O paradoxo da máscara

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A máscara pode ser tecnicamente definida como um objeto que cobre parte de ou todo o rosto de uma pessoa. Há máscaras que servem para proteger o usuário de inalar gás ou poluente venenoso; há aquelas que servem para evitar a transmissão de doenças e/ou para prevenir o usuário de uma infecção; algumas máscaras protegem os olhos do soldador das faíscas de sua solda. Em vários casos, o objeto que cobre o rosto tem uma utilidade prática.

Mas há máscaras decorativas cujo uso está ligado à fantasia e assunção de um papel/personagem. Essas máscaras não têm utilidade prática ou laboral. Porém, possuem um certo poder e exercem um fascínio extraordinários sobre quem a usa e quem a vê. O mascarado pode se tornar outra pessoa (pode até ficar irreconhecível para aqueles que o conhecem bem) e fazer coisas que jamais faria em seu cotidiano normal. Paradoxalmente, ao esconder quem aparentamos ser, a máscara permite que nos manifestemos como realmente somos.

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Liberdade e livre-arbítrio – parte 2

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A restrição da liberdade é condição sine qua non da própria vida humana em sociedade. Se não fosse o refreamento dos impulsos vitais, por exemplo, os conflitos interpessoais quase sempre terminariam em derramamento de sangue ou morte. Se as pessoas fossem totalmente desimpedidas para expressar o que pensam, qualquer discordância se tornaria uma troca de insultos, xingamentos e ataques verbais preconceituosos, desperdiçando-se a oportunidade do debate de ideias. Se não fosse a cultura, enfim, não seríamos humanos.

Esse refreamento deveria se tornar uma prática consciente, parte de uma autocrítica constante, norteada pela razão e por uma noção realmente libertária da liberdade. Esta só tem sentido como valor social quando se aplica a todos igualmente, e isso necessariamente significa que, paradoxalmente, nem tudo é permitido numa sociedade livre.

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Paradoxos

Paradoxos
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Numa cena de Matrix, o Oráculo diz a Neo que ele não se preocupe com o vaso que vai quebrar. Num gesto de surpresa, “Que vaso?”, ela bate o braço e faz um vaso cair no chão. Paradoxos podem causar vertigens. Mas são ótimos exercícios mentais: “Eu sempre minto”. Se isso é verdade, então o que eu acabei de dizer é mentira. Se é mentira, então confirmo o que eu tinha dito, ou seja, era verdade. Mas, se era verdade…

Os paradoxos têm uma importância que transcende a mera diversão que proporcionam em discussões que nunca terminam. Eles servem para entedermos as limitações de nossa capacidade de compreender o universo e, assim, buscar a superação dessas limitações. Se Pinóquio, cujo nariz cresce cada vez que ele mente, dissesse “Meu nariz vai crescer agora“, o que aconteceria? Ele estaria mentindo, pois não havia dito nenhuma mentira antes, o que significa que seu nariz realmente cresceria, o que caracteriza sua afirmação como verdadeira.

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