Alienígenas e predadores

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Alien vs. Predator (2004) foi um dos filmes mais esperados pelos fãs do cinema de ficção científica. Depois de terem se encontrado nos quadrinhos, em dezenas de video games e terem sido motivação para muita fan-art e imaginação, os “aliens” (dos filmes Alien: O Oitavo Passageiro, 1979; Aliens: O Resgate, 1986; Alien 3, 1992 e Alien: A Ressurreição, 1997) e os “predadores” (O Predador, 1987; O Predador 2, 1990) finalmente se encontraram (e se enfrentaram) no cinema. E três anos depois a franquia mista seria renovada com Alien vs. Predador 2 (2007).

Mas o que pode explicar tanta expectativa em relação a esse encontro de monstros? Seria a simples resposta a uma especulação de fãs quanto ao que resultaria do encontro entre as duas fictícias espécies alienígenas? Mas o que, no fundo, motivaria essas especulações? Uma motivação política, esperando uma obra artística que retratasse de forma metafórica “a guerra entre o bem e o mal” (ou entre o Ocidente e o Oriente, ou entre o Primeiro Mundo e o Terceiro Mundo, ou entre Estados Unidos da América e o resto do mundo – afinal o filme foi lançado em plena “guerra ao terror” do governo de George “Warrior” Bush)?

Penso que não se trata de mero capricho hollywoodiano. Afinal, os crossovers vinham sendo feitos bem antes da “guerra ao terror” e continuaram fortes depois e até hoje em dia. Além disso, o filme vinha sendo prometido havia muitos anos (este que escreve foi um dos que o esperou ansiosamente), e tudo indica que a ideia do embate entre esses alienígenas tenha surgido entre os fãs de cinema e ficção científica; apareceram assim muitas sugestões em diversos video games (como o famoso arcade Alien vs. Predator, da Capcom, que me divertiu muito nos meus 14 anos de idade) e nos quadrinhos. Além disso, o público que ansiou por esse filme é restrito e específico demais, embora fiel. Tampouco a “motivação política” parece ter sido inspiração para a obra. Quando se trata de retratar conflitos políticos, guerras etc., Hollywood nos presenteia com Rambo (1982), Nova Iorque Sitiada (1998) e coisas semelhantes.

Ao assistir ao filme, veio-me à mente o livro As Estruturas Antropológicas do Imaginário, de Gilbert Durand. Notei que era possível enquadrar os aliens como personagens no regime noturno da imagem, de acordo com a classificação de Durand, enquanto os predadores se encaixam melhor no regime diurno da imagem. (Não quero aqui entrar no mérito de avaliar o filme em seus aspectos cinematográficos e narrativos; considero-o um filme regular, que não atendeu as expectativas, mas a reflexão sobre aspectos imagéticos é bastante rica.)

O regime diurno da imagem, segundo Durand, é aquele da antítese que separa o dia da noite, o claro do escuro, a luz das trevas. Nesse regime, existe um maniqueísmo que coloca as noções de virtude e força em oposição às de vício e fraqueza. É o regime do conflito e da guerra, do humano domesticando ou caçando o animal, da individualidade do herói que empunha uma espada para destruir em nome da honra e da glória. É, assim, um conjunto de imagens que remete, em grande parte, à noção ocidental do masculino.

Por outro lado, o regime noturno da imagem é o da antífrase e da síntese, da conciliação entre luz e trevas, ligado à valorização do corpo e suas funções digestivas e reprodutivas (que são vistas com desprezo pelo regime diurno). É o regime da transmutação, no qual a morte é vista como parte do processo vital (enquanto para o regime diurno não se podem conciliar vida e morte). É ainda o regime da comunhão física, seja entre mãe e filho ou entre amantes. Forma um conjunto de imagens relacionado à ideia ocidental do feminino.

Uma das coisas que me chamam atenção nas duas franquias tratadas aqui é a escolha da designação de cada uma das espécies nos títulos de seus respectivos filmes. Ambas são alienígenas (alien em inglês), e ambas são predadoras. Mas os aliens são mais animalescos, mais próximos da natureza, numa palavra, são mais orgânicos. Em nossa cultura ocidental androcêntrica, normalmente a mulher (e o feminino) é representada como mais próxima da natureza e, assim, um ser estranho em relação ao homem (e o masculino), que seria mais próximo da cultura, do refinamento civilizatório. A mulher é tratada por nossas representações milenares como o segundo sexo, como um alienígena, uma criatura diferente do homem, sendo este visto como modelo de ser humano. O homem/macho, por sua vez, é o sexo guerreiro, suas motivações são vistas como as de um caçador em busca do sustento da família e também de um predador que luta por troféus (sejam riquezas ou mulheres).

A rainha bota os ovos; o ovo eclode e o "facehugger" se agarra ao rosto do hospedeiro; o parasita inoculado no hospedeiros emerge ("chestburster") como uma espécie de serpente e cresce até sua forma adulta e mortal

A rainha bota os ovos; o ovo eclode e o “facehugger” se agarra ao rosto do hospedeiro; o parasita inoculado no hospedeiro emerge (“chestburster”) como uma espécie de serpente e cresce até sua forma adulta e mortal

Os aliens, também chamados de xenomorfos, têm uma relação estreita com sua mãe-rainha, uma relação orgânica no sentido mais romântico que a semântica dessa palavra pode alcançar. São bem como abelhas ou formigas, o que pode nos autorizar pensar que são todos fêmeas, vivendo num mundo natural, biológico, como em nossa cultura se representa a mãe com os filhos, nos laços afetivos de um mundo feminino. Suas armas são seus próprios corpos, a cauda flexível e perfurante, o sangue ácido, a arcada bucal dupla e a hiper-resistente couraça. A relação que estabelecem com os protagonistas humanos é orgânica também, pois, além de os humanos lhes servirem de alimento, sua procriação depende de um organismo hospedeiro na primeira fase da vida, e os ovos dos quais eclodem as larvas aparecem provocando uma curiosidade sedutora. Essa sedução feminina se evidencia no constante desejo, presente em quase todos os filmes da franquia Alien, da empresa Weyland-Yutani em sacrificar vidas para capturar um espécime.

alienlifecycle

Esquematização do ciclo de vida de um xenomorfo/alien

Já os predadores, cuja espécie também é conhecida como yautja, se caracterizam por ser mais individualistas, “livres” num certo sentido, sem um vínculo afetivo materno que lhes tolha a individualidade. Aparentam ser todos machos (possuem um físico masculino, segundo os padrões humanos), numa sociedade cooperativa-competitiva, em que lutam lado a lado mas parecem ter objetivos pessoais (que no entanto e de maneira geral coincidem). Agem como heróis em busca de troféus de suas caçadas, e viajam pelos planetas em busca de satisfação para seu esporte. Suas armas são artificiais, lanças e garras retráteis, discos cortantes que voltam como bumerangues, canhões de plasma em suas ombreiras, redes de aprisionamento, bombas (que podem usar para se matar, numa espécie de seppuku ritual, um gesto de honra masculina tipicamente conhecido entre guerreiros da Terra) e outras, além de uma armadura sem a qual podemos imaginar que seriam bem vulneráveis.

Por um lado, os aliens se mostram como realmente são, agindo instintivamente. Mas os predadores são seres com cultura, cheios de artifícios, e o uso da máscara é simbólico de seu esforço para domar o monstro que têm em si mesmos (como os humanos fazem com a ética e as regras sociais) e cujo rosto ele mostra apenas em situações extremas. Também é interessante notar que a antagonista/alter-ego do alien é exclusivamente uma mulher, especialmente a figura de Ellen Ripley, enquanto o predador sempre tem como nêmesis um homem.

A alien rainha contra sua nêmesis (a fêmea-alfa) e o predador perante seu rival (o macho-alfa)

A alien rainha contra sua nêmesis (a fêmea-alfa) e o predador perante seu rival (o macho-alfa)

Esse contraste, aparente quando observamos os filmes de cada uma das franquias, se evidencia ainda mais em Alien vs. Predador, onde as duas espécies se enfrentam. Nas lutas, os xenomorfos usam exclusivamente seus corpos para atacar e se defender, ou seja, suas garras, presas, caudas em forma de lanças, sangue ácido e couraça ultrarresistente. Por outro lado, os yautja só se valem de sua tecnologia, sem a qual seriam indefesos: suas armas e armaduras e seus sensores. Além disso, xenomorfos são seres mais instintivos do que racionais, enquanto os predadores usam uma inteligência estratégica.

O embate se caracteriza como uma caçada esportiva, em que os predadores buscam satisfazer o desejo de subjugar a natureza, o que remete ao desejo masculino de subjugar e domesticar o feminino, representado em nossa cultura misógina como perigoso, ardiloso, emotivo e irracional. As aliens se defendem como animais, como uma força da natureza, sem rosto (literalmente) e sem identidade. Sua motivação é apenas a sobrevivência enquanto espécie.

Também é interessante observar a belíssima imagem da rainha alien coberta por suas crias, como um gigantesco escorpião-fêmea carregando seus filhotes. É uma imagem plenamente feminina de comunhão carnal, em que não há diferenciação entre os membros do grupo, como se fossem um só organismo e uma só inteligência coletiva. Mas a primeira imagem em que aparecem os três predadores, por outro lado, é emblemática, neste caso, de seu caráter masculino e guerreiro, pois eles aparecem caminhando lado a lado, cada um com sua individualidade e personalidade, evidenciada em armaduras únicas e armas de preferência.

Predadores do filme Predador 2

Predadores do filme Predador 2

Vale lembrar o momento em que a única humana (uma mulher) sobrevivente do conflito se junta ao último predador para enfrentar a rainha. O caçador confecciona para a mulher uma lança e um escudo improvisados, utilizando respectivamente a cauda e a cabeça de um alien, como que misturando os aspectos masculino (do estilo de lutar dos predadores) e feminino (os corpos dos aliens). É como se o predador considerasse mais adequado que uma mulher usasse armas mais ligadas ao feminino, ao alien animalesco. Se não, por que não disponibilizou para ela as armas de seus companheiros mortos?

Resumindo, parece que esse embate entre aliens e predadores simboliza uma querela que perdura entre seres humanos há milênios, e que sempre foi motivo para elaboradas teorias sexistas e piadas preconceituosas sobre mulheres e homens, que parecem não perder a validade entre aqueles (muitos)  que pensam que está na natureza a origem das diferenças de comportamentos entre os machos e as fêmeas humanas, e daí também as desigualdades entre eles. Metaforicamente, a luta entre essas duas espécies alienígenas também pode ser extrapolada para uma alegoria dos esforços humanos (os predadores) para domar a natureza (os aliens), seja esta considerada literalmente ou como metáfora dos instintos que a cultura precisa domesticar para existir.


Uma versão menos elaborada deste texto foi publicada originalmente na Teia Neuronial Beta, em 25 de março de 2005.

Prometheus

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Spoilers! Este texto contém relevações sobre uma obra de ficção. Se você ainda não a viu e não quer estragar a surpresa, pare agora a leitura.

Prometheus (2012)Título original: Prometheus

Direção: Ridley Scott

País: EUA

Ano: 2012

Sinopse

O muito esperado Prometheus (2012), de Ridley Scott, prometida “prequência” de Alien: O Oitavo Passageiro (1979) – embora Scott tenha declarado que o filme não deve ser encarado como uma “prequência” -, trouxe a história de uma busca pelas origens da humanidade, tendo como mote as ideias que tornaram célebre o escritor Erich von Däniken.

Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) são dois cientistas em busca dos “Engenheiros” que criaram a vida na Terra e que supostamente deixaram mensagens sobre sua localização, em diversos locais do planeta que à época do filme são sítios arqueológicos. Suas teorias chamam a atenção de Peter Weyland (Guy Pearce), empresário ancião e bilionário, e este financia uma expedição ao local indicado pelos antigos “mapas”, na esperança de descobrir uma tecnologia que o permita prolongar sua vida.

No processo de exploração das ruínas alienígenas, os humanos da nave Prometheus (Prometeu, o deus grego que deu o fogo – e consequentemente o poder –  aos humanos e foi punido por Zeus) se deparam com estranhas formas de vida alienígena e com contágios que quase acabam com a missão. Esta tem fim apenas quando um dos “Engenheiros” é reanimado e, aparentemente, tenta viajar à Terra para destruí-la. De uma tripulação de mais de sete pessoas, só sobrevivem Shaw e o androide David (Michael Fassbender), que partem ainda em busca da origem dos supostos criadores da vida na Terra.

Abrindo a obra

Esse resumo da trama não explicita os elementos interessantes nem os pontos fracos da obra. O filme está impregnadíssimo da carga genética herdada de Alien e suas sequências, por mais que Scott tenha tentado ou negado. Isso implica tanto num apelo aos admiradores da “outra” franquia quanto numa previsibilidade advinda de uma fórmula não-original. Vamos aos detalhes.

Em primeiro lugar, Prometheus é uma história sobre a curiosidade humana, a busca científica pela verdade, a perscrutação filosófica das origens. O caráter mítico e místico de ideias fantásticas como as de Däniken em seu Eram os Deuses Astronautas? seduz o espectador com a promessa de uma descoberta fundamental.

Não é à toa que a nave da expedição se chama Prometeu, um dos símbolos ocidentais do humanismo e da autonomia humana perante o poder opressor dos deuses. Porém, nisso reside ao mesmo tempo a esperança e a danação da tripulação. Ou seja: por um lado, a presunção de “brincar” com a vida traz consequências drásticas; por outro lado, a busca revela (ou insinua) certas verdades inconvenientes sobre os supostos “criadores”, que não são os deuses bondosos que se imaginava.

Há então uma mensagem filosófica ambígua. Aparecem, sub-repticiamente, ideias ateístas, quando se observa que o “Criador” não é necessariamente bom, e talvez não haja um Criador absoluto. Weyland, que trouxe à vida David, é inescrupuloso, mas o androide o obedece cegamente, como os profetas fazem, sem questionar as razões ou os métodos daquele que lhe dá ordens. É assim que cristãos, por exemplo, justificam as atitudes antiéticas de Deus pelo argumento de que há um motivo justo por trás de tudo.

Da mesma forma, o “Engenheiro”, imaginado como um ser virtuoso e moralmente evoluído, não é mais do que um humanoide com seus próprios interesses. E, apesar de tudo, vemos a doutora Shaw, movida pela fé, voar atrás de uma resposta mais reconfortante, mesmo com a probabilidade de se arrepender amargamente. Não fica claro, assim, se Scott pretendia exaltar a fé num ideal ou apontar os riscos de uma ideologia míope.

David

Os melhores momentos do filme são encenados por David, o androide a serviço de Weyland. O personagem lembra todo o drama de outros robôs da ficção, como seu xará de A.I.: Inteligência Artificial, WALL-E e Data de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.

David aprende variados conhecimentos em sua viagem solitária (enquanto os humanos dormem em hibernação induzida), como Super-homem em sua Fortaleza da Solidão, aprendendo com os pais virtuais. Quando a tripulação acorda à chegada ao destino da missão, o androide precisa o tempo todo suportar o desprezo dos humanos que o consideram uma coisa. Este é sempre o problema, em histórias sobre robôs, de se programar um ser artificial para simular perfeitamente um ser humano, pois ele sempre será percebido como um arremedo de pessoa, mas, por outro lado, também está programado para agir como uma pessoa agiria diante de atitudes discriminatórias e vilipendiosas.

Entretanto, tendo características humanas, David se sente superior pelo que é capaz de fazer além do que um ser humano faz. Além disso, ele se orgulha de empreender a missão de que foi incumbido por seu criador, e essa talvez seja sua pequena vingança pelo desprezo e desconfiança dos tripulantes de carne e osso. Além de ser o único no qual Weyland confia (mais até do que na própria filha), ele tem o privilégio de já conhecer seu deus, enquanto os humanos estão perdidos atrás do seu.

Prometheus e Alien

  • Em toda a quadrilogia Alien, o principal vilão/antagonista é sempre a companhia Weyland. Ou seja, a ganância exploratória cujos intentos passam por cima de qualquer ética.
  • Como em Alien, há um androide representando os interesses desumanos da companhia. Como em Alien e Aliens, o androide é destroçado mas continua funcionado, servindo ainda a algum propósito na narrativa.
  • A heroína é a única sobrevivente humana e a que mais sofre com a tensão e o terror dos monstros a bordo. Ela até tem uma cena seminua que muito lembra Ripley no final de Alien.
  • A visão do salão com os cilindros dentro da nave alienígena remete inevitavelmente à câmara de ovos/casulos de Alien, e é de onde sai o contágio que dá origem ao monstro.
  • Uma equipe de “figuras”, com suas idiossincrasias e diferenças. No entanto, os personagens das trupes de Alien, Aliens, Alien 3 e até Alien: A Ressurreição são bem mais marcantes e redondos do que os de Prometheus.

É claro que nem tudo é clonagem. Há elementos novos, especialmente o tema central do filme, a busca pelos primórdios, pelas origens, pela criação da humanidade, e a presença de uma raça alienígena inteligente como um dos antagonistas (os xenomorfos da série Alien são mais instintivos e animalescos).

Porém, algumas novidades deturparam um pouco a temática suscitada pela espécie alienígena dos filmes anteriores. Minha perspectiva a respeito dos xenomorfos, que estrelou os 4 filmes da franquia Alien e da sequência de 2 Alien vs. Predador, sempre foi a de que se tratava de um ser vivo pertencente a um ecossistema alienígena, muito diferente do nosso. Um predador-parasita (cujo complexo ciclo reprodutivo-vital se justificaria pelo equilíbrio, afinal, os predadores são sempre menos numerosos do que as presas) que, em contato com o Homo sapiens, trouxe um sério problema de incompatibilidade ecológica.

O “alien” da franquia anterior a Prometheus não é um monstro maligno, mas um animal fora de seu habitat (ou seria o próprio humano o alienígena deslocado de seu ambiente natural), como os coelhos levados à Austrália por colonizadores, resultando numa praga e na devastação da vegetação local.

Prometheus destrói toda essa ideia, sugerindo que os xenomorfos são na verdade originários de um espermatozoide humano mutante, resultado de um experimento genético, que extraordinariamente já nasceu com toda a complexidade fisiológica, morfológica e filogenética que vemos nas histórias protagonizadas por Ellen Ripley.

Enfim, ao desconstruir a premissa interessante de Alien, Prometheus traz mais do mesmo estereótipo do alienígena que só pode assumir um de dois papéis opostos: o de deuses astronautas bondosos, inspirados nas mitologias em que seres superiores são um reflexo das virtudes que queríamos ter, ou bárbaros invasores frutos de um imaginário xenofóbico e belicista.