Mitose Neural 7 – MEIOSE

Padrão

Bem-vindos à primeira Meiose do podcast Mitose Neural!

No Mitose Neural, a Meiose é um conteúdo complementar a um episódio que rendeu muita conversa e discussão.

Neste episódio, Thiago Tecelão, Diego Misantropo e Dyego Wally aprofundam alguns dos temas discutidos no episódio Mitose Neural 7 – A Piada Mortal, como a relação neurótica entre Batman e Coringa e o poder imaginativo e mnemônico do Palhaço do Crime.
Continue lendo

Mitose Neural 7 – A Piada Mortal

Padrão

Saudações! Bem-vindos a nossa espaçonave Mitose Neural! Neste episódio 7 do podcast da Teia Neuronial, Thiago Tecelão, Diego Misantropo e  Dyego Wally (Alter-Egos) conversam sobre a clássica graphic novel do Batman e do Coringa, A Piada Mortal (The Killing Joke), de Alan Moore e Brian Bolland, discutindo a profundidade de seus simbolismos, questionamentos morais, drama psicológico e as instigantes ambiguidades da trama.
Continue lendo

O paradoxo da máscara

Padrão

A máscara pode ser tecnicamente definida como um objeto que cobre parte de ou todo o rosto de uma pessoa. Há máscaras que servem para proteger o usuário de inalar gás ou poluente venenoso; há aquelas que servem para evitar a transmissão de doenças e/ou para prevenir o usuário de uma infecção; algumas máscaras protegem os olhos do soldador das faíscas de sua solda. Em vários casos, o objeto que cobre o rosto tem uma utilidade prática.

Mas há máscaras decorativas cujo uso está ligado à fantasia e assunção de um papel/personagem. Essas máscaras não têm utilidade prática ou laboral. Porém, possuem um certo poder e exercem um fascínio extraordinários sobre quem a usa e quem a vê. O mascarado pode se tornar outra pessoa (pode até ficar irreconhecível para aqueles que o conhecem bem) e fazer coisas que jamais faria em seu cotidiano normal. Paradoxalmente, ao esconder quem aparentamos ser, a máscara permite que nos manifestemos como realmente somos.

Continue lendo

Coleção de sinapses 13

Padrão

Esta semana, jogadores de video games descobriram que têm sonhos mais criativos do que os outros, vimos logomarcas muito criativas, enquanto Diderot fala da falta de criatividade dos usuários da internet. Os Thundercats disseram Hello! num crossover engraçadinho e alguns posters cinematográficos voltaram aos anos 60 num crossover temporal.

Uma artista usa a Ótica para recriar obras de arte e o Estatuto da Igualdade Racial foi recriado e aprovado. O Cinema e a Antropologia nunca mais foram os mesmos depois de Rouch e a Literatura nunca mais foi a mesma depois de Saramago. Vimos belas imagens do espaço, descobrimos que as noções de espaço e número surgem muito cedo na infância humana e o trauma de infância de Bruce Wayne dá ensejo a 2 fan films excelentes do Batman.

Video Gamers Can Control Dreams, Study Suggests – LiveScience

Pela minha própria experiência de “gamer”, sei que os jogos eletrônicos ajudam a melhorar o campo visual. Sempre joguei video game, desde os 8 ou 9 anos de idade, e, depois que tive sérias complicações na visão, passei a jogar certos jogos que exigiam mais atenção visual, o que me ajudou a enxergar melhor. Também noto que tenho muita facilidade de lidar com sonhos perturbadores e de perceber, durante o sono, que são sonhos.

Golada de 50 logos inspiradores – Design on the Rocks

Misturar imagens, imagens com letras e letras com letras exige muita imaginação e criatividade. Eis um bom exercício de percepção e inventividade. Dá vontade de sair inventando logos…

Logos criativas e inspiradoras

Blog do Diderot – Blogs do Além

Li este “blog” quando estava me questionando sobre a dispersão causada pela enorme quantidade de informação encontrada na internet e como ela afeta a capacidade de criar novos conteúdos. Simplesmente o tempo disponível para escrever fica reduzidíssimo se nos deixarmos levar pelos infinitos hyperlinks. O efeito colateral que sinto é que, quando estou escrevendo um novo texto para a Teia, tenho a impressão de estar perdendo novas notícias que aparecem o tempo todo na internet…

Hello Thunderkitties – Flickr

Acho legal todo crossover bem feito. Aqui vemos como o estilo e a forma são essenciais para caracterizar certos personagens. O aspecto ferino e heroico dos Thundercats se perde quase totalmente nessas imagens, assim como a Hello Kitty! perderia sua fofura se fosse desenhada no estilo dos Gatos do Trovão.

Posters de filmes atuais ao estilo noir – Getro

Da mesma forma que os crossovers fazem perder certos aspectos de ambos os universos cruzados, colocar um filme contemporâneo num cartaz dos anos 60 mostra uma disparidade. A forma dos cartazes dos anos 60 já diziam muita coisa sobre a concepção de Cinema da época, assim como os dos anos 90-00 são uma forma de sentir antecipadamente seus filmes correspondentes.

Timothy Lin

When spools of thread become ART-masterpieces by Devorah Sperber – Yatzer

Vejam o vídeo no link e confiram o processo de criação das obras de Devorah Sperber. É um trabalho mental fenomenal, que mexe com as percepções, a Ótica a formação de imagens mentais. É extrapolar a experiência visual.

Devorah Sperber

Senadores aprovam Estatuto da Igualdade Racial, mas retiram cotas – Correio Braziliense

Esse Estatuto tem dado o que falar entre militantes dos movimentos sociais e acadêmicos das Ciências Humanas. Só o tempo dirá se as mudanças feitas na proposta inicial do senador Paulo Paim serão suficientes para não caracterizar o Brasil como uma nação racializada e para realmente servir na luta contra o racismo. Em breve, um post mais detalhado…

O legado realista de Jean Rouch – Tribuna do Norte

O olhar do cineasta pode revelar muito do seu etnocentrismo. Ao combinar o uso da câmera com um olhar antropológico, Rouch dá novas perspectivas não apenas aos aos seus colegas, mas também aos cientistas sociais.

NASA Astronauts on Extraterrestrial Life – The Daily Galaxy

Pena que não há mais informações a respeito. Mas que é intrigante, isso é…

Morre o escritor português José Saramago – O Globo

Saramago revolucionou a literatura da língua portuguesa não apenas com novas abordagens de conteúdo, temática e narrativas, mas também na forma, abolindo exclamações e interrogações, por exemplo, e estendendo os parágrafos por páginas e páginas… Só li dele O Evangelho Segundo Jesus Cristo e uns techos do último, Caim, e foi suficiente para sentir que ele fará falta. Vou tentar escrever algo sobre o escritor português nos próximos dias.

Image of the Day -The Mysterious Beauty of a Supernova Embryo – The Daily Galaxy

Image of the Day: Galaxy X – The Daily Galaxy

Image of the Day: A Brilliant Island Universe -How Many Twin Earths Exist Here? – The Daily galaxy

Image of the Day: Red Monster of the Milky Way – The Daily Galaxy

Como disse meu amigo Dyego, “imagens do espaço rule”!

NGC 4725

NGC 253

V385 Carinae

New Study Shows Human Infants Grasp Number, Space and Time Concepts – The Daily Galaxy

Novas descobertas sobre a cognição humana. Noções matemáticas de quantidade e espaço aparecem desde muito cedo no desenvolvimento humano. Somos mais espertos do que muitas vezes queremos admitir.

Veja agora fan film incrível de Batman! – Jovem Nerd News

Dois curtas muito bem feitos com o Homem-Morcego, feitos por um estúdio amador com qualidade nada amadora. Foram bem fiéis ao espírito dos quadrinhos, tanto na construção da trama (especialmente no segundo vídeo) quanto na exemplar caracterização dos personagens (com destaque para o Coringa).


CITY OF SCARS
Enviado por Batinthesun. – Temporadas completas e episódios inteiros online

Mind tricks

Padrão

O site akinator.com é divertido. O gênio da lâmpada Akinator vai lhe perguntar sobre o personagem (real ou fictício) em que você está pensando. De acordo com suas respostas, ele tentará adivinhar. Até hoje, ele errou poucos dos meus palpites e dos de outras pessoas a quem mostrei o site.

Com o tempo você vai percebendo que as perguntas são colocadas de modo inteligente, e suas respostas vão eliminando as possibilidades no banco de dados do site, até que só sobra uma resposta certa. Às vezes pode haver mais de uma resposta no final (já que o número de perguntas é limitado), e o programa deve buscar a mais popular das respostas possíveis, propiciando um possível erro.

As sugestões dos internautas também contribuem para aumentar o banco de dados de personagens e de perguntas e ajudar o gênio virtual a acertar com cada vez mais acurácia. E surpreende às vezes, como quando ele adivinhou que eu pensava em Alfred Pennyworth, mordomo de Bruce Wayne. O mais intrigante foi que meu irmão disse que mostrou o site aos colegas no trabalho e Akinator adivinhou várias atrizes pornô brasileiras.

O TurcoLembrei-me então de uma máquina que causou muita polêmica e discussão no século XIX, e que foi objeto do conto Maelzel’s Chess-player, de Edgar Allan Poe. Era um robô chamado O Turco, que consistia num boneco preso a uma caixa cujo topo tinha um tabuleiro de xadrez. Um jogador real fazia suas jogadas e o boneco, não lembro através de que mecanismo, respondia suas jogadas e, na maioria das vezes, ganhava as partidas. Muitos buscaram descobrir como funcionava o engenho, e já se considerou que havia um anão dentro da máquina, que era exímio jogador de xadrez e fazia funcionar o boneco.

Hoje em dia nós nos divertimos tentando adivinhar como os mágicos de rua, tais quais David Blaine, Criss Angel e Cyril Takayama, conseguem executar performances tão impressionantes como levitar, fazer outras pessoas levitarem, adivinhar uma palavra de um livro escolhida aleatoriamente por você, fazer um objeto atravessar vidro, transformar um sanduíche de um menu em um sanduíche real e tantas maravilhas que deixam o cérebro em curto circuito.

Blaine é o mais peba. Angel e Takayama são fenomenais.

Sabe-se que os mágicos utilizam prestidigitação (“a mão é mais rápida do que o olho”) e distração, entre outras técnicas, para iludir as plateias. De vez em quando, aparece um “Mr. M” para desafiar os ilusionistas a inovarem seus números. É um bom exercício de criatividade e de superação dos limites humanos. Infelizmente, são essas técnicas de ilusão mental que muitos adivinhos utilizam para iludir os incautos ingênuos. O texto Como se tornar um vidente, de Newton “Cafetron” Gonzales (em seu blog Nebulosa Nerd’s Bar) é bem esclarecedor sobre os meios que se podem usar para fazer as pessoas pensarem que um adivinho tem percepções extrassensoriais.

No entanto, há fenômenos e técnicas que fogem à especulação que leva em consideração somente a ilusão de ótica ou de outros sentidos. A experimentação de técnicas de aprimoramento psico-físico que nos levam a buscar os limites de nossas capacidades somáticas e perceber e desenvolver as potencialidades extrafísicas deveriam ser encorajada em nossa cultura/educação. A prática de educação física deveria ser complementada com exercícios de yôga ou similares.

As aulas mais cognitivas deveriam se enveredar pelo desenvolvimento da memória (com técnicas usadas há séculos pelos árabes, por exemplo, que conseguem decorar em pouco tempo o Alcorão) e das percepções. Sentir-se integrado no ambiente ao redor, perceber-se uma parte do universo, é o objetivo de muitas filosofias que buscam na meditação uma integração com a natureza. O pouco que já senti nesse âmbito já é bastante recompensador.

Como muitas coisas que se encontram na internet, o Akinator não tem uma grande utilidade além de distrair um pouco. Já esta figura misteriosa abaixo deixa você adivinhar a palavra em que ele está pensando. É uma forma legal de praticar o inglês. No link presente no flash há outros joguinhos interessantes (desobri esse site graças a Dyego). Aqui se trata mais de distração e imaginação sem disciplina.

A mente é capaz de conceber o universo, de compreendê-lo (contê-lo), e está dentro dele compreendida. Podemos jogar com a mente através de técnicas que a iludam, mas é sempre possível superar esta ilusão e criar uma ainda mais complexa. Conhecer a mente é saber como enganá-la e descobrir como despistar as ilusões, como aprimorá-la para compreender em detalhes o Cosmos. Esse é o sentido do pensar, essa é a utilidade de se aprender.

O peixe pela boca…

Padrão

O Coringa interpretado por Heath Ledger, no filme O Cavaleiro das Trevas (2008), é provavelmente a melhor tentativa de se representar o arquivilão de Batman. Antes de ver o filme, não gostei da idéia de o personagem não ter as deformações presentes nos quadrinhos e usar uma pintura no rosto. Mas isso se mostrou secundário.

O Coringa é uma espécie de paródia realista do supervilão que faz o mal sem motivos aparentes. Essa crueldade inexplicável é explicada por um temperamento imprevisível e uma visão do mundo fatalista e caótica. Ele é como um menino ferido pelo mundo e que busca vingança (ou seja, ele é semelhante ao Batman na origem, mas diferente no modo de resolver seus conflitos). Seu alvo nunca é uma pessoa, nunca é uma instituição. Seu oponente é o mundo racional, e seu aliado é o lado obscuro e irracional desse mesmo mundo.

Warning: Spoilers!

Como o homem-morcego, ele não possui superpoderes, a não ser sua inteligência. Com esta, e sem obediência a regras morais, ele seria capaz de destruir Gotham City, se quisesse. Mas não é o que ele quer. Ele parece renunciar a isto, talvez por ser fácil demais, e prefere criar um jogo, uma brincadeira, com a sociedade, com o poder instituído. Ele não quer a aniquilação (nihil), mas sim a anomia. Não quer destruir as pessoas, mas enlouquecê-las.

De modo que seus crimes são como piadas, o que está implícito no seu nome inglês, The Joker, que também pode ser traduzido como O Piadista (sentido que se perdeu da palavra coringa, para nós designando uma carta de baralho – que tem a figura de um bobo-da-corte – ou qualquer tipo de substituto genérico).

Ele tem tanto poder que pode ser considerado o maior assediador de Gotham City, tramando os planos de forma ousada e superelaborada. Talvez seu maior êxito tenha sido minar todas as esperanças depositadas pela cidade no Cavaleiro da Luz, o procurador Harvey Dent, e transformá-lo no criminoso Duas Caras. Ele simplesmente remexeu com uma loucura latente do virtuoso procurador, e o converteu ao caos.

É inevitável a comparação que se pode fazer com o aliciamento de Anakin Skywalker por Darth Sidious, em Guerra nas Estrelas: Episódio III – A Vingança dos Sith (2005). Skywalker era o Escolhido, o jadi que traria equilíbrio à Força, a esperança mais promissora. Sidious usou o medo e as emoções mais icontroláveis do jovem para desviá-lo do lado virtuoso da Força e torná-lo o mais poderoso sith da história da galáxia.

Tanto o Coringa quanto Darth Vader causam uma impressão paradoxal nos espectadores. São personagens cruéis, monstros do mal que controlam o universo à sua volta segundo seus desejos. Talvez o fascínio por essas figuras venha de uma experiência infantil comum a muitas pessoas, o desejo egoísta de fazer tudo o que nos foi proibido pelos pais, pela sociedade, pela Lei.

A diferença entre eles é que Vader instituiu, ao lado de Sidious, sua própria lei tirana, ocupando o lugar onde antes havia a República e reprimindo toda manifestação contrária. O Coringa, por sua vez, quer destruir as leis, quer que os impulsos não se reprimam, mas explodam. Aristóteles e tantos outros filósofos já disseram que a virtude está no meio, nem a repressão (que destrói por sufocamento) nem o extravasamento (que destrói por desintegração).

É muitas vezes pelos instintos, pelas emoções e apegos que deixamos descarrilhar nossos investimentos pessoais mais elevados. Por causa de uma pessoa, deixamos de investir em empreendimentos que poderiam beneficiar milhares de indivíduos. Por causa de uma situação confortável, podemos renunciar a um esforço que traria satisfação para a humanidade (e conseqüentemente para nós também).

Mas às vezes a emoção pode levar ao caminho inverso, como em Sindicato de Ladrões (1954), onde o assassinato do irmão do protagonista o leva a lutar contra uma máfia que antes os beneficiava. Algumas vezes, para compreender a situação estagnada em que estamos, precisamos de um empurrão que nos desequilibre e nos mostre que precisamos aprender a usar nossas próprias pernas para andar em liberdade.

Tudo depende do discernimento, que nos ajuda a compreender o que é prioritário e o que é dispensável. Na evolução da humanidade e de cada indíviduo, a busca pelo conhecimento e autoconhecimento cada vez mais nos liberta das crenças e dos apegos que nos dominam. Dominar os próprios impulsos não é jogar fora tudo o que nos distrai e nos conforta. É, mais do que isso, não sentir falta dos prazeres quando estes estiverem ausentes.