Mais sequelas e consequências

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Meu último texto não esgotou o tema do Acordo Ortográfico. O quiproquó, por exemplo, será sentido no ensino fundamental, especialmente na alfabetização, onde as crianças e, em alguns casos, adultos não saberão mais quando uma nova palavra aprendida na leitura tem o u pronunciado ou não, o que nós sabíamos perfeitamente com a regra do trema.

Aí subjaz outro problema. É que o aprendizado, digamos, natural do idioma começa pela escuta/fala e depois, no caso das sociedades que têm esccrita, a leitura/escrita. A pronúncia das palavras é (ou deveria ser) aprendida primeiro e então conheceríamos a convenção gráfica que representa aquele vocábulo. Se já ouvimos que linguiça tem o u pronunciado e banguela não tem, não teremos grandes problemas ao ver pela primeira vez as duas palavras escritas, e entenderemos que, em alguns casos, qugu são dígrafos e em outros não.

Mas a dinâmica não é bem essa. Em nossa sociedade e em muitas outras, a leitura/escrita é uma parte importante do aprendizado do vocabulário de um idioma. Dessa forma, uma regra de pronúncia como a do trema serviria de guia para que soubéssemos como proferir corretamente uma palavra, ao menos em sua forma culta. Por isso a escrita se adapta à evolução da língua falada, e a grafia serve como um guia importantíssimo para estrangeiros que estão aprendendo um novo idioma.

Quem estudou línguas como o italiano sabe que no idioma de Dante há pouquíssimas variações fonéticas, e com um manual escrito se pode aprender a pronunciar qualquer palavra italiana apenas sabendo como é escrita. Mas quem se aventurou a desvendar os mistérios da língua de Shakespeare tem que aturar o fato de que os ingleses têm um idioma escrito que não obedece a nenhuma regra fonética, e cada palavra tem que ter sua pronúncia e escrita aprendidas separadamente.

O português é relativamente fácil neste aspecto, mas tem algumas variações que são uma dificuldade para os estrangeiros. A nova reforma ortográfica bem que poderia servir para facilitar ainda mais o aprendizado da língua de Camões. Mas, infelizmente, parece que só vai beneficiar dois tipos de pessoas: diplomatas, que só precisarão redigir uma versão de cada documento oficial; e linguistas e gramáticos, que serão chamados a programas de televisão para comentar sobre o assunto.

Porém, se pensarmos bem, perceberemos que há um problema relativo às palavras que mantiveram grafia dupla, uma portuguesa e uma brasileira. O que se vai fazer quando um documento contiver a palavra cômico/cómico? Será privilegiado o brasileiro circunflexo ou o português agudo?

Mas, a propósito, ainda há outro aspecto não muito explorado nas discussões sobre essa reforma. A unificação almejada, que supostamente facilitaria a comunicação entre os países lusófonos, não vai resolver as dicotomias celular/telemóvel, arquivo/ficheiro, fila/bicha, camisinha/durex et coetera et al.

Hoje de manhã escutei na rua uma mulher falando ao telemóvel: “Você vai pu restaurante?” Se ela escrevesse a frase de maneira gramaticalmente correta, seria: “Você vai para o restaurante?” Mas poucos se apercebem que somos um país, no mínimo, bilíngue. Escrevemos “Estou comendo o lanche” mas falamos “Tô cumeno lanche”. Se observarmos bem com nossos ouvidos atentos, percebermos como muitas pessoas articulam formas diferentes de pronunciar o idioma, segundo a situação em que se encontram, se na casa de um amigo conversando sobre um filme de ficção científica do qual gostou muito, ou numa sala de aula da universidade falando sobre o mesmo filme em seus aspectos semióticos, imagéticos e antropológicos (esta segunda é mais parecida com a forma escrita da língua).

Fechem os olhos e imaginem as duas cenas (ou cenas que evoquem a mesma ideia de disparidade linguística) com bastantes detalhes. Não é pitoresco?

Bem, um amigo meu me disse hoje que só vai adotar a nova ortografia quando for fazer algum concurso público. Muita gente não está gostando da reforma, e parece que muitos portugueses se negam a adotá-la. Eis o advento de uma nação trilíngue. Temos agora uma língua falada rica em movimento, uma língua falada/escrita mais formal e uma só escrita, que serve para os documentos sagrados da burocracia. Se antes já tínhamos uma norma de difícil acesso, cujos segredos esotéricos só os mais bem-preparados poderiam desvendar, agora temos um idioma místico e hermético apenas para iniciados.

Nota pós-texto

Texto publicado originalmente em 20 de janeiro de 2010 e.c.

O sequestro do trema

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O ano de número 2009 da era comum começa, para lusófonos, com algumas mudanças de ortografia. Algumas pessoas estão reclamando da dificuldade que será aprender novas regras ortográficas. Algumas críticas, porém, se referem à arbitrariedade das novas regras, principalmente no que toca o uso do hífen.

O Acordo Ortográfico foi realizado com a justificativa de aproximar as culturas dos países falantes do português, mas vai de encontro à tendência normal das reformas ortográficas de se adequar às mudanças da língua falada, ou seja, do uso da língua. Se fosse realizado com esse objetivo, o acordo não seria internacional, pois cada país (e cada região de um mesmo país!) desenvolve sua própria pronúncia.

Se se decidisse por uma reforma ortográfica fonética, aí sim haveria motivos para pânico geral. Teríamos que acrescentar inúmeros acentos para diferenciar a pronúncia de cordeiro (côrdeiro) e corte (córte), e dessa forma a regra geral que preside a tonicidade das sílabas sofreria uma mudança escalafobética (êscalafôbética). Além disso, em algumas regiões do Brasil, cordeiro seria córdeiro e, em Portugal, seria curdairo.

Até há pouco tempo, havia duas ortografias oficiais do português: a lusitana e a brasileira. Os diplomatas estão contentes com a possibilidade agora da não necessidade de se escrever duas versões de um mesmo documento. Mas, esperem aí! É para unificar, não é? É. Então por que permanece a diferença entre o tônico brasileiro e o tónico lusitano? O português lusitano vai sofrer mais mudanças do que o brasileiro, mas ainda vai permanecer essa variação de agudos e circunflexos. Para que então a unificação, se não haverá diferença gráfica entre o presente do indicativo da terceiro pessoa do singular do verbo atear e a denominação da mulher que nega a existência de Deus? Como saber qual tem o e agudo e qual o tem grave?

Ateia

É interessante ter uma gramática e uma ortografia unificadas, mesmo que esta unificação tenha restrições. Afinal, dessa forma, na comunicação entre pessoas de regiões diferentes do mundo lusófono, a escrita é compreensível. Se cada região lusófona tivesse sua ortografia, haveria mais dificuldades na comunicação. Neste aspecto, acho que unificar é, em teoria, uma boa ideia.

Em teoria. Pois, pessoalmente, não vejo nenhuma dificuldade na leitura de textos escritos em português de Portugal. Já ouvi algumas pessoas reclamando por terem que aturar a leitura de um livro de que só encontraram a versão lusitana. Ora, qual a dificuldade de substituir fato por facto, objeto por objecto, econômico poreconómicoidéia por ideia? Tenho dúvidas se os enormes gastos para reimprimir milhares de textos e livros valem uma unificação que muda menos de 1% das palavras de um idioma (até este ponto neste texto, só houve duas palavras escritas segunda a nova ortografia). Será que já houve algum manifesto ambientalista contra essa reforma?

E se vão retirar o hífen de muitas palavras, por que não o extirparam de uma vez? Se pára-quedas agora é paraquedas, por que anti-higiênico não é antigiênico? Ora, se vamos mudar, porque não mudar para melhor e simplificar as coisas? Se subumano continua assim, deveriam estipular circunavegação e não o esdrúxulo circum-navegação.

A línguiça do banquela

A línguiça do banquela

Está-se enfatizando, como se isso representasse algum atenuante, que a reforma não mudará a pronúncia. É claro que não existe a intenção de modificar a pronúncia, mas lembremo-nos que sempre há as consequências (olhe, mais uma!) imprevistas. Se a palavra tóxico, cultamente pronunciadatócsico, se popularizou em grande escala como tóchico, consequência da leitura fonética que naturalmente pensa o x com som de ch, o que impedirá algumas pessoas em processo de alfabetização ou com alfabetização deficitária de difundirem em alguns meios a pronúncia sekestro ou consekência? E o que será da hilária empresa de uns metidos a cultos que pensam que falar cuestão é sinal de erudição? Afinal, agora ninguém mais sabe quais são os os us que tiveram seus tremas sequestrados, e não haverá fiscais em todo lugar para assegurar que a linguiça foi mutilada e o banguela não.


Se ainda não se inteiraram das novas regras ortográficas, confiram este link.

Nota pós-texto

Este texto fora publicado originalmente em 5 de janeiro de 2009.

Coleção de sinapses 6

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Essa semana não identificamos a raça de duas caveiras, mas identificamos a mesma imagem fotografada e desenhada ao mesmo tempo. Vimos que ao mesmo tempo também ocorre a censura e a revolta da liberdade de expressão. Uma música revoltosa e apocalíptica do Therion foi apreciada, bem como o Theremin e seu gracioso som, feérico como a música de Enya.

A Força de uma galáxia distante apareceu num lugar inesperado, e descobrimos marcas alienígenas em toalhas (Douglas Adams tem algo a ver com isso?), bem como relatos de extraterrestres no interior do Mato Grosso do Sul. E do interior do Rio Grande do Norte, um violeiro autodidata ancião demonstra habilidade no improviso em verso e violão, enquanto vemos um debate sobre educação em casa versus a educação formal na Escola.

Camiseta Igualdade – RedBug Camisetas

Apesar dos estudos do racismo científico afirmarem que é possível identificar a “raça” de uma pessoa pelas medidas do crânio, com a miscigenação generalizada na face da Terra não dá mais para dizer com tanta certeza se alguém é “negro” ou “branco” só pela caveira.  O sorriso esquelético  por trás de pele e músculo é o mesmo.

Hotlink – Nerdson não vai à Escola

Informações muito importantes sobre ética na internet, mais especificamente sobre os hotlinks, ou seja, o uso de material hospedado fora de seu próprio domínio. Essa foi uma das razões para eu ter escolhido uma hospedagem sem limites de armazenamento, para que eu não precisasse nunca “puxar” imagens de outros sites, clandestinamente, “comendo” a bandwidth alheia.

Arthur (Rick Wakeman) – YouTube

Os teclados de Rick Wakeman visitam Camelot nesse clássico dos anos 70. Conheci essa música há alguns anos através de um vinil do meu pai. Uma canção épica, de descoberta e nostalgia de um tempo de transição entre a antiguidade pagã e o cristianismo medieval. Emocionante.

Lápis vs câmera – Assuntos Criativos

Montagens criativas de Ben Heine, em que a realidade da fotografia se encontra com a surrealidade do desenho.

Tratado do Lobo da Estepe: Só para Loucos (Herman Hesse) – Rubedo

Um belo texto literário sobre autoconhcimento, sobre os antagonismos íntimos entre superego e id, entre razão e instinto, entre a ordem e o caos. Minha Inês tem esse livro me recomendou muito. Ainda não conheço quase nada de Herman Hesse, mas fiquei empolgado.

100 posters sobre liberdade de expressão – Design on the Rocks

Desenhos criativos (alguns nem tanto) sobre o conflito entre liberdade de expressão e censura. Às vezes a repressão cria condições para o surgimento de obras muito criativas, que tematizam a própria censura, como é o caso de muitas das canções de Chico Buarque.
"Censura" e "Esta boca é minha"

To Mega Therion (Therion) – YouTube

Uma música apocalíptica, escatológica, que lembra um desmoronar espetacular do mundo pelas forças da natureza.

Theremin, A Música Etérea dos Deuses – Negative Zero

Randy George’s Theremin Music Channel – YouTube

Informações sobre esse intrigante instrumento musical inventado na Rússia, que faz o instrumentista parecer o maestro de uma orquestra invisível. Confiram também o segundo link, com vídeos de Randy George tocando o Theremin.

Porutogaro-gô: O desafio do idioma de Camões para velhinhos japoneses – CartaCapital

Uma crônica pitoresca sobre os encontros brasileiros entre o Português e o Nihon-go (ou o Porutogaru-go e o Japonês). Nessa história, a gente percebe que o que interessa não é dominar um idioma, mas aprender a se comunicar.

Tea House Moon (Enya) – YouTube

Singela e doce. Lembra gotas de mel caindo. Deveria se  chamar “Honey House Moon”.

“May the Force be with you” – Twitpic

É aí que averiguamos que Guerra nas Estrelas realmente se tornou parte do repertório cultural do Ocidente, quase uma mitologia marginal.

Conjunto Toalhas Crop Circles – Nerdstore

Um produto para nerds, entusiastas de Ufologia e malucos em geral. Fiquei com vontade de comprar, mas R$ 39,90 por 2 toalhas… Mas que é criativa e bonita, isso é. E me faz recordar de quando eu viajava pelo espaço visitando outros planetas…

The Heroes of Hesiod: A Monster Slayers Adventure – Dungeons & Dragons

Fiquei com vontade de traduzir esse livrinho para jogar com meu neto-enteado. Mas talvez seja só uma desculpa para eu voltar a jogar RPG…

O ET de Corguinho – Estadão

São muito intrigantes os relatos de pessoas semianalfabetas que se encaixam com dados ufológicos e com as teorias sobre a manifestação da consciência em outras dimensões, como a Conscienciologia, da qual sou estudioso. Talvez esses ETs não estejam fisicamente por aí, mas extrafisicamente, e seja através do parapsiquismo (percepção extrassensorial) dos personagens dessa história que eles são vistos.

Pais contratam ‘palhaço do mal’ para aterrorizar crianças por uma semana – G1 Planeta Bizarro

Minha ideia é levar um pouco de vida e gargalhada para as crianças. [Dominic Deville, “palhaço do mal”]

Só pode ser piada. Acho que tem criança que até pode gostar da brincadeira, mas depois que algumas delas desenvolverem coulrofobia eu quero ver se esse palhaço continua com esse estranho ofício.

Chico Mote Improvisando na Casa da Amizade – YouTube

Eis meu sogro, membro da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, improvisando em cima de motes sugeridos por José Lucas de Barros. E olhem que Chico Mota já está com 85 anos, não estava acompanhado (quando os violeiros estão em dupla, um pode pensar nos versos enquanto o outro toca) e já tinha bebido algumas. Eu não faria isso nem sóbrio e nem com um parceiro…

A propósito, abri um blog sobre Chico Mota (http://violadechicomota.blogspot.com/) para compilar informações sobre esse renomado violeiro, sobre quem não há quase nada na internet.

Napëpë – Yanomami Ask Their Blood Back – YouTube

Trechos de um filme sobre o conflito cultural entre a indústria farmacêutica e os Ianomâmis, que tiveram amostras de sangue coletadas há alguns anos e acreditam que uma pessoa falecida só pode descansar em paz se não houver mais nenhum pedaço de seu corpo vivo. Eles demandam a devolução das amostras.

Entrevista especial com Cleber Nunes – A educação em casa como um direito básico – O PEnsador Selvagem!

Entrevista especial com Rudá Ricci – O homeschooling é uma afronta ao projeto coletivo de sociedade – O Pensador Selvagem!

Um debate complicado. Se por um lado a escola traz muitos problemas de compatibilidade entre os valores dos pais e os da instituição de ensino, por outro lado a vida moderna dificulta muito a dedicação dos pais para assumir a formação de suas crianças. Acho que o ideal, na atual conjuntura, é procurar equilibrar as duas coisas. Os pais podem e devem participar do desenvolvimento cognitivo dos filhos, mas a maioria não tem tempo para fazer isso da forma mais adequada, e a escola poderia suprir essa necessidade. Porém, é sempre preciso conhecer bem onde você está colocando seu filho para ser educado.

The internet is for dummies

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Os computadores pessoais (PCs, Macs etc.) representam um dos maiores avanços de nossa sociedade contemporânea. Com eles, somos capazes de processar informações de forma profissional, elaborando documentos de texto, planilhas para nossa auto-organização (inclusive com uma calculadora embutida), trabalhar com imagens, desenhos, gráficos e fotos, além de várias formas de entretenimento concentradas em um só aparelho: jogos, música, filmes e muito mais!

Além disso, a internet, indubitavelmente, trouxe o mundo para os indivíduos. Através de uma conexão eletro-magnética, é possível ter acesso rápido a informações advindas de todas as partes da Terra. Podemos aprender outros idiomas, saber das notícias de todos os países, conhecer pessoas de qualquer etnia e aprender qualquer assunto por um custo mínimo.

Mas os computadores e a internet não fazem milagres e não substituem a educação básica e a alfabetização, sejam formais ou não. Também não ensinam ninguém a ser civilizado. Poder-se-ia forjar um novo ditado: “Costumes da vida real vão à vida virtual”. Algumas práticas corriqueiras e estúpidas de quem usa computador e internet mostram que, por mais recursos que se tenham disponíveis para melhorar a vida, seu bom uso depende da sensibilidade pessoal e de uma disposição neofílica para o aprendizado.

Dito isso, listo 7 coisas que me irritam, sem ordem lógica:

1 – Arquivos com o nome “Relatório_novo.doc”

Quando criamos uma nova versão de um documento, o ideal é identificá-lo de forma a não confundi-lo com as versões anteriores. Isso pode ser feito salvando-o numa pasta nova que contenha no nome a data em que foi criada ou dando um novo nome ao próprio arquivo, com uma referência ao evento de que trata ou com a data em que foi feito: “Relatório 05-01-2010.doc” ou “Relatório Reunião de Planejamento 2010-1.doc”.

Quando, por estupidez ou falta de atenção (que às vezes são sinônimos), uma pessoa resolve nomear uma nova versão de um documento como “Relatório_novo.doc”, não se dá conta de que, cada vez que se fizer isso no futuro, haverá mais de um relatório novo (às vezes em várias pastas diferentes, já que não se pode criar mais de um arquivo com o mesmo nome dentro de uma mesma pasta), e se alguém não se der ao trabalho chato de buscar a data de criação dos documentos, não vai saber qual é a versão mais nova.

Quando criar um novo documento, especialmente se for algo compartilhado numa instituição ou empresa, pense nos outros: identifique os arquivos de modo inteligente.

2 – Frases no lugar dos nicknames

Quantas vezes você não viu alguém num bate-papo ou no Orkut usando um nome como “Feliz Natal!”, “Solteira sim, sozinha nunca”, “Alguém quer comprar uma placa-mãe?” e coisas do gênero, de modo que é preciso abrir uma janela de bate-papo ou o perfil para saber de quem se trata?

Essas pessoas se esquecem que tanto os serviços de bate-papo (MSN Messenger, Google Messenger etc.) quanto as redes sociais (Orkut, Facebook etc.) oferecem dois campos principais para identificação: o nome e o status. No primeiro, você coloca seu nome ou seu apelido: “Fulano de Tal”, “Garanhão do Forró”, “Morena Charmosa” etc. Mesmo com eses apelidos esdrúxulos seus amigos acabam se acostumando.

O segundo campo é onde você coloca as frases ridículas tais como as citações inventadas de Oscar Wilde ou baboseiras do tipo: “A esperança não é a única que morre”. Facilite a vida dos seus amigos ou daqueles que você chama de amigos.

3 – Fotos com a legenda “eu”

Há coisas que não são em si mesmas erradas, mas que, não sei quanto a vocês, me chateiam pelo egoísmo da atitude.

Por exemplo, uma pessoa cria um álbum de fotos no Orkut para publicar sua própria imagem. Tudo bem, eu fiz isso também. Aí ela nomeia cada uma dessa fotos com a legenda “eu”.

É claro que, normalmente, quando olhamos uma foto de uma pessoa no orkut, passamos antes pela página de seu perfil, e não precisamos de uma legenda com o nome dela para saber que é ela na foto: se está escrito “eu”, é claro que é ela (espero que não tenha ficado confuso…).

Mas há dois problemas possíveis: um é que as buscas através das imagens fica prejudicada; às vezes você quer descobrir se um amigo seu está no orkut, mas pelo perfil você não o reconhece. Pela foto, no entanto, dá para reconhecer, mas a foto está com a legenda “eu”. Portanto, a imagem não aparecerá na busca (e, se você buscar por “eu”, vai encontrar centenas de milhares de resultados).

Outro problema é um sintoma de falta de criatividade: as legandas das fotos são uma excelente oportunidade para se exercitar a imaginação ou o bom humor, oferecendo aos outros uma oportunidade de sorrir com uma imagem que acaba se tornando de domínio público, e se perde muito ao reduzir tudo ao ego do autor da foto.

Porém… isso é mais implicância minha. Podem nomear suas fotos como quiserem, caros “eus”.

eu

eu

4 – Blogs sem conteúdo próprio

Se você criar um blog, lembre-se de que esse nome é a abreviação de web log, ou seja “diário virtual” (numa tradução livre). É um espaço para você exercitar sua ccriatividade, deixando sua impressão do mundo ou de um dos aspectos do mundo, sua opinião sobre os acontecimentos ao seu redor, seus poemas, contos, novelas, resenhas, críticas…

Para mim, é uma bobagem fazer um blog só para postar textos que se encontram em outros blogs, imagens engraçadinhas que se encontram em outros blogs, vídeos maluquinhos que se encontram em outros blogs…

Se for para usar isso como pretexto para um comentário original, tudo bem. Mas simplesmente postar os textos roubados (muitas vezes sem indicar a fonte), as fotos surrupiadas (às vezes até com uma legenda embutida em que se lê o endereço do blog que a está veiculando, fazendo crer que seu autor é o dono do blog) e os vídeos encontrados por aí no YouTube é uma falta de imaginação gigantesca.

O pior, o pior mesmo, muito pior mesmo, é quando esses blogs idiotas têm um gigantesco público cativo que aumenta a cada dia (talvez aqui eu esteja sendo movido por um ressentimento  pessoal…).

5 – Colheita Feliz

Alguns jogos têm nomes tão idiotas que surpreende como podem fazer tanto sucesso. Minha curiosidade em saber mais sobre o jogo Colheita Feliz veio do fato de a maioria dos meus contatos do Orkut o estar jogando. Porém, quando via que “Fulano de Tal está jogando Colheita Feliz”, só conseguia imaginar uma pessoa com cara de idiota, sorrindo à toa, na frente do computador (por que será que o sorriso parece combinar tão pouco com a sabedoria?).

Não é dos meus jogos favoritos, por isso deixei que Inês cuidasse totalmente da minha fazenda virtual. É até um joguinho bacana… mas que nome idiota!

6 – “Citações” da própria autoria

Uma regra básica que a gente aprende nas aulas do ensino primário de Língua Portuguesa e/ou Redação é que as aspas servem para citar uma frase ou texto de autoria de outra pessoa. Portanto, se você escreve em seu perfil do Orkut um poema, um parágrafo ou um aforismo  de sua própria autoria, qualquer pessoa inteligente vai assumir que quem inventou esse poema, parágrafo ou aforismo é você, mesmo que você não o assine.

Mas algumas pessoas cometem a gafe de colocar aspas nos próprios textos e ainda indicar, entre parênteses, o autor, ou seja, elas mesmas. Às vezes isso dá a impressão de que se está fazendo autopromoção, como se fosse uma frase famosa e, vejam só!, você é o autor dessa frase! (Não lembro bem dessa frase, mas as aspas me dão a impressão de que se trata de um aforismo famoso do qual me lembro vagamente… hum…)

“Colocar aspas nos textos de sua própria autoria é tão desnecessário quanto deselegante” (Thiago Leite).

7 – Tempestade de  emoticons

Os emoticons são muitísismo úteis na comunicação por bate-papos, pelo fato de o texto escrito não transmitir emotividade, e sabemos que parte significativa (alguns dizem 70%) da mensagem que transmitimos na comunicação interpeessoal vem da entonação, dos movimentos faciais e dos gestos. Assim, num bate-papo em que predomina o texto, os emoticons ajudam a transmitir essa parte não-verbal daquilo que queremos dizer. 😉

Além disso, os emoticons proporcionam brincadeiras extras, com imagens animadas que colorem ainad mais a conversação. Mas há um limite para isso.

Esse limite aparece quando um usuário inadvertido do Windows Live Messenger e similares começa a colecionar emoticons desenfradamente e atribuir a eles atalhos como “rs” (para uma carinha rindo), “k” (para uma carinha gargalhando), “que” (para um bonequinho com uma interrogação na cabeça) e até bobagens esdruxulíssimas como “a” para um desenho estilizado da letra A, “b” idem etc.

Se essa pessoa quiser dizer perspectiva ou backup… pior, se ela escrever algo que tenha emoticons querepresentem sinais de pontuação, o dessastre está feito! O que deveria servir para facilitar a comunicação acaba atrapalhando ainda mais, pois você precisa parar para descobrir aqueletra corresponde cada figura que pisca desesperadamente diante de seus pobres olhos!