Eram os Deuses Astronautas?

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Provavelmente não. Mas é fácil pensar que sim. O olhar contemporâneo antropocêntrico, eurocêntrico, enfim, etnocêntrico, interpreta as manifestações de outras culturas e épocas segundo seus próprios parâmetros e experiências. Por isso, quando Erich von Däniken pergunta “eram os deuses astronautas?”, é preciso abordar a questão de forma crítica e despojada das pré-noções de quem se atreve a investigar esse tema.

A primeira vez que me deparei com Eram os Deuses Astronautas? foi com uma velha edição de capa verde do meu pai, e este me causou a impressão de que era uma obra impressionante, que revelava uma realidade perturbadora sobre nossos passado e origem. Não cheguei a ler o livro na época. Mas há poucos anos adquiri uma edição nova e, mais interessado do que nunca sobre qualquer tema relacionado a extraterrestres, li o livro rapidamente, sem sentir o impacto que normalmente os leitores dizem sentir.

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Ameaça à Psicologia laica

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O Conselho Federal de Psicologia proíbe os psicólogos de emitir opiniões ou tratar a homossexualidade como transtorno. Mas o deputado João Campos (PSDB-GO) apresentou um projeto legislativo que visa a permitir que psicólogos tentem curar a homossexualidade dos pacientes que assim desejarem. O Conselho criticou esse projeto, lembrando que suas normas éticas procuram combater a intolerância.

Essa questão veio à tona motivada pela recente polêmica protagonizada pela “psicóloga cristã” Marisa Lobo, que usava sua profissão para aplicar conceitos religiosos contrários à perspectiva hegemônica na ciência Psicologia, tentando curar homossexuais de sua “doença” e contrariando a ética do Conselho Federal de Psicologia.

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O sexo dos padres

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Estava pretendendo escrever um texto sobre a declaração do cardeal Tarcisio Bertone a respeito da pedofilia na Igreja e sua suposta relação com a homossexualidade. Antecipei o assunto no post anterior, Pai e mãe não têm sexo, e o comentário de AmBar Amarelo suscitou várias questões interessantes que tomaram a forma de um novo post.

A adoção de crianças por homossexuais não é uma prática tão restrita quanto se pensa. Mas ainda há restrições baseadas num preconceito que considera normal apenas um casal de pais heterossexuais (pai e mãe), ou pensa que a conduta sexual dos pais influencia a dos filhos diretamente, ou atrela homossexualidade à pedofilia e acha que os filhos correm risco de ser molestados pelos próprios pais adotivos.

AmBar começa assim seu comentário:

O meu maior medo (e acredito de muitos outros leigos como eu) é que nós não sabemos se existe relação entre homossexualismo e outros desvios do comportamento sexual tal como a pedofilia.

“Outros desvios” denota que você considera a homossexualidade um desvio, ou seja, acredita que há uma conduta normal (a heterossexualidade entre adultos) e que qualquer coisa diferente disso é anormal.

Porém, se nos voltarmos para a Biologia, veremos que a homossexualidade é um comportamento comum entre muitas espécies animais, e isso não implica um obstáculo à sobrevivência da espécie. Estudos mostram que os indivíduos homossexuais aparecem em algumas espécies justamente com a função de ajudar a criar os filhotes dos outros indivíduos.

Mas estamos falando de seres humanos, não é? Então podemos nos voltar para a Psicanálise, segundo a qual a sexualidade humana é difusa e se constrói na trajetória individual de cada espécime.

Um “indivíduo homossexual” não é um dado óbvio, não é indentificável de maneira tão espefícica. Há muitas pessoas que vivem como heterossexuais mas já tiveram em algum(ns) momento(s) atração por alguém do mesmo sexo. Há pessoas que vivem como homossexuais e já sentiram atração por alguém do sexo oposto. Há indivíduos que são bissexuais, sem preferência. Há bissexuais (tanto homens quanto mulheres) que preferem homens, há bissexuais (tanto mulheres quanto homens) que preferem mulheres. Há pansexuais…

Qualquer tentativa de se estabelecer uma relação entre homossexualidade e pedofilia deverá levar em conta toda essa realidade. E deverá considerar todos os casos de “pedofilia heterossexual”, especialmente os inúmeros casos escondidos e abafados de abuso das meninas pelos pais, pelos tios, pelos amigos dos pais…

Por exemplo, atualmente a igreja católica vive um período incômodo pois foram revelados diversos casos de abusos de padres contra crianças. Recentemente o secretário do estado do Vaticano, cardeal Bertone, afirmou que estes casos de pedofilia não estariam ligados ao celibato mas sim ao homossexualismo.

Falar de tabus é complicado, tem que se “pisar em ovos”, mas vamos lá:

Os casos de pedofilia que vemos envolvendo padres em sua maioria envolve o abuso de meninos (sexo masculino) ou seja, eram pedófilos e homossexuais!

O cardeal em questão não tem qualificação para falar sobre isso e nem citou os estudos psicológicos aos quais se referiu. Para entender os casos de pedofilia dos padres, seria preciso considerar muitas outras questões.

Vamos fazer um exercício narrativo-mental para imaginar uma situação em que homossexualidade teria uma relação com a pedofilia:

  1. Um jovem percebe desde cedo que sente atração por outros meninos e não sente por meninas. Seu dilema é: ter que esconder seus relacionamentos homossexuais e viver “no submundo” ou ser infeliz fingindo que é heterossexual… ou ainda sofrer a pressão da família e dos amigos para encontrar uma mulher e se casar.
  2. Ele decide ser padre, condição na qual, ele pensa, vai evitar qualquer uma das infelicidades acima.
  3. Como é um ser humano, o padre não consegue destruir sua sexualidade latente. Ele continua sentindo atração por outros homens. Mas, como não aprendeu a seduzir, não consegue abordar ninguém da sua idade. Pior ainda, nem quer se arriscar a conviver com outros homossexuais, para não ser visto em público e não estragar sua reputação.
  4. No covívio do padre, há várias crianças, como coroinhas e filhos das fiéis. A possibilidade de usar seu poder sobre essas crianças (tanto o poder advindo da autoridade de padre quanto o poder físico vindo do fato de ser um adulto) para satisfazer seus desejos e a possibilidade de fazer isso às escondidas (quem desconfiaria de um padre? – além disso, ele pode usar o medo para ameaçar a criança e obrigá-la a não contar a ninguém) o levam a praticar a pedofilia.

Essa é uma trajetória possível, mas podemos pensar em muitas outras, e podemos imaginar variações em cada etapa. Não há muitas meninas no convívio dos padres. Aqueles que são bissexuais terão mais chances com meninos do que com meninas. E há, claro, padres heterossexuais que molestam meninas, mas pode haver também aqueles que, mesmo com tendência heterossexual, só consigam encontrar a opção homossexual, devido às circunstâncias… mas quem já não ouviu histórias de (ou não conhece) padres em cidades do interior com vários filhos espalhados por aí?

Penso que deveríamos, inclusive, considerar alguns casos de pedofilia não como uma questão de sexualidade, mas de exercício de poder e coerção. O uso do sexo pode ser uma entre muitas ferramentas usadas por adultos que sentem prazer em subjugar crianças, seja espancando, xingando, ameaçando, chantageando ou estuprando.

Além disso, um pai que espanca os filhos com frequência está exercendo uma violência semelhante à que um padre pratica ao estuprar uma criança. A palmatória não era (ou não é) menos violenta. O que nos faz pensar que a violência sexual é pior do que outros tipos de violência? Talvez o grande tabu que gira em torno da sexualidade e que é, em grande parte, fruto do catolicismo medieval (ou seja, da Igreja na qual estão esses padres pedófilos).

Não sou historiador mas se não me engano em algumas sociedades como a romana, era comum homossexualismo e pedofilia misturados em uma relação só.

Então fica a pergunta, até que ponto pode-se saber se essas coisas estão relacionadas ou são fruto de uma coincidência?

A Grécia antiga tinha aspectos bem diferentes daquilo que concebemos como sexualidade em nossa cultura contemporânea. A relação entre “pedofilia” e “homossexualidade” em alguns contextos sócio-históricos da Grécia se dava da seguinte forma: os jovens que atingiam a adolescência eram entregues a um tutor (este era chamado de erasta e aquele de erômena), que tratava da educação integral do jovem, tanto cultural quanto sexual, tanto teórica quanto prática. O erasta era geralmente um pouco mais velho do que o erômena, tendo passado há pouco tempo pela tutelagem. Era um estágio necessário para a transformação de um menino em adulto e cidadão grego.

No entanto, um adulto que mantivesse relações homossexuais era considerado um desviante, já que na vida adulta a sexualidade normal era com mulheres. Outra forma de relação homossexual era no exército, em que os soldados formavam pares com um laço de fidelidade e amizade que incluía relações sexuais, mas não eram relações pedofílicas.

Por isso, ao pensar que pode haver uma relação entre pedofilia e homossexualidade, é preciso usar a razão para ver que se trata, antes, de um preconceito baseado numa falácia lógica. Poderíamos buscar argumentos tão convincentes quanto esses, baseados em fatos, para relacionar a heterossxualidade à pedofilia, assim como um importante estudo certa vez demonstrou a relação entre o crime e a ingestão diária de pão…

É preciso recorrer a ciência nesses casos e esperar alguma análise que venha esclarecer esses possíveis mitos. Enquanto isso não ocorre, o que temos é achismos de ambos os lados (achismos baseados em fatos, porém sem saber se estão relacionados).

Como trata-se de algo tão sério que envolve crianças, acho que o estado não deve tomar nenhuma medida que vise facilitar a adoção desses grupos, antes de se fazer um estudo mais profundo sobre isso.

Muita gente compõe esse alarido de que há ou pode haver ou “é preciso saber” os perigos para crianças adotadas por homossexuais. Mas ninguém pensa, por exemplo, em proibir fumantes de adotar crianças, ou proibir cristãos fundamentalistas, ou proibir pessoas que têm porte de arma. São todas pessoas que apresentam potencial risco para os possíveis filhos que vierem a adotar.

Há uma pessoa em minha família que é casada com outra pessoa do mesmo sexo. O casal tem 3 filhos adotados e eu dificilmente já vi uma família tão harmoniosa quanto essa. As crianças têm personalidades fortes e saudáveis e eu duvido que haja algum tipo de violência séria (a não ser a pedagogia do castigo comum a quase qualquer família) às crianças por parte do casal.

Mas eu negaria a um padre adotar uma criança, pelo mesmo motivo que fez Alfred Hitchcock gritar a uma menina de quem se aproximava um padre na rua: “Corra, salve sua vida!”

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