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‘Ficção científica’

A alma dos robôs – parte 3

A alma dos robôs - parte 3

A natureza do Homo sapiens roboticus



Um computador pode emular uma inteligência humana de modo visivelmente artificial. Não é difícil encontrar na internet programas que simulam um interlocutor com o qual você pode travar um bate-papo mais ou menos coerente. Mas basta aprofundar ou complexificar um pouco a conversa para desmascarar o robô e fazê-lo dizer coisas sem sentido.

A inteligência das máquinas tem uma especificidade particularmente artificial. A utilidade de um computador prescinde de qualquer traço de humanidade. Um computador e um braço mecânico de uma fábrica não precisam ser nenhum pouco parecidos com um ser vivo, e talvez fosse muito perturbador para nós se não fossem explicitamente artificiais. Esse é o tema de uma história de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, em que Data descobre que tem um irmão mais velho, Lore, que fora descartado por seu criador porque era parecido demais com um ser humano.

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A alma dos robôs – parte 2

A alma dos robôs - parte 2

Animismo, desejos de humanidade e luta por liberdade



Desde as histórias de estátuas que ganham vida, passando por bonecos de madeira e robôs que desenvolvem consciência e sentimentos, a fantasia da passagem do inanimado para o animado está muito presente nos mitos, na literatura e no cinema. Por que os seres humanos são fascinados por personagens robóticos que buscam se tornar humanos? O que há neles com que nos identificamos tanto?

Além disso, por que essa fantasia do robô tornado humano extrapola para histórias em que as máquinas se tornam uma ameaça à humanidade, subjugando-a e invertendo os papéis do dominante e do dominado? Porque, enfim, sentimos um misto de medo e simpatia pelos robôs revoltosos, que são apenas máquinas inanimadas que deveriam servir aos seus criadores?

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A alma dos robôs – parte 1

A alma dos robôs

O que torna um ser animado?



A evolução dos robôs segue seu caminho. Para cientistas, engenheiros e entusiastas da Ciência e da Tecnologia, há, entre outros, um objetivo claro: reproduzir com cada vez mais fidelidade a inteligência humana. Não basta, portanto, criar ferramentas supereficazes em suas tarefas autômatas, mas dar a ilusão de que as máquinas têm uma alma.

Desde a Antiguidade se contam fábulas sobre criaturas artificiais que se tornam seres vivos. Histórias sobre robôs na ficção científica têm abordado o fascínio do ser humano pela possibilidade de surgirem vida e alma das criações tecnológicas. A antropomorfização de seres inanimados não é novidade na história humana, mas quando se tratam de seres que imitam comportamentos e funções humanas, como os robôs, é muito forte a fantasia de que eles podem se tornar completamente humanos.

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A Federação e os impérios de Star Trek

A Federação e os impérios de Star Trek

Os conflitos e convergências entre democracia e totalitarismo



A Federação Unida de Planetas (United Federation of Planets) é uma organização supraplanetária que congrega os povos de vários planetas do Quadrante Alfa no universo de Jornada nas Estrelas. A Federação, embora seja supracultural, tem como base o planeta Terra. Apesar do ideal universalista e multicultural, os valores defendidos pela Federação refletem a ética idealizada pelos próprios humanos que inventaram o universo ficcional de Jornada.

Os principais inimigos da Federação são superorganizações de escopo semelhante. As mais notáveis são os impérios, especialmente o Império Klingon, o Império Romulano e o Império Cardassiano. Normalmente os conflitos entre a Federação e os impérios têm como foco a importância da democracia sobre a opressão totalitária.

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Planeta dos Macacos (2001)

Planeta dos Macacos (2001)

Paráfrase símia



Antes da homenagem e prequência prestada por Rupert Wyatt (Planeta dos Macacos: A Origem), Tim Burton lançara em 2001 sua versão heterogênea de Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 2001), ignorando quase totalmente a cronologia dos filmes originais iniciados por Franklin Schaffner em 1968 (O Planeta dos Macacos), mas amarrando (um tanto frouxamente) certos pontos para deixar a história parecida com a do antigo filme homônimo.

O filme de Burton não merece uma resenha prolongada. Ele é muito mais uma simples homenagem do que um bom filme (aliás, não é um filme muito bom). Assim, para quem conhece a quintilogia, as referências vão fazer soar o lado nerd dos fãs, mas nada que torne a homenagem digna de uma nota alta. Porém, ele vale a pena ser visto por outros motivos, como se verá a seguir.

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Sexualidade alienígena – parte 3

Sexualidade alienígena

A fêmea humana e o corpo afrodisíaco no mercado sexual interplanetário



O corpo da mulher, como disse no texto anterior, é representado em nossa cultura como o corpo afrodisíaco, capaz de excitar sexualmente (quando tem uma forma enquadrada no modelo de beleza vigente) qualquer ser humano. Essa noção faz parte de um conjunto de representações androcêntricas (que têm o humano macho como protagonista e sujeito) que veem a fêmea como coadjuvante e objeto.

A noção de uma capacidade natural e universal de excitar os sentidos é levada aos mundos da ficção científica e do fantástico, e os moldes do corpo feminino como o conhecemos (o da fêmea do Homo sapiens) é muitas vezes transportado para o corpo de seres alienígenas, e as mesmas características consideradas sensuais e belas na mulher humana aparecem nas mulheres extraterrestres. Não só as humanas são objeto de desejo de alienígenas, mas as alienígenas consideradas belas são aquelas que têm o corpo parecido com o humano.

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Sexualidade alienígena – parte 2

Sexualidade alienígena

O prazer da androginia e do hermafroditismo na ficção científica



Os extraterrestres na ficção científica normalmente são inspirados nas experiências humanas no planeta Terra. Eles quase sempre são muito parecidos com seres humanos em muitas de suas características, inclusive em sua sexualidade (tanto no aspecto reprodutivo quanto nas manifestações de afeto e nas identidades de gênero), como vimos na primeira parte deste ensaio.

Porém, algumas concepções conseguem fugir em maior ou menor grau do dimorfismo sexual e das relações monogâmicas heterossexuais, descrevendo desde variações exóticas da sexualidade humana até processos reprodutivos totalmente diversos do Homo sapiens. Vejamos alguns exemplos interessantes, as limitações ou extrapolações a que se consegue chegar na concepção de alienígenas andróginos, hermafroditas ou assexuados

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Sexualidade alienígena – parte 1

Sexualidade alienígena

Variações do dimorfismo sexual na ficção científica



O ser humano tende a antropomorfizar a natureza, ou seja, representar a realidade ao seu redor segundo parâmetros construídos a partir de sua própria experiência. Um dos exemplos mais marcantes em nossa cultura e idioma é a classificação de coisas inanimadas em gêneros masculino e feminino e a representação dessas coisas segundo o que se entende como características masculinas e femininas.

Extrapolando tudo isso, é comum imaginarmos, em histórias de ficção científica, que as espécies alienígenas que porventura possamos encontrar universo afora tenham características muito parecidas com as humanas, como a divisão em dois sexos/gêneros e a procriação sexuada. Até mesmo a existência de algo que possamos identificar como sexualidade é resultado do antropomorfismo.

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Matrix

Matrix

Realidade, ilusão, ciência – Reloaded



Meu nome é Morpheus. Alguns insistem em fazer analogias associando meu nome à figura do pregador João Batista, mas isso não tem o menor fundamento, acreditem. A nave na qual viajo se chama Nabucodonosor, porque certa vez sonhei com a destruição de Jerusalém, embora até hoje não saiba o que isso quer dizer. O onirismo às vezes nos prega dessas peças.

Venho em missão secreta, do centro quente da terra de Sião, a última cidade dos seres livres. Sou o visionário que lutará para libertar a humanidade do domínio das máquinas. Embora plasmado em imagem masculina, advirto que sou mulher mesmo e só usei a indumentária na película porque estava vindo de uma dessas modernas e ridículas festas temáticas para adultos.

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Filmes para crianças – parte 2

Filmes para crianças - parte 2

Contatos imediatos no ensino do 1º grau



As histórias sobre extraterrestres são ótimas oportunidades para se refletir sobre diferença e igualdade. Nelas vemos metáforas das próprias diferenças entre os indivíduos e povos humanos e o desafio do convívio pacífico entre eles, além do aprendizado mútuo. Essas histórias são, assim, um meio de ampliar as perspectivas sobre o mundo e o universo, fazendo-nos refletir sobre o respeito à diferença e à possibilidade de nos considerarmos todos parte de um mesmo mundo.

Nesta segunda parte da série Filmes para crianças, abordarei três obras de ficção científica que tratam do contato entre seres alienígenas entre si, e de como esse contato é importante para mudar a maneira como vemos o outro. Para mim e para as pessoas que me ajudaram a escolher os itens desta lista, assistir a eles na infância foi um marco importante em nosso desenvolvimento como seres humanos e como consciências universalistas.

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