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	<title>Comments on: Universidade sem universalismo</title>
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	<description>Antropologia, Ficção Científica, cultura e sociedade</description>
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		<title>By: AmBAr Amarelo</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-591</link>
		<dc:creator>AmBAr Amarelo</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 00:26:23 +0000</pubDate>
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		<description>Com certeza Thiago, linchar o cara não seria o caminho nessa situação.
Porém ignora-lo e respeitar o seu &quot;direito&quot; de ser neo-nazista (mesmo não praticante) é um ato de irresponsabilidade (ao meu ver).

Se ele se vestiu assim apenas para provocar (mesmo caso da Geisy) ele teria a resposta do que procurou, ao ser vaiado e perseguido nos corredores. Se ele se vestiu assim por ser um neo-nazista, ele tem que ser combatido, de forma inteligente claro.

Se a massa (que nos garante certo grau de anonimato) nos permite ataca-lo (verbalmente), que seja usada.

Se a massa não se manisfesta, então de forma inteligente ele seja observado, informações sejam trocadas entre grupos que lutam contra o nazismo. E, no momento certo, com um conjunto de provas suficientes, ele seja desmascarado e denunciado a polícia federal.

Um simpatizante desse tipo de grupo, que cultua e põe em prática o ódio e a violência, deve ser eliminado da sociedade.

Não deve haver espaço para pessoas assim em nossa civilização.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Com certeza Thiago, linchar o cara não seria o caminho nessa situação.<br />
Porém ignora-lo e respeitar o seu &#8220;direito&#8221; de ser neo-nazista (mesmo não praticante) é um ato de irresponsabilidade (ao meu ver).</p>
<p>Se ele se vestiu assim apenas para provocar (mesmo caso da Geisy) ele teria a resposta do que procurou, ao ser vaiado e perseguido nos corredores. Se ele se vestiu assim por ser um neo-nazista, ele tem que ser combatido, de forma inteligente claro.</p>
<p>Se a massa (que nos garante certo grau de anonimato) nos permite ataca-lo (verbalmente), que seja usada.</p>
<p>Se a massa não se manisfesta, então de forma inteligente ele seja observado, informações sejam trocadas entre grupos que lutam contra o nazismo. E, no momento certo, com um conjunto de provas suficientes, ele seja desmascarado e denunciado a polícia federal.</p>
<p>Um simpatizante desse tipo de grupo, que cultua e põe em prática o ódio e a violência, deve ser eliminado da sociedade.</p>
<p>Não deve haver espaço para pessoas assim em nossa civilização.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Thiago Leite</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-587</link>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 13:09:56 +0000</pubDate>
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		<description>&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;#comment-586&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@AmBAr Amarelo&lt;/a&gt;,&lt;/b&gt; você acrescentou mais um elemento interesante para entender o comportamento da multidão histérica: eles talvez estivessem protestando contra a própria natureza animal deles, e encontraram em Geisy o bode expiatório sobre o qual descer o açoite.

Quanto à história fictícia de Gérson:

Primeiro, não se sabe se ele é neonazista. Na história que inventei, ele simplesmente se veste de modo provocador, não expressou verbalmente nem em ações ser neonazista. Os colegas é que chegaram a essa conclusão, preconceituosamente, sem antes conversar com ele.

Segundo, mesmo que ele já tivesse dito antes que era neonazista, na história que contei ele não havia infligido a liberdade de ninguém, não havia xingado negros, não havia desrespeitado homossexuais e nem havia ofendido judeus. Ele mantinha suas opiniões para si e talvez para com seus amigos neonazistas.

Terceiro, mesmo se ele tivesse se assumido neonazista, tivesse xingado negros, desrespeitado homossexuais e ofendido judeus, a pior forma de se reagir a isso seria através de um linchamento. A lei deste país tem cláusulas que consideram a discriminação como crime passível de punição.

Um neonazista, uma puta, um bandido etc. são seres humanos antes de tudo, e qualquer linchamento é desumano, por mais prejudicial que um indivíduo seja para o resto da humanidade. Podem-se encontrar formas civilizadas de restringir as ações negativas das pessoas.

Talvez eu esteja sendo utópico, mas se não houver utopia, fica mais difícil construir um mundo mais humano e universalista.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><b><a href="#comment-586" rel="nofollow">@AmBAr Amarelo</a>,</b> você acrescentou mais um elemento interesante para entender o comportamento da multidão histérica: eles talvez estivessem protestando contra a própria natureza animal deles, e encontraram em Geisy o bode expiatório sobre o qual descer o açoite.</p>
<p>Quanto à história fictícia de Gérson:</p>
<p>Primeiro, não se sabe se ele é neonazista. Na história que inventei, ele simplesmente se veste de modo provocador, não expressou verbalmente nem em ações ser neonazista. Os colegas é que chegaram a essa conclusão, preconceituosamente, sem antes conversar com ele.</p>
<p>Segundo, mesmo que ele já tivesse dito antes que era neonazista, na história que contei ele não havia infligido a liberdade de ninguém, não havia xingado negros, não havia desrespeitado homossexuais e nem havia ofendido judeus. Ele mantinha suas opiniões para si e talvez para com seus amigos neonazistas.</p>
<p>Terceiro, mesmo se ele tivesse se assumido neonazista, tivesse xingado negros, desrespeitado homossexuais e ofendido judeus, a pior forma de se reagir a isso seria através de um linchamento. A lei deste país tem cláusulas que consideram a discriminação como crime passível de punição.</p>
<p>Um neonazista, uma puta, um bandido etc. são seres humanos antes de tudo, e qualquer linchamento é desumano, por mais prejudicial que um indivíduo seja para o resto da humanidade. Podem-se encontrar formas civilizadas de restringir as ações negativas das pessoas.</p>
<p>Talvez eu esteja sendo utópico, mas se não houver utopia, fica mais difícil construir um mundo mais humano e universalista.</p>
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	<item>
		<title>By: AmBAr Amarelo</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-586</link>
		<dc:creator>AmBAr Amarelo</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 17:03:31 +0000</pubDate>
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		<description>Geisy é puta!

Eu, um mero macaco, me incomodo com pessoas do tipo Geisy. Elas me tiram da condição de macaco-evoluído e me lembram que sou prisioneiro dos desejos carnais!

Por não aceitar essa minha natureza, eu me enfureço, e grito com os demais.
Sendo sincero, acho que se estivesse la teria participado da estéria coletiva!
Eu NÃO ACHO CERTO isso, mas TEMO que se estivesse la teria feito a mesma coisa.

Quanto ao neo-nazista, eu também teria feito a mesma coisa mas ACHARIA CERTO!

Gritar com Geisy é ser macaco. 
Se sentir atraído por Geisy, mesmo fazendo força para ignora-la, é ser macaco.

PS 1: Não quero ser macaco, quero evoluir.

PS 2:  Não gritar com o neo-nazista é ser irresponsável.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Geisy é puta!</p>
<p>Eu, um mero macaco, me incomodo com pessoas do tipo Geisy. Elas me tiram da condição de macaco-evoluído e me lembram que sou prisioneiro dos desejos carnais!</p>
<p>Por não aceitar essa minha natureza, eu me enfureço, e grito com os demais.<br />
Sendo sincero, acho que se estivesse la teria participado da estéria coletiva!<br />
Eu NÃO ACHO CERTO isso, mas TEMO que se estivesse la teria feito a mesma coisa.</p>
<p>Quanto ao neo-nazista, eu também teria feito a mesma coisa mas ACHARIA CERTO!</p>
<p>Gritar com Geisy é ser macaco.<br />
Se sentir atraído por Geisy, mesmo fazendo força para ignora-la, é ser macaco.</p>
<p>PS 1: Não quero ser macaco, quero evoluir.</p>
<p>PS 2:  Não gritar com o neo-nazista é ser irresponsável.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Thiago Leite</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-534</link>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 16:13:36 +0000</pubDate>
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		<description>Pois é, &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;#comment-533&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@Fernando&lt;/a&gt;,&lt;/b&gt; só a ela.

Quis me referir à permanência numa instituição que agiu de forma preconceituosa, que perdeu prestígio no quesito ética. Eu não ingressaria numa universidade dessas.

Mas você tem razão. E é preciso lembrar que Geisy é pobre e provavelmente não poderá arcar com uma mudança de universidade. a não ser que alguma outra instituição acadêmica se solidarize com ela.

Sei lá...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é, <b><a href="#comment-533" rel="nofollow">@Fernando</a>,</b> só a ela.</p>
<p>Quis me referir à permanência numa instituição que agiu de forma preconceituosa, que perdeu prestígio no quesito ética. Eu não ingressaria numa universidade dessas.</p>
<p>Mas você tem razão. E é preciso lembrar que Geisy é pobre e provavelmente não poderá arcar com uma mudança de universidade. a não ser que alguma outra instituição acadêmica se solidarize com ela.</p>
<p>Sei lá&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Fernando Aoki</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-533</link>
		<dc:creator>Fernando Aoki</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 13:33:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://teianeuronial.com/?p=1159#comment-533</guid>
		<description>Olá, Thiago. Só queria acrescentar que, sobre o último comentário, talvez a Geisy NÃO TENHA alternativa para completar o restante do semestre sem perdê-lo, tenha mesmo que engolir o orgulho, retornar e permanecer lá até completar o semestre.

O que talvez devessêmos esperar dela é aproveitar esses cinco minutos de fama para tentar uma transferência sem perda do semestre, ou engatilhar uma  nova faculdade assim que terminar o ano. É o que esperaríamos de qualquer pessoa ultrajada como ela foi e que tenha orgulho próprio.

Lembre-mo-nos: as pessoas cometem ações incoerentes muitas vezes por comodidade ou por hábito. Talvez permanecer lá, no meio daquele bando de babuínos, possa até mesmo ser encarado como um tipo de desafio, um tipo de satisfação pessoal na base do &quot;tá vendo, seus retardados, vocês tentaram me tirar daqui mas daqui eu não saio&quot;.

Muita especulação, o futuro da moça só a ela pertence!

Abraço!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, Thiago. Só queria acrescentar que, sobre o último comentário, talvez a Geisy NÃO TENHA alternativa para completar o restante do semestre sem perdê-lo, tenha mesmo que engolir o orgulho, retornar e permanecer lá até completar o semestre.</p>
<p>O que talvez devessêmos esperar dela é aproveitar esses cinco minutos de fama para tentar uma transferência sem perda do semestre, ou engatilhar uma  nova faculdade assim que terminar o ano. É o que esperaríamos de qualquer pessoa ultrajada como ela foi e que tenha orgulho próprio.</p>
<p>Lembre-mo-nos: as pessoas cometem ações incoerentes muitas vezes por comodidade ou por hábito. Talvez permanecer lá, no meio daquele bando de babuínos, possa até mesmo ser encarado como um tipo de desafio, um tipo de satisfação pessoal na base do &#8220;tá vendo, seus retardados, vocês tentaram me tirar daqui mas daqui eu não saio&#8221;.</p>
<p>Muita especulação, o futuro da moça só a ela pertence!</p>
<p>Abraço!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Tweets that mention Teia Neuronial » Universidade sem universalismo -- Topsy.com</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-525</link>
		<dc:creator>Tweets that mention Teia Neuronial » Universidade sem universalismo -- Topsy.com</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 16:39:44 +0000</pubDate>
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		<description>[...] This post was mentioned on Twitter by Thiago Leite, Thiago Leite. Thiago Leite said: Universidade sem universalismo ou De como um grupo de humanos se torna um bando de chimpanzés: http://migre.me/b8ZL #Uniban #Geisy [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] This post was mentioned on Twitter by Thiago Leite, Thiago Leite. Thiago Leite said: Universidade sem universalismo ou De como um grupo de humanos se torna um bando de chimpanzés: <a href="http://migre.me/b8ZL" rel="nofollow">http://migre.me/b8ZL</a> #Uniban #Geisy [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Thiago Leite</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-524</link>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 14:55:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://teianeuronial.com/?p=1159#comment-524</guid>
		<description>Ah, &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;#comment-522&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@Flavia&lt;/a&gt;,&lt;/b&gt; eu poderia ter me poupado de parte do meu comentário anterior se soubesse que você ia postar de novo... mas tudo se aproveita.
&lt;blockquote&gt;Creio que estes fenômenos são comparáveis pelo fato de que uma multidão identifica e se volta contra uma vítima numa ação conjunta que não precisa ser combinada de antemão (um tipo assim de crime não premeditado).&lt;/blockquote&gt;
Concordo. Há um tipo de mente coletiva que é diferente das mentes individuais e funciona como um aliciamento invisível do grupo. Se extrapolarmos a ideia Durkheimiana de que o social é uma realidade diferente do individual, há boas chances de eu não estar falando nenhuma besteira... a não ser que muita gente comece a concordar...

Gostei do neologismo &lt;em&gt;horigem&lt;/em&gt; (horizonte + origem). :D</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, <b><a href="#comment-522" rel="nofollow">@Flavia</a>,</b> eu poderia ter me poupado de parte do meu comentário anterior se soubesse que você ia postar de novo&#8230; mas tudo se aproveita.</p>
<blockquote><p>Creio que estes fenômenos são comparáveis pelo fato de que uma multidão identifica e se volta contra uma vítima numa ação conjunta que não precisa ser combinada de antemão (um tipo assim de crime não premeditado).</p></blockquote>
<p>Concordo. Há um tipo de mente coletiva que é diferente das mentes individuais e funciona como um aliciamento invisível do grupo. Se extrapolarmos a ideia Durkheimiana de que o social é uma realidade diferente do individual, há boas chances de eu não estar falando nenhuma besteira&#8230; a não ser que muita gente comece a concordar&#8230;</p>
<p>Gostei do neologismo <em>horigem</em> (horizonte + origem). <img src='http://teianeuronial.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Thiago Leite</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-523</link>
		<dc:creator>Thiago Leite</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 14:44:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://teianeuronial.com/?p=1159#comment-523</guid>
		<description>Pois é, &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;#comment-518&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@Joey bem Temperado&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt; É por essas coisas que acho que, antes de se pensar nas controversas políticas de cotas (sejam por critérios sócio-econômicos ou raciais), é preciso repensar o vestibular. Este não atesta a vocação acadêmica de ninguém.

&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;#comment-520&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@Pescador&lt;/a&gt;,&lt;/b&gt; estou ciente dos riscos de se tomar um aforismo de forma apressada. A frase em questão pode servir para vários propósitos, dependendo do que se toma por &quot;indivíduo&quot;, &quot;inteligência&quot;, &quot;multidão&quot; e &quot;burrice&quot;.

Neste trecho do texto, eu deixei um pouco de lado, quase de propósito, a atitude crítica mais séria e procurei ser mais metafórico, mais metonímico. Usei a frase para me referir ao fato de que, em meio a uma multidão voltada para um objetivo, tendemos a perder, em nossas ações, a individualdade. Somos arrebatados pelo clima festivo de uma plateia, somos puxados pela corrente que, de fora, se comporta como um ser diferente da soma das ações dos indivíduos que a compõem.

Meu enfoque estava mais na segunda parte da sentença: &quot;a multidão é burra&quot;. Em grupos pequenos talvez isso não se aplique, mas, numa massa como a que foi formada no linchamento a Geisy, há um comportamento coletivo que obscurece os comportamentos individuais. Toda a soma da riqueza mental existente nos indivíduos ali aglomerados é reduzida a uma ideia, mesmo que em alguns casos seja uma ideia nobre, mas essa ideia está empobrecida.

Baseio-me aí na experiência pessoal, e não quis me delongar na análise da natureza ilusória dessa realidade. Obrigado por fazer isso. :)

Como você, não concordo que tudo isso seja natural. Mas compartilho dos ideais modernos que veem na liberdade individual um valor mais importante do que a prisão da massa (eu devia ter citado Nietzsche). E até considero que a proposta de Hobbes, de juntar os indivíduos sobre um poder soberano, é uma forma de nivelar por baixo os indivíduos.

Olhe, &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;#comment-521&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@Flavia&lt;/a&gt;,&lt;/b&gt; talvez os bonobos sejam dóceis (e ainda assim porque encontraram meios de socabilidade que arrefecem os impulsos destrutivos), mas os chimpanzés têm momentos de ferocidade impressionante. Mesmo nos casos que você citou, continuam sendo animais irracionais que não refletem sobre as ações que estão tomando, do mesmo modo que as multidões burras humanas.

&lt;blockquote&gt;Mais parecia que a Geyse era o objeto de um prazer que só poderia se consumar em bando. Uma espécie de presa cujo sabor só se revela se apreciado em horda.&lt;/blockquote&gt;

A impressão foi essa. E seu comentário me fez lembrar com muita nitiez do &lt;em&gt;mito da horda primitiva&lt;/em&gt; de Freud. Mas quem era o pai a ser morto?

Acho que, primeiramente, não foram os meninos e meninas que empreenderam a perseguição, mas um bando com elementos masculinos e femininos.

Sua última observação é bem pertinente. Da ordem sexual androcêntrica participam homens e mulheres, que perpetuam os valores da Guerra dos Sexos e os papéis dos dois (ou mais) lados desse conjunto de relações de poder. As vítimas são todos, todos são dominados pela cultura.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é, <b><a href="#comment-518" rel="nofollow">@Joey bem Temperado</a>.</b> É por essas coisas que acho que, antes de se pensar nas controversas políticas de cotas (sejam por critérios sócio-econômicos ou raciais), é preciso repensar o vestibular. Este não atesta a vocação acadêmica de ninguém.</p>
<p><b><a href="#comment-520" rel="nofollow">@Pescador</a>,</b> estou ciente dos riscos de se tomar um aforismo de forma apressada. A frase em questão pode servir para vários propósitos, dependendo do que se toma por &#8220;indivíduo&#8221;, &#8220;inteligência&#8221;, &#8220;multidão&#8221; e &#8220;burrice&#8221;.</p>
<p>Neste trecho do texto, eu deixei um pouco de lado, quase de propósito, a atitude crítica mais séria e procurei ser mais metafórico, mais metonímico. Usei a frase para me referir ao fato de que, em meio a uma multidão voltada para um objetivo, tendemos a perder, em nossas ações, a individualdade. Somos arrebatados pelo clima festivo de uma plateia, somos puxados pela corrente que, de fora, se comporta como um ser diferente da soma das ações dos indivíduos que a compõem.</p>
<p>Meu enfoque estava mais na segunda parte da sentença: &#8220;a multidão é burra&#8221;. Em grupos pequenos talvez isso não se aplique, mas, numa massa como a que foi formada no linchamento a Geisy, há um comportamento coletivo que obscurece os comportamentos individuais. Toda a soma da riqueza mental existente nos indivíduos ali aglomerados é reduzida a uma ideia, mesmo que em alguns casos seja uma ideia nobre, mas essa ideia está empobrecida.</p>
<p>Baseio-me aí na experiência pessoal, e não quis me delongar na análise da natureza ilusória dessa realidade. Obrigado por fazer isso. <img src='http://teianeuronial.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Como você, não concordo que tudo isso seja natural. Mas compartilho dos ideais modernos que veem na liberdade individual um valor mais importante do que a prisão da massa (eu devia ter citado Nietzsche). E até considero que a proposta de Hobbes, de juntar os indivíduos sobre um poder soberano, é uma forma de nivelar por baixo os indivíduos.</p>
<p>Olhe, <b><a href="#comment-521" rel="nofollow">@Flavia</a>,</b> talvez os bonobos sejam dóceis (e ainda assim porque encontraram meios de socabilidade que arrefecem os impulsos destrutivos), mas os chimpanzés têm momentos de ferocidade impressionante. Mesmo nos casos que você citou, continuam sendo animais irracionais que não refletem sobre as ações que estão tomando, do mesmo modo que as multidões burras humanas.</p>
<blockquote><p>Mais parecia que a Geyse era o objeto de um prazer que só poderia se consumar em bando. Uma espécie de presa cujo sabor só se revela se apreciado em horda.</p></blockquote>
<p>A impressão foi essa. E seu comentário me fez lembrar com muita nitiez do <em>mito da horda primitiva</em> de Freud. Mas quem era o pai a ser morto?</p>
<p>Acho que, primeiramente, não foram os meninos e meninas que empreenderam a perseguição, mas um bando com elementos masculinos e femininos.</p>
<p>Sua última observação é bem pertinente. Da ordem sexual androcêntrica participam homens e mulheres, que perpetuam os valores da Guerra dos Sexos e os papéis dos dois (ou mais) lados desse conjunto de relações de poder. As vítimas são todos, todos são dominados pela cultura.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Flavia</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-522</link>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 14:39:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://teianeuronial.com/?p=1159#comment-522</guid>
		<description>&lt;a href=&quot;#comment-520&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;@Pescador&lt;/a&gt; 
Oi, Pescador, concordo em parte. Acho que certas coisas são usadas só como retórica. Isso não é ruim, é só um desabafo, e todos precisamos desabafar. Proceder de forma analítica mataria o desabafo. Um desabafo é um insulto. Imagina que se em vez de eu dizer pra alguém: &quot;você é um filho da puta&quot; eu começe a dizer algo do tipo &quot;a tua geração parental me parece que tem algo que é discutível moralmente, apesar de que é também discutível se o fato de que a tua geração parental tenha algo de discutível moralmente tenha algum mérito no caso de eu achar que você tem algo de discutível moralmente, pois não é fato que a constituição moral e uma pessoa seja passada na sua reprodução juntamente com características físicas. No entanto, o caso não está decidido, pois pode-se pensar que defeitos morais sejam repassados pela educação. No entanto, como o próprio conceito de imoral tem camadas e camadas de construção simbólica...&quot; e por ai vai...

às vezes agente precisa chamar alguém de FDP, e isso não é levado a sério, assim como chamar a multidão de burra. 

Mas entendo que a discussão seja pertinente pra você. E concordo, além disso, que a discussão é pertinente (é pertinente para mim também): multidão é diferente de indivíduo, ou há algo do indivíduo na multidão e há algo da multidão no indivíduo? Acho que dificilmente a discussão se resolverá no abstrato, assim, se bem que precisamos de exemplos que possam ser generalizados. É preciso - acho - que comparar isso com outros fenômenos similares. Por exemplo, há poucos dias, uma estudante foi estuprada numa escola. Outro fato que eu acho comparável: outro dia mesmo, vi na BBC um vídeo de uma aldeia na Índia onde as pessoas estavam linchando mulheres identificadas como bruchas. Aqui perto de nós, e especificamente em comunidades universitárias, temos os trotes violentos e a tal da festa na veterinária-usp em que todos se voltaram contra um casaql de garotos que se beijou. Creio que estes fenômenos são comparáveis pelo fato de que uma multidão identifica e se volta contra uma vítima numa ação conjunta que não precisa ser combinada de antemão (um tipo assim de crime não premeditado). Creio que comparar o que esses eventos tem de similar e o que eles têm de diferente nos leva mais longe que uma discussão abstrata da natureza humana. Cada vez mais me convenço que querer chegar à natureza humana é como querer chegar ao horizonte. Que ele existe, existe, mas não se trata de um lugar, mas do limite do que podemos enxergar, dada a conformação do corpo celeste que habitamos. Assim também a conformação da nossa linguagem acaba impondo os limites dessa discussão, pois ela própria está também na horigem desses conceitos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p><a href="#comment-520" rel="nofollow">@Pescador</a><br />
Oi, Pescador, concordo em parte. Acho que certas coisas são usadas só como retórica. Isso não é ruim, é só um desabafo, e todos precisamos desabafar. Proceder de forma analítica mataria o desabafo. Um desabafo é um insulto. Imagina que se em vez de eu dizer pra alguém: &#8220;você é um filho da puta&#8221; eu começe a dizer algo do tipo &#8220;a tua geração parental me parece que tem algo que é discutível moralmente, apesar de que é também discutível se o fato de que a tua geração parental tenha algo de discutível moralmente tenha algum mérito no caso de eu achar que você tem algo de discutível moralmente, pois não é fato que a constituição moral e uma pessoa seja passada na sua reprodução juntamente com características físicas. No entanto, o caso não está decidido, pois pode-se pensar que defeitos morais sejam repassados pela educação. No entanto, como o próprio conceito de imoral tem camadas e camadas de construção simbólica&#8230;&#8221; e por ai vai&#8230;</p>
<p>às vezes agente precisa chamar alguém de FDP, e isso não é levado a sério, assim como chamar a multidão de burra. </p>
<p>Mas entendo que a discussão seja pertinente pra você. E concordo, além disso, que a discussão é pertinente (é pertinente para mim também): multidão é diferente de indivíduo, ou há algo do indivíduo na multidão e há algo da multidão no indivíduo? Acho que dificilmente a discussão se resolverá no abstrato, assim, se bem que precisamos de exemplos que possam ser generalizados. É preciso &#8211; acho &#8211; que comparar isso com outros fenômenos similares. Por exemplo, há poucos dias, uma estudante foi estuprada numa escola. Outro fato que eu acho comparável: outro dia mesmo, vi na BBC um vídeo de uma aldeia na Índia onde as pessoas estavam linchando mulheres identificadas como bruchas. Aqui perto de nós, e especificamente em comunidades universitárias, temos os trotes violentos e a tal da festa na veterinária-usp em que todos se voltaram contra um casaql de garotos que se beijou. Creio que estes fenômenos são comparáveis pelo fato de que uma multidão identifica e se volta contra uma vítima numa ação conjunta que não precisa ser combinada de antemão (um tipo assim de crime não premeditado). Creio que comparar o que esses eventos tem de similar e o que eles têm de diferente nos leva mais longe que uma discussão abstrata da natureza humana. Cada vez mais me convenço que querer chegar à natureza humana é como querer chegar ao horizonte. Que ele existe, existe, mas não se trata de um lugar, mas do limite do que podemos enxergar, dada a conformação do corpo celeste que habitamos. Assim também a conformação da nossa linguagem acaba impondo os limites dessa discussão, pois ela própria está também na horigem desses conceitos.</p>
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		<title>By: Flavia</title>
		<link>http://teianeuronial.com/universidade-sem-universalismo/comment-page-1/#comment-521</link>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 14:10:04 +0000</pubDate>
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		<description>Oi, Thiago,

Realmente, a multidão é estúpida. Mas não há comparação com os chimpanzés que são tão dóceis... Vou defender os chimpanzés: há sim disputa entre grupos por território, e entre machos e fêmeas, mas nestes casos, em geral, a ação é feita para fazer com que o outro desista de um objeto disputado. Qual seria o objeto de disputa no confronto Geyse X estupradores? Mais parecia que a Geyse era o objeto de um prazer que só poderia se consumar em bando. Uma espécie de presa cujo sabor só se revela se apreciado em horda. Note-se que não foram só os meninos que a perseguiram: foram os meninos e meninas. E mais: creio que as imagens podem levar a uma ilusão sobre o papel dos meninos. Eles aparecem à porta e subindo as janelas, mas precisamos notar que as meninas fizeram o papel fundamental de apontar a vítima e estimular que os meninos cumprissem o seu &quot;papel de machinhos&quot;. Se você tem um cão adestrado na coleira - um pit bull - e aponta a vítima e solta a coleira, o culpado do que se segue é somente o cão?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi, Thiago,</p>
<p>Realmente, a multidão é estúpida. Mas não há comparação com os chimpanzés que são tão dóceis&#8230; Vou defender os chimpanzés: há sim disputa entre grupos por território, e entre machos e fêmeas, mas nestes casos, em geral, a ação é feita para fazer com que o outro desista de um objeto disputado. Qual seria o objeto de disputa no confronto Geyse X estupradores? Mais parecia que a Geyse era o objeto de um prazer que só poderia se consumar em bando. Uma espécie de presa cujo sabor só se revela se apreciado em horda. Note-se que não foram só os meninos que a perseguiram: foram os meninos e meninas. E mais: creio que as imagens podem levar a uma ilusão sobre o papel dos meninos. Eles aparecem à porta e subindo as janelas, mas precisamos notar que as meninas fizeram o papel fundamental de apontar a vítima e estimular que os meninos cumprissem o seu &#8220;papel de machinhos&#8221;. Se você tem um cão adestrado na coleira &#8211; um pit bull &#8211; e aponta a vítima e solta a coleira, o culpado do que se segue é somente o cão?</p>
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