dos dois itens, as setas laterais movem o par de objetos para posicioná-los e a seta para baixo os derruba para o fundo do cadinho.

Naturalchemist

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